Helena (HIATUS)

2 Capítulo II - "Avis rara"


Notas iniciais
Olá, leitores! Um ano depois - literalmente - aqui está o novo capítulo! shausha. Possíveis significados para o título do "avis rara": "(Lat. /ávis rára/) loc.subst. 1. Pessoa que raramente aparece, ou difícil de encontrar. 2. Pessoa de raras qualidades ou de raro talento" (Aulete Digital). "Ave rara. Para indicar a ausência de pessoa ou coisa que se tem em grande estima" (Dicionário de Latim). Escolham a que mais vier a calhar. E, enfim... Boa leitura para você aí. c:

"Tudo o que você toca

com certeza morre" — Passenger.

Eu olhei ao redor e vi que tudo, certamente, era realidade. Helena tinha mesmo mor... Sido morta. O chão estava todo molhado, por causa da chuva de ontem. Eu ouvia alguns ruídos vindos das pessoas que por ali estavam ou passavam e o sol brilhava sobre nós e o resto da vizinhança. Algumas pessoas me olhavam. Outras começavam a me fitar por mais de três segundos. Inspirei ar ligeiramente e depois com força o expirei, fechando meus olhos por um segundo.

Apertei-a contra meu peito e senti um grande molhado entre mim e ela... Vi que havia muito sangue em minha roupa, no cobertor de Helena e na própria... Olhei para aquilo com minha respiração já se desregulando. Com a boca inspirei e expirei ar por algumas vezes e depois engoli em seco. Abracei-a e passei meus olhos em meu arredor outra vez. Gostaria eu que essa rua fosse mais deserta... Senti meus olhos ficarem molhados, lacrimejantes; mas eu não chorava. Ouvi chaves. Um homem velho vinha abrir a lanchonete. Droga.

Segurei Helena com firmeza, a levei para um beco ali perto e, quando cheguei lá, sentei com a mesma numa quina. Voltei a respirar pela boca.... Minha mão segurava sua cabeça... Mas ela estava me molhando muito. Talvez aquilo estivesse me sujando faz tempo e eu não teria percebido durante a n... Apertei meus olhos, funguei e mordi meus lábios e assim tomei força para afastá-la um pouco de mim. A realidade me torturava a cada vez que eu acreditava nela.

Eu respirava pela boca com pausas... Sim. Eu praticamente ofegava, mas baixo, para que não me ouvissem e...

Não estando colada ao meu peito... Eu via seu rosto. Seus olhos, sua pele, seus cabelos...

— ... Me desculpa! — Exclamei sem mais me aguentar. — ... Me desculpa! — Lastimei encostando minha cabeça à dela.

Era simplesmente o que eu tinha a dizer... Depois de tudo. Eu não sabia o por que daquilo... Entretanto, tinha acontecido. Ela tinha morrido. Tinha sangue em todo lugar.... Agora. ... Antes. E eu não conseguia aceitar isso. Não era capaz de aceitar a realidade, porque não parecia sê-la.

Eu só sentia a dor, chorava... Naquele momento. E esperava que ninguém passasse por ali. Não poderia. Eu tinha de chorar... Porque doía. O que mais pode ser tirado de mim?... Eu quero chorar. ... Pelo menos chorar.

A dor era terrível, mas ao mesmo tempo reconfortante. Eu precisava jogar meus sentimentos para fora. Fazer aquele barulho todo. Abraçá-la. Sentir seus cabelos. Acariciá-la com meus dedos durante aquele instante. Eu suspirava minhas lágrimas e jogava a dor para fora, que, mesmo assim, não diminuía.

Alguém parou na frente do beco.

— Está tudo bem, garoto...? — Indagou uma desconhecida. — O que é isso em suas mãos?... — Ela dizia. Começou a dar passos e eu a olhei.

Inspiração. Expiração. Lágrimas. Dor. Abri a boca para dizer algo, mas a fechei com a respiração descompassada. Mais dor. Doía respirar.

É minha irmã! — Exclamei. E então a abracei contra meu corpo outra vez, deitando minha cabeça nela.

A desconhecida ficou surpresa... Pasma. E de repente deu mais passos.

