Hell Protectors
2 Capítulo II. Santificado
Notas iniciais
“Pai nosso que estais no céu”
Notre Père qui es aux cieux
“Santificado seja o vosso nome”
Sanctifié ton nom soit
“Venha-vos ao vosso reino”
Que ton règne vienne sur vous
“Seja feita vossa vontade”
Ta volonté soit faite
“Assim na Terra como no céu
Sur La terre comme au ciel
[…]
“Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”
Comme nous pardonnons aussi à ceux qui nous ont offensés
“Não deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”
Pas à La tentation, mais délivre-nous Du mal
Amém.
Amen
O que é divino, também é satânico.
— O pecado carnal e o pecado espiritual. Tais podem vos levar ao inferno carnal ou ao inferno espiritual — ecoou a voz do padre por toda igreja silenciosa.
Todos o ouviam atentamente. Era algo sagrado. Igreja cheia no domingo de manhã, famílias inteiras se uniam para esse momento sagrado de agradecer. Cidade pequena, todos se cumprimentam, se olham, todos conhecem a vida um do outro.
Um inferno.
A vida parada era entediante, sentia vontade de viver e sentir algo diferente. Queria mostrar quem é, porém era complicado. Em cidades de interior, os jovens são mandados à igreja muito cedo, porém nunca é o que todos desejam.
— Quais são os seus pecados? — perguntou a voz do outro lado da cabine
— Eu me sinto sujo — disse o jovem abaixando a cabeça
— A que tipo de sujeira se refere meu filho?
— Não sei se devo confiar em você
— Mas você não deseja o perdão divino?
— E quem é você para me perdoar?
— Eu sou um padre, mensageiro de Deus
— Ainda assim, você é humano
Triste. O garoto de 7 anos tem a mesma aparência desde que entrou para a Igreja. As pessoas à sua volta não percebiam. Seus pais o ignoravam, pensavam que era apenas cansaço semanal e que uma boa noite de sono o deixaria feliz.
Os sinos tocavam. O garoto andava cabisbaixo, carregava sua mochila. Estudava em uma escola religiosa, estudava o dia todo, servia a igreja uma parte da tarde e voltava para casa às 16 horas.
— Jimmy. Jimmy! — gritava um garoto de aparentemente 15 anos
— Sim? O que foi? — indagou baixo o menor
— Podemos falar?
— Sim. Diga...
— É sobre ontem à noite. Dizem que viram você saindo daqui tarde
O garoto sentiu um frio em sua barriga, um desespero que tomou conta de seus pensamentos.
— É mentira! — o menino correu chorando, deixando sua mochila cair
Jimmy corria, passava rápido pelos estudantes. Eram todos homens. Esbarrava em alguns, que esbravejavam algo, porém nada importante.
†
No quarto a menina dos olhos violeta, tentava afinar sua harpa. Tocava as notas cuidadosamente até que encontrasse a harmonia perfeita.
— Alie — chamou um homem. Alie se levantou e caminhou até a porta, saindo e sendo seguida pelo homem
— Sim. Kayo...
— Espero que minha chance ainda esteja de pé... — falou o homem jogando seu cigarro no chão e o apagando com uma pisada
— Claro — Alie seguiu um pouco e se sentou em um campo de flores brancas — Pode voltara à ativa, você será enviado imediatamente
— Obrigado
O homem de aparência jovem, porém com idade avançada voltou á cabana, para pegar as informações necessárias e re-iniciar seu antigo trabalho.
Alie ficou sentada entre as flores as acariciando. Uma borboleta negra com detalhes em vermelho pousou sobre uma das flores.
— Olá — disse Alie
†
Os escombros eram considerados uma grande obra de arte criada pelo tempo. O fundo da igreja escondia essa grande escultura, paredes meio derrubadas e com tom amarelado, algo fascinante.
Jimmy andava pelos escombros como que achava memórias perdidas. Algo que nunca voltaria e que nunca seria apagado.
— Sabia que estaria aqui — falou o garoto mais velho
— Me deixe em paz, Duke! — vociferou exaltado
— Pode confiar em mim... Eu sei como se sente
— Você nunca vai saber! — o menor chorava, soluçava — Ninguém pode saber
Duke abraçou Jimmy, que se sentara no chão abraçando os joelhos. Estava fraco psicologicamente, tinha medo do que acontecera se alguém soubesse. Se seus pais soubessem.
