Hell on us

32 Surpresas inesperadas


Notas iniciais
Olá meus queridinhos como vão? Milagrosamente estou postando capítulo novo na mesma semana Uhuu!!! E já vou dizendo que esse capítulo já estava pronto desde o mês passado e por muito pouco não o postei antes, mas como eu queria que fosse uma surpresa mesmo então aqui está ele. Espero que gostem!!

[...]

Já haviam se passado exatos dois dias desde que fomos aceitos para viver em Alexandria e eu podia dizer que já estava um pouco mais confiante sobre aquele lugar, ainda era estranho caminhar por aquelas ruas sem estar com alguma arma por perto, mas depois de dois dias ali dentro pude notar que aquele lugar parecia realmente seguro e livre dos errantes que existiam além dos altos muros que mantinham Alexandria segura. Eu ainda precisava me acostumar com isso também, era estranho estar num lugar sem ter que se preocupar com os mortos, todos ali dentro pareciam não dar a mínima para isso e alguns simplesmente pareciam não ter a mínima noção do que acontecia além daqueles muros. Caminhando pelas ruas de Alexandria -dessa vez sozinha- eu pude ter um tempo extra para pensar no que havia acontecido nos primeiros dois dias que havíamos chegado ali, o estranho com a enorme cicatriz em seu rosto continuava sendo um completo mistério para mim, eu não sabia seu nome e nem o motivo dele me encarar daquele jeito e mesmo que minha curiosidade fosse grande para saber disso eu não tinha tanta coragem assim para perguntar o que diabos ele queria comigo. Se é que ele queria alguma coisa comigo.

Passei por um certo ponto de Alexandria onde havia várias crianças brincando, todas estavam sorrindo e assim como algumas pessoas que viviam ali elas também não pareciam se importar com o mundo terrível que existia do lado de fora daquele lugar. Sem perceber eu parei de andar e fiquei parada enquanto observava as crianças brincando sobre o gramado, algumas corriam atrás uma das outras enquanto outras pareciam brincar com algum tipo de brincadeira de roda; algo que eu não conhecia. Uma menina mais baixa que eu ao me ver parada se aproximou de onde eu estava e perguntou se eu queria brincar com eles, eu não queria ser chata nem nada com aquelas pessoas que mal conhecia e nem mesmo queria ter sido ignorante com a menina, porém eu não estava com cabeça para fazer parte daquela ilusão que elas estavam vivendo ali dentro. Brincar como se nada estivesse acontecendo e não parecer dar a mínima para o mundo real em que estávamos vivendo nos dias atuais não era algo do qual eu estava disposta a fazer ali.

Voltei a caminhar antes que a menina dissesse mais alguma coisa e me afastando um pouco do local onde aquelas crianças estavam me senti um pouco mais leve após fazer isso, Rick havia nos dito para tentar socializar com aquelas pessoas, Carol mesmo já parecia ter conseguido fazer isso de uma forma surpreendente e mais algumas pessoas do grupo como Glenn, Maggie, Tara e Noah já pareciam ter conseguido sucesso ao fazer o que Rick nos dissera para fazer. Eu tentei também, nesses primeiros dias ali tentei conversar com as pessoas que estavam na mesma faixa etária que eu, conheci um menino chamado Ron que no primeiro momento pareceu ser um garoto legal e mesmo que fosse algo quase impossível, consegui trocar mais algumas palavras com Enid que não fossem relacionadas com algumas hq’s que ela lia, ela até compartilhou que às vezes encontrava um jeito de conseguir pular o muro de Alexandria para passar um tempo do lado de fora do lugar; acho que Ron gostava dela.

Parei novamente de andar até chegar a uma parte isolada de Alexandria, olhei para o muro alto que cercava o lugar e dei alguns poucos passos para me aproximar mais dele, segurei com um pouco de firmeza de uma parte e flexionando meus joelhos tentei fazer o que Enid fazia algumas vezes quando queria passar um tempo sozinha e longe de todas aquelas pessoas: passar um tempo do lado de fora de Alexandria.

