Hellfire

1 Prólogo


Saíra daquela igreja revoltada. Destruída. Completamente destroçada. Corria o mais rápido que suas pernas conseguiam, desajeitadamente, chorando num ato de desespero. Sem rumo. Seu coração descompassado e literalmente em pedaços. Tropeçara na própria bainha do vestido, caindo em algum lugar que ela não reconhecera. Tirou o véu, rasgando-o, assim como seu coração e sua alma estava agora. Deixou-se cair, não tendo mais forças para continuar. Os olhos embaçados por conta da grande quantidade de água que caia de seus olhos e, assim, sua visão turva. Sua maquiagem — como esperava — estava completamente borrada, sujando seu lindo rosto, agora inchado por conta das lágrimas que derramava.

Esperar é doloroso. Esquecer é doloroso. Mas não saber o que fazer é o pior tipo de sofrimento.

Um turbilhão de sentimentos misturavam-se dentro dela. Ela estava sozinha. Humilhada. Inconsciente. Muito confusa. Mas, acima de tudo, ela estava com ódio. Sim, estava furiosa. Nunca sofrera uma humilhação como aquela. De todas as coisas que passou na vida, aquela com certeza fora a pior. Fora abandonada no altar pelo homem que a jurou amor eterno, que a declarou fascínio. Pelo homem para qual se entregou por inteira. De alma, corpo e coração. O homem com qual sonhava ter seus filhos. Com o qual planejou a vida todinha, detalhe por detalhe. O qual ela esperava estar com ela até o último dia de sua vida, sentado em uma cadeira de balanço ao seu lado. Tola. Era isso que ela era. Tola de acreditar e sonhar tão alto. Ela não passava-se de uma coitada. Fora trocada por qualquer vagabunda de esquina. Jamais alguém amaria-o como ela o amou. Um amor doentio, que superou todas as fronteiras. E acabou assim. Amor que, pelo jeito, só existia para ela. Trouxa. Inútil. Iludida. Ridícula. Imprestável. Era assim que ela se sentia agora. Mas ela não queria que os outros sentissem dó dela. É isso. Ela seria bem melhor que ele. Ela passaria por cima de todos e de tudo isso. Ela impressionaria todos os homens. Até as mulheres a desejariam. Ela seria comentada em todo lugar. Não deixaria ninguém nunca mais ferir seus sentimentos ou passar por cima de si. Ele iria paga-la por isso. Todos iriam. Ela daria as ordens e os comandos, e não o contrário. O mundo seria dela.

– Ou não me chamo Isabella Marie Swan– limpou o rosto com as mãos e agarrou o véu que ainda segurava, firme. Levantou-se, rindo com deboche, largando o véu no chão e cuspindo nele, com nojo.

Ali nasceria uma nova mulher.

****

– Mais uma dose, por favor. — disse virando o último gole de sua décima dose de tequila. Estava há pelo menos uma hora enfiada naquele velho Mystic Grill.

Devem estar todos se divertindo e pulando de alegria naquele casamento. E a coitada aqui, se embebedando e chorando as dores por um chifre. Pensou, bufando. Eu deveria estar lá, apoiando-a. Celebrando e dividindo esse momento com ela, e não chorando minhas dores como uma mulher fraca e típica nesse bar. Riu, debochada. Ah, é, eu sou essa mulher fraca e típica que foi traída pelo noivo debaixo do seu nariz, e ainda com um homem. Mas que péssima melhor amiga eu sou. Que péssima imprestável eu sou.

– Nem sirvo pra satisfazer um homem, se você quer saber — falou alto suficiente para o garçom ouvir e, a olhou espantado na sua frente, enquanto ela virava de uma vez sua nova dose de tequila. — Que foi? Tá olhando oque? Eu sou tão feia e fedida assim? — o garçom desconversou, gaguejando. Ele não achava isso, mas ele de certa forma estava com medo dela. — Ah, você também?! Não consigo agradar nem um velho baixinho careca que trabalha nessa espelunca — choramingou. — Me dá mais. — bateu o pequeno copo no balcão

Eu sinto como se estivesse apenas de passagem pela vida. Mas então uma voz na minha cabeça me diz pra fazer alguma coisa, pra criar alguma coisa, e eu quero ouvir, mas não sei como.

– Mo-mo-moça, não seria melhor ir para casa? Ligar para alguém? Não quer que o seu namorado venha te buscar? Eu ach... — gaguejou, sendo interrompido.

– Namorado? — gargalhou alto, forçado — Você acha mesmo que se eu tivesse alguém que me amasse eu estaria nessa espelunca vazia, só com você aqui?! Faça-me rir — ficou imóvel por um instante, então limpou a garganta e assoviou, olhou para os arredores, o que deixou o garçom mais assutado ainda. — Vem cá, vou lhe contar um segredo — falou com a voz rouca, indicando com o dedo para o garçom ir para mais perto dela. Vendo que ele estava com receio, persistiu — não tenha medo de mim. Eu não mordo, "homi"! A menos que você peça — tirou sarro — AGORA VENHA LOGO — disse ameaçadora, fazendo com que ele fosse obrigado, pois ela puxou-o pela gola de sua camiseta — Sabe porque estou aqui?

– Hhmmmmm.... — disse, apenas.

– Eu sou corna, e meu noivo me traiu com meu MELHOR AMIGO. Com um HOMEM! — riu escandalosamente — dando ênfase nas palavras — e largou-o com tudo fazendo-o bater no armário de bebidas que estava atrás, caindo todas no chão, por pouco não caindo nele também. — Oh, me desculpe — disse apavorada, mas mesmo assim rindo — Deixe-me ajuda-lo! — pulou o balcão, desajeitada, e caiu no chão junto com ele. — Ahahahahahahahaha — deu uma gargalhada escandalosa — Espere, não fique com medo! Vou ajuda-lo.

