Heiress Of Azkaban
3 III. we're related, Malfoy
Acordei cedo e vesti meu uniforme da Sonserina, que já estava junto aos meus outros pertences como as outras roupas. Como não sabia fazer o mesmo feitiço que o diretor Dumbledore havia feito ontem à noite, tinha que escolher qual dos uniformes usar manualmente. E claro, eu tinha que ver se realmente me encaixava no meu "destino".
Com exceção de Sirius, todos os Black's pertenciam a casa Sonserina. E claro, seria legal conhecer pessoas novas, mesmo que não quisesse muito. Não podia desperdiçar meu poder de ir e vir por qualquer casa, não podia mesmo.
Quando Granger se levantou e me viu com os trajes esverdeados, fez questão de me olhar com certo nojo. Olhei feio para ela, fazendo a disfarçar o olhar e fingir que nada havia acontecido. Como a aula seria de feitiços e nenhuma de nós teve vontade de tomar café, fomos até a sala e encontramos outros alunos da Grifinória e a Sonserina já prontos.
— Bom dia, alunos. Sentem-se, por favor. – cumprimentou o professor Flitwick, na frente da sala e acalmando os ânimos de muitos primeiranistas animados – Seu primeiro feitiço será de levitação, por favor se acomodem e peguem suas varinhas.
Me direcionei até um dos lugares junto a Hermione, mas antes de me sentar senti alguém encostando em minha mão e me puxando levemente, chamando minha atenção. Olhei confusa para trás, encontrando o garoto da cabine.
— Vem sentar com a gente, Black. – disse ele, um tanto autoritário. Viu um olhar feio ser transmitido de meus olhos, então abaixou seu tom de voz e riu fraco. – Você.. Está com o uniforme da Sonserina, não está?
Olhei para o trio que me fitava, já sentados, e eles confirmaram com a cabeça, dizendo que ficariam bem. Fui com o sonserino até os lugares no lado oposto em que estava, sentando ao seu lado e percebendo que os outros dois garotos do Expresso estavam ali, o seguindo para onde ousasse ir.
— Deveria se enturmar com mais pessoas além deles, afinal, você tem acesso à qualquer Casa. – falou Malfoy
— É um pouco mais é difícil quando você é filha de um cara que está em Azkaban, entende?
— É, também é difícil quando você é um Malfoy.
— Com certeza não é. – falei, rindo fraco e o vendo me olhar com os olhos semi-cerrados. – Me trata como se me conhecesse a tempos. Por que?
— Quer que eu te faça um questionário? – perguntou confuso, me vendo negar com a cabeça – Bom, sei seu nome e sobrenome, é suficiente.
Sorri fraco, o vendo sorrir de volta e desviar o olhar, envergonhado. O professor voltou a falar, atraindo nossas atenções e explicando uma pequena introdução sobre o primeiro feitiço que ensinaria.
— Ouvi alguns sextanistas dizerem que nunca viram a escola tão animada. – falou Draco, em tom baixo – Você é tipo uma febre, todos te conhecem. E como toda pessoa famosa, a maioria te odeia. Quem foi que você matou?
— Todos estão com suas penas? – perguntou o professor , nos vendo confirmar com a cabeça – Façam o movimento com o pulso, não se esqueçam. É girar e sacudir, vamos todos.
Fizemos o movimento ensinado, todos quase que em sincronia.
— Não matei ninguém, mas odeiam meu pai. Consequentemente, me odeiam também.
— Exatamente, e falem em voz alta: "Wingadium Leviosa".
Tentamos fazer o feitiço, o que não rendeu muitos bons resultados de primeira. A não ser, claro, com exceção de Hermione, que foi até parabenizada pelo professor.
— Veja só aquilo.. – disse Draco, olhando feio para uma Hermione sorridente e com o nariz um tanto empinado – Como você consegue andar com ela? É tão... metida
— Dizem o mesmo de você.
Ele revirou os olhos, suspirando e me olhando em seguida. Me fitou por alguns segundos, sorrindo fraco em seguida.
— Amor e ódio, é isso que sentem por você. Eu diria que é inveja, porque confundiu o chapéu pela primeira vez em todos esses séculos e.. Senta na mesa da Sonserina hoje? – perguntou, desviando o olhar e voltando a praticar o feitiço novamente, que finalmente deu certo. Mudou de assunto tão rapidamente que o olhei confusa. – Veja, consegui.
— Pode ser – respondi, voltando a me concentrar na pena imóvel.
Ele me olhou por alguns segundos, me vendo tentar e não conseguir executar o feitiço com perfeição. Até que ele se levantou, se pondo em pé ao meu lado e colocando sua mão sobre a minha, fazendo o feitiço junto comigo e me ajudando. E então, em menos de segundos, a pena começou a levitar.
