Hefesto e Afrodite universo de A Punição
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Enjoy
Hefesto havia acabado de montar a parte interna de seu mais novo autônomo e estava ligando a segurança das forjas para poder ir para sua casa e descansar. Ele estivera tão ocupado com esse projeto que nem se importou quando o alarme que avisava quando sua esposa e o deus da guerra estavam saindo juntos tocou. Já não adiantava montar armadilhas, eles saíam sempre de qualquer forma.
Chegando em casa ele verificou -só por costume- se Afrodite estava em casa e não se surpreendeu ao ver que ela não estava. Tomou banho e foi assistir tv a fim de espairecer um pouco para dormir com a mente tranquila, porém acabou cochilando no sofá numa posição nada confortável.
***
Afrodite chegou em casa aproximadamente duas da manhã, entrou tentando não fazer barulho para não acordar seu marido que provavelmente havia chegado tarde das forjas porque estava ‘fazendo um trabalho importante’. Porém ela o encontrou estirado no sofá e com uma perna na mesa de centro enquanto a tv estava ligada em um canal qualquer. Não pôde deixar de se preocupar com ele, aquela posição era totalmente desconfortável e isso afetaria muito mais o seu andar pela manhã.
Chegou perto dele e se abaixou a fim de ficar com o rosto a mesma altura que o dele para não assustá-lo quando acordasse de supetão. Ao chegar mais perto, ela ficou numa espécie de transe ao reparar em seu marido direito pela primeira vez depois da mudança de visual. Ele havia aparado a barba que antes tinha aspecto seboso de modo que ela ficasse rente ao rosto e cortou os cabelos até que ficasse com três dedos de comprimento. Mesmo com sua divindade, ele não podia fazer suas cicatrizes desaparecerem, por isso tinha uma no rosto parecida com a do semideus Luke Castellan, a diferença é que esta foi causada pela queda do topo do Monte Olimpo.
Instintivamente ela tocou-lhe a cicatriz e logo depois acariciou a barba. Afrodite só não esperava que no meio de sua distração ele acordasse e ficasse fitando a cena com certa surpresa. Tirou a mão por efeito de ter sido pega no ato e corou.
— Dite? – disse ajeitando a postura. — Sem querer ser rude com você, mas, o que estava fazendo? – questionou franzindo as sobrancelhas.
— Eu cheguei e vi você desconfortável, então resolvi te acordar para que pudesse ir para a cama. – respondeu levantando-se e ajeitando a roupa. — Você não conseguiria trabalhar direito se passasse o resto da noite naquela posição. – completou arriscando um olhar de relance para o bronze que eram os olhos dele.
— Agradeço a preocupação, mas porque você está chorando? – perguntou ao secar suas lágrimas e olhá-la ternamente, mesmo estando magoado por ela ter saído com o deus da guerra.
Afrodite imergiu em pensamentos, lembrando-se do motivo de suas lágrimas.
Flashback on
Ares estava ao seu lado, ambos procuravam Poseidon e Atena pelas ruas de Londres a fim de descobrir o que faziam. Bem, Afrodite procurava. Ares estava ali apenas porque tinha esperança de rolar algo mais depois que ela conseguisse o que queria.
— Vamos Dite, deixe-os em paz. Vamos nos divertir enquanto o corno do seu marido não nos descobre e coloca alguma daquelas armadilhas.
— Deixe disso Ares! Nós fizemos festinha a noite toda ontem! – respondeu irritada. — Eu quero ver se eles já se resolveram, ou pelo menos se estão se aturando.
— Pois bem. Olha eles ali na saída do shopping. – disse apontando para os dois. — estão super felizes e sorridentes. Vamos agora? – perguntou impaciente.
— Não estou a fim hoje, Ares.
— Mas que droga Afrodite! Porque aceitou sair hoje então?
— Porque saímos sempre! – exasperou-se.
— Bem, então fique sozinha o dia todo esperando que seu amado marido volte e a satisfaça. Não te procurarei por alguns meses, passar bem. – subiu na moto e saiu.
