Heavy
3 Capítulo 3
Notas iniciais
— Como assim você quer terminar com a Hermione?
Harry estava oficialmente mais abalado com a perspectiva de Ron e Hermione terminarem o namoro deles que com o seu próprio final de relacionamento. O risco de perder um de seus melhores amigos em brigas relacionadas ao término era grande demais.
— Harry, a gente só briga. Sempre foi assim e eu não vejo como isso pode mudar, eu não quero passar o resto da minha vida do modo como estou vivendo. A Hermione é incrível, a gente sabe disso e ela tem uma Ordem de Merlin para todo bruxo na Grã-Bretanha saber também, mas você sabe como ela pode ser difícil.
— Você fala como se não soubesse como ela é de antemão. Você teve sete anos de convivência antes de pedir ela em namoro. Agora vai se arrepender?
— Por favor! Eu não me arrependo, ela me ajudou muito com tudo no tempo em que estivemos juntos.
Por um momento, Harry ficou em silêncio. Ele queria brigar com o amigo mas sabia que era exatamente o quê queria evitar. Tentou fazer Ron ver a razão.
— Você não pode terminar com ela agora, a questão dos pais dela é muito recente. Ela não tem o luxo de perder ninguém na vida dela.
— Ela merece mais que alguém ficar com ela por pena. — Ron deu de ombros. Tinha algo de simpático em seu olhar, mas ele teimosamente manteve sua posição.
— E o quê vai acontecer com a moradia de vocês? — Harry se lembrou de um momento com a briga com a Gina, realmente o término deles era mais fácil por ela não estar morando com ele. “Nunca pensei que tomaria o lado da Molly nesta discussão” pensou. — Você não pode acordar e decidir que vai terminar com ela e jogar ela na rua.
— Harry, eu jamais faria isso. Mas o apartamento é meu, né? Eu estou lá desde o treinamento e eu verdadeiramente gosto de ter meu espaço. Nada contra você, cara, mas não vou deixar de ter meu próprio teto para vir aqui morar de favor. Também não vou voltar a morar com a minha mãe.
— Então é isso? Você tem noção do quanto isso vai magoá-la? Ela não tem uma família para voltar como você, e ainda que seja certeza que eu sempre vou ajudá-la e ela com certeza pode vir para cá ficar comigo, tudo isso vai ser demais para ela!
— É claro que ela vai vir aqui com você… — Ron murmurou e levantou, Harry ergueu o queixo, esperando a briga que o amigo poderia puxar. Ronald estava muito nervoso agora, seu rosto vermelho e sua respiração acelerada. Depois de andar de um lado para o outro da sala ele pareceu tomar outro rumo de briga: — O quê você quer?! Precisa que eu espere meses, anos para terminar um relacionamento que não está deixando nenhum de nós dois em paz? Quer que eu compre outro apartamento para mim para ela ficar com aquele? Eu não sou rico como você, não tenho a fortuna de duas famílias no cofre… O dinheiro que eu ganhei com a Ordem de Merlin eu consegui um lugar para mim, por meu próprio esforço, o que tem de errado nisso? O que você quer? E que direito você tem para querer algo do meu relacionamento com a Hermione?
— Eu sou o melhor amigo dela! E pelo visto a única pessoa que ela tem no mundo! — Harry elevou sua voz, mas não chegou a gritar. — O que eu quero? Eu quero que depois de uma vida inteira sendo rejeitada pelo mundo mágico, ela não tenha que se dar conta de mais outro motivo para considerar permanecer aqui ou não. Eu não quero ela sendo chutada do lugar que ela aprendeu a chamar de casa, porque isso vai abrir a possibilidade dela voltar para o mundo trouxa.
— Não vai ser o fim do mundo Harry, não seja dramático. Eu quero um lugar para mim e o apartamento é meu. Além disso, ela é forte, não será isso que vai quebrar a Hermione.
— Ron, é isso que você quer? Um lugar para morar sozinho?
