Hecatombe

2 Capítulo I


Notas iniciais
☀ Oficialmente, #HECATOMBE é uma fanfic activa! Sempre que um mês começar, aguardem por notícias minhas. Supostamente, era para postar este capítulo 1/10, mas já não falta muito, e é para compensar de alguma forma o meu sumiço estes dias... Meu PC foi à garantia e realmente sumi por estes lados. Espero que me perdoem, entrei na faculdade e vou demorar mais para actualizar mas contem sempre comigo para finalizar qualquer fic! ☀ Créditos ao Banner a LadyVic do Blog CastleEdits. ☀ O prólogo abordou muitos acontecimentos de fases distintas, por isso é compreensível ter ficado ligeiramente confuso. Essa foi a intenção. Os capítulos agora tem a função de esclarecer as perguntas que possam ter surgido com esse início pouco esclarecedor. Este capítulo será fulcral mas o segundo capítulo também citará em alguns momentos o prólogo. ☀ Quero deixar um aviso práctico desta história, uma característica minha nas fanfics. Eu não gosto muito de descrever cenários e roupas. Acho que isso é um pouco aborrecido. Por isso, só irei descrever aquilo que acho mesmo necessário e interessante. Não vou descrever cinco parágrafos a roupa da Orihime, por exemplo. Isso é apenas acessórios, na sua maioria pouco relevante para a narrativa em si. Já agora posso deixar a curiosidade que a roupa de Orihime e Ulquiorra será como as da capa da história. Outra coisa que pode acontecer é eu descrever uma parte da roupa da Orihime (por exemplo, a zona do peito e barriga), e noutro capítulo descrever a roupa focada noutra região (as costas). Isso pode acontecer com roupas, cenários, personagens a nível físico, entre outras coisas. Pessoalmente, acho isso mais interessante. ☀ Espero que gostem deste novo projecto! Obrigada por acompanhar! ☀ Fantasminhas, eu não mordo ok? Eheheh. Kami = Deus Youkai = Demónio Arigato = Obrigado(a) Hime = Princesa Otou-san = Papá Oka-san = Mamã

A guerra entre os deuses implementou novas concepções. O nascimento de novas espécies, cada uma era o resultado dos elementos dos sobrenaturais, variando consoante a percentagem maior na sua criação de cada kami. Junto dos poderes e forças místicas, criou-se a dualidade de forte e fraco, a necessidade da ambição… a busca por ser o mais poderoso, e invencível. Um objectivo que era um cemitério, repleto de sangue dos inocentes. Os desentendimentos divinos criaram a arrogância dos seres. Implementando assim o desejo de quererem ser também divinos: alcançando a imortalidade. Para se cumprir tal propósito, apenas existia um meio possível.

A fonte da Juventude. Guardada pelo Clã das Fadas.

Os seres pequenos e esvoaçantes estavam encarregados de proteger o cálice no centro da fonte de água ligeiramente rosada. Ao longo dos séculos, salteadores intentaram perfurar a paz, para beber a água que daria uma vida eterna, porém, a supremacia das fadas sempre se sobrepôs. No entanto, uma nova guerra estava a surgir. Uma mais impiedosa do que as anteriores. Nela, o Clã Demônio encontraria aliados traidores, pertencentes à raça dos Elfos. E juntos, iriam tomar do cálice. Uma previsão assustadora para o Monte Olimpo. A vitória deste grupo seria a futura desavença com os próprios deuses, cegos pelo próprio ego e ambição, sem querer saber do equilíbrio natural da existência, estavam dispostos a dizimar todos os seus inimigos, restando apenas eles.

Kamis se reuniram num congresso, eles sabiam que o mundo iria ser destruído por um erro inicialmente deles. No entanto, estavam dispostos a emendá-lo, enviando antecipadamente a solução. Um elfo que nasceria na realeza, aconchegado nos braços do amor, aninhada pelo carinho e pela bondade. A compaixão seria sua motivação. E a sua função seria acabar com a guerra, seus poderes -bem praticados- poderiam enfrentar as leis impostas por eles, os deuses. Seu nome seria Orihime Inoue. A heroína que iria derrotar todos os membros do Clã Demônio e seus cúmplices. Instaurando a paz eterna.

Ela iria ser procurada e caçada. Iriam desejar matá-la, porém, seus entes queridos não o permitiram, sacrificando-se por sua vida. Muitos vão morrer para proteger sua existência, e sobretudo, seu propósito.