— Eu tinha 6 anos quando isso aconteceu pela primeira vez — disse Duke, pausadamente iniciando a contar os fatos de uma linha do tempo frágil — Eu era o último aluno na sala, o Padre Mathew entrou e disse à professora que conversaria comigo. Ele a esperou sair do prédio e começou a me tocar, ele disse que era para limpar minha alma dos meus pecados, então eu aceitei.
— O que você fez depois disso?
— Ele me ameaçou, disse que se não fizesse o que ele mandasse contaria a todos que me encontro com outros garotos
— E era verdade? — indagou Jimmy
— Não, no início não. Mas depois eu acabei me tornando homossexual
Jimmy abraçou Duke, achando em Duke a confiança.Sentia que podia confiar nele.
— Agora eu tenho que ir pra aula, você vai ficar bem? — indagou Duke
Jimmy assentiu com a cabeça, sentando em um banco de pedra no que havia no meio dos escombros. Porém logo se levantou se aprumou e foi para sua sala de aula.
Ao passar por um dos marcos, ruinoso, percebeu havia um brilho ao longe. Andou em sua direção e ao perceber que se tratava de um colar achou gozado o fato de ter um colar, pendurado na parede.
O olho e abriu o meio do colar, tinha coloração amarela e piscava rápido.
— Jimmy Underwall — chamava a voz grave
— Quem está ai? — indagou receoso
— O colar, pegue o colar — O menor andou na direção do colar o segurou na mão e trocava olhares com o olho no meio daquele objeto estranho
— O que é você?
— Eu sou a Devil Key, e você é o garoto que precisa de mim
— Por que eu precisaria de um colar?
— Não precisa ser protegido?
Jimmy parou. Olhou para o céu e via que o mesmo escurecia aos poucos. Iria chover. Estava longe de ser noite, mas a lua cheia já era visível.
— Jimmy... Não quer ser protegido de seu inimigo? — indagou à voz iminente do colar, o menino nada respondia — Podemos mandá-los para o inferno
— Não sei se isso seria certo...
— Não sabe se é certo? E até quando você sofrerá?
— Até quando Deus me deixar livre deles
— Mesmo assim... Coloque-me em seu pescoço, quando achar que não tiver mais saída. Use-me como a última opção.
Jimmy colocou o colar em seu pescoço e foi para sua sala. Ao entrar deparou-se com o olhar severo de seu professor e de seus amigos.
— Jimmy onde esteve? — indagou o homem mais velho. O garoto nada respondia, apenas abaixou a cabeça — Pode se sentar, mas ficará depois da aula
Ouviram-se burburinhos. Risadas abafadas e olhares maliciosos. Isso o espantara, mas nunca teve saída. Ninguém nunca acreditaria.
Andou até sua mesa e sentou, pegou o caderno e se interou da aula. Olhou para fora. Viu uma menina pequena de cabelos rosa sentada em um banco de pedra. Ela olhou em sua direção, riu e correu.
†
Deitada sob o espelho d’água a menina dos olhos violeta permanecia. Apenas em roupas íntimas ela olhava o Sol anil que pouco iluminava aquele lugar onde vivia.
— Alie. O que foi? — indagou Davis
— Não foi nada
— Não quer conversar
— Obrigada, mas não
— Venha se vestir está escurecendo no mundo humano, logo teremos trabalho.
Alie se levantou, e Davis desviou o olhar. Estava em pé, na pequena doca que dava para o lado límpido que refletia o céu.
— Meu ajuda? — indagou Alie, estendendo ambas as mãos
— Claro — Davis a trouxe a terra em apenas um movimento
— Não precisa ter vergonha — disse Alie, andando ao interior da casa, sendo logo seguida pelo outro.
†
O sol começava a ser pôr e o desespero apertava seu coração. Sentia uma vontade forte de correr, mas seria impedido. Não tinha saída. Os estudantes iam um a um e ele ficara só com seu professor.
Mais dois homens entraram, ambos usavam batina. Pararam perto da porta e cruzaram seus braços.
