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28 Capítulo vinte e sete (Caio)


Ouvi a porta bater e Felipe conversando com uma garota, mas parecia tudo muito distante. Porém eu não queria me levantar. Afinal, eu nem poderia levantar de qualquer modo.

— Caio? — chamou ele.

Me enrolei mais nas cobertas e as puxei até o queixo, estava estranhamente com muito frio.

Ele chamou meu nome mais três vezes antes de abrir a porta.

— Tudo bem?

Balancei a cabeça.

— Estou com muito frio. Feche a porta.

— Caio está torrando aqui dentro.

— Mas eu estou com frio.

— Será que ele não está com febre? — perguntou uma voz feminina que nunca ouvira antes.

Felipe abriu completamente a porta fazendo uma rajada de ar frio entrar. Me cobri ainda mais quando ele sentou ao meu lado na cama.

Meu irmão encostou a mão em minha testa, ela estava fria como gelo e senti um calafrio.

— Está quente.

— Me deixa dormir que eu melhoro.

— Tudo bem.

— Não — disse a voz feminina — Você precisa de uma canja.

Ouvi meu irmão rir.

— Canja?

— É! De galinha. Uma canja cura qualquer coisa. Eu sei fazer uma muito boa.

Me descobri um pouco para olhar a garota. Ela era magra e alta, com um cabelo longo e bonito em um tom dourado brilhoso e tinha olhos castanhos charmosos.

— Eu não gosto de canja.

— Eu sei fazer uma maravilhosa.

— De verdade. Odeio canja.

Ela se abaixou para me olhar de frente, já que eu estava deitado.

— Por que odeia canja?

— Tem muitos vegetais.

Ela gargalhou.

— Sério mesmo? Quantos anos você tem?

— Vinte e quatro — respondemos eu e Felipe juntos.

Ela olhou para ele.

— Pareço o mais velho né?

— Eu vou fazer uma canja sem vegetais para você.

Eu estreitei os olhos.

— Não acredito em você.

— Acredite. E vai estar muito gostosa.

Alguma coisa naqueles olhos castanhos me fizeram querer provar a canja dela e qualquer outra coisa que ela preparasse.

— Tá bom.

— Legal — ela levantou.

— Você é namorada do meu irmão? Por que ele não me falou de nenhuma garota ultimamente.

Estava escuro, mas tenho quase certeza de que a vi corar.

— Não! — falou Felipe rindo — Ela é só uma amiga. Amanda, esse é meu irmão mais novo Caio. Caio, essa é Amanda, uma amiga do colégio.

— Ah — murmurei — Legal.

Ela sorriu timidamente.

— Prazer.

— Igualmente. E desculpe estar deitado. Mas não poderia ser melhor já que o máximo que posso ir é sentado.

Ela piscou e finalmente pareceu perceber a cadeira de rodas ao lado da cama.

— Ah...

Felipe a pegou pela mão.

— Traremos a canja daqui a pouco. Por enquanto você descansa. Vou chamar Pedro.

Sorri com a ideia.

— Isso. Chama o Pedro...

Eles saíram do quarto e meus olhos foram pesando até fechar por completo.

Acordei novamente com um beijo suave em minha bochecha. Abri os olhos e encontrei Pedro me olhando.

— Bom dia Bela Adormecida!

— Você me beijou?

— Foi uma delicia.

Eu ri.

— Vamos sair dessa cama deprimente?

— Eu estou cansado.

— Vamos! Amanda está quase acabando a canja.

— Você conheceu ela?

— Sim! Ela é muito simpática. Vamos, eu te ajudo a sentar na cadeira.

Deixei que ele me ajudasse praticamente me carregando já que eu estava cansado demais para fazer a força que eu precisava para subir.

Quando finalmente consegui estar na cadeira, Pedro estava ofegante e teve que sentar na cama para respirar mais calmamente.

— Certo, vamos lá para fora tomar um sol — falou ele me empurrando.

Saímos do quarto para a sala e me encolhi.

— Sol! — gemi — Ele me consome e me derrete!

— Cuidado Amanda — gritou Pedro — Temos um vampiro aqui.

— Um vampiro cadeirante! — riu Felipe.

— Calúnia! Só o cadeirante pode falar de sua desgraça!

Meu irmão e Amanda apareceram na soleira da cozinha, ela carregando uma tigela.

— Vampiros não tomam canjas — declarei.

— Não se preocupe — ela disse se sentando em frente a mim e tomando uma colher — Esse aqui tem bastante sangue humano.

Felipe riu.

— É verdade — disse ele mostrando uma das mãos com um corte no dedo.

— Então eu provo.

Ela me deu uma colher na boca e senti o gosto explodir em minha boca. Ela tinha razão, não tinha vegetais, apenas arroz e pedaços de frango, porém tinha um leve gosto saudável ali.

Sorri pegando a colher da mão dela.

— Gostei.

Ela sorriu e estendeu a tigela.

— Tem uma panela bem grande cheia de mais canja para você comer o quanto quiser.

Olhei de relance e vi Pedro falando sério com Felipe.

Eu sabia que meu amigo não tinha dito a verdade sobre a discussão entre June e meu irmão, mas eu o perdoei pois eu o entendia.

E na verdade eu estava muito feliz por Pedro estar dando atenção a ele.

Virei-me então para a garota linda a minha frente e tomei mais uma colherada.

— Obrigada — falei.

— Não há de quê.

— Eu falo sério — disse olhando bem no fundo dos olhos dela — E não digo só pela canja.

Ela ficou séria então notou que eu olhei para Felipe mais uma vez e entendeu. Amanda era rápida para entender.

Ela sorriu e estendeu a tigela.

— Eu que tenho que agradecer.

Tomei mais uma colherada e sorri.

Eu poderia me acostumar em ter aquela garota por perto.

Notas finais
reviews! please :3