— Bem, sim… Mas não tem o que fazer.
Harry pareceu considerar por um momento, mas sabia que sua decisão já estava tomada.
— Quanto você quer pelo apartamento?
— Você acha que é fácil assim? — Harry percebeu que tocou num ponto sensível quando Ron quase explodiu de raiva. — É só jogar seu ouro na minha cara e fazer tudo do seu jeito? Pois saiba, Harry James Potter, que eu não aceito seu dinheiro… E a Hermione ficaria horrorizada em saber que você quer simplesmente comprar o apartamento para ela.
— E uma troca? Nada de dinheiro, apenas eu e você… Em pé de igualdade. — O rosto de Ron relaxou na última fala. — O seu apartamento por esta casa. Eu já estava considerando me mudar, eu não poderia ser feliz num lugar onde Sirius sofreu tanto.
— Essa casa é grande demais só para mim…
Ron não parecia muito relutante com a proposta, apesar de sua fala. Harry já estava decidido, agora era só terminar de convencer o amigo.
— Monstro! — Harry chamou e o elfo apareceu instantaneamente. Ele apontou para o amigo: — Esse é Ronald Bilius Weasley, novo dono de Largo Grimmauld. Ele possui relação com a família Black através de Cedrella Black, que se casou com Septimus Weasley. Você quer estabelecer um laço de lealdade com ele e assim permanecer trabalhando nesta propriedade?
— Sim, mestre. — O elfo não demonstrou seu contentamento com mais palavras, mas Harry pensou ter visto um leve sorriso aparecer no rosto dele.
Ronald não parecia oferecer mais desculpas e sentou quieto no sofá. Ele observava a sala ao seu redor e também parecia esconder um sorriso.
— Ron, eu me mudo para o apartamento amanhã, pode ser? Mas você pode esperar uns dez dias para terminar com ela? Eu queria que a transição de tudo fosse o mais suave possível, pois a Hermione já está bem estressada com o trabalho dela…
Ronald ainda olhava admirando as paredes recentemente restauradas, mas levantou para falar com Harry.
— Claro, cara! Só que… — Ron passou a mão nos cabelos, parecia autoconsciente. — Eu não vou perder meu melhor amigo nessa história toda, né? A gente… Está tudo certo entre a gente?
— Sim, é óbvio que você é ainda é meu melhor amigo… E se tudo der certo, você ainda pode virar meu parceiro no trabalho… Depois do show que a gente deu hoje no Beco Diagonal, não acha? — Harry deu uns tapas leves nas costas do amigo.
Ron sorriu satisfeito e Harry também sorriu, sentindo o peso do dia evaporar de seus ombros.
ººº
Harry estava terminando de fazer o molho para o purê de batata quando se deu conta de que se passaram duas semanas desde que se mudou para o (seu novo) apartamento. Tudo estava tranquilo, a mudança foi rápida e depois de morar com eles numa barraca por quase um ano; morar com os amigos numa casa de verdade, vivendo uma vida normal era um paraíso. Harry chegou na casa deles de mala e cuia no dia seguinte ao seu término e explicou para Hermione que não estava a fim de morar sozinho. Ela rapidamente o apresentou o quarto de hóspedes e explicou a rotina da casa. O lugar, embora em vizinhança trouxa, era próximo ao Beco Diagonal e conectado à Rede de Flu. Havia o quarto que Ron e Hermione dividiam, um escritório o quarto de hóspedes (agora, o dele); Harry precisava admitir que Ron tinha feito uma boa escolha ao comprar o lugar. Apesar de simples, Harry percebeu que poderia aprender a verdadeiramente gostar de morar lá. Antes de dormir, no seu quarto já tinha uma tabela, feita pela Hermione e organizada por cor, de suas tarefas na casa durante a semana. O documento em si era mágico, percebeu, já que seus compromissos de trabalho também estavam assinalados lá. “Sábado à tarde eu preciso comprar uma camisa azul,” Harry falou e sorriu ao perceber que a nova tarefa fora marcada.
