Hello Sleepwalkers — Fanfic Interativa

2 Episódio II - Reuniões e Apresentações 「Parte 1/3」


Notas iniciais
No prazo (ou quase isso). Bem, só é domingo quando eu for dormir. Então, eu estou no prazo u.u Palmas~! Deem uma olhada na grade (o link está nas notas da história e nas notas finais). Deliciem-se com esses gostosos

Quando se tratava daquele programa extravagante, Michio tinha que admitir: os cenários que eles usavam como fundo para a trama, travada por aqueles talentos raros, eram impecáveis. Mal tinha chegado e já estava adorando o primeiro de vários locais que veria.

Andava pelo suntuoso e magnânimo jardim, onde estavam hospedados todos os tipos de folhagens e flores possíveis — que faziam um bonito arco-íris terrestre entre o verde das folhas. A grama baixa quase acariciava seus pés, mesmo que trancafiados em seus sapatos sociais. Nas dependências extensas daquela chácara, havia um pomar muito bem cultivado, uma fonte, uma piscina e alguns bancos. Muitos lugares abertos indicavam que poderia ser um lugar agradável para ensaiar quando fosse a hora.

O sol estava nascendo no horizonte, transformando o céu azul escuro gradativamente para tonalidades diversas, cada vez mais vibrantes ou claras. A brisa matinal fria cortava-lhe a pele ao passar sussurrando, como se o cumprimentasse para um dia magnífico. E era difícil acreditar que não seria.

Isso até lembrar que estava sobre a tutela de crianças insuportáveis. E isso era bem comprovado pelo menino ao seu lado.

Kouki, um garoto de cabelos em tom sujo de loiro e baixinho se comparar com sua estatura, acompanhava-o com uma alegria anormal. A boca de lábios finos se repuxava para ambos os lados, mostrando um sorriso radiante enquanto tagarelava ininterruptamente, em um ritmo que realmente lhe dava raiva.

"Ontem, quando eu estava no avião que vinha para cá, vi a abertura dessa edição! Sua entrada foi muito interessante, Hosokawa-san. Foi intrigante e misteriosa, apesar de muito diferente da que o outro instrutor, Villeneuve-san, utilizou. Ela também foi envolvente, nee~?", dizia enquanto andava ao seu lado, os passos em um ritmo animado, quase pulando. "Oh, mas eu, Luc, também gosto muito de mistério. Você pareceu tão legal, fiquei impressionado~! Mas me pergunto o porquê do Hosokawa-san não optar também por uma entrada abrasante. Vergonha? Alguma limitação nas artes dramáticas ou atléticas? Afinal, largou o-"

"Mas que droga. Onde é que eu desligo você?", perguntou o maior, com um rosnar. Ele tinha parado de rompante, finalmente olhando para o mais baixo que também o observou atentamente. Aqueles olhos com pupilas felinas lhe davam nervoso. "Você só pode funcionar com bateria pra ter tanta disposição para falar às seis horas da manhã. Caramba, que saco".

Luc, em resposta, apenas pendeu a cabeça para um lado. Um silêncio passou a tomar conta daquela parte do jardim, incomodando Michio. Ainda mais quando aquele estranho garoto focava os olhos em si, tão fixamente, como se o avaliasse. E o garoto voltou a sorrir, passando a se mover em volta do outro. Como uma criança.

"Eu só estou muito curioso, Hosokawa-san~! Sacie minhas dúvidas, por favor, nee? Mas antes... Por que não ri, não se solta? Um pouco de felicidade, é o que recomendo. Ela vicia mais que qualquer coisa. Eu garanto...", falava mais uma vez sem cessar, de uma forma tão animada que era impossível do outro ignorar. O que lhe enfurecia. Tinha voltado a andar enquanto o garoto o cercava até ele parar a sua frente, bloqueando seu caminho. "Hosokawa-san, o que houve na edição de 1993?"

Michio deu uma risada seca ao ver a cara do loiro. Sua expressão preocupada era tão falsa que era uma afronta aos talentos das artes cênicas que já passaram por ali. Embora seu sorriso debochado mostrasse que não era a intenção soar verdadeiramente perturbado.

