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49 Capitulo quarenta e oito (Caio)
Notas iniciais
Olá pessoal! Com muuuuito esforço, aqui o capítulo! Quase que não sai, mas saiu! :'D
Passei pela cortina e Pedro estava praticamente me esperando com o maior dos sorrisos no rosto.
– Oi — disse ele.– Olá.Aproximei a cadeira da maca e me estiquei para me escorar nela.– O que você e Felipe conversaram?– Nada.Pisquei, lembrando de como vi meu irmão sair apressado como se estivesse prestes a chorar. Supus que eles tivessem tido, no mínimo, uma conversa tocante cheia de lágrimas e abraços e talvez até declarações de amor.– Se não quiser dizer o que vocês conversaram, não tem problema.– Eu estou falando sério, não conversamos nada além de "oi" e "adeus".– Então por que você quis ficar a sós com ele?– Precisava disso. Ambos.– E o que você quer falar comigo?– Eu tenho dois pedidos a fazer a você, Caio.– O primeiro é...– Quero que você toque uma música...– De jeito nenhum.– Por que?– Você não entende...– Do mesmo jeito que você não entendeu minha decisão de parar a quimioterapia.– Mas eu respeitei.– Caio, por favor, eu preciso que você toque. Pela minha mãe.Suspirei. Eu nunca mais tinha tocado em Ann Mary desde o acidente. Só ver minha guitarra me lembrava de como eu era antes e me dava uma tristeza profunda. – O que você quer que eu toque?– Photograph.– Do Ed Sheeran?– Isso.– Por que?– Por que ela diz tudo o que eu quero que minha mãe entenda.Assenti, eu entendia perfeitamente.– Certo. Posso tentar tocar para ela.Ele sorriu.– Obrigado.– Qual o segundo pedido?– Esse vai ser um pouco mais difícil.Ri.– Nada vai ser mais difícil que tocar.Então ele me disse. Ele me disse tudo o que ele descobriu sobre mim em cinco meses que eu não tinha descoberto sobre mim mesmo em vinte e dois anos. E ele acertou em cada mísera suposição.E quando ele finalmente fez o pedido, eu entendi o que ele estava pedindo e eu sabia que seria mil vezes mais difícil que tocar guitarra para a mãe do Pedro.– Por que está me pedindo isso?– Por que eu quero sua felicidade. Você não será feliz enquanto não for cem por cento você mesmo.Assenti.– Eu entendo — ri um pouco — Obrigado Pedro. Eu entendo por que você me pediu isso e eu sei que eu deveria ter feito isso há muito tempo.Ele riu.– Você vai fazer?– Sim, eu vou. Vai ser difícil, mas eu vou.– Obrigado Caio.Olhei bem fundo naqueles olhos.– Sentirei muito a sua falta.– Eu também amigo.Sorrimos um para o outro e eu sabia que estava na hora.– Tchau.– Tchau.Então virei minha cadeira e saí pela porta da ala da UTI.
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