No entanto, nem tudo o que os deuses delinearam naquele dia, seria exactamente igual. Uma personagem sombria, inimiga iria ser desenhada no futuro. O encontro entre dois inimigos… uma aliança que não foi prevista, poderia mudar o desfecho do sacrifício inevitável da heroína?

|x|

A ambição do Clã Youkai era um reflexo dos lados negros interiores de cada um. Cada história possui duas versões. Seres sem piedade, sedentos de guerra e sangue, eram dotados de segredos fascinantes. Porém, essa parte da história não era conhecida, nem assim o deveria ser.

A fama dos youkais não se resumia a força e irracionalidade, mas formosura. Belezas totalmente distintas, muito pessoais, mas todas igualmente encantadoras, fazendo com que qualquer humano esqueça os limites impostos pelas raças distintas. A união de demónios e elfos não era um estrondoso estratagema, resumia-se a interesses muito específicos. Poder e procriação. A arte de matar e seduzir unia mais os seres do que propriamente o amor. Amor estava implicado ao sacrifício, de eventualmente morrer por esse sentimento bondoso e altruísta. No entanto, o interesse mantinha o casal junto e vivo por mais tempo. A imortalidade, afinal, podia ser bem aborrecida se não houvesse com quem fosse partilhada. Essa regra aplica-se inclusive aos youkais, que não queriam exterminar os adversários, mas subjugá-los. Permitir que estes vivessem e prosseguirem com a continuidade das gerações, e eles, eternamente, os comandariam. Um plano tão simples, não precisava de interpretação, apenas aplicação.

E essa, era orientada pelos três poderosos que regiam os exércitos do Clã Youkai. Três forças terrivelmente fortes. Cabelos curtos e alvos, sua presença era congelante, seu olhar tão gélido como o gelo, porém mortalmente belo em tons aguados esverdeados. Toushirou Hitsugaya. Os seus traços eram juvenis, apesar de ter mais de dois séculos, mantinha a aparência jovem por tanto tempo que era idiotice procurar o cálice da juventude. E de facto, o albino pensava dessa forma. Não lhe interessava o tesouro do Clã da Fada, inclusive, secretamente, gostava de ganhar adornos mais envelhecidos. A sua sede era reconhecimento. Vingança por anos de humilhação por sua estatura e cabelos de uma cor incomum e peculiar. Ambicionava o respeito que os humanos sempre lhe negaram, e agora ele estava disposto a conquistá-lo à força se necessário.

Por contraste, os cabelos negros longos desciam por seus ombros. Sua pele pálida comparada com a bronzeada de Hitsugaya, seu rosto mantinha-se sempre impassível. No olhar negro, as íris misturavam-se com as pupilas em esferas negras. Um poder possante emanava visivelmente por si, uma postura nobre e arrogante denota seu alto cargo de confiança do líder. Byakuya Kuchiki. Extremamente silencioso e misterioso, fez com que ninguém conhecesse seus motivos concretamente para iniciar a guerra, cogitava-se ser por um forte senso de lealdade e obrigação pelo superior.

Contudo, os dois youkais não se igualavam ao poder abismal de seu superior. Uma força obscura e maligna desenhada em seu rosto. Diferente de seus dois leais súbditos, Kaien Shiba, sorria largamente. Jogava e brincava com as vidas que se deparava. Mais que imortalidade, respeito ou domínio, ele ansiava por uma louca caçada pelos mais fracos. Era um mero jogo, onde se apostava a vida, onde quem as vítimas eram seleccionadas pelo predador, sem opção de recusa. Era viver ou morrer. Tal como lhe aconteceu outrora… Kaien Shiba, fora uma vez humano. Cabelos negros, olhos verdes, um sorriso brilhante e cativante. Acarinhado pelas pessoas da população a quem ajudava. Contudo, numa noite chuvosa, acompanhado por uma aldeã, apareceu um demônio. Num instinto de protecção, Kaien mandou a mulher embora, porém, em fracção de segundos o youkai o atacou, não o matando, mas tomando seu corpo para si. Um parasita que precisava de um corpo para sobreviver e utilizar sua força máxima. O Shiba lutou em sua consciência para recuperar o domínio de seu corpo, contudo perdeu o ânimo e a revigorada esperança ao assistir as suas próprias mãos destruírem a vila que ele sempre cuidou. Sua desistência resultou em sua morte cerebral, como uma salvação do terror que seus olhos enxergavam.

O chefe youkai era muito mais que uma arma de matar, mas de manipulação. Sorriu, quando os outros dois o encararam sérios. Aqueles dois conseguiam ser tão sem graça, pensou jocoso para si.

— Shiba-sama, ela já nasceu.

Então os deuses sempre criaram uma criança com poderes para o destruir? Gargalhou, realmente não seria divertido de outra forma.

— Byakuya-dono, Shiro-Shiro, a diversão só está começando. —Riu mais alto ao notar as expressões levianas de desagrado dos youkais com as alcunhas que inventara.

