Hell on us

54 De volta para casa


Notas iniciais
Oie oie mais um capítulo de Hell on Us e esse contará já com o único do último arco da fanfic. Como sempre faço quero agradecer a todo mundo que está comentando e aos meus leitores fantasminhas não tenham medo de aparecer eu não mordo não gente kk. Espero que gostem!

POV Ayla

[...]

Aquele dia em questão havia começado com uma notícia até que boa, de acordo com Jesus (que passou algumas horas com o grupo de Negan) ele sabia o caminho até o lugar onde Negan e seus Salvadores moravam e havia grandes chances de Carl estar com ele.

— Acha mesmo que o Carl está com os Salvadores? — Perguntei seguindo Rick até a van. Já era a quarta ou quinta vez que eu fazia essa mesma pergunta e acho que já estava deixando-o irritado com isso.

— Jesus disse que ouviu tiros de uma metralhadora quando foi levado até lá, faz sentido, Abraham disse que sua metralhadora havia sumido então...

Mordi meus lábios.

— Mas ele está bem né? — Fiz outra pergunta.

— Espero que sim. — Rick suspirou. — Só espero que quando chegarmos lá não seja tarde demais.

— E não será. — Falei tentando ser o mais positiva possível. — Se o Carl está com uma metralhadora acho que quem deveria ter medo lá são eles.

Rick apenas sorriu se despedindo brevemente de Judith e a entregando para mim, diferente de outras vezes a irmã mais nova de Carl não resmungou quando a peguei; passei um bom tempo sem segurá-la e quando fazia isso ela sempre resmungava.

— Não vamos demorar lá fora, mas mesmo assim quero que você ajude Padre Gabriel a tomar conta do lugar enquanto estamos fora, acha que consegue isso?

Rick me olhou.

— E você ainda pergunta? — Dei um meio sorriso. — O lugar vai estar do mesmo jeito quando vocês retornarem.

Padre Gabriel se aproximou de onde estávamos ficando ao meu lado, iríamos ficar na 'liderança' de Alexandria durante a ausência de Rick, Michonne, Daryl, Abraham e Sasha e aceitei isso sem problema algum. Eu queria mesmo manter minha mente ocupada com alguma coisa e quanto mais coisas eu encontrava para fazer ali, mais ocupada eu me mantinha; seja ajudando Carol na cozinha ou ajudando Spencer a fazer alguma ronda. Tanto Rick quanto Carl não gostaram muito dessa ideia de me deixar fazer uma ronda, mas se Carl poderia fazer, por que eu não poderia também?

Rick não queria deixar eu fazer pelo menos um turno por estar preocupado comigo; por causa da morte do David, eu até entendia o porquê dessa preocupação toda, mas se eu ficasse parada não conseguiria esquecer isso e também já tinha o Carl sempre no meu pé querendo saber como eu estava. Acho que ele estava fazendo para se vingar dos tantos pedidos de desculpa que lhe dei por ter atirado em seu rosto.

— Vamos deixar três pessoas em cada turno para manter o lugar sempre vigiado. — Padre Gabriel se direcionou até Rick. — Vamos estar prontos se alguma coisa ou alguém nos pegar de surpresa.

Olhei para o Padre enquanto ele conversa com Rick, era bom ver que ele estava mesmo disposto a ajudar em tudo que fosse necessário. Acho que já estava na hora dele começar a fazer por merecer.

— Tenham cuidado. — Rick alternou seu olhar entre mim e Padre Gabriel. — Tentaremos voltar o mais cedo possível. Tomem conta do lugar!

— Pode deixar chefe.

POV Carl

[...]

Passar todas aquelas intermináveis horas com Negan foi de longe uma das piores experiências da minha vida, ele não fez nada comigo, não me machucou nem nada. Mas mesmo assim foi humilhante em certos momentos; principalmente quando ele me fez ficar sem o curativo no olho. Eu continuava sem o curativo e de acordo com esse louco eu não o colocaria tão cedo assim. Ele estava gostando de ver o quanto ficar exposto daquele jeito me deixava incomodado e se divertia com isso.

O que não divertia aquele maníaco?

Negan juntamente com seis de seus homens me levaram até um de seus caminhões, me forçaram a entrar e logo em seguida cinco homens também entraram; todos mantendo seus olhares sobre mim como se quisessem assegurar que eu não tentaria nada durante o caminho de volta para Alexandria.

Era engraçado ver como todos os soldados de Negan e até mesmo ele parecia estar sempre tentando de alguma forma fazer com que eu sentisse medo deles.

Eu não tinha medo de nenhum deles.

