Hell -PDE

2 Capítulo 2


Amanheceu, Alex já estava mais calmo então consegui retirar as correntes. Ele suava e sua respiração estava acelerada. O ajudei a se levantar e o levei para casa. Ajudei-o no banho, porque ainda era difícil, há 1h atrás ele estava descontrolado, parecia um cão raivoso. Esperei ele adormecer e sai, fui até a casa de Leonardo. Leonardo era um bruxo poderoso, ele já praticava magia há muito tempo e entendia muito de magia. Parei o carro em frente á sua casa, ele já me esperava na porta com café.

–Bom dia Mila. –Ele falou sorridente.

–Bom dia Leo, como vai? –Sorri e entrei na casa.

–Como foi a noite? –Ele se sentou ao meu lado e me deu a xicara de café. –Você consegue beber café, né?

–Consigo. –Sorri. — A noite foi a pior de todas. Acredita que ele fugiu? Eu tive que o amarrar, foi terrível. –Abaixei a cabeça e olhei para o café.

–Deve ter sido difícil para você, eu imagino. –Ele me olhou. –Mas eu acho que posso ajudar.

–Sério? Como? –Falei empolgada.

–Eu posso tentar fazer um feitiço de aprisionamento, posso aprisionar o lobisomem dentro dele, assim ele vai sofrer menos quando a lua cheia chegar. –Ele pegou alguns livros.

–Quando podemos fazer isso? –Olhei para ele, eu estava feliz.

–Quando ele concordar, mas não sei se vai dar certo, nunca fiz esse feitiço. –Ele procurava alguma coisa entre os livros.

–Eu vou falar com ele agora! –Peguei meu celular que estava no bolço e liguei para ele.

–Alô? –Ele parecia cansado.

–Você está melhor? Tenho uma ótima noticia! –Eu estava muito empolgada.

–Que noticia?

–Eu vou para sua casa e te conto ok? –Desliguei o celular antes que ele respondesse. Despedi-me do Leo e fui para o carro, eu estava a caminho da casa do Alex quando meu celular tocou.

–Alô? –Falei atendendo o celular.

–Mila, aqui é a Nic, preciso da sua ajuda. Pode vir aqui agora? –Sua voz estava diferente.

–É urgente? –Perguntei enquanto mudava o trajeto. –Já estou indo. –Desliguei e fui para a casa dela. Bati na porta, mas ninguém atendeu então eu entrei.

–Mila? –Nic estava no chão, parecia machucada.

–O que aconteceu? –Corri em sua direção.

–Eu estava fazendo alguns feitiços e acabei me machucando. –Ela gemeu de dor. Olhei em volta e havia vários cacos de vidro espalhados pela sala, alguns estavam até na cozinha.

–Onde dói?- Perguntei tocando em seus braços e suas pernas.

–Aqui. –Ela apontou para a coxa, imediatamente cortei um pedaço da calça dela, havia um caco de vidro enorme ali.

–Isso vai doer. –Olhei para ela que fez um “sim” com a cabeça.

Puxei o caco de vidro aos poucos, quando percebi que estava na ponta o retirei completamente, estava sangrando bastante, peguei o pedaço da calça que eu havia rasgado e amarrei em cima do corte. Puxei as mangas da minha jaqueta para cima e mordi meu pulso, o sangue ajudaria a curar mais rápido e o sangramento pararia.

–Aqui, bebe isso. –Levei meu pulso até sua boca.

–Isso é nojento. –Ela me olhou.

–Você quer morrer? Bebe isso logo antes que cure. –Empurrei meu pulso até sua boca, primeiramente ela recusou, mas depois acabou cedendo e bebeu o sangue.

Recolhi os cacos de vidro e limpei toda a bagunça, fiquei com ela até que pegasse no sono e mandei-a não fazer mais isso, ela havia exagerado. Ela queria muito ser uma bruxa poderosa, mas não era assim tão fácil, ela tinha que ter mais cuidado.

Sai e entrei no carro, me lembrei de que havia dito ao Alex que iria a casa dele. Peguei o celular e tentei ligar para ele, mas o celular estava desligado, então decidi ir até a casa dele. Demorei uns cinco minutos para chegar lá, bati na porta, mas ele não abriu, eu tinha as chaves então entrei, se ele estivesse saído eu esperaria.

Fui até a cozinha ver se encontrava alguma bebida, foi quando escutei alguns barulhos estranhos vindo do quarto, fechei a porta da geladeira e andei silenciosamente até o quarto.

Abri a porta devagar e olhei em volta, eu realmente não queria ver aquilo, Alex estava na cama com uma mulher de cabelos bem parecidos com os meus. Dei um passo para trás tentando fazer com que eles não me vissem ali, mas meu salto fez um barulho muito alto no assoalho da casa.

–Mila? –Ele se levantou e colocou a calça.

–Que merda é essa? –Respirei fundo para não rasgar a garganta dos dois.

–Olá Camila. –A mulher se levantou da cama enrolada aos lençóis, ela era exatamente igual a mim, extremamente igual. Olhei para ela assustada, ela veio em minha direção e passou pela porta. –Como vai? –Ela riu e se sentou no sofá.

–Eu vou matar essa vagabunda. –Andei em direção a ela, mas Alex me segurou.