Se distraiu com uma bebida, sem motivos, apenas a pegou, abriu, e a virou todinha em pouco mais de um minuto, sem intervalos. Era um martine importado.

– Depois eu pago por isso — garantiu, mesmo sabendo que ela não pagaria.

– Errr... — o velho tentava levantar-se, fugindo dela, mas era tarde demais. Ela havia aberto mais uma garrafa de vinho, mas acabou tropeçando numa outra e caindo em cima do pobre cuidado, derrubando toda a bebida em cima do mesmo.

– Opa — sorriu, travessa.

– CHEGA! CHEGA, CHEGA, CHEGA E CHEGA — o velho teve um ataque e de repente levantou e a empurrou para fora, a deixando falando sozinha e naquela rua deserta, afinal, praticamente toda a cidade estava no casamento de sua melhor amiga. Onde ela deveria estar- É por conta da casa!! — disse, enfim, fechando a cortininha que era o último campo de visão que a moça podia ve-lo.

Ela virou-se e começou a andar, sem rumo, choramingando, se pegando cantando "Batatinha quando nasce" de vez em quando, e rindo de si própria e seu estado. De repente, trombou em alguma coisa.

– Foi mal!! — gargalhou e já ia passando quando "a coisa" a impediu.

– Katherine? O que está acontecendo? — a amiga a puxou pelo braço.

– Isa-sa-sabe-lla?? Você não deveria estar na sua festa?

– Sim, e você também. Quer dizer, não — Katherine franziu o cenho - Vamos para minha casa, tome um banho gelado e um café, e então conversamos — a amiga sorriu para ela e então ela se sentiu confiante, e deixou ela guia-la. Quando se deu conta estava debaixo de um chuveiro, sentada no box, molhando e passando a mão em seu cabelo. Levantou e enrolou-se em um toalha, abrindo o box e reconhecendo o que era pra ser o antigo apartamento de sua melhor amiga, Isabella.

– O que houve? — Isabella disse entrando no banheiro trocada com uma roupa debochada, e incomum para ela. Katherine franziu o cenho, mas não disse nada, apenas acompanhou a amiga até a sala, e sentou-se, daquele jeito mesmo.

Ela contou tudo para Isabella, sempre choramingando e se lamentando, mas sua amiga estava diferente. Surpreendentemente após ela choramingar e contar toda a história, Isabella meteu-lhe um tapa na cara. Ela congelou. Estava ali,confessando seus sentimentos para sua melhor amiga desde sempre, e Isabella tinha agido assim. Isabella não era assim, havia algo de errado. Porra, ela estava ali falando que o seu noivo havia lhe trocado pelo seu próprio melhor amigo. Um homem. UM HOMEM! A pessoa que, depois de Isabella, ela considerava a que mais confiava. Ela estava tão desesperada, triste, e Isabella havia feito isso?!

Será que estou com bafo? Pensou. Ou será que falei algo de errado? Ah é, pode ser porque não fui para igreja celebrar seu casamento. Em falar nisso, o que diabos ela está fazendo aqui mesmo? Era para estar em uma pós-festinha, uma lua-de-merda, ou seilá.

– Toma vergonha na cara e para de ser frouxa! E... cara, você tá com bafo de bebida — gargalhou Isabella.

– É, eu imaginava — as duas riram

– Mas é sério, Katherine. Há algo muito maior que isso! Agora eu sei realmente o que devo fazer, o que nós devemos fazer.

Isabella contou-lhe tudo que havia ocorrido, tudo em que planejava ser dali pra frente, e ela e amiga tomaram uma grande decisão. Elas partiriam. Elas seriam as rainhas, e elas que dariam a última palavra daqui em diante. Elas deixariam tudo, não olhando pra trás. E valeria a pena. Tinha que valer. Elas seriam o que nunca imaginaram ser, mas que no momento, elas tinham que ser. Elas seriam as melhores. Era um risco que teriam que correr. Eram humilhações que simplesmente não podiam passar em branco. Não, não podiam.

– Isso é um pacto. É por nós e pela nossa amizade. Só teremos uma a outra. Viveremos livres. Desimpedidas. Não seremos mais o objeto da dor, e sim a causadora dela. Você vai ter que deixar tudo pra trás, e ser outra pessoa. Começar uma nova vida. É pegar ou largar. Você tem que ter certeza disso.

– Eu vou cometer esses riscos. Eu vou mostrar pro mundo quem é Katherine Pierce.

As duas sorriram cúmplices. O mundo não imaginava o que estava por vir. Duas leoas não deveriam andar por ai soltas, deveriam?! Melhor todos estarem preparados, pois irá nascer uma lenda. Ou melhor, duas.

Mas eu não quero conforto. Eu quero poesia. Eu quero perigo. Eu quero liberdade. Eu quero bondade. Eu quero pecado.

***

HELLFIRE, porque viver no inferno é bem mais legal.

Notas finais
Espero que tenham gostado. O final ficou meio bleh, eu tava cansada, mas acho que ficou bem legal rss Amanhã ou sexta tem capítulo novo e, realmente, espero que gostem! No capítulo 1 vão entender tudo e vão ver a transformação delas, e bem coisinhas mais. Lembrando que Katherine Pierce é interpretada por Nina Dobrev em TVD e Isabella Swan por Kristen Stewart em Twilight! Não deixem de acompanhar, comentar, divulgar, etc. rss Sua opinião é um combustível para essa fic. Ah, logo menos a Blair vai aparecer, mas vai demorar alguns capítulos, mas não deixem de acompanhar ein.