Hedonismo
3 Descobertas de uma vida.
Notas iniciais
Me sentia errado.
Muito errado em estar fazendo aquilo, e daquela forma.
Alguém tinha chego a minha casa e tinha me chamado. Os meus sapatos e os de Ken estavam na entrada e saberiam pelo barulho do chuveiro que eu estava aqui, mas não encontrariam Ken.
Tentava mentir a mim mesmo dizendo que estava pensando nisso, mas não estava.
Realmente não estava.
Lembrava-me dos toques ferozes de Taichi e os comparava a esta súbita violência de Ken contra meu corpo. Ele estava tímido e receoso há poucos segundos, mal sabia como beijar e agora tinha me pego pelos cabelos me abaixado e...
Tinha um gosto estranho e uma textura familiar. E eu estava morrendo de vergonha, mas fazia... E como fazia.
Ele era rude e apertava minha cabeça. Quase engasgo. Aquele gosto salgado era ruim... tusso.
—--- Takeru... desculpa eu... ---- seu rosto voltava ao normal e se tingia de vermelho. ---- Perdi o controle... ---- ele parecia mais nervoso do que eu.
—--- Tudo bem... eu que provoquei. Não devia ter brincado... ---- puxo a culpa para mim, mas não largava de ser verdade.
Estava de cócoras e me canso indo me sentar. Sou lembrado assim do chuveirinho que se aprofunda com o meu ato me erguendo o tirando. Desligo o chuveiro, já estava limpo, bem limpo.
—--- Takeru me desculpa... ---- ele suplica abaixando a cabeça e eu sorrio de volta; ele não entende.
—--- Nada aconteceu... ---- dou esta ordem ao meu próprio celebro, tento me convencer, mas a ardência não deixa. ---- Venha se trocar. Acho que tem alguém chamando lá fora. ---- por que fui comentar isso? Só o deixei mais nervoso. ---- Ken... Você esta bem? ---- vou ate ele e o entrego uma toalha enquanto me troco apressado; tinha trazido apenas uma e tínhamos de dividir.
Mas ele não me responde; ficava a fitar o azulejo velho como um bem precioso. O deixo se trocar em paz e saio do banheiro já arrumado, a procura da pessoa que deveria estar ali. Mas não encontro ninguém.
Minha cabeça é invadida por mil temores: E se a pessoa tivesse ouvido? Eu não poderia gritar e gemer mas Ken estava fazendo ruídos por nos dois. Quem poderia ser? E se fosse meu irmão? E se fosse o Daisuke? E se for alguém que poderia espalhar.
Meu chão desaparece e me vejo jogado em um vácuo interminável de desespero.
—--- Takeru? ---- sou trazido de volta das trevas pela pessoa menos provável, Ken. ---- Quem era? Você esta bem?
—--- S-sim... ---- minto. ---- Deve ter sido coisa da minha cabeça. ---- o cumprimento com um largo sorriso e ele me corresponde, mas cora.
—--- Takeru eu...
—--- Já te disse para esquecer isso. Não foi culpa sua... ---- queria esquecer este assunto, queria sumir, fazer de conta que nunca ouve nada.
Ele me encara; serio, acho que entende minha posição.
—--- Melhor eu ir. Passei a noite fora e... Meus pais podem ficar preocupados. ---- ele comenta já indo em direção a porta, mas para voltando a me fitar. ---- Não acho certo sair assim...
—--- Vai logo! ---- grito. Ele se assusta e bate a porta.
O que ele queria? Que fossemos para o quarto dormir de conchinha?
As coisas ficam estranhas no dia seguinte. Trocava-mos olhares culpados durante todo piquenique; sem controle ou conhecimento. E eu realmente não queria estar ali. Não por causa de Ken, muito menos Taichi, mas por mim mesmo; ainda me culpava por ter feito aquilo, tinha sido eu a me aproveitar de suas condições e não o oposto.