— Ao menos meu marido me ama. – murmurou antes de aparatar para o Holland Park.
***
Afrodite estava sentada em um banco perto do Kyoto Garden, girando sua aliança e pensando nas inúmeras provas de que nem se ela vivesse milhões e milhões de éons mereceria o amor e devoção que Hefesto lhe dá. Porém ela saiu de seus devaneios ao escutar a voz de Atena a alguns metros de distância e resolveu observar.
Poseidon havia colocado a mão em sua cintura e aparentemente Atena não havia gostado, ele parecia envergonhado e passava as mãos nos cabelos. Afrodite decidiu que seria inconveniente da parte dela espionar um momento que era pra ser íntimo dos dois e saiu dali.
***
Ela estava em Paris, havia acabado de jantar e agora estava indo até a Pont des Arts a procura do primeiro cadeado preso ali, um trabalhado em bronze celestial com um martelo flamejante ao lado de um coração. Aquele foi o primeiro momento desde o casamento em que ela realmente se sentia casada com Hefesto. Nesse tempo ele não passava maior parte do dia nas forjas e sim cortejando sua nova esposa, porém ela quase nunca lhe dava atenção, então ele passou a preferir ficar com máquinas a ficar com ela.
Porém, ao lembrar-se disso, ela percebeu que mesmo traindo seu marido com frequência e vários homens diferentes, nenhum deles a fazia se sentir amada igual ele conseguia nos raros momentos em que ela se permitia ser cortejada. Ela sempre conseguira sentir o amor entre as pessoas, mas nunca havia conseguido sentir ela mesma, bem, até lembrar-se do primeiro presente que ele lhe dera após o início das traições.
“— Enquanto essas engrenagens trabalharem, eu te amarei minha deusa. Mesmo que não pareça. — ele havia dito ao colocar o colar em forma de coração em seu pescoço ’’.
Afrodite sentiu as engrenagens se mexendo ao segurar o pingente e isso foi o empurrãozinho que ela precisava para voltar para casa e tentar uma reconciliação com seu marido.
Flashback off
— Estou chorando porque percebi que tenho um marido que não mereço e nunca dei valor a ele. – respondeu após sair do transe.
— Porque diz isso minha deusa? – perguntou olhando para ela.
— Mesmo sabendo que eu nunca fui fiel a você, você nunca me deixou, sempre tentou me agradar e fazer com que eu me sentisse bem. – respondeu devolvendo o olhar. — As engrenagens ainda funcionam.
— Elas sempre irão funcionar minha deusa. – falou abraçando-a. — Sempre.
— Eu te amo Hefesto. Agora sei disso. – sussurrou beijando-o logo em seguida.
Hefesto ficou um pouco surpreso pelo beijo no início, mas depois que Afrodite colocou uma das mãos em seus cabelos ele relaxou e aproveitou o momento. Quando o ar se fez necessário, Afrodite separou o beijo e colocou a cabeça na curva do pescoço dele.
— Desculpe-me por não perceber antes. – disse depois de um tempo. — Fui uma tola ao ignorar você por todo esse tempo. As únicas vezes que eu lhe dava atenção era quando Ares estava indisponível e me sinto culpada por estar fazendo isso agora também. Não posso fazer isso com você. – completou se afastando.
— Dite... – chamou fazendo-a olhar em seus olhos. — Não precisa ficar se desculpando, eu entendo que você faz isso porque é infeliz ao meu lado. Eu é que tenho que pedir desculpas.
— Está enganado. – respondeu enquanto acariciava seu rosto. — Não sou mais infeliz ao seu lado. Eu pensava que sim, mas, eu percebi que só sou realmente feliz nos nossos momentos aqui em casa ou quando consigo juntar um casal. Eu te traia para tentar provar que não te amava, mas eu sei que não se nega um amor. Você é o meu e quando a deusa do amor diz isso ninguém pode negar.
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