Hello, I Love You
7 What Kind Of Man
Notas iniciais
Katniss Everdeen
Peeta insistiu em acompanhar Katniss até seu apartamento, e ela não recusou. Sempre teve muito orgulho de dizer que era uma pessoa forte, que não se abalava com facilidade, mas os últimos acontecimentos de sua vida só provavam o contrário. Ela se sentia fragilizada e até mesmo amedrontada. A ameaça feita por Gale martelava em sua cabeça, e ela temia por ela e principalmente por Peeta, que com certeza seria o mais afetado (fisicamente) se Gale resolvesse mesmo cumprir suas ameaças. Ela nunca imaginou que o ex-namorado pudesse ser assim. Tão babaca e até mesmo perigoso.
Estremeceu ao pensar na palavra "perigoso" e Peeta perguntou-lhe se ela estava com frio. Balançou a cabeça em negativa mas caminhou devagar até a cozinha, enchendo uma chaleira com água e colocando pra ferver. Precisava se acalmar e sabia que tomar uma xícara de café era o primeiro passo pra fazer isso acontecer.
Não demorou muito pra que o rapaz loiro fosse atrás dela. Ele ficou recostado no balcão da cozinha, os braços cruzados e uma expressão preocupada no rosto. Katniss corou ao vê-lo assim. Eles mal se conheciam e ele estava ali, cuidando dela, se preocupando com ela. Sem contar que ele tinha dado um soco em Gale por causa dela, pra defendê-la... Ninguém nunca havia feito isso antes. Nem mesmo o próprio Gale quando eles namoravam. Ela também se sentia mal só de imaginar se algo de ruim acontecesse a Peeta por sua causa. Ela era uma idiota. Jamais deveria ter metido o rapaz naquela confusão.
— Me desculpa, Peeta — ela começou a falar, sentindo a voz falhar e tremer. Estava nervosa e preocupada. — Eu não deveria ter te arrastado pra tudo isso. Eu vou falar com o Gale e explicar tudo. Não vou deixar ele te fazer mal.
Mas ao invés de dizer qualquer coisa, Peeta bufou e rolou os olhos. Ele se aproximou de Katniss, segurando a morena pelos ombros e encarando-a, olhando-a bem nos olhos.
— Você está sendo absurda. Não é comigo que você precisa se preocupar. É com você. E você acha mesmo que eu deixaria você procurar aquele babaca depois de todas as coisas que ele te disse? — Ele bufou outra vez, dessa vez mais irritado. Katniss se perguntava se ele estaria relembrando das palavras de Gale assim como ela estava. — Você não vai procurar por ele. Não vai explicar nada. E não vai acontecer nada comigo, até porque eu sei me cuidar. E vou cuidar de você também. Não vou deixar aquele idiota te machucar.
Ela sentiu vontade de perguntar se ele se referia a machucá-la fisicamente ou emocionalmente. Sabia que ele era capaz dos dois, e não queria nem imaginar como seria passar por aquilo — de novo.
— Nós mal nos conhecemos — ela justificou, esperando que aquela fosse uma observação bem feita que faria com que ele se tocasse que eles realmente nem se conheciam e que ele não precisava fazer tudo aquilo por ela.
— Realmente. Não nos conhecemos bem. Mas acho que agora teremos tempo de sobra pra isso. — Ele deu um sorrisinho simpático. — Sem contar que... Independente de qualquer coisa, de sermos ou não amigos, eu jamais deixaria um cara como aquele machucar qualquer menina, mesmo que eu mal a conhecesse.
Katniss estremeceu. Acabou se lembrando do soco que Peeta deu em Gale, do sangue, das ameaças... Como seria quando ele resolvesse ir atrás dos dois?
Foi abraçada pelo loiro que murmurava palavras de conforto enquanto afagava seu cabelo. Será que ele não percebia o risco que estava correndo por ficar ao lado dela? Será que ele não sentia raiva dela por tê-lo colocado naquela confusão?
Eles se afastaram quando ela ouviu o barulho da chaleira. Perguntou se ele queria café, mas ele recusou, então preparou uma única xícara pra ela e os dois se acomodaram na mesa, Peeta sentado de frente pra ela com um sorriso nos lábios. Ele parecia completamente confortável e não demonstrava qualquer sinal de preocupação com o que Gale poderia fazer com ele. Mas ao contrário dele, Katniss estremecia sempre que lembrava do ex-namorado. Tinha medo do que poderia acontecer.