Ele apenas precisava do sangue da princesa, e então seria invencível. Sua verdadeira ambição era tornar-se um kami, e só o sangue de um deus lhe poderia conceder tal desejo, ironicamente, seus inimigos lhe enviaram a última peça que faltava para cumprir seu plano.

O sangue de Orihime Inoue, uma elfo com poderes de deusa.

|x|

Orihime Inoue era a princesinha do reino. Seu sorriso alegrava o mais quebrantado coração, sua mão pequena apaziguava qualquer dor, quer física ou emocional. Ela era como um anjinho pequeno, uma deusa encarnada. Alguém demasiado dócil e inocente para um mundo tão cruel. Sua essência criava esperança… A maioria acreditava no fim da guerra pela profecia, porém, havia outros segredos na pequena ruiva. Sua bondade e preocupação, o amor presente em seus gestos ia para além dos ditados proféticos. Sua generosidade criava esperança, de que num futuro, todas as raças mágicas e humanos se converteriam em amigos. Uma eterna paz, por fim.

A protecção e amor com que Orihime foi criada, tornou-a uma criança feliz. Apesar de poucos amigos para além dos portões do castelo, a pequena ruiva apreciava a companhia das serviçais e soldados. Sempre simpáticos, lhe ofereciam guloseimas que ela estranhamente misturava com outros ingredientes. Uma visão engraçada, e enjoativa, quando “cozinhava” puré de tomate com chocolate. Mais incomum era a pequena experimentar e deliciar-se. Possivelmente, seus poderes de cura se alastraram à gastronomia. Era muito mimada, contudo, isso não a tornou altiva ou exigente, sempre agradecia com um grande sorriso pronunciando torpe um agato, riam com sua tentativa de pronúncia de arigato.

Seus pais possuíam pouco tempo como monarcas atarefados no caos de uma guerra, eram forçados a longas viagens a outros reinos procurando algum tipo de auxílio. Porém, a ausência não se fazia sentir quando -exaustos- retornavam a casa. Orihime os recebia com algumas flores que colhi-as do jardim. Apesar dos contornos nítidos de cansaço, sempre pernoitavam com a filha até esta adormecer, sem mais perguntas ou comentários vindos de uma mente inocente.

Apesar de todos os bons elos, o melhor amigo da pequena Hime era o seu guardião Sora. Uma estrondosa intimidade e confiança desenvolveu-se com as brincadeiras infantis. Sora era um irmão mais velho. Ele amava Orihime com todas as suas forças, apesar de ter apenas oito anos, três mais velho que a ruivinha, ele percebia a responsabilidade da função de ser o guardião. Ele lutaria contra todos, para a proteger… para ela continuar sorrindo e vivendo, somente isso. Ao contrário do que poderia parecer, isso não lhe era um fardo. Ele realmente gostava de estar sempre ao lado da menina contagiante. Seus sentimentos eram recíprocos. A Hime admirava seu irmão mais velho, imitava seus comportamentos e imitava seus gostos ao pormenor. Ela idolatrava-o.

O futuro assustava Sora, ainda quando era criança. Ele sempre queria estar ao lado de Orihime para a proteger, mas sentia em seu peito que era ela que o protegia diversas vezes. Usualmente, em aventuras mais afastadas do palácio, junto de um riacho perto do jardim real, em atitudes impensadas e irresponsáveis comuns em crianças, acabavam por magoar-se ao saltar e caindo sobre as pedras, ou simplesmente escorregando numa zona mais húmida em correrias.

Contudo, fenómenos estranhos acompanhavam sempre esses incidentes. Sobretudo, quando era ele quem se machucava. Orihime por vezes rasgava o joelho ou feria as mãos, humedecendo o olhar, ele a carregava de volta aos aposentos da família Inoue para os tratamentos. Todavia, quando a fatalidade o atingia, simplesmente ficava curado subitamente. Não sabia como ou quando, seus sentidos adormeceram, não recordava nada além de um clarão alaranjado com a visão turva e Orihime chorando e chamando-o. Mesmo que fosse um simples arranhão ela ficava preocupada. Não sabia ao certo quanto tempo ficava naquele transe, porém, recuperando a consciência, ele não tinha mais o ferimento. Encarava a pequena ruivinha e notou que inicialmente, que ela nem reparava nessa evolução. Posteriormente, sua reacção foi mudando, e o processo em si também. Ele já não ficava desacordado, e ela já não chorava, um ténue sorriso decorava seus lábios finos. Nunca chegou a questioná-la sobre esses acontecimentos, no fundo ele sabia, ela o tinha curado todas as vezes, mesmo que ao princípio não fosse intencional, era apenas a vontade de seu coração que se manifestava.

