•••

\"\"

•••

Ah, adoro a sensação quente dos raios solares pela manhã e a brisa acariciando o rosto, me diz se tem coisa melhor? Só um momento, cadê o Sol? E por que a brisa suave está tão afiada quanto uma navalha? E por que meus dedos estão prestes a quebrar?

- Então mãe, pode me dizer novamente por que estamos de pé, às 4 da manhã, em pleno inverno, sentados na varanda e olhando pras estrelas?

- Você não queria um momento em família? Estamos tendo o nosso agora.

- Mãe...

- Ora, ora. Quando você era menor sempre me fazia ficar acordada até tarde para ver os óvnis, não quer mais ser abduzido? – precisava mesmo jogar na cara? Eu tinha o quê? Nove anos?

- Na verdade, pretendo entrar em contato com eles através dos sonhos. Eles podem ler mentes sabia? Ou seja, se eu for pra cama e dormir, minhas chances de conhecê-los aumenta. Então, boa noite mãezinha querida. – yosh, agora é só sair correndo e...

- Nada disso filhinho querido, vamos aproveitar nosso momento em família. – droga, culpa dessas cobertas que não deixam eu me mexer direito. – Vem, senta aqui do lado da mamãe. – do lado da “mamãe”? Não a irrite, não a irrite, não a irrite.

- Sim senhora.

(...)

- Então, já posso ir dormir?

- Eric!

•••

- Querido, acorde. – o quê?

- Que horas é isso?

- Dez.

-...

- Vamos, depressa.

- Você me fez ficar acordado até o Sol nascer, eu mal cai na cama e você já quer que eu fique em pé? Qual o seu problema mulher?

- Vamos até a cidade. Mamãe conseguiu um emprego pra você. – ela precisa parar de se autodenominar “mamãe”. Espera, conseguiu o quê?

-...

-Vamos. Depressa, é Sábado, Leon vem te buscar as duas.

-...

- Que foi? Não está animado?

- Mamãe fez o quê?

- Conseguiu um emprego pra você.

-...

Macumba, feitiçaria, vodu, maldição, praga, jogaram tudo junto pra mim, só pode. De que outra maneira dá pra explicar isso? Enfim, ela tá falando sério?

•••

- Lanches do Ronny. Nome bem criativo. – seria mais se fosse Steve. – Então, eu vou ser garçom?

- É um bom começo, não acha?

- Sim, claro. Servir hambúrgueres cheios de gordura para motoristas de caminhão. O emprego dos sonhos de qualquer pessoa.

- Vai ser bom pra você ocupar a sua cabeça e se divertir um pouco. – não, eu já me divirto e me ocupo o suficiente convivendo com você.

- Então, me trouxe até aqui por quê?

- Pra conhecer o dono do local, você começa a trabalhar segunda.

- Hm... Me deixa adivinhar, ele se chama Ronny?

- Há-há-há. –sim, ela riu com pausas. – Muito engraçado. Vamos.

- Como o conheceu mesmo?

- No mercado, estava comprando os produtos de limpeza e esbarrei nele, começamos a conversar e ele disse que estava precisando de ajuda na lanchonete, então ofereci você. – “ofereci você”, isso me soou meio pervertido. Maldita mente maliciosa.

Caramba, sabe aquelas lanchonetes que vemos nos filmes? Com mesas de toalha xadrez cheias de gordura e funcionários com aventais brancos? Pois é...

- A-Ah, o-oi Marta. – “A-Ah, o-oi Marta”? Vou matar esse cara. – É muito bom vê-la novamente.

- Oi Ronny. Então, esse é meu filho, Eric. – sério que preciso apertar a mão dele?

- É um prazer conhecê-lo Eric, sua mãe falou muito de você. – é claro que falou, sou filho dela. Filho! Seu pervertido desgraçado.

- Posso imaginar... – sabe aqueles caras gordos, nojentos, com suor misturado com mostarda? Então, ele não tem nada a ver com isso. O cara é alto, magro e tem cara de tarado.

- Acho que sua mãe já falou que você começa na segunda, certo?

- Ah, eu só o trouxe para conhecer o lugar. Desculpa se isso é um incomodo.

- N-Não! De maneira alguma Marta! – ele tá vermelho que nem tomate, idiota. Ei, que intimidade é essa? Cadê o “dona” Marta?

- Bem, de qualquer maneira, obrigada pela oportunidade Ronny.

- N-Não precisa agradecer.

