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17 Capitulo dezesseis (June)


Cheguei na UECE um pouco cedo demais, então peguei meu celular e mandei uma mensagem para os meninos.

JuneSouza: bom dia flores!

JuneSouza: sabem que dia é hoje?

JuneSouza: o dia em que eu passo em medicina!

JuneSouza: apesar de não querer cursar...

CaioSarazate: boa noite June

CaioSarazate está off-line

PedroValdeva: não posso falar agora

PedroValdeva: to tendo um encontro romântico com meu travesseiro

PedroValdeva está off-line

Pisquei. Fui rejeitada pelos dois de uma só vez.

– Oi June — disse Felipe ao meu lado.

Me arrepiei toda.

– Oi.

– Posso sentar aqui?

Me encolhi visivelmente, na esperança de que ele me deixasse em paz.

– Se quiser...

E ele sentou.

Respirei fundo e voltei a olhar a tela do meu celular, sem exatamente ver nada em específico.

– Eu sei que devíamos ser competidores hoje, mas eu acho que você devia saber que eu não quero que seja assim.

Olhei para ele. Para mim, Felipe sempre foi uma pessoa fria e sem calculista, como se estivesse sempre pensando em uma maneira de me ultrapassar. Exatamente como Amanda.

Aquele dia no hospital ele foi totalmente diferente, mas presumi que fosse por que Caio tinha uma energia alegre contagiante.

– Você quer ser meu amigo?

– Por que não? Eu não vou conseguir destronar Amanda sozinho e você claramente nem tenta.

Dei um sorriso.

– Mas eu adoraria destronar aquela...

– Fala! — disse Felipe sorrindo — chama ela do que você quer chamar!

– Arengueira!

Ele virou a cabeça de tanto rir.

– Só isso?

– Falsa rapariga!

Rimos juntos dessa vez.

– Vamos deixar de lado sua incapacidade de xingar os outros e voltar ao assunto principal — disse ele me olhando — O que você acha? Vamos nos juntar?

Aquele olhar que Felipe estava me dando era exatamente o olhar malino que Caio tinha constantemente. Na verdade, os dois eram incrivelmente parecidos, com a diferença de que o mais novo tinha cabelos castanhos e o mais velho pretos, porém tinham os mesmos olhos azuis, pele pálida com bochechas rosadas e rosto quadrado.

Sorri com o pensamento.

– Olha só quem está aqui — falou Amanda atrás de nós. Me encolhi toda. A presença da garota sempre me intimidava.

Felipe suspirou. Olhei-o de soslaio, mas ele estava sério novamente.

– Esse é seu problema, June — ele sussurrou — Você é muito medrosa.

Virei-me para baixo, envergonhada.

Felipe se levantou e deu um empurrão em Amanda ao passar e tudo o que eu podia pensar era que por mais grosseiro que ele tivesse sido, ele estava incrivelmente certo.

Notas finais
E então? O que acharam?