—--- Esta tudo bem Takeru? ---- tinha de ser ela... Yolei vem ate mim e me questiona me passando uma torta; ela sempre era rápida para sacar pensamentos profundos. Ate parecia um telepata. ---- Você esta com uma cara estranha hoje.
—--- Estou? Não percebi. Desculpa. ---- mentir pra ela? Idiota! ---- Errr eu... Não é nada importante desculpa.
—--- Esta tudo bem! ---- ela sorri, mas eu escuto “vou descobrir o que é mais cedo ou mais tarde”. Não tem como eu ficar bem com isso e me levanto e saio da roda sem fazer cerimônia alguma. Não era meu plano chamar a atenção, mas meu corpo se move sozinho e corre de lá, de perto dela.
Estávamos a fazer este piquenique no próprio digimundo e todos estavam lá. Tanto os veteranos como seus digimons e ate mesmo alguns digimons que fizemos amizade durante estes anos como Leomon e Andromon. Era mesmo um dia muito agradável.
Mas eu não conseguia me divertir, minha mente me traia e me levava a me perder em pensamentos impuros e traiçoeiros. Pensava em revelar de uma vez... afinal alguém ali já sabia, eu só não sabia quem.
Sabia disso por que assim que Ken saiu vi o recado escrito com à hora e local para o piquenique.
—--- Takeru... esta tudo bem com você? ---- ele questiona mesmo sabendo que não. Taichi vinha em minha direção aproveitando para me levar o mais distante do grupo. Estava claro que ele estava pronto para terminar o assunto.
—--- Taichi eu... Estou bem. Esta tudo bem! Eu não vou morrer por conta disso... ---- afirmo com um sorriso, mas sentia exatamente o oposto. Sentia meu peito doer e eminha garganta amargar. ---- Não posso exigir que você...
—--- Vou contar ao Yamato... ---- ele me atravessa esta facada e fico sem ar. Nada que ele me diz depois disso chega aos meus ouvidos. ---- Você entendeu?
—--- Não... Não eu não entendi! Por que? Por que você faria uma coisa destas? Você mesmo disse para guardar segredo... e ... e... agora...
—--- Você não me ouviu mesmo né. ---- ele afirma passando a mão naqueles cabelos sedosos e perfumados. ---- Eu acabei de te explicar tudo. ---- ele me encara e eu não consigo decifrar seu olhar. ---- Unf ---- logo ele suspira e se apóia sobre os meus ombros me prendendo contra a parede, meu coração acelera e tento esquivar daqueles olhos castanhos que me invadiam a alma. ---- Presta atenção.
—--- E-esta bem. ---- engulo seco, não conseguia decifrar o que o líder queria.
—--- Você sabe que brigo com o seu irmão desde sempre. Nós discordamos mas nos respeitamos, não temos que ser melhores amigos. ---- ele volta a respirar, abaixa a cabeça ainda próximo de mim, e sinto aquele perfume. O mesmo que usamos naquela noite. ---- Sinto que o trai. Que trai sua confiança em mim... Se alguém fizesse o que fiz com você, com a Hikari eu... ---- ele me solta e atinge a parede com um murro, sinto ela tremer nas minhas costas.
—--- E você acha que o meu irmão vai fazer o que...? ---- questiono apelando para os seus temores; mas ele era o guardião da coragem.
—--- Eu não sei... ---- ele responde olhando a própria mão. Tinha se ferido, mas não era ele a levar a pior contra a parede. Entendia o porque de meus hematomas não terem desaparecido ainda. ---- A verdade é... ---- tento não ter esperanças, mas... Sonhar não é crime. ---- Eu e seu irmão já... ---- ele não termina a frase, mas eu entendo.
—--- Como? Quando? Por que?
—--- Foi só uma vez. ---- ele tenta se explicar. ---- Tínhamos de fazer um trabalho juntos, eu sempre faço como o Kowshiro mas ele não podia por que estava doente... Ai o professor fez esta gracinha...