O caminhão deu partida depois de cinco minutos, durante todo o trajeto continuei sendo observado pelos cinco Salvadores que estavam ali comigo. Acho que na verdade eram eles quem estavam com medo.

Mas nada daquilo me interessava no momento, eu queria voltar logo para casa e ver meu pai, Michonne, Judith e é claro, eu queria ver Ayla. Já sabia que ouviria sermão não só do meu pai, mas dela também.

Eu fui burro em fazer aquilo, isso eu precisava admitir, tive sorte por ele não querer me castigar por ter matado seus homens, mas não podia garantir que ele não tentaria descontar isso em alguém de Alexandria.

Começamos a parar depois de quase meia hora de viagem, Negan pediu que somente um ficasse ali comigo e assim foi. Não demorou muito para que em menos de cinco minutos eu ouvisse vozes já conhecidas (além é claro da voz de Negan), sabia que havia mais pessoas ali e imediatamente reconheci uma das vozes.

Era meu pai.

Engoli seco quando comecei a ouvir as vozes ficarem um pouco confusas, como se estivesse acontecendo alguma discussão ali fora. O Salvador que estava ali dentro comigo se dirigiu até a cabine do motorista e colocou a cabeça para fora tentando ver o que estava acontecendo ali fora e com um sorriso (bem parecido com os sorrisos irônicos que Negan possuía) ele voltou a sentar no mesmo lugar em que estava.

— Seu pai é louco, sabia disso? — Ele me olhou. — É claro que sabe, você é louco igual a ele. Negan vai acabar com a raça dele se vocês continuar nos enfrentando desse jeito. Ele odeia isso e vocês vão acabar pagando como pagaram antes.

Revirei meus olhos.

— Acho que será ao contrário. — Falei me inclinando na sua direção. — Nós vamos acabar com a raça de todos vocês!

A minha resposta pareceu surpreender o Salvador que estava ali comigo, ele me olhou no mesmo segundo e então começou a rir como se tivesse ouvido alguma piada. Tudo parecia ser piada para eles.

— Será que se eu arrancar a sua língua você continua se achando o fodão? — Tornou a perguntar, dessa vez num tom mais ameaçador. — Você tem muita sorte dele não ter nos permitido tocar em você, eu seria o primeiro a te ensinar boas maneiras.

Abri minha boca para respondê-lo mas fui interrompido por um barulho forte na traseira do veículo, a porta de trás foi aberta e um dos Salvadores que havia saído junto com Negan fez sinal para que saíssemos também.

—Anda logo moleque!

Fui empurrado para frente e acabei tropeçando em alguma coisa, por sorte não caí no chão nem nada. Eu já não estava mais ouvindo nenhuma voz e não vou mentir em dizer que isso começou a me deixar preocupado; já estava preparando minha mente para o pior. Continuei caminhando até onde eles me levaram e fui surpreendido, meu pai estava no chão olhando para o asfalto enquanto Negan estava a uns metros de distância dele o olhando com certa satisfação; a primeira coisa que notei nos dois foi que seus rostos estavam sujos de sangue o que indicou que uma briga talvez tenha acontecido ali.

Ali presentes estavam também Michonne, Daryl, Jesus, Sasha e Abraham.

— Pai! — Exclamei pronto para ir na sua direção, mas assim que fui dar o primeiro passo Negan me segurou pelo braço me parando sem ao menos fazer algum esforço.

— Não tão rápido moleque. — Negan suspirou, enquanto isso meu pai já se colocava de pé olhando o líder dos Salvadores com ódio. — Eu quero deixar bem claro que não toquei em um único fio de crânio dele. — Ele começou a rir. — Perceberam o que eu disse? Em vez de dizer fio de cabelo eu disse fio de crânio. Eu gostei pra caralho da piada.

Negan parou de rir.

— O pivete do seu filho adolescente, que atirou nos meus homens e matou a porra dos meus homens está de volta, são e salvo. — Uma pausa. — Você me bateu sem eu ter feito nada com ele, mas eu não sou uma pessoa ruim.

Ele riu.

— Você até me fez derrubar a Lucille, faz alguma ideia de como ela odeia ficar no chão? Ela é tipo a bandeira da América, sempre no alto. Derrubá-la é falta de respeito. — Falou mantendo seu tom calmo. Ele então começou a caminhar forçando que eu também fizesse isso até estarmos frente a frente com meu pai. — Mesmo assim aqui estou eu, amigavelmente como um puto de um bom samaritano da porra do caralho!

Meu pai ergueu o rosto para olhá-lo.