O diretor só pode olhar em volta, vendo várias câmeras gravando tudo, de todos os ângulos possíveis. Apenas baixou o olhar, suspirando. E voltou a andar, desviando dele.

"Pare de me encher ou vou pedir pessoalmente para te trancarem no sótão até a primeira apresentação. E não ouse sequer desconfiar que não farei isso."

"Ara, ara. Mas que irritação~! Estou me convencendo que o Hosokawa-san caiu da cama para estar aqui agora! Ou será que foi cuspido?", zombou, continuando atrás dele com sua aura alegre e agora sacana.

"Garoto, por favor, morra", pediu o homem, irritado e com dor de cabeça. "E para de me chamar com sufixo, seu porre. Isso é irritante."

"Mas, mas! Você também é japonês!"

E a paciência de Michio acabou quando passou a, descontroladamente, bagunçar o cabelo. Estava louco para pular naquele pescoço e estrangulá-lo. Mas simplesmente não podia. Por que estaria dando um tiro no próprio pé. Decidiu então que iria se livrar dele em qualquer canto. O mais rápido possível.

Assim que se acalmou um pouco, Michio virou-se, observando a construção que deixara há alguns minutos para ter paz. Que não encontrou. O garoto ainda tagarelava bem ali ao seu lado, mas ele não fazia questão de processar. Olhou o relógio e então constatou que já era hora de voltar.

"Ei, Hosokawa-san! Onde vai~?", questionou o loiro. Seguiu-o com o mesmo comportamento de criança hiperativa, curioso. "Hosokawa-san~!"

"Está na hora de encontrar a Marjorie e conhecer vocês. Queremos dar umas instruções em uma reunião dos Blue's agora, às sete horas", comunicou, controlando sua vontade de avançar nele.

Com essas palavras, o menor desembocou em milhares de questões, tagarelando muito e piorando ainda mais as dores de cabeças do outro japonês. Que maravilhoso dia estava vivendo. Maravilhoso mesmo.

— ♬ —

Já era de conhecimento público que o excêntrico programa de talentos gostava de sempre fazer cenários bastante originais a cada nova etapa do programa, disso a workaholic mais famosa do momento sabia, mas não queria crer que estava num lugar como aquele.

Mesmo como jurada, Ashe von Frühauf precisava ficar no mesmo ambiente que aqueles indivíduos. Desde as vadiazinhas e cães que eram a carne-nova do show business, aos macacos que lhes dariam as instruções para apresentarem-se bem. Mas ela sabia que nenhum deles teria capacidade para passar por cima dos seus olhos afiados. Eles captavam qualquer defeito. E eles sempre existiam aos montes.

Mas não era esse o problema. Ela estava desesperada por outro motivo.

"Ainda não conseguiu sinal, madame?", questionou Kirino, sua guarda-costas. Ela estava como sempre a sua direita, velando por sua segurança, enquanto a editora encara seu celular.

"Arsch de programa. Nenhuma área disponível e também tem a ousadia de não quererem ceder algum ponto de wi-fi", reclamava, arrumando o óculos sobre o nariz enquanto os braços tremiam, assim como as mãos. "Sou uma mulher ocupada, se esses Arschlecker acham que só por estar aqui, posso ficar sem trabalhar... Estão bem enganados, kahle Sal, die."

A morena lhe observou por um segundo, se compadecendo da chefe e então pedindo licença para ir resolver isso. Só recebeu um aceno de mão em resposta.

O motivo para estar sem sinal nenhum era porque o pessoal da produção decidiu que eles deveriam ir para uma chácara bem afastada de qualquer outro lugar do mundo. Sem nenhuma tecnologia. Mas não importava se fosse um homem de dois metros, um policial ou um maldito enviado do futuro: aqueles celulares não sairiam de suas mãos nunca.

Ashe estivera andando sem rumo pelo sobrado anormalmente grande e, agora, repousava em um dos sofás de madeira envelhecida da grande varanda dianteira. Olhava aquela natureza toda e ouvia o cantar de pássaros e insetos como abelhas e tudo que sentia era nervoso. Odiava lugares fora do monocromático requintado das cidades grandes.