—--- Não enrola...
—--- Estávamos brigando para variar. Estava tarde eu tinha perdido a hora de ir, seu irmão fez como eu e me mandou ficar. ---- ele parava de contar constantemente e eu tinha de força-lo. ---- Seu pai não estava, tinha ficado ata tarde no jornal, e eu comecei a brincar dizendo que ele estava namorando ou algo assim.
=~^~ ^~= Vamos por uma memória vamos? Sei que você quer saber como foi. rsrs=~^~^~=
—--- Ah! Fala serio... Por que esta zanga? Seus pais são divorciados desde que eu te conheço... ou ate antes. Bem antes! ---- Taichi o observa por sobre ombros, este fazia uma carranca e saia da sala que estava escura. ---- Serio? Jura? Com esta idade você ainda acha que eles podem voltar?
—--- Eu não acho isso! ---- o louro retruca aos gritos; ia em direção a cozinha, que era o único cômodo aceso da casa.
—--- Taaaa bem... ---- o moreno cantarola ao fazer uma expressão de tédio revirar os olhos nas orbes e se erguer.
Desarrumado e cambaleante ele segue em direção a uma porta fechada e a abre acendendo a luz apenas depois de estar dentro do cômodo.
Se tratava de um banheiro, que o moreno não estava assim tão adaptado já que não costumava ir a casa do louro. Mas depois de se aliviar uma gaveta seme aberta rouba sua atenção; e o sempre instintivo rapaz a abre sem cerimônia.
—--- Mas o que!?? ---- o moreno grita e acaba por cair escorregando no tapete, fazendo um barulhão que atrai o louro.
—--- O que você pensa que esta fazendo?! ---- o louro invade o local escancarando a porta aos gritos. ---- Saia já daí!
—--- O que uma coisa destas faz aqui? ---- o moreno descabelado questionada sem dar a mínima para as ordens do loiro.
—--- ... não é da sua conta só saia. ---- o louro desiste de ter alguma razão, e sai da porta para que Taichi deixasse o cômodo, depois entra arrumando o tapete e fechando a gaveta que continha um objeto longo e feito de borracha, que muito provavelmente iria levar pilhas.
O silencio reina.
Mesmo depois do Tempura ficar pronto, ninguém tinha nada a declarar. Taichi se perdia em questionamentos do por que daquilo estar ali, indo em direções cada vez piores ate abandonar a comida.
—--- Eu não uso aquilo... ---- Yamato finalmente diz algo, sabendo bem por onde a mente do moreno percorreu. ---- Estava carregando e a tomada do banheiro é a única com... deixa pra la... ---- ele volta a se calar.
—--- Entendi... ---- o moreno se cala. ---- Então ele não pode mesmo estar namorando. ---- afirma com toda coragem do mundo. ---- Se esta usando aquilo ainda não deve ter ninguém para...
—--- Taichi! ---- o louro grita batendo as mãos sobre a mesa e fazendo os copos virarem.
—--- Você tem vergonha? ---- o moreno questiona da mesma forma sem noção, como se falasse sobre algo trivial. ---- Ele é seu pai... você não esta acostumado? Não o apóia?
—--- Eu... ---- ele não entende como o moreno poderia estar tão à-vontade com aquilo, fica apenas a observar o moreno tentando entender. ---- Você...?
—--- Não! ---- desta vez é o moreno que esmurra a pobre mesa que pula do lugar.
—--- Então... Unf! Esquece. ---- o louro retira os pratos derrubados limpando a mesa.
—--- Você não tem curiosidade? Digo... você esta acostumado né? ---- o louro apenas escuta calado as afirmações do moreno que coçava o nariz. ---- Imagino que deva doer... Mas tem gente que diz que gosta então...
—--- Quem te disse que gosta? ---- o louro se vira no instinto da curiosidade, molhando o chão com as mãos molhadas de lavar a louça.