— Você anda falando muito com aquele garoto o Duke — disse o homem sentado à mesa olhando o diário de presenças
— Não. Ele apenas queria conversar — falou o menor
— Você falou algo para ele? — indagou alterado
— Não. Eu não disse nada! Eu não disse nada! — replicou em pânico
— Bom garoto... Bom garoto
Os três homens começaram a se aproximar.Passando por entre as carteiras. Em um impulso o menino correu jogando algumas cadeiras no chão. Teve alguns fios arrancados por um dos homens que tentara puxar seus cabelos.
O menino corria pelo corredor, mal iluminado.
— Vocês vão atrás dele! Vou inventar uma desculpa — disse o professor de Jimmy
Os homens começaram a correr atrás do garoto, como lobos que corriam atrás de uma lebre.
Jimmy havia escapado, por pouco tempo, tinha que fugir daquele inferno. No quarto escuro ele agarrou o colar.
— Eu preciso de ajuda! Por favor, me salve! — exclamou em voz alta apertando o colar contra o peito.
Gritos saíam do quarto do zelador. Os dois homens parados à porta estranhavam tal grito.
A marca foi deixada.
A porta se abriu letamente, mas só se via escuridão. De dentro saiu Jimmy de cabeça baixa. Quando um dos homens o agarrou pelos cabelos, a cabeça soltou em sua mão.
Ele jogou o crânio no chão e ambos saíram correndo horripilados.
Era uma ilusão, era Jenny. Ao seu lado Kayo apareceu e ambos iniciaram a caçada em busca da proteção de Jimmy.
No altar o padre arrumava a bíblia para a próxima missa. Porém viu ao longe duas pessoas encapuzadas que vinham em sua direção.
— Desculpe. A Missa só começa em 1 hora e meia — disse do altar, estranhando as duas figuras
— Ótimo. Assim não seremos interrompidos — disse Davis tirando a capa
Davis estava em seus trajes de proteção, porém estava sem camisa.
— Rapaz não é permitido ficar sem camisa dentro da casa do Senhor
— Mas e as outras coisas que acontecem aqui? Você acha que Deus não vê? — Davis começou a caminhar lentamente impondo sua espada
— Não pode usar esse tipo de subterfúgio aqui rapaz! — disse o padre voltando alguns passos
Alie tirou seu capuz negro. Mostrando a roupa com que realizava a proteção. Em um movimento de mãos, fechou as portas e diminuiu as luzes.
— Acha que é certo abusar de garotos indefesos? Que é certo abusar da reputação que tens com os moradores daqui para fazer seus negócios sujos? — Davis indagava furioso
— Davis acalme-se — disse Alie
— Sim. Desculpe Princesa — Alie se aproximou do padre, que caíra no chão. Ele a olhava como quem via o demônio.
A menina se abaixou ao seu nível e colocou a mão na garganta do padre e aperto.
— Hoje um menino te perguntou: “— E quem era você para perdoá-lo?”. Mas não era você que devia perdoar. Era ele.
Alie se afastou recolocando o capuz e sumindo em meio de uma fumaça violeta, sendo logo seguida por Davis, que se encarregara de matar o padre.
Jenny e Kayo colocaram os dois homens em crucifixos e os chicotearam até a morte.
A menina de cabelos rosa chegou perto do padre em seu último fio de vida e o disse: “— Você saiu do inferno carnal e agora vai para o inferno espiritual.”
A menina de cabelos rosados jogou flores negras sob o homem que definhava, saiu correndo. Foi brincar.
†
Alguns dias depois.
Jimmy estava feliz agora. Estudava em uma nova escola e tinha amigos. Ele mudara de cidade com os pais.
Era hora da saída, Jimmy corria e lá estava a marca da Devil Key.
Encostados no muro todos os quatro observavam o garoto que corria alegre. Jimmy virou na direção do muro e sorriu, sentia a presença deles ali.
“Nós extrairemos a dor de dentro do seu coração.”
- Alie
Mais um cordão dourado, na medalhinha o nome Jimmy Underwall.
†
— Qual seu nome? — indagou Jenny
— Lizzie Walters — respondeu
— Do que tem medo?
— Não quero que aconteça mais nada com meu irmão e com minha mãe. Também tenho medo por mim — respirou fundo — Por favor, nos proteja deles...
— Vamos nos livrar deles... — disse Alie — Nós extrairemos a dor de dentro do seu coração
— Alie... — temeu Jenny
Segredos Obscuros
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