Hell on us

51 Algo para se perder


Notas iniciais
Eu disse e cá estou! Bom, depois de um domingo tão agitado como esse foi é bom aliviar um pouco a cabeça e parar de pensar em tudo o que rolou ontem por um tempo. Agora sobre esse capítulo, ele está cheio de fells, tá bem triste mesmo gente e olha só teremos o POV do Carl! Ah e antes que eu esqueça, a música que me inspirou super para escrever esse capítulo é Everybody hurts do R. E. M. quem não conhece trate de ouvir porque é linda e quem já conhece trate de ouvir de novo porque ela é linda. Boa leitura!

POV Carl

[...]

Vários minutos já haviam se passado desde que Negan e seus homens foram embora, Maggie continuava chorando desesperada pelo que aconteceu com Glenn e Ayla... bem, ela continuava do mesmo jeito de antes: ainda de joelhos no mesmo lugar olhando fixamente pra o corpo morto de David. Apesar de estar bastante claro o quanto Ayla estava triste com tudo aquilo, ela não havia dito uma única palavra desde que Abraham a soltou.

— Precisamos sair daqui logo, voltar para Alexandria e... — Meu pai não conseguiu terminar a frase, era difícil conseguir dizer alguma coisa após presenciar algo tão horrível como Negan matando Glenn e David bem na nossa frente. Na verdade, meu pai não parecia estar nem um pouco bem, seu olhar parecia perdido e apesar de não demonstrar era possível perceber o quanto meu pai estava abalado com as duas mortes. — Carl, você me ajudar? Michonne você pode ver se dentro da van tem algum cobertor que podemos usar para... — Ele olhou para o corpo de Glenn e David. — Cobri-los?

Michonne mantendo o mesmo silêncio de antes apenas concordou com a cabeça e caminhou até a van, meu pai olhou novamente para onde Ayla e Maggie estavam e respirou fundo algumas vezes antes de dar o primeiro passo. Fiquei caminhando ao seu lado até que ele pediu para que eu fosse até Ayla e tentasse tirá-la de lá, um pouco hesitante eu o obedeci, dando passos lentos cheguei até ela e antes que eu dissesse qualquer coisa ela se levantou do chão com rapidez e foi até onde o corpo de David estava.

Ainda sem dizer nada eu apenas a segui evitando ficar muito perto dela, ao ver o estado deplorável que a cabeça de David ficou depois de levar vários golpes pelo bastão de Negan ela pareceu ficar completamente sem chão, seu rosto adquiriu uma expressão completamente diferente e vê-la daquele jeito me deixou realmente muito preocupado.

Eu nunca havia visto Ayla ficar daquele jeito antes.

Continuei observando-a até que ela se debruçou sobre o corpo de David e então eu pude ouvi-la chorar pela primeira vez desde o dia que havia a conhecido. Eu sabia muito bem como era aquela dor de perder alguém que você ama e conhecia bem os seus resultados. Perder alguém era devastador para qualquer um.

— David... — Em meio a tantos soluços sua voz quase saiu inaudível naquele momento, Ayla continuava daquele mesmo jeito debruçada sobre ele enquanto chorava ainda mais começando agora a soluçar constantemente.

Eu olhei na direção de meu pai e vi que ele tentava fazer o mesmo com Maggie, voltei minha atenção para Ayla e então decidi me aproximar um pouco mais. Dei dois passos chegando mais perto dela e me agachando até ficar na mesma altura que ela passei minha mão pelo seu ombro num modo de consolo. Assim que fiz o contato ela ergueu o rosto no mesmo segundo me olhando, seus olhos estavam inchados e vermelhos por causa de tanto chorar; para ser mais exato Ayla estava péssima naquele momento.

— Precisamos ir embora Ayla. — Minha voz saiu mais baixa do que eu esperava que saísse. — Nós precisamos ir antes que errantes apareçam ou... ou antes que eles voltem!

Ayla não disse uma só palavra, continuou apenas me encarando do mesmo jeito que antes.

— Ayla... — A chamei mais uma vez e nada. Ela parecia estar num tipo de transe ou algo do tipo, ela estava lá, só que ao mesmo tempo também não estava. — Vamos Ayla, precisamos ir...