—--- A Mimi... ---- o moreno responde espantado com o interesse do colega. ---- Você sabe como ela é sincera. Disse que estava saindo com... um cara; e me perguntou um jeito de... você sabe fazer sem ela perder a virgindade por que se não os pais a matariam. Eu comentei isso e ela afirmo que já praticava. Foi engraçado.
—--- Imagino... então ele finalmente consegui conquistar ela? ---- o louro sorri desviando sua atenção do assunto principal. ---- E já estão assim...
—--- Pra você ver. ---- o moreno afirma e se levanta, pegando as coisas do chão enquanto continuava o relato. ---- A Mimi é fogo... ficou retrucando a convença, queria saber se eu já tinha... respondi que sim. Ai ela quis saber se eu já tinha... também. Ai afirmei que não. Depois ficou me questionando o porquê não.
—--- E por que não? ---- o louro pergunta por instinto e cora se virando. ---- Esquece.
—--- Você já?
—--- Não!
—--- Então por que você...?
—--- Por nada! ---- o louro retruca acabando com a conversa ao deixar a cozinha e voltar a sala aonde solta o filme que estava parado. ---- Vem logo...
O moreno apenas apaga a luz e a casa se envolve em um breu completo, sendo iluminada apenas pela luz da televisão.
—--- Então é por isso que você... é tão irritado? ---- a voz firme dele atravessa a sala, travando a respiração do louro que o encara com um olhar fuzilante. ---- Você esta acostumado, e por conta disso fica curioso. Mas o mundo acha a ideia... Repudia a idéia e então você também não faz. Mas fica curioso e não sabe se esta só curioso ou se quer e se detém. ---- o ar didático do moreno que fitava a tela iluminada era inegável. Irritando em muito Yamato.
—--- Você quer mudar de assunto? Ou esta com vontade de resolver este problema? ---- o louro bronqueia afim de provocar no moreno um reação de repulsa. Mas este apenas sorri, e ri da idéia. ---- O que?
—--- Você não tem esta coragem Yamato. ---- ele afiram entre risos.
—--- E você tem? ---- a pergunta sôo com um tom muito mais provocativo e o moreno se vira.
—--- E se eu tiver? Você agüentaria? ---- a resposta a provocação não é como o esperado e o louro se vira fitando o filme que era ignorado.
Normalmente as provocações de ambos eram sempre aceitas, mas desta vez Yamato não conseguia responder espontaneamente.
—--- Não tenho medo de você Taichi... nunca tive e não vou começar agora. ---- a afronta soa como um convite.
Estava frio aquele dia.
As cortinas estavam bem fechadas e para ajudar tinham posto um cobertor sobre elas para manter a casa ainda mais aquecida. E ambos se vestiam com calças e meias grosas alem de casacos e um tímido cachecol de tecido.
Yamato não sabe dizer quando entre o momento de sua ultima provocação e aquele instante, Taichi havia retirado todas estas peças. As habilidades do moreno o surpreendia.
Um beijo cálido a sua nuca próximo a orelha faz o corpo se arrepiar e as pernas bambearem, o estabanado e avoado líder sabia muito bem a onde tocar e como o fazer; e o louro engole seco ao despertar dos prazeres que se embebia e se tocar que estava completamente entregue ao moreno.
—--- Taichi! Que empolgação toda é esta? Ate parece que você já estava querendo isso... ---- o louro questiona afim de jogar a culpa que sentia para o outro.
—--- Olha quem fala... ---- o moreno apenas sorri, suas pernas fortes e firmes de praticar esporte o seguram contra o chão gelado de inverno. Ele só precisava de uma mão para segurar Yamato afastando suas coxas com as próprias e o prendendo em uma posição favorável. ---- Por que esta tão fácil te segurar? ---- ele sussurra se debruçando sobre o peito do louro. ---- Se sou eu o empolgado... por que você esta assim? ---- o moreno aproveita que tinha a atenção do louro e aponta para uma direção que ele se nega a olhar.
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