Notas iniciais
Os capítulos são pequenos squetes da vida de Helen Burns, personagem do livro de Jane Eyre, a qual eu amei e decidi escrever como sua vida era antes de conhecer a personagem principal. Espero que gostem.

- Mamãe... Mamãe... – Eu continuei a gritar tentando fazê-la levantar da sutil e improvisada cama que criamos na pequena casa onde mal cabíamos em pé.

Seu suor escorria, seu rosto vermelho estava estranhamente gelado. Ela já se encontrava doente, mas ela iria melhorar. Tinha que melhorar, estava a afagar sua mão quando por fim ela suspirou respondendo aos meus apelos.

- Filha... – Ela afagou meus cabelos negros e enrolados. – Não chore por mim... – Ela sorriu leve antes de descansar novamente a cabeça sobre o velho travesseiro e fechar por uma última vez seus olhos que já estavam pesados.

- Mamãe! Mamãe! – Gritei novamente sem conter as lágrimas que irradiavam misteriosamente sem que eu quisesse. A mão de minha mãe que de repente ficava gélida e seu corpo que se tornava a cada instante mais pálido fez eu perceber o que era a verdade estampada em minha face. Minha mãe estava morta.

Em um curto período de três dias ela fora embalsamada e enterrada. Por uma última vez em um dia chuvoso de inverno eu pude observar o rosto da minha mãe que não mais sentia, não mais sorria, não mais tossia. Mas acima de tudo, não mais sofria.

Naquele mesmo dia quando não esperava que as coisas pudessem ficar mais sombrias, em meus curtos quatro anos de vida, meu pai me puxando pelo ombro me fez parar ainda no cemitério próximo a uma árvore.

- Querida, — Ele forçou um sorriso que não conseguia disfarçar as olheiras em seu rosto. – essa é madame Norrah. – Ele me puxou para a frente da senhora.

- Apresente-se. – Ela mostrou um dedo longo e comprido que possuía calos. Lembrou-me de uma bruxa. Abaixei o olhar assustada.

- Sou Helen Burns. – Balbuciei baixo e assustada. A senhora sorriu, fazendo com que as rugas em sua face aumentassem.

- Muito prazer. – Ela me pegou pelo ombro, retirando-me do lado de meu pai.

- Pai? – Chamei sentindo mais lágrimas se formarem por baixo de minhas pálpebras.

- Não se preocupe é o melhor, irei visita-la todos os dias. – Ele sorriu, se distanciando aos poucos.

Foi assim que tudo começou. Daquele dia em diante eu sabia que minha vida, talvez não mais miserável, nunca mais seria feliz. Nunca... Nunca é um período longo demais.