- Hm, são onze horas, que tal aproveitarmos e almoçarmos aqui? O que acha filho? – iupi, sanduíches.

•••

- Por favor, me deixe casar e ir embora daqui antes de começar a sair com ele.

- Nossa, você não poderia ser um pouquinho mais simpático?

- Mas eu estou sendo. Eu até sorri quando o cumprimentei. Você não viu?

- Você chama aquele rosnado de buldogue de sorriso?

- Por que buldogue?

- Sei lá, foi a primeira coisa que me veio na cabeça. – sim, porque eu sou gordinho, baixinho, bochechudo e babão. Isso faz todo o sentindo.

- Então, já podemos ir pra casa?

- Meu Deus, como eu pude gerar uma criança tão chata e careta?

•••

- Filho, Leon está aqui. – ah cara, quando eu finalmente pego no sono ela tem que vir e me acordar. Essa mulher acha que eu tenho estoque infinito de bateria?

- Não sabe bater na porta?

- Eu bati... Enfim, alevanta logo.

- Só mais cinco minutos.

- Vou o mandar subir. – quê?

- Não! Mãe! Esp- – mas o quê? – Plaft! –que porcaria de cobertas.

- Olha, isso foi mais rápido do que eu esperava. – maldita, usando esse tipo de truque. – Oh Leon, pode entrar, ele já está acordado. – quê? Não, não!

- A-Ah, oi Eric. – por que ele tá olhando pro lado? Nunca viu um cara de cueca? Seu merda.

- Muito bem, vou deixar os meninos a sós, com licença. – isso não é uma mãe, é um demônio em forma de mulher.

- Vou colocar uma roupa, senta aí. – maldição, não fique corado. – Se quiser rir tudo bem.

- Rir?! – uh, por que a expressão de surpresa?

- Ué, não tá corado por que tá segurando o riso?

- Co... Corado? – caramba, ele vai explodir assim. – Se... Segurando o riso por quê?

- Ué, por causa da minha samba canção do Bob Esponja...

- A-Ah! Hahaha, não, nem prestei atenção nisso.

- Então estava vermelho por quê? – seus olhos vão sair de órbita assim... Hm, espera, oh my God. Esse cara, não me diga que ele é gay?! Caralho, cadê minhas roupas?!

•••

Puta que pariu. Nunca me vesti tão rápido na vida. E esse silêncio predominante, isso tá assim desde que saímos de lá de casa.

- Então... Onde nós vamos caçar?

- Uh, nos fundos de casa. – Hã? – Normalmente vamos até a cidade vizinha, caçar com os amigos do meu pai, mas quando é algo pequeno assim, vamos por aqui por perto mesmo. Não tem muitas casas e nem pessoas, o que é bom.

- Ah, entendi. Eu já disse que não sei atirar né?

- Tudo bem, eu ensino você. – aqui esta, o sorriso destruidor de olhos. Ainda fico cego por culpa dele. – Sua mãe me contou que ficaram acordados até tarde para ver óvnis. – eu definitivamente odeio aquela pessoa. – Você deve estar cansado, ainda alevantou cedo para conhecer o Ronny.

- É.

- Também não parece muito entusiasmado... Se quiser podemos deixar isso pra outro dia. – desgraçado, por que só me diz isso depois de andarmos mais da metade do caminho?!

- Não, tudo bem. Só estou um pouco ansioso porque nunca usei uma arma antes. – tenho medo de atirar em algo que não devo. Tipo, você, seria trágico.

- Entendo... Mas então, o que achou do Ronny? – hã?

- Do Ronny?

- É, ele tem um rosto pervertido e dá em cima de 90% das mulheres, mas é um cara legal. É divertido trabalhar com ele. – como você sabe que é divertido?! Pensando bem, eu acho que não quero saber a resposta.

- Ele tem mesmo a aura de um maníaco sexual.

- Hahaha, mas o Shion é pior.

- Shion?

- Sim, ele trabalha lá também. Ele dá em cima de qualquer pessoa bonita, não importa o gênero, homem ou mulher, se tiver beleza, é a conta. – estou cercado de gente esquisita.

- Como os conhece?

- Ah, eu não te contei né? Serei seu colega de trabalho. – era por isso que eu não queria saber a resposta. E para de sorrir desse jeito. – Chegamos. – Santo Cristo, que monstro é aquele? Hulk de pele bronzeada?

- Aquele, é seu pai?

- Sim. – fodeu

Notas finais
PS: Eu adoro o Shion.