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61 Capitulo sessenta (Caio)
A garota simplesmente pulou no meu colo e começou a mover a cadeira adoidada. Acontece que mover uma cadeira de rodas pela roda é uma ciência muito complicada, e essa ciência, a doida não dominava.
Então começamos a bater nas pessoas e mesmo que ela gritasse:– Desculpe, estou em processo de aprendizagem!As pessoas ainda olhavam para mim como se dissessem:– Controle sua namorada.Mas se elas soubessem que ela era minha irmã (eu ainda não tinha digerido isso), elas diriam:– Controle sua irmã.E eu estava a ponto de jogá-la para fora da cadeira quando ela mesma saltou e me olhou.– Eu desisto, não sou uma boa motorista.– Obrigado — e a dei o olhar mais fulminante que pude.– Não há de quê, amorzinho. E então, o que normalmente irmãos fazem? Eu sou nova nesse departamento.– Irmãos brigam e explicam para os outros que história é essa de irmão.– Sério? O Felipe te explica que história é essa de irmão todo dia?Essa menina estava começando a me irritar. Ela parecia ter resposta para tudo.Então eu ri. Ela parecia muito comigo mesmo.– Tenho cara de palhaça?– Não, você tem cara de Caio.– Égua.– Certo, agora me explica que negócio é esse de irmão.– Bom, tudo o que eu sei é o que meu pai me disse antes de morrer. Ele disse que se apaixonou por minha mãe (que por acaso também é a sua também) e que ela teve de ir para o Brasil por que — ela deu uma risadinha histérica — ela era casada. Então, quando ele morreu, nossa mãe foi chamada para tomar minha guarda e ela me colocou em um colégio interno com medo que vocês descobrissem. – Por isso ela fazia tantas viagens para os Estados Unidos.– Sim. Então semana passada eu fui expulsa do meu internato e ela não teve outra opção a não ser me trazer de volta.– Comovente.– Olha — disse ela olhando para além de mim — A sua namorada está chorando.Virei minha cadeira e realmente vi June em um banco da praça chorando.– Ela não é minha namorada.– Mas vocês estavam se agarrando!– Somos só amigos.– Que amizade legal. Queria ter um amigo bonito que nem você que me beijasse por pura amizade.– Eu vou lá falar com ela.– Não — disse ela colocando a mão em meu ombro — Eu vou.– Mas você não a conhece.– Eu já saquei tudo o que está acontecendo. Deixa comigo e relaxa.Fiquei um pouco apreensivo vendo ela caminhar até June, mas eu não sabia o que tinha acontecido e achava que Alicia iria entendê-la melhor. Ou assim eu esperava.
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