***
Depois que Peeta foi embora, Katniss se trancou no quarto e dormiu pelo resto do dia. Geralmente não trancava a porta do quarto, mas não queria encarar Rue e explicar tudo o que havia acontecido naquele dia. Se pudesse, ela apagaria todos os acontecimentos das últimas 12 horas e recomeçaria do zero.
Ela se sentia exausta. Sua cabeça doía tanto que até mexer os olhos se tornou uma coisa dolorosa. Tomou duas aspirinas de uma vez e rezou pra que fizessem efeito com rapidez. Ainda tinha muita coisa pra fazer e uma dor de cabeça só atrapalharia tudo.
Pegou o notebook e se aninhou na cama com ele no colo. Precisava procurar um emprego e Enzo havia mencionado um estúdio que precisava de uma professora de dança pra crianças. Ela não sabia se servia pra ser professora, mas estava aceitando qualquer coisa. Suas econômias estavam acabando e de jeito nenhum ela voltaria a trabalhar naquela boate horrível onde tivera seu último emprego.
Acabou abrindo o Facebook por força do hábito. Estava sempre checando suas mensagens porque era por ali que as pessoas costumavam avisá-la sobre concursos de dança e possíveis trabalhos. Abriu a caixa de mensagens e foi lendo uma por uma, com muita calma pois sua cabeça ainda doía. A maioria das mensagens eram casuais. Amigos mandando "Oi", e uma garota dizendo que ela havia sumido. Não respondeu nenhuma, deixaria pra respondê-los mais tarde. Mas uma mensagem chamou sua atenção. Era de uma pessoa que ela nunca tinha visto na vida. Na verdade, a pessoa em questão (uma garota) parecia nova demais pra conhecê-la tanto das aulas de dança quanto do seu último emprego.
A garota se chamava Primrose. E a mensagem dizia o seguinte:
"Oi, Katniss. Sei que não nos conhecemos e você deve estar se perguntando: Quem é essa garotinha estranha que me mandou uma mensagem? Mas é que... Eu tenho quase certeza de que você é minha irmã. Bem, Katniss não é um nome muito comum. Muito menos Katniss Everdeen que é o nome que vi numa das cartas que meu pai esconde embaixo do colchão. Eu só queria ter certeza se é mesmo você. Me responda quando puder. Beijos e abraços."
Katniss estava de olhos arregalados e de boca aberta quando chegou no final da mensagem. IRMÃ? ELA TINHA UMA IRMÃ? Não que isso não fosse provável. Sabia que seu pai deveria ter formado outra família quando abandonou a sua mãe e ela. E eles não tinham contato. Pelo menos ela não sabia que tinha. Mas sua mãe provavelmente mandava cartas pra ela. Agora ela podia se lembrar de sua mãe escrevendo e escondendo os papéis sempre que Katniss se aproximava pra ver o que era.
Mas será que... aquela garotinha era mesmo sua irmã? Abriu o seu perfil e começou a olhar suas fotos. Ela era loira, sorridente e parecia adorar seu gato. Tinha inúmeras fotos dele em seu perfil. E bem ali, em meio a dezenas de fotos do seu gato e de céus cheios de nuvens havia uma foto do seu pai. Do pai de Katniss. O pai de Primrose.
Então elas deveriam mesmo ser irmãs.
Rapidamente ela voltou a caixa de mensagens e começou a escrever uma resposta para a garota. Não sabia exatamente o que dizer. Começou com um "Olá, Primrose" e depois disso foram só palavras que lhe surgiam na cabeça. Ela confessou ter olhado o perfil da menina e que havia visto uma foto do seu pai, o que comprovava que elas provavelmente eram irmãs. "É muito bom saber que tenho uma irmãzinha mais nova", ela completou, tentando ser educada. A verdade era que ela não fazia ideia do que fazer com aquela informação. Será que ela deveria contar pra sua mãe? Será que sua mãe já sabia daquilo mas nunca havia lhe contado?
Céus, aquele dia não parava de ficar pior.
Peeta Mellark
Ele ligou para Katniss todos os dias. Estava preocupado, queria saber se ela estava bem e se precisava de alguma coisa. Mas ela parecia bem e afirmava isso sempre que ele perguntava "E aí, como você está?". É claro que ele não poderia ter certeza. Pelo menos não enquanto estavam se falando apenas pelo telefone. Eram telefonemas rápidos, os dois acanhados demais pra puxar assunto e prolongar a conversa. Sem contar que aquela semana estava sendo puxada e corrida pra ele. A banda tocaria no estúdio escolhido por Cinna e Jim iria embora. Estava tudo uma bagunça.