—Vai precisar fazer mais força nas pernas para conseguir subir o restante! —Assim que ouvi aquela voz desconhecida eu me assustei e pulei de volta no chão, senti minhas pernas falharem um pouco e pensei que iria acabar caindo de cara no chão, porém quando a sensação passou firmei minhas duas pernas e permaneci de pé. Virei-me para ver quem havia me assustado e não me surpreendi quando vi o rapaz da cicatriz parado poucos metros de onde eu estava, o olhei com mais atenção percebendo que daquela distância em que eu estava dele pude notar mais algumas coisas nele que não havia notado nos dias anteriores; seu rosto era muito familiar, muito me lembrava uma certa pessoa

—Você costuma assustar as pessoas daqui mesmo ou isso é só comigo? — Perguntei cruzando os braços ainda o olhando. —O que você está fazendo aqui?

Ele me olhou quase da mesma forma que David que me olhava, senti meus olhos se arregalarem no mesmo instante e antes que aquele pensamento pudesse ganhar mais firmamento sacudi minha cabeça tentando rapidamente afastá-lo.

—Eu vi você caminhando e fui te seguindo até aqui. —Respondeu num tom tão calmo que me deixou um pouco preocupada com o rumo que aquela conversa poderia acabar tendo. —Você sempre está com aquele moleque de chapéu de xerife, vocês dois não desgrudam nunca não?

—Você não respondeu a minha pergunta. —Falei firme para não deixar que o assunto fosse desviado naquele momento. —O que está fazendo aqui?

O estranho com a cicatriz no rosto mexeu nos longos cabelos claros jogando-os para trás fazendo assim que com que seu rosto ficasse um pouco mais visível que antes, porém a extensa barba que cobria metade do seu rosto não facilitou tanto assim.

—Eu sabia que você não iria me reconhecer — Suspirou soltando uma breve risada pouco descontraída. —Acho que é a cicatriz e a barba... —Ele coçou o próprio queixo como se estivesse pensando em alguma coisa e então voltou a me olhar da mesma forma que me olhava antes. Eu continuei parada ali na frente dele esperando que ele dissesse alguma coisa já que, eu não estava entendendo mais nada daquela conversa e inevitavelmente me peguei pensando novamente em David e em como aquele olhar que o rapaz sem nome possuía era quase idêntico ao dele; até mesmo a cor de seus olhos eram iguais aos de David.

—Que droga você pode, por favor, parar com toda essa enrolação de merda de uma vez? —Gritei já ficando nervosa com tudo aquilo.

—Você realmente não mudou nem um pouco desde a última vez que nos vimos pirralha! —Ele se aproximou um pouco mais de mim deixando uma risada descontraída sair de seus lábios, pirralha até o modo como ele me chamou de pirralha era idêntico ao de David. —Continua sendo a mesma pirralha boca suja de sempre, Ayla!

Meu coração disparou no mesmo segundo que ouvi aquilo, prendi a respiração sem saber ao certo como deveria agir naquele momento, na verdade, eu nem sabia como ainda estava de pé, pois minhas pernas pareciam moles e eu sentia que a qualquer momento fosse cair no chão.

—Você... —Respirei fundo o olhando novamente. —Não, não, não, não, isso é completamente impossível você... —Levei minhas duas mãos para minha boca tentando segurar o grito que queria sair. —Não pode ser...

—Sou eu Ayla, o David.

No mesmo segundo arregalei meus olhos sentindo minhas pernas novamente falharem, eu não conseguia acreditar que aquilo era realmente verdade, quer dizer, David até onde eu sabia -ou não sabia- estava morto, já não nos encontrávamos havia um bom tempo e depois de todos esses meses que se passaram desde a última vez que estivemos juntos sem ter certeza de que ele poderia estar vivo por aí, eu simplesmente aceitei a possibilidade de que ele poderia estar morto há muito tempo. Só que a vida se mostrou ser uma grande caixinha de surpresas e como ela já havia feito antes, ela me surpreendeu novamente com algo que eu não esperava que fosse mesmo real. David estava vivo e estava também vivendo em Alexandria; isso só podia ser obra do destino.

—Seu filho de uma puta! —Gritei ainda não conseguindo acreditar em nada daquilo. —Filho da puta desgraçado! —Gritei outra vez agora correndo até ele. —Seu grande monte de merda eu pensei que você estivesse morto!

Antes que eu pudesse continuar com meus xingamentos, David rapidamente me abraçou com força me levantando alguns poucos metros do chão mostrando que também estava com saudades, eu estava tão feliz naquele momento que não conseguia colocar palavras para descrever aquele momento tão maravilhoso que estava acontecendo comigo depois de tanta merda que eu passei. Aquele merda filho de uma puta estava vivo todo esse tempo!