— Eu não vou fazer nada com seu filho mesmo que ele mereça, mas se eu quero manter todos vocês trabalhando para mim vocês precisavam estar vivos para fazer isso, não acha? — Negan me soltou. — Claro que, se vocês não cooperar eu vou ser obrigado a castigá-los, por isso eu quero que isso aqui que acabei de fazer sirva como aviso. Se fizerem alguma coisa parecida com isso eu vou meter porrada! Cê tá acompanhando essa merda toda?

— Sim. — Finalmente houve uma resposta do meu pai. — Já falei que manteremos o acordo.

Negan abriu os braços.

— Então está tudo resolvido! Estamos progredindo! — Exclamou animado. — E antes que eu me esqueça: iremos fazer outra colega em breve. Nos vemos lá!

Dito isso Negan se afastou de mim e voltou para o veículo, logo todos os Salvadores ali presentes haviam finalmente ido embora nos deixando sozinhos na estrada. Fez-se silêncio por um tempo até que meu pai caminhou me puxou para perto dele me abraçando com toda a força que ele possuía.

— Eu fiquei tão preocupado com você! — Falou. — Se ele tivesse tocado num único fio de cabelo seu eu não sei o que faria!

Eu o abracei de volta.

— Eu estou bem, ele não fez nada comigo. Só não deixou eu cobrir o olho. — Me afastei dele. — Está bravo por eu ter feito isso, não é?

Rick respirou fundo coçando a testa enquanto me olhava.

— Eu estou mais aliviado por ver que você está bem, estou um pouco bravo sim. — Sua mão pousou em meu ombro. — Claro que tem alguém que parece estar bem mais brava do que eu. Vamos conversar em casa, prometo que não irei gritar mas não posso responder por ela.

Eu nem precisei advinhar de quem ele estava falando, era muito óbvio.

— O quanto ela ficou brava? — Perguntei, não estava nem um pouco surpreso por saber daquilo.

Meu pai fez cara de pensativo.

— É melhor não querer saber. — Ele respondeu dando uma breve risada. — Vamos voltar logo para casa.

Concordei.

— Pai. — Eu o chamei antes de começar a andar. — Aquelas coisas que eu te disse antes... Eu não queria... Eu fui muito infantil e quero me desculpar com você. Não queria ter dito aquilo, mas eu estava com tanta raiva e isso o que eu fiz foi uma coisa idiota e perigosa... Me desculpe.

Ele se aproximou de mim colocando suas duas mãos sobre meus ombros.

— Está tudo bem, Carl. — Falou num tom compreensivo. — Está tudo bem.


POV Ayla
[...]

— Assim é o número quatro. — Já era fim de tarde e nada de Rick e os outros retornarem, passei parte do dia ajudando Padre Gabriel a manter o lugar em ordem e agora estava dando atenção a Judith. Estava ensinando-a os números; uma forma que eu encontrei de manter minha mente longe de preocupações. Estão todos bem, Ayla. Pare de ser tão paranóica. Repreendi a mim mesma, desde que eles saíram eu não parava de pensar no que estaria acontecendo ali fora.

Negan era um homem perigoso e todo o tipo de merda poderia acontecer. Respirei fundo afastando aqueles pensamentos da minha cabeça, precisava me concentrar apenas em Judith naquele momento.

— Agora se você fizer assim —Eu segurei a mãozinha dela com cuidado levantando três dedos. — vamos temos o três.

Falei três de forma lenta para que ela aprendesse a pronunciar corretamente; não queria que quando Judith começasse a falar dissesse as palavras erradas.

— E assim é o... — Eu mostrei todos os meus dedos. — Dez!

Judith fez um barulho imitando o som da palavra dez ao mesmo tempo que eu falei o número, ela não chegou a falar a dez mas foi algo bem parecido e isso me surpreendeu. Já estava mesmo na hora dela começar a aprender a falar e isso tinha que acontecer uma hora ou outra. Bati palmas fazendo com que ela ficasse mais animada e obtive sucesso. A irmã mais nova de Carl começou a sacudir os dois braços como se me dissesse que queria continuar brincando. Conforme ela havia pedido, levantei dois dedos para ela e um pouco antes de dizer qual número que eu havia feito ouvi o som do portão de Alexandria sendo aberto, a arrumei no meu colo e imediatamente me coloquei de pé deixando que Judith olhasse na direção do portão.

A van entrou em Alexandria, Rick e os outros estavam de volta e eu contava com a possibilidade de Carl estar de volta também.

— Eles chegaram, Judith! — Falei num tom baixo, Judith pareceu se animar com a chegada de seu pai.

