Notas iniciais
Perdão pela memora. O que acontece é que eu estou em meus testes finais. E ainda tem a FUVEST. Que não fui bem. T.T Desculpem se demorar para postar~~ XD

Entrei na carruagem. O dia ainda chuvoso, e o vestido preto colando em minhas pernas enquanto caminhava. O guarda-chuva não era necessário. Chovendo pelo menos minhas lágrimas não seriam notadas.

Minha tia foi enterrada junto de minha mãe. Seu caixão enfeitado com rosas brancas. E um pequeno cravo amarelo que colhi e coloquei próxima de sua mão. Seu vestido vermelho não deixava sua pele nem um pouco mais bonita. Pelo menos o cravo aflorava sua beleza... como direi... fúnebre?

A carruagem já partia, e a terra era jogada em cima do caixão negro que nunca mais se abriria a não ser para as traças. Eu estava a caminho. A caminho do intrigante colégio Lodwood.

– Será... – Respirei. – Alguma coisa vai mudar? – Perguntei. Abri a boca para completar mas... Não consegui. Com a boca entre aberta suspirei pensando. A morte me persegue. O que acontecerá se eu continuar amando às pessoas?

Um dia e meio de viajem se passaram pela pequena Inglaterra. Passamos a noite em uma estalagem frívola, e que se fosse há alguns anos consideraria aconchegante. Mas agora achava suja e até mesmo ruim para quem dormia em uma cama de penas e colchões de lã e seda todas as noites.

– Vamos garota. – O cocheiro me chamava sem amor nenhum. Toda a riqueza de minha tia era agora minha. Mas até que completasse 18 anos não teria direito a nem um milésimo do dinheiro. Tinha então que ser sustentada por meu pai, que já não via há mais de um ano. Ele não viera ao meu aniversário.

Mais meio dia sentindo o cheiro dos cavalos e observando as paisagem da — pequena — grande Inglaterra. Até que o cavalo e seu cheiro enjoativo pararam em um portão de ferro. Retirei com ajuda as três malas que havia trazido. Uma senhora — que lembrou minha Tia Norrah na primeira vez que a vi – se encontrava na porta do imenso e mal cuidado casarão. Aquilo era mesmo considerado uma escola?

– Seja bem-vinda. – A senhora falou, acompanhando-me até o hall de entrada, aonde uma outra jovem sorrindo para mim me cumprimentou também.

– Meu nome é Miss Temple. – A jovem que havia encontrado depois sorria. – Prazer em conhece-la. Irei acompanha-la até seu quarto. – Ela pegou uma das malas e com um sorriso me acompanhou até um quarto onde só ficaria eu.

– Sua tia disse que não queria que você dividisse o quarto com ninguém. – Concordei em silêncio como fiz nos primeiros dias na casa de Tia Norrah. Não queria me apegar. – Por favor. Sinta-se em casa e me chame se precisar de qualquer coisa.

Ela se direcionou para a porta deixando as diversas velas que estavam espalhadas pelo quarto acesas. Quando estava para cerrar a porta contra a parede, apertei os lábio e com força sussurrei.

– Eu queria um livro. – Pedi com a voz rouca. Eu havia chorado a viajem inteira. Ainda não me sentia bem.

– Qual livro?

Tossi de leve antes de responder. – Tem Moby Dick? – Perguntei.

– Sim. – Ela sorriu. – Mas está em francês.

– Não tem problema. – Suspirei.

A dama pareceu se surpreender por uma inglesa como eu com apenas oito anos aceitar ler um romance em francês arcaico. Mas era verdade, até achava o francês na escrita mais agradável que o inglês.

– Está bem... – Ela começou a fechar a porta. – Se essa tosse não passar, me avise. – Ela disse ainda mais baixo, fechando a porta e me deixando sozinha.

Um pouco depois retornou enquanto arrumava meu armário. Deixou o livro na cômoda com um bilhete em uma letra bela e caligrafada. “Boa leitura”.

Naquela noite li até cair no sono com o livro no colo. Meu sonhos agora navegavam atrás da baleia branca. Um romance. Uma tragédia. Quase uma realidade.

No dia seguinte acordei, mas o livro estava na cômoda e eu estava bem coberta. Teria sido senhorita Temple?