Estendi minha mão para ela e nada, Ayla continuava me encarando com os olhos inchados de tanto chorar sem dizer uma única palavra, decidido a não esperar mais por uma resposta eu segurei suas duas mãos e comecei a tentar levantá-la para que pudéssemos sair logo dali. Por incrível que isso possa parecer ela se levantou, porém quando fui dar o primeiro passo notei que ela sequer fez menção de sair dali. Ayla estava mal, estava bem mal e quanto mais ela continuasse com aquilo pior seria para ela.

— Por favor Ayla, vamos sair daqui logo. — Falei outra vez mantendo meu tom calmo. — Você precisa descansar um pouco, vamos logo.

Eu tentei me aproximar mais uma vez e quando o fiz Ayla me surpreendeu; como se aquela noite já não tivesse tido bastante surpresas.

— Me deixe em paz Carl. — Ela já não estava mais me olhando, seu olhar havia voltado para o corpo de David. — Só me deixe em paz, por favor.

Eu não falei mais nada, sabia que se falasse qualquer coisa poderia acabar piorando tudo aquilo e também sabia o quanto ela era teimosa; se eu insistisse não adiantaria de nada. Olhei seu rosto e vi algumas lágrimas caírem, Ayla estava em um de seus piores momentos, eu sabia muito bem como era perder alguém e entendia muito bem aquela dor que ela sentia e mesmo querendo conseguir de alguma forma livrá-la daquilo o máximo que eu poderia fazer naquele momento era tirá-la dali.

— Eu só vou sair daqui se você sair também. Não vou te deixar aqui! — Falei ainda a olhando.

Ayla me olhou outra vez , estava chorando novamente mas dessa vez deu o primeiro passo começando a finalmente andar, passei meu braço por suas costas aproximando-a de mim e comecei a caminhar no mesmo ritmo que ela. Olhei novamente para meu pai e Maggie e ela também continuava do mesmo jeito que Ayla estava minutos atrás; perder pessoas não era nada fácil e vê-la daquele jeito era de deixar qualquer um triste. Ainda mais quando Gleen era seu esposo e esteve conosco desde o nosso primeiro acampamento em Atlanta.

Uns minutos se passaram até que ella finalmente se levantou recebendo ajuda do meu pai, porém assim que ficou de pé ela surpreendeu a todos ali dando um potente soco no rosto do meu pai e gritando que aquilo era culpa dele. Michonne e Abraham foram os primeiros a correr na direção de onde a pequena confusão havia começado e Abraham na tentativa de tentar segurar Maggie acabou recebendo um soco no rosto também. Ela correu na direção do meu pai e continuou a bater nele com toda a força que ela tinha gritando sempre a mesma coisa “a culpa é sua”, meu pai por outro lado não parecia sequer estar se importando com aquilo, enquanto recebia os socos furiosos de Maggie ele apenas permanecia parado sem reagir ou tentar impedi-la de continuar com aquilo. Curiosamente, ao ver aquela cena dele apanhando de Maggie me fez lembrar do momento em que Negan começou a golpear Glenn e depois David, meu pai não havia feito muita coisa para impedir aquilo e a mesma cena dele completamente impotente estava novamente se repetindo.

Quando Maggie finalmente parou de machuca-lo, Abraham conseguiu segurá-la antes mesmo dela cair de joelhos no chão outra vez, meu pai por outro lado nem ao menos tentou se levantar, ele ficou ali joagado no chão como se estivesse esperando que ela continuasse a bater nele.

Não continuei olhando para aquilo, minha principal preocupação (pelo menos naquele momento) era Ayla, a guiei até que finalmente entramos e a levei até o banco fazendo-a se sentar. Do lado de fora ainda se ouvia Maggie gritar com meu pai e tentei afastar aquele pensamento do que poderia estar acontecendo ali fora agora. Olhei para todo o interior da van vendo alguns sacos de dormir deixados do mesmo jeito que havíamos deixado quando fomos tirados dali de dentro pelos salvadores, voltando meu olhar novamente para Ayla ela agora parecia mais distante que antes, olhava sem emoção alguma para o chão deixando mais algumas lágrimas escorrer por seu rosto; lágrimas que ela nem fez questão de limpar.

O caminho de volta para Alexandria seguiu no mesmo silêncio, ninguém não havia dito uma única palavra desde que meu pai deu partida finalmente deixando aquele lugar que nos traria péssimas lembranças; até mesmo meu pai parecia se recusar a dizer qualquer coisa naquele momento. Ayla continuava acordada, tinha sua cabeça encostada no meu ombro e seu olhar se mantinha ainda distante de tudo. Em um momento ela se aconchegou um pouco mais em mim respirando fundo e soltando o ar lentamente enquanto olhava para a figura abatida de Maggie.