As coisas com Ron começaram um pouco mais tensas do que se era de esperar, considerando que eles tinham meio que “feito as pazes” depois da discussão, mas após alguns dias Ron pareceu se acostumar com a presença de Harry na casa. Ron e Hermione não pareciam brigar o tanto que reclamaram, pelo menos não na frente de Harry, a ponto dele pensar que, por já ter passado o prazo de dez dias e a falta de brigas, eles não iriam terminar afinal.
Quando, porém, Hermione saiu do quarto que dividia com Ron com uma cara chocada e Ron saiu do apartamento depois de um breve “tchau” com uma grande mala, Harry percebeu que o fatídico término tinha finalmente ocorrido.
— O jantar está pronto. — Harry tentou amenizar a situação.
— Nós terminamos — ela disse muito baixo. Harry a conduziu até a mesa e começou a colocar a comida num prato. Ele não tinha noção do que dizer, ele sabia que o relacionamento era conturbado e que Ronald iria terminar, mas não poderia mencionar isso, não é? Tentou se lembrar de como a amiga tinha se portado quando o término foi o dele.
— Como você está se sentindo?
— Não sei dizer, eu estava cansada do jeito dele… Mas tudo pareceu melhorar nos últimos dias, a gente não estava discutindo; eu achei que tinha feito algo certo… Ele foi tão maduro me explicando o porquê queria terminar. — Ela riu sem graça, e passou a mão tentando ajeitar o cabelo. — Nem parecia ele, tudo tão calmo… Eu fiquei um tempo sem entender o que estava acontecendo, depois eu fiquei aliviada com o término porque eu concordo, os últimos meses não foram os melhores da minha vida… Mas agora eu estou brava, porque foi ele que terminou, e ele fez isso de maneira tão sensata, parecia condescendente e eu queria conjurar uma revoada de pássaros e fazê-los atacá-lo; mas se ele, Ronald Weasley, estava sendo maduro, eu também deveria ser.
— Fico muito feliz que ninguém ficou machucado. — Harry comentou depois de engolir. A amiga o olhou de canto de olho com a expressão “esperava mais de você”.
Ambos comeram em silêncio, Hermione ainda não parecia ter processado tudo o que ocorrera. Harry pensou em tentar distraí-la, mas decidiu contra. No final, ela lavava a louça do jantar do modo trouxa mas Harry não tinha a deixado sozinha, apenas observava quietamente a amiga.
— Ele levou as malas, as coisas dele… Você sabe para onde ele foi? Eu não acho que ele tenha ido para a casa dos pais, ele sempre reclamava de lá. E esse apartamento é dele. — Hermione falou depois de preparar uma xícara de chá para cada.
— Ele foi para Largo Grimmauld, ele vai morar lá agora.
Assim que falou ele se arrependeu, deveria ter algum modo de abordar o assunto que não absolutamente quebrasse o coração de Hermione, concluiu. Pois a mesma agora estava com os olhos cheios de lágrimas e respirou fundo e ela parecia tão, tão triste.
— Oh! Sim, é claro! — Ela levantou da mesa da cozinha e olhou ao redor como se procurasse uma saída. Mas se recompôs: — Você quer ajuda para arrumar suas malas? Eu tenho um feitiço que é absolutamente incrível.
— Hermione!
— E eu também também tenho que preparar as minhas coisas, é claro que eu teria que me mudar de todo modo, eu já esperava isso. Eu me pergunto o que ele pretende fazer com esse apartamento… Será que ele pode alugar ele para mim, já que não estará usando. Mas isso eu posso ver depois, amanhã a primeira coisa que irei fazer é procurar um quarto no Caldeirão Furado.
— Hermione!
— Você quer que eu arrume a sua mala por tipo de roupa ou por estação, Harry? Se bem que o importante é como tudo vai ficar no guarda-roupa depois, eu particularmente prefiro organizar por estação.