A rede ainda não tinha voltado quando viu uma garota surgir da porta de entrada. Ela tinha cabelos compridos e sedosos, coloridos em marrom e rosa, tendo também os olhos de tais cores. Sua pele era clara como leite e ela sorriu ao lhe ver, um sorriso de troça. Aquela criatura estava tirando com sua cara enquanto se vestia de sorvete humano, é sério?

"O que foi, Gertrud, die? Se perdeu do seu bando de macacos esquizofrênicos?", questionou com seu costumeiro tom de tédio mortal. Tentou controlar a tremedeira que seus braços haviam virado, olhando fixamente para o celular e à medida que mexia a toa nas teclas da tela touchscreen.

A jovem não falou nada em resposta, sequer entreabriu os lábios. Ela sacou seu guarda-chuva, apoiando-o em seu ombro e abrindo-o sobre sua cabeça, não se importando com o fato de estarem em um local fechado. Do tecido rosa decorado saíram muitas borboletas com asas translúcidas que voaram em uma dança sincronizada. Passou a fazer passos de sapateado improvisado, fazendo os insetos diferentes esvoaçarem em formação, de acordo com seus movimentos.

À medida que passou a rodopiar, seus cabelos elevaram-se, dançando pelo ar. Seus cachos batiam nos bichinhos espetaculares que explodiam em bonitas luzes e brilho ao menor toque.

Kronnata foi parando sua apresentação com um sorriso largo no rosto, esperando ver um sorriso com olhos brilhantes estampados no rosto da mulher. Mas ela estava absolutamente como antes: face fechada e desinteressada, os olhos focados no celular e extremamente concentrada. Como se nem tivesse visto.

A mestiça de cores ficou ofendida com a posição de Ashe quanto ao seu lindo espetáculo. Passou a bater os pés no chão de madeira envelhecida com ritmo, revelando irritação. Esperava satisfações, mas nada veio da mulher até Kirino reaparecer.

"Tudo resolvido, madame. Em no máximo cinco minutos estarão ligando uma rede só para você", disse com seu tom profissional, tentando esconder com a barra da calça escura as manchas de sangue que apareceram no seu calçado (vindo da canela de um dos organizadores). "Madame?", chamou quando apercebeu-se do estado catatônico da mulher.

"Tira essa Hure, die daqui, Kirino", ordenou com raiva. Seus olhos demonstravam pura irritação ao estarem focados na tela do celular. "Não levantei de minha cama nessa manhã para ver essas Mist, der de truques de quinta. Tenho mais o que fazer."

A morena de cabelos lisos aquiesceu, pronta para dar um jeito na ilusionista. Mas antes que pudesse fazer isso, a garota mostrou a língua de uma forma muito infantil e magoada, sumindo em seguida numa explosão de cristais. Deixando as duas para trás, Kirino meio confusa e a editora com a mesma cara de nada de sempre. Como se não tivesse sido surpreendida nem um pouco.

O que podia ou não ser verdade. O certo é que agora a rede voltara e ela poderia fazer o que lhe acalmava: trabalhar.

— ♬ —

"Um belíssimo começo de programa, maravilhoso!"

Resmungava a japonesa em pensamento, enquanto andava pelos corredores a procura de outros membros de seu grupo. Sem se dar conta, mexia nos cabelos castanhos escuros de forma catatônica. Estava muito nervosa.

Seus olhos estavam semicerrados, quase fechando. Mika sentia muito sono já que fora tirada do Japão de forma abrupta para ir à um lugar do outro lado do mundo. Com o horário diferente, tivera uma noite em claro e agora enfrentaria seu primeiro dia no Hello Sleepwalkers. E, pra piorar, fora tirada do quarto pelo assistente do seu instrutor. Teve que sair sem passar nem um pingo de maquiagem.

Ela chegava a se perder dentro daquela construção que deveria ser considerada mediana. E o número de câmeras hospedadas em todos os cantos do sobrado lhe incomodava, fazendo-a andar sempre com a cabeça abaixada. Sua cara deveria estar horrível.

Apesar de toda a sua irritação pelo que acontecia, sabia que tinha que lutar para ser reconhecida como uma vencedora. E como ela odiava perder, tinha de dar tudo de si para sair vitoriosa.