Olhei para ele, o qual sorriu e desviou novamente o olhar, parecendo envergonhado.
— É fácil, qual é! – falou sorridente, voltando para o seu lugar e se sentando.
— Aposto que sou melhor que você em outra coisa. – disse raivosa, tentando executar o feitiço por conta própria e conseguindo.
— No que por exemplo? – questionou, ainda sorrindo
— Transfiguração, talvez.
— Você sabe? – perguntou desconfiado – Sabe mesmo? Tem 11 anos, Black.
— Talvez eu saiba. Por que? Não acredita no meu potencial?
Ele levantou as mãos, fingindo rendição e rindo fraco.
— Com quem aprendeu?
— Com o... – falei tranquilamente, mas interrompi minha fala e desviei o olhar, tentando fingir que não havia feito aquilo – Ninguém.
— Como ele é?
— Ele quem? Por Merlin..
— Não precisa fazer isso, está tudo bem. – disse calmamente – Seu ninguém, como é?
— Ele é legal, até. Um bom ninguém.
— Certo, que bom. – disse tranquilamente, como se conversasse com a filha de um suposto assassino todos os dias – O meu ninguém também é legal. Mas Potter não pode dizer o mesmo.
Olhei indignada pra ele, o vendo gargalhar.
— Isso foi cruel. – o repreendi, tentando segurar o riso.
Ele me olhou confuso, depois revirou os olhos e guardou a varinha nas vestes. O Professor já havia visto nosso progresso, então só teríamos que esperar os outros terminarem.
— Vai me dizer que tem pena do órfão agora? – perguntou.
— Não sinto pena de ninguém. – respondi sincera – Mas eu também sou órfã, por parte de mãe.
— Mas tem uma grande diferença entre você e ele.
— O que? – o questionei, vendo um sorriso maléfico nascer em seu rosto.
— Você é... – disse ele, fazendo uma pausa dramática e sorrindo de lado enquanto olhava em meus olhos – Sangue puro.
— Que idiota..
Ele gargalhou novamente, me fazendo rir fraco e negar com a cabeça, incrédula. Quanta personalidade duvidosa para uma criança tão jovem..
— Também te odeio. – respondeu ele
• • • • •
— Sinto saudades da Jess. – disse Ron, jogado em uma das poltronas da sala comunal da Grifinória.
— Mas parece que ela não sente nenhuma de você, Ron. – disse Granger, de braços cruzados e nada feliz – Ela está muito bem com o novo amigo dela.. Droga, isso não vai dar certo. Se no segundo dia ela já está andando com o Malfoy e esqueceu a gente, imagina quando conhecer as pessoas da Corvinal e Lufa-Lufa.
— Ela não vai trocar a gente – discordou Harry, olhando incrédulo para a garota ao seu lado.
— Óbvio que não vai. – concordou Weasley – Hermione, você só está com ciúmes.
— Claro que não! Mas se ela virar amiga dos sonserinos e esquecer da gente, posso fazer ela levitar até as masmorras e nunca mais voltar.
— Masmorras? – perguntou Harry, confuso – Esqueceu que lá é o Salão Comunal da Sonserina?
— Claro que não, vai ser lá mesmo que ela vai ficar, traíra.
— Tão inteligente e deixa a burrice a consumir quando fica com raiva. – desfez Weasley, tomando um tapa nada carinhoso de Hermione no braço. – Tenha piedade, Mione, as masmorras são lá embaixo, é impossível fazer alguém levitar e..
— Tudo bem, tudo bem. Errei. – admitiu, mais raivosa ainda – Só estou dizendo que é melhor ela arrumar novos amigos traíras, iguais a ela... Não há lugar melhor pra isso a não ser a Sonserina.
— Vai com calma, Mione. – disse Harry, achando tudo aquilo um grande exagero – Ela só está... interagindo.
— Sei muito bem como essa história de interagir começa.
• • • • •
Algumas horas se passaram, e Black decidiu que passaria o dia com os sonserinos ao invés do trio. Já que, sempre que tentava se aproximar, Hermione a olhava como se estivesse pronta para tentar matá-la.
A garota entrou no Salão Principal, pronta para o banquete noturno. Se direcionou até o lado esquerdo do lugar, onde se localizavam as mesas da Sonserina e Grifinória. Ao passar recebeu novamente o olhar feio de Hermione, mas dessa vez Ron e Harry a olhavam magoados, como se ela tivesse feito algo de errado realmente.
Ela provavelmente pensaria muito sobre isso à noite.