— Hermione, nem eu nem você vamos organizar mala nenhuma… A gente vai continuar aqui… Quer dizer, se você quiser continuar morando comigo…
A amiga ainda não parecia entender mas parou de falar.
— O Ron, agora ele vai morar em Largo Grimmauld… Nós meio que trocamos de imóveis, mas eu e você… A gente continua aqui, se você achar confortável.
— Por que vocês fizeram isso? — Ela perguntou, quase que sussurrando.
— A resposta oficial era que eu não consigo me ver morando num lugar onde o Sirius sofreu tanto… — Harry sorriu, tentando aliviar o clima. — Agora eu vou mudá-la para “Você já arrumou esse apartamento para suportar eletricidade e tecnologia e minha vida é verdadeiramente mais feliz com um micro-ondas”.
— Quer apreciar ainda mais a tecnologia desse apartamento e assistir um filme? — Hermione parecia disposta a esquecer toda a tensão e procurar se distrair e Harry não poderia estar mais grato por isso.
Hermione colocou um filme sobre três bruxas que ressuscitaram num Halloween e perseguiam crianças e cantavam e Harry verdadeiramente estava engajado com o enredo quando Hermione falou baixinho:
— Quando terminamos, eu estava pronta para arrumar as malas e ir para sua casa. Esse apartamento era dele e eu achei que ele só tinha saído para me dar um tempo de ajeitar minhas coisas — ela falou olhando para a tela, mas se virou para olhá-lo. — Quando você falou que ele iria para lá, eu achei que vocês iriam morar juntos e eu não teria para onde ir… E que também, de certa forma, eu iria te perder… Harry, você sabe o quanto eu valorizo nossa amizade, não? Mesmo que eu e Ronald terminamos, você não tem que escolher de quem você será amigo…
— Hermione, você não tem que me dizer isso. É claro que eu sempre serei seu amigo e sempre irei te ajudar de toda forma que puder…
— Sabe, nesta história toda eu quase que me arrependi de não ter comprado um lugar para mim com o dinheiro da Ordem de Merlin. No final, eu teria saído da Guerra com alguma coisa. — Hermione parecia tão cansada.
— Você fez o certo, você gastou esse dinheiro tentando ajudar seus pais. Mesmo que não tenha conseguido, você sabe que não ficaria em paz se não fizesse isso.
— É mas agora eu estou vivendo de favor com meu melhor amigo… Você quer que eu pague um aluguel ou algo do tipo?
— Hermione… — Harry pausou o filme, depois ele voltaria a assistir. — Eu passarei o resto de minha vida tentando retribuir a você o ano em que passamos naquela barraca… Considerando tudo o que você fez por mim, se eu te desse cinco casas e um salário pelo resto da vida para você ter liberdade para pesquisar o que você quiser… Ainda assim não pagaria tudo o que você fez para me manter vivo, Hermione. Não me ofenda tentando me dar dinheiro por morar comigo.
Ela não respondeu, mas inclinou a cabeça para se recostar no seu ombro. Ele colocou o filme para voltar a rodar.
ººº
— Fala, Harry! — Ron chegou e bateu em seu ombro. — O testemunho daquela mulher levou a alguma coisa? Você acha mesmo que é o Doholov que está escondido naquele bairro?
Harry estava sentado em frente à sua mesa, o tapa que o amigo lhe dera fizera um pingos de café caírem sobre os relatórios que estava ajeitando, um rápido feitiço conseguiu limpar a mesa, mas não os papéis, que agora pareciam permanecer com pingos secos de café. Levantando o olhar, viu Ron se apoiar na parede e jogar uma bolinha de papel em direção ao lixo ao seu lado, ela bateu na quina mas entrou, fazendo Harry sorrir.
