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57 Capitulo cinquenta e seis (June)


Notas iniciais
Preparem-se para o impacto em 3... 2... 1...

– Está tudo bem? — perguntei colocando a mão no ombro de Felipe.

Ele se virou e me olhou de cima. Seus olhos estavam vermelhos e inchados e não parecia nada bem.

– Sim — respondeu ele. Olhei-o enviesado e ele deu de ombros — Ninguém está bem aqui, eu estou o melhor que poderia estar. E você?

– Oh, eu não estou nada bem.

Ele deu uma risada fraca.

– Quer conversar? — perguntei.

– Na verdade não.

– Ótimo, então vamos!

– Eu disse que não.

– Mas nós vamos, por que eu quero conversar.

Arrastei Felipe para o jardim e sentamos no banquinho abaixo do caramanchão, vendo as criancinhas correndo de um lado para o outro e Samuel e a namorada se beijando perto do portão.

Passamos um bom tempo calados, talvez sem saber o que dizer.

– Me desculpa — soltei de repente.

– Pelo quê?

– Eu prometi que ele não morreria enquanto você estivesse em casa e... eu falhei.

– Isso não é exatamente algo que você possa controlar.

– Mas eu prometi...

– E essa não era uma promessa que você iria conseguir cumprir.

Olhei-o, ele estava sério, como se realmente tivesse consciência do que dizia, mas também tinha lágrimas nos olhos.

– Felipe?

Ele grunhiu ao meu chamado.

– O que você está sentindo?

Ele não respondeu, não de primeira. Então eu perguntei novamente e ele finalmente falou:

– Culpa.

Franzi as sobrancelhas com estranhamento.

– Por quê?

– Por que ele estava comigo quando tudo aconteceu. Eu não posso tirar da minha cabeça que talvez, se eu tivesse feito algo diferente...

– Não Felipe. Não há nada que você poderia ter feito. Pedro não morreu de algum acidente, ele morreu de câncer.

– Sempre há algo que se pode fazer, June. O acidente de Caio também, se eu não tivesse pedido para ele me buscar mais cedo, se ele tivesse ido meia hora depois...

– Felipe pare com isso! — falei segurando deus ombros e forçando-o a me olhar — Nada disso é sua culpa. Coincidências acontecem. Às vezes é o destino.

– Você acredita mesmo em destino?! — perguntou ele ironicamente.

– Sim, eu acredito.

Eu estava séria, mostrando que eu não estava de brincadeira.

Felipe acenou com a cabeça e se virou para olhar novamente para o jardim.

– Talvez seja destino, mas ele realmente gosta de frescar comigo.

– Como assim?

– Ele deixa um rastro de morte, decepção e acidentes por onde eu passo.

– Isso não é verdade.

– É sim. Caio, Pedro... todos eles.

– E todas as outras pessoas que passaram por você?

– Nenhuma delas era muito próxima.

– E eu?

Ele se virou e me olhou. Pensei que talvez pudesse estar sendo mal interpretada então adicionei:

– E Amanda? E sua mãe?

Ele balançou a cabeça e se inclinou para o chão.

– Não sou tão próximo de vocês.

– Então muda isso — ele me olhou pelo canto do olho — Deixa eu te provar que você está errado. Deixa eu ser sua melhor amiga e te provar que está errado.

Ele piscou algumas vezes e sorriu.

– Tá bom.

Estendi os braços para selar o acordo e ele se apressou para me abraçar. Ficamos muito tempo assim, apertados nos braços um do outro.

Abri os olhos e pude ter um leve vislumbre de Amanda saindo pelo portão aberto da casa. E essa Amanda não era a de Samuel.