Hell Protectors
1 Cap I. Lágrima de Sangue
Notas iniciais
A vida da mulher definhava em cima de seu leito. Logo se tornará um leito de morte. Os aparelhos a mantinha viva. Sua filha soluçava junto a sua mão. Vegetava.
Dois tiros a deixou em tal estado.
O médico se aproximou da garota, adolescente, e pousou sua mão no ombro da jovem.
— Eu sinto muito — falou apertando de leve seu ombro, a menina nada fazia além de chorar.
— Quanto tempo ainda resta? — a pergunta da menina deixou o médico desconcertado. Não sabia se devia dizer tal coisa a alguém que tanto sofria
— Eu realmente não sei
— Por favor, me diga quanto tempo ela ainda tem de vida. Quero saber até quando ela continuará me ouvindo, se me ouve.
— Dois dias — falou o médico receoso, esperando que a garota caísse em lágrimas. Ela se ergueu, secou suas lágrimas e ajeitou o corpo de sua mãe.
— Obrigada. Não vou mais chorar, acho que minhas lágrimas secaram — a menina levantou-se e foi em direção à porta
— Onde está indo? — indagou o médico, temendo o pior
— Vou para escola, seria o que minha mãe me mandaria fazer a esta hora — fechou a porta e saiu cabisbaixa.
†
O céu tinha um tom incomum. Azul anil com nuvens brancas. O Sol se escondia por trás das nuvens.
A cabana era simples sem grandes luxos. No quarto a garota de olhos violeta brincava com pequenas bonecas, vestidas de preto e com cabelos brancos.
Sempre usava uma roupa de colegial e se mantinha impassível. Cabelo castanho e um rosto que transmitia apatia. Levantou-se, caminhou, até algo que se assimilava a uma cortina. Várias linhas douradas onde no fim havia medalhinhas com nomes.
— Alie. Alie! — chamava sua avó
— Sim vovó?
— Você já enviou o medalhão? Sabe o nome do próximo?
— Sim
— Então esteja pronta
— Sim vovó... Estarei pronta
Passou o dedo na cortinha de linhas douradas, fazendo todas mexerem.
A menina passou pela avó sentada na varanda e foi até o balanço que havia em baixo de uma cerejeira. E iniciou o calmo vai e vem.
†
Olhando para fora da janela ela permaneceu por toda aula. Aérea e silenciosa.
— Marina. Marina! — chamou a professora
— Sim! — o chamado a fez voltar a si, fazendo prestar atenção na aula
— Poderia vir aqui responder essa equação para mim? — indagou a professora
— Sim — disse se arrastando até o quadro
O dia não passou muito depressa. Quanto mais torcia para se livrar de tudo e ir ver sua mãe, o tempo lutava contra.
No intervalo a menina triste passava pelo pátio. Chegou à grama e sentou em baixo de uma cerejeira, olhou para cima e viu um colar.
Pegou o na mão e analisou o brilhante objeto dourado, tinha a forma de um Pentagrama invertido com um olho dourado no centro. O olho piscou. Não era imaginação, o olhou estava piscando como se estivesse vivo.
Ela soltou o objeto assustada. Olhando o objeto aparentemente vivo.
— Marina Hangfield...
— O que foi isso? Quem está ai? — estava assustada, passou a mão por seus cabelos curtos
— O colar... Pegue o colar
Marina, cautelosa, pegou o colar que havia jogado no chão. E o mesmo girou até que o olho em seu centro se encontrasse com os olhos de Marina.
— O que é você? — indagou a garota
— No seu mundo me chamam de “Devil Key”. Você está em perigo, assim como sua mãe um dia também esteve.
Marina ficou assustada ao saber que estava em perigo assim como sua mãe, pois não sabia a face do perigo, para poder prevê-lo.
— Se me permitir eu lhe mostrarei, por que e quem causou tanto dor e sofrimento à sua mãe
A menina assentiu e assim foi feito.
Na sala havia várias pessoas em seus computadores trabalhando, procurando notícias, informações quaisquer, só precisavam fechar a coluna do dia.
— Aquela é a sua mãe... — disse o colar, mostrando uma mulher à Marina
— Ela está tão feliz — diz a menina ao lembrar-se do estado atual de sua mãe
A mulher se levantou e andou em direção a uma porta de vidro a abriu e entrou.
— O que aconteceu? — indagou a menina
— Vamos ver mais de perto — disse a voz máscula e grave emitida de colar
Marina ficou estática.
Na sala dois homens se beijavam, com fulgor e vivacidade.