— Não sei se é o Doholov, necessariamente… Mas acho que tem alguma coisa lá — disse se afastando de sua mesa. Suas coisas estavam prontas, ele poderia finalmente ir embora. — Agora, o departamento está planejando fazer uma operação completa para verificar quem é e prendê-lo; eu não acho que é a melhor opção. Por mim, colocava alguém para seguir o suspeito, acompanhar o dia a dia… Doholov ou não, pode ter a possibilidade dele estar se encontrando com alguém que a gente possa ter um interesse em querer investigar.
— O povo está com a moral baixa depois daquele desastre com os irmãos Carrow. Tipo, tudo bem que finalmente foram mortos, mas levarem três Aurores junto? O ano 2000 não começou bem.
— Nada disso estaria acontecendo se o departamento tivesse feito o trabalho certo depois da Batalha de Hogwarts… Já não basta deixarem as crianças vencerem Guerra, mas deixar escapar uma dúzia de Comensais? Que já tinham perdido, ainda por cima…
Ron parou e pareceu querer dizer alguma coisa a Harry, mas não continuou. Andaram até o ponto de aparatação, que já estava vazio meia hora após o horário de pico do Ministério.
— Você vai vir jantar com a gente na Toca hoje? Minha mãe está brava que você já não veio semana passada. Até a Hermione foi e o nosso término foi mais recente que o seu.
— Eu ainda não estou pronto para lidar com a Gina… Depois que ela for viajar com o time dela eu volto a passar lá, mas eu preciso de mais tempo para lidar com tudo.
Essa não toda a história, mas Harry não iria contar para Ron que a Hermione fora um dos gatilhos para sua briga com Gina e nem um mês depois os dois estavam morando juntos, sozinhos… Ele não tinha peso nenhum na consciência, oficialmente, mas sabia que os fatos poderiam ser facilmente deturpados e não queria ver o olhar acusador de Ginevra Weasley. Mesmo que não tivesse feito nada de errado.
— Você sabe que não vai poder evitá-la eternamente, cara.
— Só alguns meses, não preciso de mais que isso.
Ron acenou, aceitando o pedido do amigo e partindo. Harry chegou em casa e começou a preparar um sanduíche para comer enquanto pensava um novo filme para assistir. Não demorou muito, Hermione entra guardando suas coisas violentamente.
— Violet Fawley está oficialmente tentando me matar, e também me fazer passar vergonha a ponto de ser demitida… Eu não acredito que ela fez isso! — Hermione chegou e pegou uma maçã para comer. Ela cortou a fruta em pedaços rapidamente e Harry queria dizer a ela para ter mais cuidado, mas não queria virar alvo da raiva da amiga. — Você não sabe o que ela fez… Não sei se lembra que nas últimas semanas eu estava participando de um procedimento importante do departamento, lembra? Então, tudo era voltado para um tipo de tratamento experimental, a bateria de testes foi realizada e tudo deu muito certo. Quando Fawley, minha Supervisora, foi mostrar o trabalho da equipe para o povo do St. Mungos, a apresentação do projeto não estava na configuração que a banca que o hospital apontou prefere. Eles querem uma base teórica sólida e eu concordo, para ser abordado em larga escala, tudo deve estar corretamente descrito. Eu, uma das únicas pessoas sensatas daquele projeto, anotei todas as referências e explicações do meu procedimento passo a passo. Veja, eu fui entregar para ela, a coordenadora do projeto e minha Supervisora, a minha parte ela vem “Fico muito feliz que nossos jovens sejam proativos, você pode escolher um assistente e é para me entregar o documento pronto para o St. Mungos até a próxima segunda.” e simplesmente foi embora. Tudo certo, eu pensei que eu teria sete dias e estaria encarregada de organizar e revisar todas as partes individuais do projeto… Certo?
Hermione parou de falar para tomar uma água mas Harry não se pronunciou além de um breve “sim” pois sabia que ainda viria mais informações.
