Passara-se mais de uma semana até que meu pai aparecesse entre as enormes paredes daquela casa. Por alguns instantes eu quieta e imóvel não quis vê-lo. Mas antes que percebesse estava contra seus braços em um enxoval de lágrimas que pareciam não ir cessar em qualquer momento próximo. Ele sorriu para mim, o que me fez chorar mais. Por que ele havia feito aquilo? Nos separado? Em meus quatro anos, eu ainda não havia entendido seus motivos.

– Querida, deixe que eu Madame Norrah conversemos por alguns instantes, sim? – Meu pai pediu abaixando-me de volta ao chão. Com um pouco de relutância concordei e saí da sala.

– Madame Burns… — Minha criada chamou-me em sussurro. Olhei para ela. Ela apontou para uma cortina que separava a sala em que meu pai e minha guardiã estavam. – Você pode ouvir se quiser. Só não conte para ninguém. – Ela riu-se de leve. Eu concordei, apoiando um pouco o ouvido contra a sinuosa cortina.

– Quero lhe pedir um favor. – Meu pai balbuciava tentando convencer a dama que tomara conta de mim.

– O que quiser. Sabe que eu realmente amo minha sobrinha. – Ela disse em voz mais baixa que o normal.

Sobrinha? Fiquei com a palavra ecoando em minha mente. Ela era minha tia? Como? Eu queria saber.

– É verdade. Sua irmã será sempre grata.

– Você sabe que eu teria ajudado mais se não fosse pelo papai. – Meu pai concordou coçando a garganta antes de voltar a falar.

– Ponha-a em uma escola. – Ele pediu. – Ela ainda é pequena. Mas faça isso para ela....

Madame Norrah concordou, tossindo um pouco. – Sim. Quando ela estiver na idade irá para a melhor escola que conseguir pagar. – Escutei-a tossir de leve.

– Cuide-se Olívia. – Meu pai respondeu por fim caminhando para fora do cômodo. – Dê um beijo em Helen por mim. – De lá eu conseguia vê-lo. Ele chorava, mas também detinha um sorriso no rosto.

– Sim. Durarei o suficiente. – Ela respondeu acenando com uma das mãos. – Helen. – Ela chamou pela casa. Corri ao seu encontro tentando esconder as perguntas que perfuravam minha racionalidade. “Você é minha tinha?”; “Irmã de minha mãe?”; “Por que não a ajudou?”. Além de muitas outras perguntas que giravam em uníssono em minha mente.

– Você irá para escola quando for a hora. – Ela repetiu-se com um sorriso. – Está bem? – Disse tossindo novamente com mais intensidade. – Por hora deixe-me descansar. – Eu concordei voltando ao meu quarto e desenhando alguma coisa em um pedaço de papel que me fora entregue. Eu não sabia porquê, mas estava feliz com a conquista. Eu tinha uma tia.