–Eu também estou confuso, mas calma. –Ele me olhou.

–Não toca em mim ou eu vou cozinhar você no fogo do inferno. –Tirei a mão dele do meu braço.

–Olha como você fala, não sou vagabunda. –Ela se levantou.

–Eu vou acabar com você. –Gritei.

–Pode vir. –Ela riu. Meus olhos ficaram escuros, ela parecia assustada. Corri em direção a ela, não deu tempo dela se mover, bati em sua cabeça fazendo com que ela apagasse. Virei para o Alex e sorri.

–Que merda você acabou de fazer? –Ele me olhou assustado.

–Exatamente o que eu vou fazer com você depois de descobrir quem é ela. –Arrastei o corpo dela até o centro da sala e a amarrei o mais forte que consegui. –Agora ela não escapa. Peguei o celular e liguei para o Leonardo.

–Alô?

–Oi Leo, você pode vir até a casa do Alexandre? É urgente. –Olhei para a mulher e para o Alex.

–Ok, já estou indo. –Ele desligou o celular. Não demorou muito até que ele chegasse. Enquanto esperava por ele fui até a cozinha, peguei uma faca e fiquei olhando para o Alex.

–Ei Mila, toma cuidado com essa faca. –Leo falou enquanto passava pela porta. –Porque me chamou? –Ele soltou uma mala no chão.

–Temos um problema. –Falei caminhando em direção à mulher e levantando a cabeça dela.

–Ela é exatamente igual a você. –Leonardo falou assustado.

–Você sabe o que ela pode ser? –Perguntei largando a faca na mesa.

–Bom, existem vários bruxos que podem fazer feitiços para se parecer com outra pessoa. Mas esses feitiços são considerados magia negra. -Ele abriu a mala.

–O que tem ai? –Perguntei.

–Alguns livros, talvez ajude. Você disse que era urgente, então eu resolvi trazer alguma coisa, caso precisasse. –Ele retirou alguns livros e se sentou no sofá. –Você não a matou né?

–Claro que não. –Me sentei ao seu lado.

–Mas o que exatamente aconteceu? –Leonardo me olhou e olhou para o Alex que estava parado sem falar uma palavra.

–Bom, ela chegou aqui e eu estava com ela na cama. É meio confuso, mas a verdade é que como era igual a ela, eu achei que era ela. –Ele se sentou.

–Você é um lobisomem defeituoso? Tem problema mental? Se ela não tinha o meu cheiro ela não era eu. –Me virei para ele.

–Ok, uma mulher entra na minha casa, ela é exatamente igual a minha namorada, eu tenho que cheirar ela pra saber se ela é realmente minha namorada? –Ele me olhou.

–Ele tem razão, Mila. –Leo me olhou.

–Não. –Peguei um livro e comecei a folhar, estava evitando olhar para os dois.

–Eu acho que encontrei alguma coisa. –Todos olharam para Leonardo.

–O que? –Perguntei soltando o meu livro.

–Metamorfo. –Ele me entregou o livro.

–Essas coisas existem mesmo? –Falei enquanto lia algumas palavras no livro.

–Sim, tem lendas que dizem que eles são criaturas malignas que podem mudar de forma. Alguns podem se transformar em seres humanos e outros até em animais. Geralmente eles vivem em lugares sujos e nojentos, já que eles precisam tocar de pele para se transformar. –Leonardo folheou as folhas de outro livro.

–Dizem que eles morrem com prata. –Alex completou.

–Tem algum feitiço para mostrar a verdadeira face de um metamorfo? –Perguntei.

–Sim, mas eu precisaria de ajuda. –Ele pegou o celular. –Posso chamar alguém?

–Claro. –Me levantei e caminhei em direção ao Alex e coloquei minha cabeça próxima ao seu ouvido. –Quase. –Sussurrei enquanto o Leo fazia uma ligação. Alex apenas me olhou.

–Pronto. –Leo voltou para a sala. –Haeska vai vir ajudar.

–A Haah? –Haah era uma grande amiga, ela havia me salvado quando eu estava quase morrendo tentando ser uma hibrida. Ela era uma bruxa poderosa e ensinou um pouco de magia para a Nic.

–Sim. –Leo guardou o celular. Não demorou muito para a Haah chegar com algumas ervas e coisas de bruxos.

Eles fizeram um circulo em volta da mulher com algumas ervas e velas, todos nos sentamos em volta das ervas e a Haah pediu para que nós déssemos as mãos e repetíssemos exatamente o que eles dissessem.

–Agora fechem os olhos e repitam: Fes Matos Tribum, Exum Sue, Redem Supas Quo! –Ela fechou os olhos.

–Fes Matos Tribum, Exum Sue, Redem Supas Quo! –Todos repetiram.

Eu consegui sentir um pouco do poder da chama da vela que estava na minha frente, eu conseguia sentir o cheiro das ervas, um aroma doce e refrescante. Lentamente o verdadeiro rosto da mulher ia se revelando, fiquei impressionada com aquilo, era tudo tão incrível, mesmo eu não sendo bruxa, não praticando magia eu conseguia sentir o poder fluir através do chão e entrar em meu corpo lentamente. Era incrível.

–Sarah?! –Todos gritaram assustados quando viram o rosto do metamorfo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.