— Eles não foram anotando o que estavam fazendo, cada um lembrava de um livro ou outro que tinha usado… Nada além disso. Porém é de se pensar “Tudo bem, Hermione, querendo ou não esses livros estarão na biblioteca do Departamento de Pensamentos, é só você verificar os últimos volumes retirados…” Mas não é bem assim, porque, de acordo com o regimento interno e inúmeras outras proteções, ninguém retira volume nenhum do prédio, então apenas são catalogados as entradas e as saídas dos funcionários. Então eu terei que procurar os livros que possam trabalhar os assuntos pertinentes mesmo que tangencialmente com nada além do próprio sistema de catalogação da biblioteca. Só que tem outro porém…. A biblioteca só fica aberta das 10 às 16 da tarde e eu não posso retirar volume nenhum para trazer para casa para poder utilizar as outras horas do dia para ler os livros e montar o texto.
Apesar de Harry não entender completamente o que estava acontecendo, deu para ter uma ideia. Ele não poderia fazer nada para ajudá-la com o projeto em si, mas teve uma ideia.
— Hermione, você tem todo motivo do mundo para estar nervosa… Mas o que você pode fazer sobre isso hoje?
— Nada efetivo… Eu não tenho nenhum material aqui e eu já sei o modelo do documento a ser realizado. Querendo ou não vai ser a partir de amanhã que a corrida contra o tempo vai começar — a amiga falou isso de olhos fechados e massageando as próprias têmporas.
— Então você concorda que o melhor a fazer é desestressar hoje para que desde amanhã até a próxima segunda você possa dar o máximo de si sem se exaurir. — Harry ofereceu.
Ela parou a massagem em seu pescoço para o olhar suspeitamente.
— Eu não sei onde você está tentando chegar…
— Você confia em mim?
— Não quando você está com esse sorriso…
Harry aceitou a resposta como algo próximo de uma afirmativa e saiu para pegar os casacos. Ele chegou na cozinha, onde a amiga estava e ofereceu o dela.
— Se você aceitar o que eu propor sem reclamar hoje, eu estarei te devendo um favor… Qualquer coisa que você pedir e estiver em meu alcance, eu cumpro. Mas apenas se você não oferecer resistência. Eu prometo tirar essa tarefa da sua cabeça.
— Por que eu precisaria de um favor seu? — Hermione parecia considerar a ideia.
— Um favor do “Menino que Sobreviveu”?! Eu acho que isso seria uma moeda de troca bem valiosa no mundo bruxo. — Harry sorriu e uma voz na sua mente lhe disse que esse seria o sorriso que seu pai teria quando jovem.
— Eu vou me arrepender disso?
— Talvez momentaneamente, mas depois você vai ver que eu estava certo. E tudo será extremamente seguro.
Ela praticamente se abraçou e fez uma careta ao acenar positivamente.
— Accio Firebolt.
Hermione praticamente chiou ao perceber qual era o seu plano.
— Eu achei que você tinha perdido essa vassoura. — Hermione disse e Harry ficou muito satisfeito ao perceber que ela cumpriria sua parte no acordo e não ofereceria desculpas.
— Comprei uma nova, demorou chegar mas vale a pena… É a melhor vassoura que tem.
Hermione escondeu o rosto nas mãos e Harry percebeu que ela estava fazendo força para não sair correndo de sua frente.
— Eu vou te oferecer a voo de vassoura mais suave que a história já viu. Eu te garanto que vai valer a pena. — Ele tentou acalmá-la.
Harry segurou na mão dela e os aparatou nas ruas de Londres, nas sombras formadas um prédio de estilo antigo. Fazia pouco tempo após o pôr do Sol mas o céu da cidade estava escuro, ainda que nublado, e a cidade brilhava ao seu redor.
— Espere, Harry! — Hermione puxou ele novamente para a sombra depois que ele tentou sair e ele sentiu o Feitiço da Desilusão envolver seu corpo.