Já ao olhar para a mesa sonserina, foi recepcionada por um sorriso gentil de Malfoy. Sentou ao lado do loiro e, ao olhar para o lado, encontrou Crabbe e Goyle bastante confusos. Provavelmente não eram muito observadores ou atentos.
— Ela não era da.. – disse Goyle, não terminando a frase e vendo Malfoy bufar, sem paciência.
— Ela é indefinida, antas. Pode sentar onde ela quiser, e hoje ela vai sentar aqui. Algum problema?
Black pigarreou, atraindo a atenção de Malfoy e direcionando um olhar feio para ele, que estranhou.
— O que? Ah, eles não se importam. É carinho, tá vendo? – disse ele, dando leves tapas delicados no rosto do colega.
— Menos, Malfoy. – a garota repreendeu, vendo um banquete aparecer a mesa e lotar seu prato, antes vazio – Vocês sabem se tem mais alguém falando de mim? Provavelmente mal, mas estão?
— Bom, meio que sim. Eu te disse, é a escola inteira. – falou enquanto comia, tentando não parecer tão direto e cruel – Tem vários apelidos até agora, mas o mais famoso é Herdeira de Azkaban.
— Nossa.. – disse surpresa.
— Muito pesado, mas bem criativo. Particularmente, eu achei bem charmoso, sabe? É poderoso. Mas se bem que acho que não deveria ter te contado..
— Não tô falando disso..
Draco olhou na mesma direção a qual a garota olhava, desviando a atenção de sua comida pela primeira vez. Viu Potter olhar para os dois, com um misto de tristeza e ódio serem transmitidos de seu olhar.
— O que o Potter tem?
— Não faço a mínima ideia – respondeu Black, dando de ombros e voltando sua atenção ao prato a sua frente.
Depois de alguns segundos de silêncio, apenas sendo preenchidos pelos barulhos dos talheres e uma leve comunicação dos alunos das outras casas, Draco olhou para a garota que fitava a mesa já vazia, tentando juntar o resto de coragem que tinha.
— Vai andar com a gente agora.. – disse ele, atraindo a atenção da garota – Não vai?
— Claro. Mas com eles também. São meus amigos, mesmo que me olhem daquele jeito mortal.
— Isso. – concordou Draco, um tanto incomodado – Pode ser.
Black sentiu um leve tom de insatisfação na voz de Malfoy, mas viu que o garoto não queria parecer autoritário. Ela achava engraçado o fato dele parecer cuidadoso ao se referir a ela, porque era exclusivo a ela, apenas. Os outros tinham que aturar Draco sendo extremamente mimado, arrogante e resmungão. Ela não.
— Ah, soube que somos primos.. – Black puxou assunto, recebendo um olhar desesperado de Malfoy.
— Ok, podemos fingir que isso nunca aconteceu. – disse em desespero – Vamos ignorar essa sua fala agora e fingir que somos apenas pessoas que se conheceram em Hogwarts.
— Você já sabia? – perguntou baixo, vendo o garoto bufar e concordar com a cabeça.
— Sim, meu pai me contou.. Mas é idiotice, vamos fingir que isso nunca aconteceu, Jessica Black. É sério, por que disse aquilo? Que desnecessário..
A garota gargalhou, fazendo Draco sorrir quase que automaticamente junto a ela. O garoto nunca havia sorrido tantas vezes em um único dia, e se sentia anestesiado só de pensar que poderia ver o sorriso da amiga todos os dias.
— Eu.. Posso te chamar de Jess?
— Bom, eu posso te chamar de Dra?
— Se sua resposta for sim, então pode. – respondeu
— Chegamos a um acordo, isso é bom. – disse ela, se levantando junto aos outros alunos e fitando o garoto ainda sentado – O próximo passo é você entender de uma vez que a minha família tem relação com a sua e..
O olhar de Draco demonstrava tanta reprovação que a garota gargalhou, levantando as mãos em falsa rendição e voltando atrás do que havia falado.
— Não somos parentes, não somos parentes.
Malfoy sorriu, levantando e saindo do grande salão junto a garota, ambos sorridentes. Foram até o salão comunal da Sonserina, onde a garota preferiu dormir. Não conhecia ninguém lá, mas com certeza era melhor que dormir tendo o olhar de ódio de Hermione sob ela.
— Te vejo amanhã, Jess. E por Merlin, se contar a alguém que temos apelidos eu me jogo da Torre de Astronomia. Entendeu?
— Se continuar com esse tom de voz pensando que manda em mim.. Eu mesmo te jogo de lá.
Draco gargalhou, indo até o dormitório masculino e se despedindo da mais nova amiga com um sorriso.
Fale com o autor