A mãe me Marina ao abrir a porta, os interrompeu fazendo os se separar. Um dos homens era o seu patrão e o outro era o secretário do mesmo.
Um dos homens foi em sua direção, fechou a porta e iniciou uma séria negociação.
— Chega... Eu já vi o bastante.
Voltaram ao pátio da escola, mais precisamente, em baixo da cerejeira. A menina ajoelhou-se no chão.
— Sua mãe jurou silêncio — disse a voz do colar —, porém eles não podiam correr todo esse risco, então eles a mataram enquanto ela voltava para casa.
Silenciosa estava. Olhar vago, apenas ouvia e tentava absorver as informações.
— Por que está me mostrando tudo isso? — indagou curiosa
— Por que você pegou o colar e está em perigo. Posso te proteger. — ela se assustou, olhava curiosa para o objeto, se indagando, “como um colar poderia salvá-la?”
— E como você me protegeria?
— Basta colocar-me em seu pescoço e pedir a proteção dos Hell Protectors
— E como chamo os “Hell Protectors”?
— Quando o perigo vier diga, mesmo que em pensamento, “Hell Protectors a Devil Key vos invoca.”
A jovem colocou o colar em seu pescoço e o guardou por debaixo da blusa da escola. Voltou para sua sala.
O tempo não custou a passar, e logo estava na hora de ir embora.
Na saída, ela seguiu com sua mochila em mãos, até o portão. Iniciou a caminhada vagarosa até sua casa, não muito longe da escola.
Um furgão preto parou assim que ela virou a rua, dois homens a jogaram dentro do furgão; nisso sua mochila caiu. O carro a acelerou ao embarcar dos dois homens encapuzados.
— O que faremos com ela?— indagou um dos homens
— Inicialmente apenas a manteremos sobre nossos olhos — replicou o outro
A menina foi amarrada, vendada e amordaçada. Tinha desespero, estava muito assustada para tentar algo.
Os minutos se passaram e ela foi desvendada. Agora estava em algum tipo de quarto mal iluminado, havia uma entrada de luz, da mesma tinha um ventilador e era gradeada. O bandido tirou sua venda, sua mordaça e soltou seus braços. A menina automaticamente se retraiu.
— Seja boazinha e nada te acontece — falou baixo o homem ainda encapuzado.
A porta ecoou como ferro ao bater. Marina abraçou seus joelhos e começou a chorar baixo, tinha medo de quem fez algo com sua mãe tentar fazer algo com ela agora.
Rezava.
†
Sentada à beira de uma pequena doca em frente à cabana, a menina de olhos violeta balançava seus pés na água do calmo rio que ali passava.
— Alie — chamou a garota certamente mais velha
— Sim... Jenny
— O que acha que ela fará? Vai fazer quase um dia e ela ainda não chamou por nós — A garota se sentou ao lado de Alie, porém sem colocar os pés na água
— Quando o perigo for extremo ela chamará
Jenny usava Maria Chiquinha em formato de cacho, seu cabelo era preto azulado e seus olhos tinham o tom bordô.
Sentadas elas ficaram olhando o sol se pôr.
†
Com o ouvido grudado atrás da porta estava Marina, tentando ouvir o que se era dito no outro ambiente.
— O chefe disse que já deu fim na mãe e que não mais que se preocupar com ela — falou um dos bandidos tirando a mascara ninja —, ele disse que agora temos que dar um “jeito” na filha
Ouviram-se risos.
Marina se arrastou até um canto do cômodo, respirava pesado. Seus olhos transmitiam seu pavor. Ao passar a mão por seu peito que doía, sentiu o colar. Havia se esquecido dele, porém não acreditava em fantasia.
Tinha que tentar.
— Hell Protectors a Devil Key vos invoca — disse de olhos fechados. Abriu os olhos e viu que nada acontecera
— Somos as trevas dentro de sua luz, o seu sofrimento nos conduz — disse a mesma voz máscula que havia escutado quando conversara com o colar
Marina começara a gritar. Um pedaço de sua blusa estava em chamas. O queimado se unia ao sangue que saía da pele da jovem.
O colar desaparecera deixando uma marca irremovível. A marca tinha a mesma forma do colar.
Os bandidos ouviam temerosos os gritos que vinham daquele cômodo sem saída. Eles Temiam saber o que fazia a menina gritar de tal forma.
Os gritos cessaram. A Porta foi aberta. Não havia nada além de uma profunda escuridão.