Abraham e Michonne olhavam a cada minuto para a esposa de Glenn como se quisessem garantir que ela continuava bem; essa não seria a melhor palavra para se usar num momento como aquele. Ela estava sentada no banco quase do mesmo jeito que Ayla, seu olhar se mantinham quase tão distantes quanto o de Ayla e assim ela ficou até finalmente chegarmos em Alexandria.

Fomos recebidos por várias pessoas que viviam ali, todas pareciam esperançosas sobre as novidades que falaríamos sobre Hilltop, mas ao descermos da van todos puderam ter uma pequena noção de que alguma coisa ruim havia acontecido conosco. Todos ficaram em completo silêncio quando Abraham, Heath e Daryl saíram carregando os corpos de Glenn e David embrulhados em cobertores para conseguir esconder o que havia de fato acontecido com eles. Ayla olhou diretamente para o corpo coberto de David e ouvi ela sussurrar alguma coisa da qual eu não consegui entender muito bem, pelo modo como ela ficou ao ver os dois se afastando ela pareceu ficar ainda mais triste.

...

Padre Gabriel não parecia mais o mesmo de antes, apesar de se mostrar firme enquanto recitava versículos de sua bíblia, ele parecia sempre dar uma pausa para respirar fundo para que pudesse continuar de pé ali diante de todos que estavam presentes. A igreja estava completamente silenciosa, mesmo que houvesse alguém falando não se ouvia um único ruído ali dentro e bem, não era preciso advinhar o que estava se passando na cabeça de cada um que estava presente no velório de Glenn e David.

Sentada ao meu lado, Ayla continuava mantendo seu voto de silêncio enquanto ouvia as palavras de Padre Gabriel, meu pai e Michonne estavam sentados ao meu lado e mantinham também o mesmo silêncio desde que havíamos chegado em Alexandria. Tudo aquilo era muito difícil de se processar, tanto a morte de Glenn quanto a morte de David havia afetado todos do grupo; claro que a Glenn foi um pouco mais dolorosa por ele ser um membro de longa viagem. A morte de David também nos afetou, mas de todos a que mais havia sido atingida com sua morte foi Ayla.

Era impossível tirar da cabeça o quanto ela começou a gritar quando Negan começou a usar o taco de baseball para também matar David, acho que se Abraham não estivesse a segurando naquele momento era bem provável que Ayla acabasse fazendo alguma loucura para tentar impedir que seu amigo tivesse o mesmo destino que Glenn teve.

Meu pai havia errado ao achar que poderíamos mesmo enfrentar Negan e seu grupo, eu também havia errado; havia dito para Ayla que tudo iria ficar bem e não foi isso o que aconteceu. Fomos cercados pelo grupo do Negan e isso resultou na morte de duas pessoas; uma forma que aquele homem doente encontrou de nos castigar por termos matado vários membros de seu grupo.

Depois da noite passada eu pude finalmente perceber que não iríamos ficar bem; não quando Negan voltaria daqui uma semana para receber metade das nossas coisas. No que fomos nos meter? Ayla e Maggie estavam certas em temer que alguma coisa ruim fosse acontecer; havíamos mesmo pagado o preço por ter começado esse jogo doentio e isso nos custou duas vidas. Duas.

...

Horas depois do funeral de Glenn e David, Ayla meio que havia dado um 'sumiço' claro que, era muito óbvio imaginar onde ela estava e mesmo que eu estivesse bastante preocupado com ela decidi deixá-la um tempo sozinha para (pelo menos tentar) digerir tudo o que havíamos passado na noite anterior. Enquanto isso meu pai contou tudo o que havia acontecido na estrada e também contou sobre termos que dar metade das nossas coisas para Negan, claro que alguns pessoas não concordaram nem um pouco com aquilo, mas, era darmos metade das nossas coisas ou teríamos mais um corpo para enterrar.

— Vamos fazer turnos dobrados para vigiar Alexandria, aqueles que ainda não sabem manusear uma arma será treinado e... — Meu pai fez uma breve pausa. — Ninguém mais irá sair se não for realmente necessário, Negan disse sobre um dos nossos que conseguiu escapar quando ele pegou Heath e Glenn e eu já não sei se ele continua vivo. Vamos precisar ser cuidadosos agora!

— Quanto tempo temos até que Negan volte exigindo sua parte? — Aaron perguntou.