Jim adiou sua viagem apenas por dois dias. Disse que não deixaria os rapazes na mão. Tocaria com eles pra Cinna, mas depois disso eles estariam por conta própria. Ele iria embora e desejava toda sorte do mundo pra eles.
Eles passaram os últimos dias ensaiando sem parar. Ensaiando algumas das composições de Peeta, apesar dele ainda não estar confiante o bastante pra achar que as músicas eram boas o suficiente pra fazê-los conseguir um contrato com uma gravadora.
E além de estar com a cabeça cheia e preocupado com todas as coisas que poderiam dar errado, o loiro ainda não conseguia deixar de pensar em Katniss. Ele se preocupava com o que seu ex-namorado poderia fazer. Ele não o conhecia, então não podia dizer se aquele cara era capaz de machucá-la, tanto fisicamente quanto sentimentalmente. Ele ainda podia se lembrar de como ela tinha ficado abalada depois de seu encontro com ele na cafeteria. Aquele Gale não fazia bem a Katniss, mas Peeta pôde perceber, pelo modo como Katniss se comportou quando estava perto dele, que ela ainda era apaixonada pelo ex.
E isso o deixava morto de ciúmes.
Sabia que não tinha motivos pra se sentir assim. Não tinha sentido nenhum ele se sentir enciumado daquela forma. Ele e Katniss eram apenas amigos. Nem isso, eram conhecidos, colegas. Ele até podia estar começando a desenvolver uma leve paixonite por ela, mas era só isso. Isso não lhe dava direito de sentir ciúmes — ou dava?
Quando chegou o dia de se apresentarem pra Cinna, todos os rapazes estavam extremamente nervosos. Cato e Finnick não paravam de repassar as letras das músicas, os tons, as cifras... Queriam fazer tudo funcionar. Queriam que tudo desse certo. Finnick ainda tinha esperanças de que Jim resolvesse ficar ali caso conseguissem um contrato. Peeta só queria ao menos receber uma boa critica sobre suas músicas.
Ele estacionou a van em frente ao prédio onde o estúdio de Cinna ficava. Era um prédio com cinco andares, com uma fachada antiga e uma placa que ficava pendurada de lado e balançava ao vento, onde se lia "Cinna's Music". Silêncio pairava sobre a van enquanto todos observavam o prédio e faziam suas orações silenciosas pra que tudo desse certo.
Foi Jim quem quebrou o silêncio, dizendo "Chegou a hora, galera. Vai dar tudo certo." E foi o primeiro a sair da van, incentivando os outros a fazerem o mesmo. Finnick foi o encarregado de ir até o prédio e avisar a Cinna que eles já estavam ali, e voltou com a notícia de que o estúdio já era bem abastecido com instrumentos, então eles não precisavam levar os que tinham na van. Mas eles levaram as guitarras e o baixo mesmo assim, se sentiam mais confortáveis tocando com seus próprios instrumentos.
— Vejam se não é a banda mais diabólica do momento! — Cinna os saudou, abrindo os braços e dando um sorriso enorme ao vê-los entrar no estúdio. — Como estão hoje?
— Nervosos — Cato respondeu, dando uma risada que contagiou a todos.
— Bem, não há motivos pra nervosismo — Cinna respondeu, largando-se sentado num dos três sofás de couro preto que decoravam o estúdio. — Eu já vi vocês tocando. São bons. Quero que façam a mesma coisa aqui, só que com músicas próprias.
A banda se reuniu dentro do estúdio. Jim atrás da bateria emprestada e os outros com seus respectivos instrumentos. Após o sinal dando por Finnick e um em resposta que receberam de Cinna, eles começaram a tocar.
E foram ótimos.
Peeta conseguia ver Cinna sorrindo e acenando positivamente do outro lado do estúdio. E ele até mesmo começou a dançar depois que eles tocaram o refrão e a música assumiu um ritmo mais animado. Todos estavam sorrindo, até mesmo Jim, que conseguiu se esquecer momentaneamente de sua viagem pro Canadá.
Quando deixaram o estúdio, Cinna os recebeu com aplausos e gritos. Abraçou a todos, dando beijos em seus rostos, sem conseguir esconder seu entusiasmo.
— EU NÃO ACREDITO! — Ele berrava, todo sorrisos. — EU DESCOBRI UMA BANDA INCRÍVEL DESSAS! Não que eu não tenha descoberto outras bandas incríveis antes — ele se apressou a se corrigir. — Mas vocês... Vocês foram mais do que incríveis. Eu vou fazer de vocês um sucesso.
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