Parada no mesmo lugar, continuei observando a van parar e então todos que haviam ido com Rick buscar Carl sair um por um do veículo. Confesso que estava um tanto ansiosa para saber se Carl sairia dali, aquele menino ficou sumido por quase todo um dia levando apenas uma metralhadora; que nem pertencia a ele. Carl conseguia sempre me surpreender.

Michonne e Jesus saíram da van e então Rick e Carl saíram por último, parecia até que havíamos combinado de fazer isso, no mesmo momento que bati meu olho em Carl ele também me olhou e começou a vir na minha direção. Exatamente como eu estava fazendo. Parte de mim estava feliz por vê-lo vivo e bem, mas a outra parte não estava assim tão feliz não. Eu não estava brava com ele, quem deveria ficar bravo Rick já que ele era o pai dele, não soube dizer exatamente como eu estava naquele momento. Mas cem por cento feliz não era.

— O que você tem nessa sua cabeça que te faz sumir assim do nada? — Eu evitei gritar com ele; nem morta que assustaria Judith. — E o que você pensou que iria fazer com aquele louco usando uma metralhadora?! Você perdeu a noção do perigo foi?

Carl parou na minha frente me olhando sem reação, ele estava com seu chapéu de xerife um pouco mais abaixado que o normal e tentava esconder o lado onde ele havia levado o tiro. Sim, ele queria esconder o ferimento e bem, não estava dando muito certo porque eu conseguia ver.

— É muito bom te ver também, Ayla. — Ele olhou para Judith. — E você também Judi, é muito bom te ver também.

— Nem pense em mudar de assunto, xerifinho. — Falei estreitando meu olhar. — Você viu do que aquele maluco é capaz de fazer e você faz uma loucura dessas? Perdeu o juízo?

Carl soltou um suspiro revirando os olhos.

— Ok, ok, me desculpe. Não vou fazer isso de novo, eu prometo! — Ele levantou as duas mãos como se estivesse se defendendo. — Era isso o que você queria ouvir?

— Não, não era isso. — Respondi. — Você poderia ter sido morto, sabia disso? Não, quer saber você...

Carl levantou novamente sua mão para que eu parasse de falar.

— Não está sendo um pouco exagerada não, Ayla? — Perguntou dando um passo para frente diminuindo a distância entre nós dois. Esse menino não perdia uma oportunidade mesmo. — Eu já voltei e estou perfeitamente bem.

— Nunca mais, nunca mais mesmo pense em fazer essa maluquice de novo, me entendeu? — Se eu pudesse cruzar meus braços naquele momento eu cruzaria, mas como Judith estava no meu colo isso não foi possível. — Não quero perder mais ninguém que eu gosto!

Carl assentiu.

— E não vai. — Falou. — Eu prometo.

***

Carl só pareceu ficar mais 'confortável' depois que Denise fez outro curativo no local onde o tiro o atingiu. Eu sabia que ele não gostava nem um pouco de ficar exibindo seu rosto machucado por aí, já havíamos conversado sobre isso uma vez e entendia isso. Carl nem gostava quando eu estava junto enquanto ele trocava os curativos, acho que ele não queria que eu ficasse olhando, mas eu nem ligava muito pra isso.

— Todas elas estavam usando só as roupas íntimas? — Perguntei espantada, Carl estava contando como foi a experiência assustadora de passar um dia todo com Negan e ao saber que aquele lunático tinha cinco mulheres que até onde Carl pôde entender viviam junto com ele. — E você ficou perambulando por lá o tempo todo?

Carl me olhou.

— Está com ciumes, Ayla? — Seus lábios se esticaram formando lentamente um sorriso provocativo. Carl havia conseguido me deixar sem graça. — Então quer dizer que Ayla está sentindo ciumes?

Revirei os olhos.

— Se você falar mais alto eles vão saber que estamos ouvindo a conversa deles. — Respondi dando-lhe um leve tapa no ombro. — E se eu estiver mesmo? Você ficou ziguezagueando naquele lugar com aquele monte de mulher quase sem roupa e espera aí, seu pai sabe disso?

Carl balançou a cabeça positivamente.

— Eu contei exatamente tudo o que vi naquele lugar, — Ele também abaixou sem tom de voz. — Mas se isso te faz se sentir melhor, saiba que eu não fiquei prestando atenção nelas. Não ficamos muito tempo no mesmo lugar em que elas estavam e mesmo assim, elas não me interessavam.

Dei um sorriso.

