Amanhecer...

Eu senti algo perto de mim, olhei para trás, mas não havia nada, me virei e aquela coisa ainda estava lá, mas estava arranhando a parede, seus movimentos eram trêmulos, parecia que estava sentindo dor. Percebi novamente uma presença ao meu lado, e escutei uma voz...

— Cooo... rrooo.. mmm.. piii.. doo..

Uma voz calma, baixa e lenta, não estava vindo daquela coisa, estava claramente vindo de algo à minha direita, mas não tinha nada ao meu lado, apenas mais caixas. Isso me apavorou, eu me abaixei atrás das caixas e fiquei lá, paralisado, sem poder me mover. Estava ouvindo coisas? Estava vendo coisas? Aquilo era apenas um pesadelo? Tinha que ser, não podia ser real, era muito aterrorizante para ser real, mas era real. Raidam chegou com os outros, eu me levantei, Stefani olhou pra mim, deu uma risada e com um ar sarcástico falou...

— Nossa, que medo... Aquela parede logo ali me assusta muito mesmo!

Levantei-me, olhei para trás... a criatura não estava mais lá, apenas haviam caixas, vassouras, e alguns encanamentos velhos, fiquei sem reação, Raidam também...

— Ma-ma-ma... Mas, estava lá, eu também vi. Eu vi! — Disse ele

Tefinha se virou, colocou a mão no ombro dele e falou...

— Ou vocês dois estão delirando, ou apenas tentando nos assustar.

— Eu não sei o que era aquilo, mas realmente estava ali, estava olhando para os lados e... — Um japa me interrompeu...

— E o que mais? Viu duendes também? Que tal uns elfos para completar, ou melhor! Você viu o fantasma do seu avô mortinho da silva!

Não aguentei, ninguém desrespeita meu avô. Pulei contra o japa, e comecei a bater nele. Pedro me tirou de lá, puxando-me pelo braço e olhando para o japa...

— Cuide com suas palavras seu japonês idiota! Tenha mais respeito com os outros. — Disse Pedro

— Eu não tenho culpa se esses dois ficam falando coisas, devem estar delirando. Fumaram alguma coisa ou o que? Talvez Raidam seja um traficante, afinal, todos vocês vieram do Brasil não é?

Ele terminou de falar, o silencio tomou conta do porão, em alguns segundos ouvimos um tremendo estrondo... Não eram caixas caindo, não eram criaturas andando, não eram vozes falando... Era Piece metendo um forte soco na cara do japonês, chegou a derruba-lo, o coitado até desmaiou...

— Chega, não vou mais ficar aqui... Estou subindo pra ver se já amanheceu! — Falou o Raidam enquanto andava em direção à porta do porão que estava logo ao lado.

— Também vou, não fico mais um segundo com esses ignorantes aqui. — Falei.

Todos os outros nos acompanharam, subimos as escadas e os japoneses ficaram la embaixo. Ao sairmos do uma surpresa! Olhamos para o relógio logo na frente da porta do porão, ele marcava sete e vinte, lá estava o senhor Kamoto no fim do corredor, nos chamando...

— Onde vocês estavam? Estive procurando por vocês por uma hora! Aonde esta o resto da turma?

— Senhor Kamoto? — Perguntou suzy pra ela mesma...

Ele se aproximou e disse...

— Cheguei na sala com as velas, mas não tinha ninguém lá! Então sai procurando por vocês.

Sem entender nada do ocorrido, Raidam pergunta...

— Como assim? Ficamos por mais de meia hora esperando o senhor, saímos procura-lo, andamos pelo colégio inteiro, ficamos horas andando.

Suzy completa...

— Ainda chegamos a pensar que todos haviam ido embora...

— Ido embora? São sete e alguma coisa, acabou de dar a hora de irmos embora.

— Sete? Mas... não era oito nos nossos relógios? Não havia passado mais tempo ainda? — Perguntou Kensuke

— Não diga besteiras! Passaram-se apenas uma hora, alguns minutos a mais talvez. Bem, chega de explicações, esta na hora de vocês irem embora. Eu vou procurar pelo resto.

— Não precisa, estão lá embaixo. — Fala Pedro.

— O que vocês estavam fazendo lá?

— É uma longa historia, o senhor não acreditaria. — Disse eu.

O senhor Kamoto desceu as escadas, buscou o resto da turma e fomos todos embora. A luz havia voltado, o colégio não estava trancado e eram sete e cinquenta... Não entendemos nada, e nem tentamos entender. Fomos para a republica de intercambio onde todos moravam, ninguém disse uma palavra se quer sobre o assunto. Fomos todos dormir até o amanhecer do outro dia. Depois de tudo isso, continuamos a frequentar o colégio normalmente, como se nada houvesse acontecido. Algum tempo passou, estava tudo normal... Até aquele dia, quando o pior aconteceu... Quando a primeira pessoa morreu... No dia 15 de abril...

Continua no próximo capítulo: 15 de Abril – 2009

Notas finais

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