Hell Of A Girl
4 Nova York
Notas iniciais
Hermione tentava se concentrar nos casos atrasados que se acumulavam em sua mesa naquele dia. Depois de quase um mês de ter flagrado Córmaco a traindo em seu próprio apartamento, ela costumava se trancar em seu escritório de advogacia e só sai quando já era noite.
O tempo parecia se arrastar e foi com esperanças que verificou a hora pela décima vez. Ainda era duas e quinze da tarde, apenas quinze minutos que havia chegado do seu horário de almoço e se controlou para não arremessar o pequeno relógio de cima da mesa.
Não teve mais nenhum contato com Córmaco — e Hermione não sabia se isso era bom ou não -, e nem se ocupou em atender as ligações de sua ex-sogra. Luísa era uma senhora boa e gentil, mas falar com ela seria como retornar a sua antiga vida com Córmaco e a morena estava, a todo custo, decidida a se desprender de qualquer coisa que a ligasse ao ex.
Frustrada, deixou de lado os documentos que não consegui ler e passou as mãos no cabelo.
A porta de sua sala se abriu e Hermione erguer depressa a cabeça para sua secretária. Júlia estava segurando a porta com uma mão e tinha o corpo parcialmente a mostra.
— Hermione — Júlia disse baixinho. — Tem uma mulher aqui querendo vê-la. Ela não marcou hora, mas disse que era importante... posso deixá-la entrar?
Hermione franziu a testa, mas se levantou da cadeira e ajeitou seu blazer.
— Vou recebê-la, Júlia. Deixe-a entrar, por favor.
A garota assentiu e deu passagem para uma mulher alta, de cabelos loiros claramente tingidos e corpo escultural. Usava um vestido particularmente justo e elegante.
— Obrigado, Júlia, agora pode ir — Hermione liberou sua secretária que fechou a porta com um baque seco.
Olhou para a mulher.
— Hermione Granger — ela estendeu a mão e a mulher a apertou. — Em que posso ajudá-la?
— Creio que em nada... — ela olhava fixamente para Hermione com um ar arrogante. — Apenas quis conferir o meu serviço.
A morena não estava entendendo nada e tentou se soltar.
— Seja mais clara, por favor.
— Oh, como quiser — a loira se sentou em umas das poltronas de frente a mesa e cruzou a pernas sedutoramente, adotando um sorriso debochado nos lábios vermelhos. — Vamos lá! Deve me conhecer... não sabe como Córmaco falava de você.
Ela gargalhou e Hermione finalmente entendeu. Sentiu seu rosto ficar vermelho e circulou a mesa, erguendo a loira pelo braço a força.
— O que pensa que está fazendo aqui? — elevou a voz. — Córmaco que a mandou?
— O idiota do Córmaco nem sabe que estou aqui — ela se soltou bruscamente do aperto da morena. — Pelo o que ele me disse — caminhou até ficar de frente a uma Hermione furiosa. — Você não passa de uma nerd certinha demais para ele.
— De uma parte ele estava certo — Hermione a encarou e não sabia como estava conseguindo fazer aquilo sem cair no choro. Deus, estava falando com a amante do seu ex! — Sou boa demais para ele.
— Com certeza isso não é — a loira riu. — Córmaco já foi mais avaliativo nas escolhas dele.
Então aquela não tinha sido a primeira vez que Córmaco a traíra. Era uma estúpida por achar que ele fosse um homem de caráter. Mais ainda por pensar que nunca aconteceria com ela.
Fitou a loira e sem pensar, lhe acertou uma forte bofetada no rosto. Ela era tão baixa quanto seu ex e a ousadia dela de ir ao seu local de trabalho apenas para humilhá-la mais passou dos limites.
Sua mão formigava e foi com satisfação que viu a marca de seus dedos no rosto branco da outra mulher.
— Vadia! — a loira levantou uma mão para Hermione — já que a outra tocava o lado do rosto vermelho -, mas a morena conseguiu segurar seu pulso antes.
— Não se atreva a tocar em mim com sua mão imunda! — Hermione gritou e se distanciou dela. Abriu a porta com raiva e chamou por Júlia, que a olhou assutada de sua mesa.
— Chame, agora, a segurança!
Assentindo, a garota pegou o telefone do guancho e, quando a loira tentou sair da sala de Hermione, dois homem enormes apareceram e logo a encararam.
— Levem essa mulher para fora e barrem qualquer tentativa dela de entrar. Estamos entendidos?
— Sim, senhora — responderam juntos e arrastaram a mulher para a saída sobre protestos da mesma.
A morena correu para sua sala e trancou a porta; estava ofegante.
Sentia o suor escorrendo por seu rosto e resolveu encerrar seu dia de trabalho, afinal, não faria nada depois daquilo. Pegou sua bolsa e, ao cruzar com Júlia, a pediu para cancelar todos os seus compromissos para aquela tarde.
***
Rony caminhava sem vontade nenhuma para o balcão do aeroporto e cogitou a ideia de sair correndo, mas com Gina ao seu lado, segurando seu braço e quase correndo, era difícil concretizar sua vontade.
