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33 Capitulo trinta e dois (June)
Notas iniciais
Olá pessoinhas!
Eu sei que bombardeei vocês nos últimos três dias com notícias ruins, então aqui vai uma boa!
Ps.: esse capitulo acontece ao mesmo tempo que o passado
Eu tinha ficado no colégio para estudar. A verdade era que não queria ver a cara de decepção da minha mãe quando eu chegava perto e ela percebia que eu estava infeliz.
Não tinha uma única alma viva naquela biblioteca além de mim e meu pescoço já estava doendo de tanto tempo debruçada nos livros.Levantei e saí para tomar um pouco de água no bebedouro.O corredor estava com uma suave música ambiente, embora um pouco triste. Aquele era o andar da sala de música também, então supus que fosse alguém tocando. Caminhei pelo corredor fracamente iluminado e cheguei ao auditório. Abri as postas duplas e me deparei com Felipe sentado no piano negro da escola e tocando.Eu nunca vira algo tão bonito em toda a minha vida. Seus dedos passeavam pelas teclas e seu corpo balançava levemente conforme as notas saíam. Estava com os olhos fechados e parecia extremamente concentrado.Andei pelo corredor quase hipnotizada. Até eu tropeçar em uma poltrona e cair no chão.A música parou instantaneamente.– June?Levantei devagar e olhei-o.– Oi.Ficamos um tempo apenas nos encarando, como se não soubéssemos o que dizer. O que provavelmente era verdade.– O que você está fazendo aqui? — perguntei.Ele olhou para as teclas do piano e passou os dedos por elas.– Eu vim espairecer um pouco. Tocar piano me ajuda a fazer isso.Continuei meu caminho e subi no palco onde ele estava.Felipe parecia extremamente triste. Parecia que qualquer coisa que eu dissesse poderia fazê-lo chorar. Escolhi bem as palavras.– Qual o nome dessa música que você estava tocando?– Moonlight Sonata de Beethoven.– Ela é linda e você toca muito bem.Ele deu de ombros.Respirei fundo e soltei.– Desculpa.Ele levantou a cabeça e me olhou franzindo o cenho.– Pelo quê?– Pelas coisas que eu lhe disse. Sei que eu te machuquei e na verdade eu quis me desculpar assim que eu as disse, mas eu não sou muito boa nisso...– Da pra ver não é? — perguntou ele.– Que eu sou horrível em fazer as escolhas certas?– Que eu estou triste.Dei de ombros.– Moonlight Sonata não parece ser a música que você toca quando está feliz.Ele deu um riso seco.– É, mas eu não estou chateado por causa do que você disse. Eu tive uma briga com meu irmão.Dei a volta no piano e sentei ao seu lado no banquinho.– Eu suponho que você não queira falar sobre isso.Seus dedos estavam sobre as teclas e ele fez pressão para apertar uma, emitindo um som glorioso.– Não.Coloquei a mão no teclado e senti o geladinho das teclas.– Você me desculpa?Ele deslizou os dedos e recomeçou a tocar a música triste.Tirei minha mão para não atrapalhar. Ele tocou a música inteira, concentrado, com os olhos fechados e o corpo em movimento. Fui inebriada pela música e fechei meus olhos também. Eu sentia as notas passeando por mim, a música penetrando minha alma e me derreti de contentamento. Eu nunca me sentira tão envolvida em uma música como naquele momento.Então a música acabou, mas eu não abri meus olhos novamente. A música ainda estava em mim, mexendo comigo, mesmo depois de acabar.– Eu não tenho nada contra você, June — disse ele me fazendo abrir os olhos para encará-lo — Você tem razão em dizer que eu fiquei chateado, pois eu fiquei e muito. Porém eu já superei isso e não estou chateado.Dei um sorriso.– Obrigada.Ele devolveu um sorriso fraco e encostou os dedos no teclado para continuar tocando.Dessa vez eu conhecia. Era mais alegre e agitada. Sua mão voava pelas teclas fazendo a música e eu não pude deixar de rir.– Essa eu conheço!Ele sorriu e parou de tocar.– Rondo Alla Turca de Mozard. Você sabe tocar L'a Valse D'Amélie?Ele riu.– Amélie Poulain... um filme maravilhoso.Sorri.– É o meu preferido.Ele colocou as mãos no piano e começou a tocar novamente.Passamos um bom tempo na brincadeira de adivinhar que música era tocada. Depois de um tempo Felipe já estava rindo de verdade junto comigo.Depois fomos para uma sorveteria perto da escola e jogamos UNO, que por acaso eu tinha na minha mochila. Chamamos pessoas de fora para jogar conosco e foi incrivelmente engraçado.Nos despedimos quando eram quase nove da noite e fomos para casa. Não sei quanto a Felipe, mas eu me sentia muito mais leve, como se pudesse voar pelos céus estrelados.Chegando em casa fiz a primeira coisa que pude pensar em fazer: baixei pelo menos trinta músicas clássicas de piano e de orquestra. Passei horas escutando, coisa que não era normal para meus padrões.
Notas finais
Quem gostou levanta a mão e grita eeeeeeeeeuuu!!!
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