— Uma semana. — Foi Abraham quem respondeu. — Aquele louco filho da puta nos deu uma semana.

Olhei novamentepara meu pai e notei que ele pareceu ficar mais tenso.

— Temos um problema, Rick. — Olivia ergueu a mão o olhando. — Não estamos tão bem assim como antes, se formos dar metade para eles não vamos ter muita coisa para comer.

— Vamos resolver isso ainda amanhã! — Meu pai se levantou. — Vamos dar um jeito nisso, eu prometo!

...

— Ayla não saiu do quarto... — Michonne olhou para meu pai. — Eu estou preocupada com ela, Ayla não disse uma única palavra desde que chegamos e nem comeu nada. Se ela continuar assim vai acabar ficando doente ou pior.

— Ela viu o rapaz sendo morto bem na frente dela, . — Rick a olhou também. — Ela precisa de um tempo assim como a Maggie também precisa.

Comi uma bolacha enquanto ouvia a conversa, não tinha muito o que falar naquele momento.

—Todos nós precisamos de um tempo. — Michonne rebateu. — Precisamos lidar com o assunto Negan e ver o que vamos resolver sobre a comida, trouxemos bastante coisas de Hilltop, mas não acho que será o suficiente e...

— Vamos dar um jeito em tudo isso. — Meu pai falou colocando sua mão em cima da mão de Michonne, os dois se olharam por um bom tempo e isso foi como um sinal para que eu saísse dali. Me levantei da cadeira e comecei a caminhar até a escada e dando um passo de cada vez subi cada degrau em silêncio.

Ao chegar no corredor vi o quarto de Ayla com a porta fechada e fui até ela, parei de frente para ela e aproximei meu rosto da mesma tentando ouvir alguma coisa, como já era de se esperar não havia nenhum barulho vindo do quarto dela. Abri a porta do quarto de Ayla devagar e a vi deitada na cama de costas para a porta, eu sabia que ela não estava dormindo porque ela estava folheando Orgulho e Preconceito; o livro que ela estava lendo.

— Ayla? — A chamei uma única vez e ela apenas virou o rosto me olhando por um tempo e depois voltou a olhar para o livro. É, ela não ia falar assim tão cedo. — Eu vou entrar.

Dei dois passos entrando no quarto e fechei a porta, me aproximei de sua cama e me sentei na beirada olhando-a enquanto ela continuava a folhear o livro.

— Michonne e meu pai estão bem preocupados com você. — Falei. — Eu também estou, você não comeu nada desde que chegamos e não disse nada também... Você precisa reagir, Ayla.

Ela fechou o livro e me entregou indicando que eu o colocasse no criado mudo ao lado da cama.

— Pode ficar aqui comigo hoje? — Ela perguntou com a voz tão baixa que ela nem pareceu ser de Ayla, notei que ela parecia envergonhada ao ter pedido aquilo e ao mesmo tempo parecia implorar para que eu ficasse. — Por favor?

— É claro que posso.

Me deitei ao lado de Ayla e imediatamente ela se virou ficando de frente para mim, seus olhos ainda estavam vermelhos por causa do tempo que ela passou chorando e vê-la daquele jeito foi realmente bem difícil. Eu nunca a vi daquela forma antes, tão triste, na verdade eu nunca a vi chorar tanto como eu havia visto nessas últimas horas. Era estranho porque Ayla sempre tinha se mostrado ser uma menina durona e forte; além de sempre se mostrar uma pessoa positiva até demais, acho que talvez tenha sido umas dessas qualidades dela que fez com que eu gostasse tanto dela.

Ela se aproximou um pouco mais de mim me segurando pela camisa e enterrou seu rosto no meu corpo mantendo-o escondido de mim, ela ia chorar novamente e eu não podia culpá-la por isso, além de assistir a morte de Glenn, ela também teve que assistir Negan matando David de uma forma tão bruta. Aquelas cenas seriam difíceis de serem esquecidas tão facilmente.

When your day is small and the night The night is yours alone... — Eu não sei o motivo que me fez começar a cantar aquela música, não lembrava exatamente de quem era e mesmo sabendo que minha voz não era lá aquelas coisas, eu sentia vontade de cantar. Apenas para Ayla. — if you're sure you've had enough of this life, well hang on don't let yourself go, 'cause everybody cries and everybody hurts, sometimes...