— Só me explica uma coisa: Por que você fez aquilo? — Perguntei. — Você foi lá sozinho levando só uma arma, por que? O que você queria com isso?

Nos encaramos por alguns segundos.

— Negan matou duas pessoas que importantes para nós, — Ele suspirou. — ele vem aqui e faz o que bem quiser e leva o que quer de nós. Eu cansei disso, estamos vivendo com esse medo dele desde aquela noite, eu cansei disso, Ayla. Cansei dele!

— Não foi isso o que eu perguntei, Carl. — Cruzei os braços. — Não minta para mim, você não pode fazer isso.

Carl ficou em silêncio por um tempo, seus olhos mudando sempre de direção como se ele não quisesse me encarar.

— Eu fui lá para matar aquele filho da puta. — Ele finalmente respondeu, mas não foi isso que me surpreendeu. Era a primeira vez que presenciava Carl falar um palavrão; acho que ele estava passando tempo demais comigo.

— E nós vamos fazer isso. — Segurei seu rosto para que ele me olhasse. — Mas não podemos fazer isso sozinhos, se fizermos vamos ser mortos em um segundo. Vamos esperar.

Ele revirou os olhos.

— Vai mesmo me dizer o que me disse antes? — Perguntou. — Não venha com esse papo de esperar alguém fazer alguma coisa, porque ninguém vai fazer nada!

— Carl e Ayla. — Ouvir a voz de Rick me assustou, dei um pulo virando meu rosto e o vendo parado no primeiro degrau da escada. Carl foi o primeiro a se levantar e fiz o mesmo, acho que estávamos falando tão alto que eles descobriram que estavam sendo espionados por mim e Carl.

— Só estávamos conversando pai, não ouvimos nada do que vocês

— Podem descer. — Rick surpreendeu nós dois naquele momento. — Vocês também precisam ouvir isso.

Carl não estava mentindo quando disse para seu pai que não havíamos escutado nada do que eles estavam conversando porque nós dois estávamos conversando também. Nos entreolhamos um pouco incertos, mas logo começamos a descer caminhando em direção a sala; onde estava acontecendo a pequena e secreta reunião que Rick havia marcado.
Além de nós estava ali em casa Abraham, Carol, Daryl, Jesus, Sasha, Michonne, Aaron e Eric. Nenhum deles pareceu surpresos com a nossa presença ali e também não falamos nada enquanto Rick e Jesus explicava o que queriam fazer.

Prestei atenção em cada palavra dita, Rick e Jesus queriam armar um plano para acabar de vez com Negan. Isso me surpreendeu bastante, o pai de Carl parecia estar realmente decidido a fazer isso e Carl pareceu se animar um pouco mais ao ouvir as palavras do pai.

— Você... Rick tem certeza de que quer mesmo fazer isso? — Sasha foi a primeira a se manifestar. — Eu quero tanto quanto você acabar de vez com aquele maluco, mas não acha que deveríamos pensar melhor nisso?

— Sasha está certa. — Aaron também se manifestou. — Negan é perigoso demais e querer armar um ataque seria suicídio!

Rick e Jesus se levantaram ao mesmo tempo, se entreolharam por alguns segundos deixando todos ali confusos; inclusive eu.

— Um dia antes da primeira visita do Negan até Alexandria recebemos a visita de Jesus — Rick pousou as duas mãos na cintura, pareceria procurar as palavras certas a serem ditas naquele momento. — Não falei a ninguém sobre isso porque ele não veio sozinho até aqui.

Eu não estava entendendo nada.

— Chame ele por favor, Paul. — Rick olhou para Jesus e fez um aceno rápido, ninguém ali estava entendendo o que estava acontecendo. — Eu sei que será um choque para todos aqui, mas ele disse que tem algo a dizer para nós e eu gostaria de ouvi-lo e espero que todos vocês também o ouçam.

Demorou um pouco mais de cinco minutos para que Jesus finalmente voltasse, atrás dele caminhando com a cabeça e desarmado estava o um dos capangas de Negan que tinha a metade do rosto queimado. Ele nem precisou erguer seu rosto para que Abraham e Daryl se colocassem de pé apontando suas armas para ele.

Rick imediatamente se colocou na frente dele erguendo os dois braços para que os dois baixassem as armas. O que merda aquele filho de uma puta estava fazendo ali? E por que Rick estava defendendo aquele merda?

— Não atirem. Dwight quer nos ajudar a derrotar Negan.

Notas finais
Espero que tenham gostado e postarei o próximo assim que possível! Mais uma vez por favor gente, comentem e me digam o que estão achando da história. Isso é realmente muito importante. Beijinhos!!