A tranquilidade da vida de Orihime findou a três de Setembro, em seu nono aniversário. Sem uma previsão possível, o castelo foi atacado. As chamas subiam pelas muralhas devorando os materiais fortes, os portões tombaram quando um tom azulado se manifestou entre o gradual vermelho e laranja. Mais quente e como um jacto, acertou nas portas, quebrando-as facilmente.

A inevitabilidade atacou, os monarcas Inoue não conseguiram prolongar mais a predição.

— Sora-nii-san! —A fumaça engoliu seu grito. Orihime tossiu violentamente, seu peito contorcia-se em espasmos pela falta de ar limpo.

As lágrimas desciam pela face rechonchuda, estava com muito medo. Ela procurou seus pais, mas em pânico, não os encontrava. Seu vestido rosado brilhante -uma prenda de Kaoru-, estava manchado pela poeira e rasgado nas pontas. A Hime não conseguia discernir mais o que enxergava, e assustada, encolheu-se no lugar onde estava, abraçando os próprios joelhos, chorando.

— Orihime! Que bom… você está bem! —Sora apressou os passos ao reconhecer o cabelo ruivo, ela ergueu o olhar marrom, correndo para abraça-lo. Ele sorriu, dando pequenas palmadas em suas costas, notando que ela ainda tremia chorando.— Pronto, pronto. Tudo ficará bem. Eu vou proteger você, Orihime.

Sorriu quando ela se acalmou, lhe oferecendo um sorriso fraco.

— Agora precisamos ir, Orihime. Os youkais atacaram o castelo e não podemos mais ficar…—Orihime interrompeu-o, com a voz trémula, gaguejando pela rapidez com que falara.

— E o otou-san e a oka-san? Onde eles estão, Sora-nii-san? Precisamos encontrá-los, eles também estão com medo! —Sora suspirou, as íris achocolatadas, prenderam as lágrimas, ainda assim não escondeu totalmente sua dor no olhar, deu um pequeno sorriso para reconfortar Orihime, contudo isso fez com que ela voltasse a chorar, o percebendo.— Eu não vou deixar eles, Sora-nii-san, eu…!

— Me perdoe Orihime. Mas é para seu bem. —Murmurou, quando nocauteou-a no estômago. Os olhos de Orihime fecharam gradualmente, com a perda dos sentidos, desabando nos braços do guardião.

Aconchegando-a em seus braços, começou a correr, permitindo que os soluços presos em sua garganta se tornarem audíveis, e as lágrimas molharem seu rosto.

“— Você é um guerreiro, Sora.”

Chorava recordando as últimas palavras de Shunsui, seu pai. Ele foi treinado para proteger Orihime, só ela importava. Porém, não era isso que sentia ao ver milhares de corpos caídos. Todos eles importavam. A vida de cada um foi injustamente ceifada, e era doloroso demais assistir algo assim. Não quis acompanhar visualmente o duelo de seu pai, mas ele sabia… da mesma forma que ele morreria lutando ao lado de Orihime, seu pai adotivo responderia com a mesma lealdade para com os monarcas Inoue.

Akira e Kaoru assistiram, na varanda do seu quarto, a pequena filha partindo numa nova jornada, enfrentando o seu destino com o seu guardião. Analisaram brevemente os traços faciais da ruiva adormecida, muito mais envelhecidos que a visão que a vidente lhes mostrou à nove anos atrás. O casal abraçado, sorria, enquanto o último soldado elfo fora morto, e como era pressuposto o Castelo de Leste, pertencendo à família Inoue, ruiu.

O destino não é um traço definido onde não exista fugas para eventuais desvios. Os seres vivos planejam suas jornadas perante as suas decisões e fortes convicções, um poder que ultrapassa as leis definidas pelo ciclo natural e previsível. A profecia ditava a morte dos monarcas Inoue, padecendo quando uma criança inocente nascesse, numa junção dos dois sangues. No entanto, Akira e Kaoru transformaram o destino que lhes estava traçado, negaram-no, e rejeitaram-no. O casal elfo não conseguiu evitar a vinda da morte, porém, adiaram-na… não foram capacitados o suficiente para resistir às leis estabelecidas pelos deuses, cumprindo parcialmente a profecia. Porém, o atraso da sua finalização, fez com que, mesmo que por pouco tempo, acompanhassem a sua filha desflorar numa graciosa juventude. E justamente por essa juventude não ser eterna, tornou-se extremamente bela e valorizável.

Com os corações de pais satisfeitos, como uma prece realizada, num belo sono eles permitiram que a vida abandonasse seus corpos. Com as mãos unidas, permitiram que a Natureza seguisse com o seu curso.