Eu já havia escutado essa música muito antes do mundo virar essa loucura que estava agora, se não me engano um dos meus vizinhos sempre ouvia essa mesma música várias e várias vezes ao dia e de certa forma, aquela música combinava perfeitamente com aquele momento. E também, eu sentia que deveria tentar deixar fazer qualquer coisa para deixar Ayla menos triste do que ela estava naquele momento; eu sei que deveria ter escolhido uma música um pouco mais alegre que aquela, mas eu não lembrava de nenhuma outra além dessa.

Sometimes everything is wrong, now it's time to sing along, when your day is night alone. — Ao começar a segunda parte da música, Ayla ergueu o rosto me olhando em silêncio. Eu parei imediatamente de cantar olhando-a também e quando pensei que ela iria pedir para que eu não cantasse mais nada ela sussurrou um continua tão baixo que nem mesmo eu que estava perto dela consegui ouvir muito bem. — If you feel like letting go, when you think you've had too much of this life, well hang on.

Ela então enterrou novamente seu rosto no meu peito mantendo-o escondido de mim, a senti segurar minha camisa com um pouco mais de forma. Comecei a passar minha mão por seu cabelo exatamente como eu já havia visto meu pai fazer com a minha mãe; quando ela ainda estava viva. Eu não tinha experiência nenhuma com meninas ou esse tipo de coisa, então não soube muito bem o que eu deveria fazer ali para confortá-la. Apenas continuei acariciando seu cabelo.

Cause everybody hurts, take comfort in your friends. Everybody hurts don't throw your hands, oh no don't throw your hands. If you feel like you're alone no, no, no, you're not alone. — Eu a abracei com mais força ao cantar essa parte da música, eu sabia muito bem como era perder alguém e sabia muito bem o que isso podia fazer com as pessoas, o jeito como Ayla havia ficado enquanto assistia Negan matar brutalmente David era uma cena da qual eu jamais vou esquecer.

Desde que voltamos para Alexandria ela não havia dito uma única palavra, até meu pai estava começando a ficar um pouco preocupado com ela e ouvi-la depois de horas sem falar uma única palavra já era meio caminho andado. Acontece que, perder pessoas queridas acaba nos mudando de uma forma grandiosa, isso aconteceu comigo depois que eu atirei na minha mãe para que ela não virasse um errante e depois que eu fiz isso eu nunca mais fui o mesmo de antes. Meu pai havia percebido isso e tirou minha arma por um bom tempo, no começo eu não havia entendido muito bem o que ele queria com aquilo, mas agora que o tempo passou e depois de amadurecer eu entendi o motivo pelo qual ele fez isso. E entendi o porquê dele ter tirado também a sua própria arma.

Mas eu não iria fazer isso com Ayla, acho que ficar sem arma em momentos como esses que estamos passando não é uma boa ideia. Eu tinha total certeza de que ela não passaria para o lado negro da força, mas isso não significava que eu não iria ficar de olho nela. Ayla passou meses pensando que David estava morto e quando menos esperou ele estava aqui em Alexandria também; ainda me lembro do dia que ela me contou que ele estava vivo e me lembro perfeitamente de como ela estava animada com aquilo. Mas agora ele estava realmente morto, isso é muito para alguém suportar e apesar de Ayla ser uma menina forte eu sei o quanto é duro tentar suportar isso de uma vez.

If you're on your own in this life. The days and nights are long, when you think you've had too much of this life, to hang on. — Continuei cantando um pouco mais baixo dessa vez, a respiração de Ayla já estava um pouco mais calma que antes e até seu corpo ficou um pouco mais relaxado.

Ela continuava com seus olhos fechados, porém ainda segurava a bainha da minha camisa com a mesma firmeza de antes, Ayla se mexeu aproximando mais seu corpo do meu deixando-o encaixado perfeitamente ao meu corpo. Me arrumei mais sobre sua cama ficando numa posição confortável e passei minha outra mão por sua cintura; sem qualquer tipo de malícia é claro e continuei sussurrando a música para que apenas ela a escutasse naquele momento.

Well everybody hurts, sometimes, everybody cries, And everybody hurts ... sometimes. But everybody hurts sometimes...So hold on, hold on, hold on... — Fiz uma breve pausa e beijei o topo da sua cabeça. — Hold on...Hold on...

Notas finais
Para quem se interessar aqui o link da música que falei nas notas iniciais https://youtu.be/d0m3SKDGdng sofram comigo! Beijos e até os comentários!!