A figura saiu em passos lentos de dentro da escuridão. Era Alie, porém havia algo de diferente nela. Em vestido curto e negro, meias calça branca, sapato de salto preto; estava mais mulher.
— Que gracinha — disse um dos bandidos
— Olha uma princesinha — falou outro. Alie mantinha a mesma expressão séria, sem mover um músculo. Fechou a porta, deixando Marina presa lá.
†
Na banheira, dois homens estavam se divertindo, rindo, se beijando. Eis que um dos dois se assusta com uma presença escorada na porta.
— O que faz aqui?! — indaga alterado, o outro olha e não entende o que está acontecendo
— Vocês assumem os seus pecados? — indaga Jenny, também em trajes diferentes. Uma camiseta com manga longa de ligação, um shortinho e uma bota gótica com detalhes em magenta.
— Não sabemos do que está falando — repicou o homem mais velho
— A tentativa de morte da jornalista Lauren Hangfield e de sua filha Marina Hangfield
— Sentimos muito pelo acidente que aconteceu com ela — falou sínico e sarcástico
— É tudo o que tem a dizer?
— Sim
— Eu vos sentencio culpados. Sentença: Morte Brutal
Jenny puxou um punhal e andou na direção da banheira. Ela movimentou se braço fazendo um chicote com milhares de espinhos aparecerem.Sentença em execução.
Na banheira havia o sangue do homem mais novo a deixando vermelha, o mesmo havia cortes pelo corpo e um mais profundo no pescoço.
No chão o homem mais velho, seu corpo ainda definhava, pois havia sido decapitado, seu sangue deixava a marcado o chão do banheiro que um dia havia sido “branco impecável”.
Jenny se materializou, sumindo em meio a uma fumaça negra.
A empregada da casa abriu a porta e ao ver a cena soltou um grito estridente.
†
Nas mãos da garota uma foice apareceu, sua lamina tinha um brilho violeta, assim como o de seus olhos.
— Vadia — disse um dos marginais, puxando sua arma e disparando sendo seguido pelos demais
Alie os olhava com curiosidade, não entendia por que eles desperdiçavam munição com ela. Pois não sofreria nenhuma avaria.
Ilesa. As balas acabaram e Alie não havia sofrido nem um arranhão.
Correu na direção deles e saltou. Desmembrados, decapitados, mutilados. Essa era a situação dos homens após os movimentos de Alie. Uma fumaça violeta envolveu a foice, fazendo a mesma desaparecer.
Alie abriu a porta e encontrou Marina chorando em um canto do cômodo mal iluminado. Ela andou em direção da jovem chorosa e se abaixou para ficar de mesma altura.
— Você nos chamou. Viemos te proteger — disse erguendo a cabeça da outra e secando suas lágrimas
— Obrigada — replicou Marina
— Agora se concentre em sua casa, vou te levar — Marina fechou seus olhos e se concentrou em seu quarto. Abriu os olhos estava lá, sentada no chão de se quarto.
Tomou banho, comeu algo, se arrumou. Pegou um táxi e logo estava na porta do hospital. Andando lenta, passando pela recepção e acenando com a cabeça para a recepcionista que já a conhecia.
No corredor do andar onde sua mãe ficava, estava o médico que a acompanhou estava parado no corredor. O doutor ao ver a menina se entristeceu.
O coração da garota batia forte. O pior aconteceu.
A menina correu. No quarto estava sua mãe, sem nenhum aparelho.
A garota se agarrou ao corpo da mãe e chorava, chorava pesado. Do olho de sua mãe saiu à última lágrima de sangue.
Do outro lado do vidro estavam Alie, Jenny, o colar, que ao ser solto no chão se transformou em um homem.
— Triste ela perder a mãe — disse Jenny
— O que fazemos é proteger e matar quem ameaça o protegido — Davis, o homem que se transformava na Devi Key.
Alie saiu deixando Jenny e Davis para trás. Logo os dois seguiram a menor, desaparecendo em meio a uma fumaça violeta.
“Nós extrairemos a dor de dentro do seu coração.”
- Alie
Mais um cordão dourado, na medalhinha o nome Marina Hangfield.
†
— Qual se nome? — indagou Kayo
— Jimmy... Jimmy Underwall
— Anda tendo problemas com o padre de sua paróquia?
— É... Mas não irão acreditar em mim. Aqui é uma cidade pequena, se eu contar, ele desmentirá e eu ficarei mal falado
— Presente algo ruim?
— Sim... Não quero mais passar por isso
— Então devemos protegê-lo?
— Mas não sei se quero mandá-lo ao inferno...
Santificado
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