Mika cruzava corredores, olhando para dentro de quartos abertos e batendo nos que tinham portas fechadas. Onde estava a tal de Tessa J? Um nome artístico estranho... foi então olhar o nome dela na folha e viu ali uma série de kanjis. "Oh, uma japonesa?", pensou enquanto tentava decifrar o nome. "Mas que merda de nom-".

Foi surpreendida por algo em seu caminho, batendo o pé e então tropeçando. E caindo de cara no chão com um grito estridente.

Sua paciência esgotou-se imediatamente ao sentir as articulações dos braços e pernas doerem com a queda. Virou-se abruptamente, a fim de ver o que tinha sido responsável por sua queda desastrosa. Com horror, ela apercebeu-se que era uma mulher, jogada no chão de bruços.

Deu um gritinho e rastejou de costas no chão até alcançar a parede, tremendo. Era uma defunta? Ela sequer se moveu com toda aquela cena e gritaria. Engoliu em seco, observando agora atentamente o corpo.

A mulher tinha cabelos cinzentos medianos e vestia uma roupa bastante larga, provavelmente alguns números maior que seu manequim. Não conseguia ver seu rosto por ele estar tampado pela cabeleira, além de virado para outro lado. Ela nem estava respirando!

Engolindo em seco, soube que tinha que pelo menos verificar se ela estava mesmo inerte, sem salvação. Levantou-se e então parou ao lado da moça, cutucando seu tronco lentamente com seus tênis para ver se ela respondia. Uma, duas, três... nada. Desistiu, virando-se para ir chamar ajuda quando dedos finos apertaram seu tornozelo, fazendo-a novamente estatelar a cara no piso.

"O que você pensa que está fazendo?", gritou a menina, abismada. O coração estava na mão quando virou o rosto para trás, assim como metade do corpo, tamanho o susto. A mulher tinha se sentado no chão, meio de lado. Ela usava óculos de grau, tinha uma pele anormalmente pálida e olheiras muito profundas decoravam seu rosto, localizadas embaixo dos olhos.

Marjorie apenas soltou seu tornozelo, coçando a cabeça lentamente, como se assim pudesse pensar mais facilmente. Seus olhos nem mesmo haviam aberto mais de um centímetro.

"Que horas... são?", perguntou, pausando a expressão para bocejar de forma manhosa.

"São nove horas!", gritou a outra, ainda sentindo o coração bater rápido enquanto se levantava. "Mas, mais importante que isso... POR QUE você está JOGADA no meio do corredor?"

A de cabelos acinzentados olhou em volta lentamente, tentando se situar.

"Ah... Eu estava indo para o meu quarto... Iria dormir... Mas o sono era tanto...", bocejou longamente antes de continuar sua fala já lenta. "Que eu decidi dormir aqui mesmo."

"Caramba, não faça mais isso! Vai pegar uma gripe ou algo assim!", resmungou enquanto levantava, indo ajudar a mulher a levantar. Estendeu sua mão para a maior mas quando ela foi pegá-la, retirou-a. Lembrara-se de perguntar. "Você é da produção? Ou do time dos Red's?"

Marjorie olhou-a atentamente, de forma tão fixa que a adolescente se perguntou se ela por acaso não era capaz de dormir de olhos abertos.

"Eu sou a orientadora dos Blue's, Marjorie... Reed", disse com sua voz inexpressiva, a face sem revelar nada mais que cansaço. "Prazer."

Em resposta a sua fala, a morena apenas fez uma pequena careta, afastando-se dois passos. Blue's eram detestáveis aos seus olhos, não só por ser Red mas por eles serem de natureza nojenta.

"Ah, ai está a jovem porca", ouviu uma voz masculina falar, vinda do lado direito do corredor. Mika olhou para lá imediatamente para ver quem era.

Um homem muito musculoso, de físico impecável e cabelos azuis se aproximava. Seu abdômen completamente a mostra, apenas de calça e tênis. Seu andar esbanjava não só orgulho como graciosidade, ele parecia um modelo. Mika quase se viu suspirando.

"Ouça, sua porca maltratada e suja", disse novamente a voz masculina aveludada, agora bem mais próxima. "Eu, Jean Villeneuve, não devo nunca esperar ninguém para absolutamente nada. Em que dimensão você pensou que poderia sumir por ai? Além de ser uma suja feiosa que não sabe nem o que é maquiagem, é uma desajeitada atrasada."