Harry montou na vassoura e indicou para a amiga fazer o mesmo, ela parecia segurar sua cintura firmemente, talvez na esperança de que caso o apertasse o suficiente a sua própria força de vontade os mantivessem no chão. Não foi o caso, ambos subiram ao céu de Londres nem muito rápido, nem devagar. Harry tinha dito que seria cuidadoso e se concentrava em manter a promessa e não sair disparado pela noite, sentindo o vento em seus cabelos, como desejava. Ele tinha escolhido um lugar muito específico para estar, e tomava cuidado para que Hermione permanecesse sem olhar para determinada direção.
— Pode abrir os olhos, Hermione — disse quando chegou numa altura que considerava satisfatória. Abaixo deles, um mar de luzes e movimento que os cercava em todas as direções.
Quando ele escutou o suspiro que mostrava que ela tinha feito o que pedira, ele fez uma curva muito suave para mostrar o que realmente tinha planejado para a noite. A roda gigante era um contraste contra as águas do Tâmisa.
— Oh! Harry! Eu estava super animada para vir ver, mas nunca tive tempo… Você sabia que após a inauguração no ano novo, London Eye ficou parada por um mês? Ela só começou a aceitar passageiros em Fevereiro.
— Você quer voltar outro momento e fazer o percurso?— Harry se xingou mentalmente “É claro que eu deveria ter comprado as entradas, ela nem gosta de vassouras, teria sido muito melhor…”
— Não precisa, aposto que a nossa vista é muito mais interessante do que o passeio jamais será. Além de quase que exclusivo… — Ele sentia ela falar em sua orelha, talvez ela ainda estivesse com medo, apesar de sua fala, pois ainda o segurava firmemente.
— Então você admite que eu estava certo? Você não está, neste momento, preocupada com seu trabalho?
— A única coisa com que me preocupo neste momento, a esta altura do chão, é com a minha vida. Não acho possível ser afirmado que seu ponto é válido, afinal a situação é extrema. Se você me jogasse na frente de um trem eu também não estaria pensando em prazos de entrega.
— Só um pouco dramática…
Sobrevoou os prédios e o grande monumento, até que fez um curso pelo Tâmisa. Ele foi diminuindo a altitude da vassoura, a ponto de quase encostar no rio. Abaixou os pés, que mergulharam completamente, só para testar sua teoria. A água respingou neles e Hermione deu um gritinho.
— Harry, eu acho que começou a chover…
— Não, fui eu que espirrei a água.
Apesar do que tinha acabado de falar, ele percebeu que a amiga estava certa. Os pingos, agora mais pesados, começavam a incomodar. No tempo em que demorou para tomar uma atitude ambos já estavam encharcados.
— Às vezes você esquece que é um bruxo… — A amiga mandou ele segurar nela e na vassoura e os aparatou para dentro de seu apartamento, também retirando o feitiço da Desilusão castado sobre eles. Ambos chegaram molhando todo o chão e não conseguiram impedir o riso pela situação, as preocupações esquecidas além do propósito de se aquecer e comer algo. — Eu vou tomar banho primeiro, já que estamos molhados por sua culpa. Você vai pedir uma pizza, para a noite acabar bem depois desse dia completamente horrendo, é sério, não teve nenhum ponto positivo....
Harry deu uma risada pela provocação mas acenou e quando Hermione entrou para o banheiro, ele fez o pedido rapidamente. Ele tirou a blusa e os sapatos molhados e estava indo pegar uma toalha quando alguém entrou pela rede Flu.
— Potter, o quê está fazendo aqui? — Theodore Nott falou o medindo de cima a baixo e claramente não tendo um julgamento favorável da situação de desalinho em que Harry se encontrava.
— Eu poderia te perguntar o mesmo — Harry falou escondendo o constrangimento por não estar em seu melhor estado. Caminhou calmamente até sua camiseta encharcada, secando-a com um feitiço não verbal, e também a si mesmo, e a colocou.
— Estou aqui para falar com a Hermione, obviamente.
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