— Saia daqui! — Gritei novamente. E continuei a chorar... Doía.... Doía chorar.

Tinha parado seus passos... Contudo, moveu lentamente seus pés outra vez.

— Saia daqui!... Eu disse saia daqui! — Olhei para ela.

A mulher parecia um pouco assustada... Ou trêmula. Helena...

— Vocês precisam de ajuda... — Disse num tom afirmativo, porém inseguro. E seguiu com seus passos.

— Não... — Fechei os olhos e funguei pausadas vezes, fazendo um gesto de negação com a cabeça. — ...Você tem de sair daqui. — Avisei à desconhecida. As palavras foram proferidas com dificuldade, como se não quisessem sair de mim, como se estivessem presas... Ou estivessem num lugar muito profundo dentro de mim. Doíam... Doíam tanto. Doíam muito... Muito para sair. Assim como...

Os passos não pararam.

— Eu não vou. Não deixarei vocês sozinhos aqui..., crianças. — Ela, a desconhecida, disse.

— Só... pare! Saia daqui...! — Eu disse olhando para ela. Inspirei ar outra vez. — É uma ordem. — Eu disse, olhando em seus olhos, mesmo com a voz trêmula e os olhos molhados. Ela diminuía seus movimentos enquanto eu falava... Mas não parava seus passos. Eu me agarrava nos cabelos de Helena... — ...Saia daqui... — ...e em seu corpo. Continuava se aproximando. Eu sentia. Meu peito inflava e desinflava. — Saia daqui... — Eu funguei. Algumas lágrimas caíram. — ... S... Saia daqui... — Suavemente... Lentamente. Um pé ali. Outro aqui. Ela continuava a se aproximar. E eu... eu... — Sai...a. — A minha voz disse, se soltando de mim com muito esforço.

Respirei fundo, tirando a minha concentração de minha própria tristeza. Olhei com a visão turva de lágrimas para a desconhecida logo em minha frente. Não a enxergava... De repente bêbado. A dor era tanta... que minha consciência começava a se apagar. ... Era como morfina... . Tudo para o fim da dor... .

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Pálpebras para cima e para baixo. Tudo tão lento... Embaçado...

Está tudo aqui. Estou aqui... Viro a cabeça para os dois lados.

Ah... de repente sangue. Pelos dois lados. Um leve pesar em meu coração. Leve... Vou ao chão.

Helena.

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Helena.

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Helena... De olhos fechados no chão, assim como eu. Sorrio... E durmo.

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Abro os olhos. Dor de cabeça... Ruídos: sirenes... O que está acontecendo? Alguém está me levantando pelos braços. Meus olhos lentos enxergam o ambiente e... HELENA. Começo a me relutar. Quero que me soltem. Não... não tirem a Helena de mim!

Aflito, remexo meu corpo. Todavia, não me largam.

— Está tudo bem... — Ouço baixinho. É uma voz masculina que vem do dono dos braços cobertos de tecido azul-escuro que me seguram.

— Não... Vão tirar Helena de mim... — Digo. Minha voz também soa baixa aos meus ouvidos.

— Pobre garoto... — Ouço o homem dizer muito, muito baixo...

Notas finais
As linhas puladas com pontos finais foram propositais. Está assim porque, se não for desse jeito, o Nyah não deixa o espaçamento que eu desejo colocar, já que parece erro de edição k. Enfim... Gostaram? Espero que sim! E a leva de músicas que ouvi para escrever esse capítulo (risos), para quem tiver interesse em reler o capítulo as ouvindo ou para qualquer outra coisa também: [https://www.youtube.com/watch?v=wmTryT9A7Ek], [https://www.youtube.com/watch?v=Jl_zn2pSl8o], [https://www.youtube.com/watch?v=IXigE1uceSI], [https://www.youtube.com/watch?v=yUEgQ3O5yHY], [https://www.youtube.com/watch?v=VEbWQpdEvSU], além de [https://www.youtube.com/watch?v=FE5fRpGakOk]. Não sei se esqueci de alguma... Mas já estas bastam. São demais essas versões em minha opinião. Espero que gostem também. Até o próximo capítulo? :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.