Em resposta, a moça apenas suspirou. Ela não prestara qualquer atenção no que ele falara, os olhos focados em seus lábios que mexiam-se de forma provocativa, mesmo para distribuir farpas. O sono ajudava.

"Não acho que você tem o direito de nos tratar assim só por ser nosso instrutor", resmungou uma voz claramente mais jovem, feminina. Finalmente a morena notou a existência de Tessa, uma garota baixinha de cabelos branquíssimos e brilhantes. Seus olhos amarelos cintilavam com uma raiva contida. "Sr. Villeneuve."

"Calada e invisível, sua suja irresponsável. Queria o mundo que você tivesse realmente escorregado daquele telhado e virado panqueca na calçada", disse Jean com sua magnifica educação.

Certo era que Tessa já odiava aquele cara. Mesmo. Ele era absolutamente narcisista, orgulhoso e mal-educado. Suas ordens sempre vinham depois de analisar o que era melhor para o próprio umbigo, o que lhe dava bastante raiva. Na verdade, ele deveria indicar e organizar um caminho para a vitória, não mandar neles. Isso já deixava ela muito puta.

Antes que pudesse falar algo sobre o ocorrido — ao qual tinha fugido do quarto para ir se pendurar no telhado do sobrado, só para contrariar as ordens daquele cara ridículo (apesar de muito bonito) -, ouviram uma música em alemão. Ela vinha do chão, mais precisamente do bolso da orientadora (que voltara a cair no chão, estuporada).

"É meu celular", ela resmungou, levantando a mão como quem pede desculpa. "Ignorem."

"Nós não deveríamos sair daqui para falarmos?", perguntou Mika, com um olhar de puro descaso para a Blue. "Ela está ouvindo tudo."

"Eu já vi esse pano de chão, vulgo tapete, quando eu passei. Não é como se eu me importasse se ela ouvisse. Minhas ideias são espetaculares demais para uma cabeça tão pequena", respondeu o de cabelos azuis, arrumando o cabelo com uma pose orgulhosa.

"Não é do interesse da Marjorie ouvir o que esse escandaloso tem a dizer. Pois é só isso que ele sabe fazer: chamar a atenção", disse uma outra voz masculina. Todos olharam para onde ela vinha, vendo um homem de terno e cabelos escuros, aparados. "Não há talento nenhum por baixo dessa carcaça chamativa."

Michio dizia sem olhar para ele, evitando sequer passar a visão sobre seu corpo ou rosto. Jean o olhava com tédio, mas sentindo-se profundamente desafiado. O moreno se aproximou do pequeno grupo, abaixando-se ao lado da sua parceira para levantá-la. Com facilidade ele a pôs nos braços e ergueu, como uma princesa.

Já ia saindo quando sentiu duas mãos se projetarem em sua cintura. Jean quase colara em seu corpo por trás, levando os lábios até bem próximo de seu ouvido direito. Carregava bem a respiração para descarregar na pele do japonês, que involuntariamente se arrepiava enquanto também sentia-se intimidado pelo corpo esculpido tão perto.

"Pois debaixo dessa sua cara de macho fingido, sweetie, devem ter muitas camadas de coisas inexploradas", dizia com a voz pausada, provocante. Seu perfume forte e ácido fazia os pensamentos de Michio darem nós, de tão afetado que ele ficava ao senti-lo. "Gostaria muito de revelá-las, uma a uma. Vai que o público internacional também goste, não é? Mi-ki-chan."

O homem apenas conseguiu engolir em seco, desvencilhando-se dele.

"Você é completamente desprezível."

E então sumiu do local, rápido como um raio. Deixando pra trás um Jean dando risadinhas de escárnio e duas meninas confusas.

"O que você disse para ele?", questionou Tessa, com curiosidade. "Ele saiu correndo como um cão que apanha."

"Algumas verdades", respondeu com um sorrisinho debochado. "Agora, venham logo, quero me livrar logo de vocês duas jogando para o meu orientador. O fedor das duas me enoja."

Notas finais
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