—Meu Deus piralha onde você esteve todo esse tempo? —Ele perguntou enquanto me colocava no chão novamente e se afastava de mim para me olhar. —Onde esteve todo esse tempo? Eu me ferrei de tanto te procurar!

—Sou eu quem deve perguntar isso seu merda! —Falei dando um empurrão em seu ombro. —Você disse para encontrar um lugar seguro e esperar e eu esperei, durante três dias e nada de você aparecer! Eu pensei que você morreu quando aquele grupo...

—Não. —Ele me interrompeu mudando completamente sua expressão naquele momento. —Por pura sorte eu consegui escapar deles, só que as merdas aquele dia não terminaram e quando eu pensei que estava bem eu acabei me fudendo legal.

Eu o encarei por alguns segundos, mesmo que sua extensa barba estivesse cobrindo boa parte de seu rosto eu pude notar o quanto sua expressão estava diferente naquele momento, ele parecia lembrar-se de algo que provavelmente não iria dividir comigo e eu compreendia aquilo, afinal, eu também tinha alguns momentos que não iria compartilhar com ele.

—Mas você parece muito bem desde a última vez que nos vimos — Ele começou outro assunto voltando a sua expressão de felicidade. —Acho que esteve em boas mãos durante esse tempo que passamos afastados um do outro.

Imediatamente abri um sorriso.

—E estive. —Falei. —Tive sorte em encontrar com Rick e Daryl, se não fosse por eles ainda estaria sozinha por aí.

David sacudiu sua cabeça em concordância mexendo na barba crescida em seu rosto, era quase impossível de conseguir acreditar que ele realmente estava ali bem na minha frente. De repente fez sentindo quando ele ficou me encarando no primeiro dia em Alexandria, claro que se ele me dissesse que era ele me encarando eu não teria passado dois duas achando que ele era um completo louco.

—E quanto ao moleque com o chapéu de xerife? —David começou a se mover até ficar sentado na calçada onde estávamos parados e fez um gesto para que eu fizesse o mesmo que ele. — Acho que essa é a primeira vez que vejo vocês dois separados.

—E daí? Carl é meu amigo. —Falei enquanto me sentava ao seu lado como sempre fazíamos quando estávamos com nosso antigo grupo. —Eu não vejo nada de mais nisso.

Ele pareceu soltar uma breve risada abafada e então me olhou ficando sério, sua testa se franziu formando várias marcas em seu rosto que denunciaram o quanto ele parecia ter sido afetado por todo esse tempo que esteve sumido.

—Nesses dois dias que vi vocês dois aqui eu notei no modo como você e aquele metido a cowboy se olham às vezes. —Assim que ele disse aquilo meus olhos se arregalaram novamente, eu abri minha boca para dizer algo mas logo a fechei outra vez tentando entender o que ele queria dizer com tudo aquilo. —É melhor ficar espera com ele, Ayla.

Juntei minhas sobrancelhas e torci minha boca pensando sobre o que David havia dito segundos atrás, demorou um pouco para que eu finamente entendesse o que ele estava querendo dizer com aquilo e quando entendi tudo o que eu consegui fazer foi começar a rir descontroladamente.

—Eu não acredito que essa será nossa primeira conversa depois de meses! —Falei respirando fundo para me controlar. —Eu sei que você tem um milhão de coisas para contar e você vai mesmo falar comigo sobre meninos?

David voltou a me olhar e dessa vez deixou uma breve risada escapar de seus lábios e como se estivesse tentando tornar aquela conversa séria ele franziu novamente sua testa me olhando no fundo dos meus olhos.

—Você sabe muito bem que eu

—Se preocupa comigo. —Falei por cima de sua voz o interrompendo. —Eu sei disso David, mas não precisa se preocupar tanto assim. Eu sei me cuidar muito bem.

Disse orgulhosa.

—Eu sei que sabe pirralha. —Ele colocou a mão sobre minha cabeça e então a movimentou bagunçando todo o meu cabelo. —Então vamos lá, temos muito papo para por em dia!

Eu concordei com a cabeça abrindo um sorriso no rosto, só Deus sabia o quanto eu estava com saudades de conversar com David e agora que descobri que ele estava vivo e que também vivia em Alexandria tudo o que eu queria fazer era aproveitar o máximo desse momento torcendo para que não fosse apenas um sonho.