A ruiva falava coisas na qual Rony não prestava atenção e só acordou quando sentiu seu corpo bater contra alguma coisa. Piscando, olhou em volta e viu várias pessoas carregando suas enormes malas. Ah, ele lembrou, estou no aeroporto.
— Bom dia, em que posso ajudá-los? — a atendente sorriu.
Gina bateu a mão no balcão e nem se importou com os olhares curiosos que atraiu.
— Bom dia, — respondeu afobada. — Quero comprar uma passagem para fora de Londres.
— Gina... — Rony tentou falar.
— Shhh, quieto! — a ruiva o repreendeu, depois, se virou de novo para a atendente. — Tem que ser para qualquer lugar bem longe daqui.
— Está querendo se livrar de mim, Ginevra? — Rony perguntou indignado.
— Talvez — respondeu ela. — Só não vou mais ficar escutando você se lamuriando pelos cantos por causa da Lilá.
— Gina! — ele gritou olhando para as pessoas que observavam a demora.
— Senhores, por favor...
— Já sei! — a Weasley mais nova sorriu. — Ele vai querer uma passagem para Nova York.
— Nova York? — Rony se assustou.
— Providenciando agora — a mulher respondeu. — Passaporte, por favor.
— Mais é claro — Gina pegou o passaporte das mãos do irmão a força e o que resultou foi uma breve troca de tapas. — Me dá isso, cabeção!
— Faça uma ótima viagem — a moça sorriu e entregou o passaporte junto com uma passagem. — Dirija-se ao portão 6 em meia-hora. Tenha um bom dia.
— Você me paga, Ginevra! — Rony a ameaçou quando saíram da fila. — Não podia ser para um lugar mais perto não? Aliás, pelo o que eu saiba, eu é que deveria escolher para onde iria, não você!
— Quanto blá-blá-blá! — a ruiva resmungou. — Se eu não tivesse vindo com você, com certeza você nunca viria. Deveria me agradecer por isso! Deixou a outra passagem que comprei passar do tempo de validade e joguei dinheiro fora!
— Se está reclamando, então eu devolvo o dinheiro depois.
— Não foi isso o que eu quis dizer — sentaram em uma das cadeiras que completavam um corredor cheio delas de frente ao portão informado. — Só quero que supere o que a Lílá fez.
— Estou trabalhando nisso, sabia? — Rony sussurrou. — Não está sendo fácil saber que ela terminou nosso noivado, para casar com outro.
— Essa viajem vai fazer bem a você — Gina o empurrou pelo ombro. Odiava ver o irmão triste. — Vai que encontra uma pessoa legal lá.
— Você sonha demais, Gina.
— Pelo que sei, querer o melhor para o irmão não é pecado!
Passageiros com destino a Nova York, dirijam-se ao portão 6.
— Bom, já que estou aqui, vou até o fim, então. — Rony murmurou depois de escutar o chamado.
— Esse é meu garoto! — levantaram e abraçaram-se. — Ah, já lhe hospedei em um hotel em Nova York. O endereço eu te passo por mensagem.
— Obrigado Gina.
Última chamada para os passageiros com destino a Nova York, por favor, dirijam-se ao portão 6.
— Tenho que ir, thau.
— Thau — Gina disse e observou o irmão. Rony pegou sua mala e respirou fundo, caminhando até o portão 6.
***
— Mamãe, eu vou ficar bem — Hermione falava pelo celular com sua mãe enquanto arrastava sua mala pelo chão do aeroporto. Depois de conversar com uma amiga sobre o acontecido no dia anterior em seu escritório, concordou que precisava tirar umas férias.
— Eu voltarei logo — tentava convencê-la. — Não se preocupe e mande uma beijo para o papai. Amo vocês.
E desligou.
Guardou o celular no bolso da jeans que usava e chegou ao balcão sem saber muito qual passagem comprar... mas precisava ser para bem longe.
Olhando o telão de viagem acima, na parede externa, escutou uma voz soar pelo aeroporto.
Última chamada para os passageiros com destino a Nova York, por favor, dirijam-se ao portão 6.
Nova York... será?
— Pois não? — a atendente perguntou.
— Uma passagem para Nova York, por favor — Hermione soltou de uma vez e sua consciência gritou: Quê?
— Hum... só um estante — ela teclou no computador e a ansiedade em Hermione cresceu mais e mais. — Hoje é seu dia de sorte. Um passageiro acabou de cancelar o voo.
Depois de resolver todas as burocracias, Hermione chegou a tempo de entrar no avião. As outras pessoas terminavam de guardar suas malas nos compartimentos acima de seus acentos e ela se apressou a fazer o mesmo.
Verificando aonde se sentaria, pegou sua mala e tentou colocá-la no maleiro. Conseguiu colocar uma — a mais pequena -, mas a segunda seria um problema. Juntou todas as suas forças, mas era alto e grande demais.
— Precisa de ajuda? — Hermione escutou e virou o rosto, dando de cara com um homem alto e ruivo.
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