Heaven from Hell
3 Capítulo 3 - Renegade
–Você está com fome Dean? Não come há dias.
–Estou sim, obrigado Cas.
Não estava com fome mas eu queria fazer o Cas feliz e eu me sentia muito fraco.
–Eu comprei hambúrguer e tortilhas, qual você prefere.-ele estava uma gracinha falando isso de avental, igual a uma mãe.
–Hambúrguer está ótimo, obrigado.
–Você não precisa ficar me agradecendo toda hora, meu só estou vivo por sua causa e.. -ele deu uma pausa muito grande, como se estivesse fazendo um suspense- eu gosto muito de você e quero o seu bem, especialmente agora que você está passando por um momento tão difícil.
Eu corri e lhe dei um abraço bem apertado e ele retribuiu da mesma forma. Ali era o único lugar desde que Sam morreu que eu me sentia confortável.
Enquanto ele cozinhava ele cantarolava Hey Jude, como minha mãe fazia.
–Você está cantando Beatles? -não conseguia conter o riso.
–Ela gruda na cabeça, eu colocava pra tocar enquanto você dormia, pra mim ia te lembrar de boas lembranças com sua família já que sua mãe cantava pra você antes de dormir.
–Você é o melhor, sabia?
Estava chorando e ele com um largo sorriso no rosto, estávamos feliz, agora eu pensava em coisas boas, momentos bons e não só na morte de Sam.
Comi meu hambúrguer enquanto ele me mostrava seus aplicativos te celular e como ele usava as novas tecnologias. Quando terminei meu hambúrguer Cas me sugeriu de ir visitar meu irmão,sozinho, eu aceitei.
–Oi Sam, muito tempo sem nos ver né? Eu não sei se o Cas te contou mas eu estava doente, não aguentei te perder. Acho que eu sou mais fraco que pareço. Se você voltar um dia quero que saiba que não fiz nada além do Castiel para te trazer de volta mas fiz isso porque acho que ai em cima é melhor, aí você tem paz mas também quero que saiba que eu te amo e nunca, nem mesmo um dia , deixarei de pensar em você.Tchau vadia, descanse em paz, você merece mais que ninguém.
Apertei com força o colar que ele havia me dado mais de 20 anos antes, fui até meu quarto e peguei uma foto de quando ele nasceu, nós quatro -eu, papai, mamãe e ele- estávamos felizes na foto, coloquei ao lado do seu corpo junto com um vaso de flores que ele comprou quando chegamos na nossa casa alegando que ia dar alegria à casa.
Voltei para a casa, peguei duas cerveja e fui para o sofá, naquele momento percebi que não tinha ninguém para compartilhar aquela cerveja então apenas guardei ela, tinha que construir novos momentos.
–Cas! Vem aqui! — gritei mas gritei com jeitinho, queria assistir uma nova série, quem sabe Gilmore Girls? Tem um cara que chama Dean mas ele é a cara do Sam.
–Algum problema? Você quer alguma coisa? Estava arrumando seu quarto se não se importar. -ele estava com uma vassoura na mão e continuava de avental, ele estava se tornando uma dona de casa.
–Vem cá, vamos assistir uma série no Netflix, que tal Gilmore Girls? Você precisa urgente de um descanso, pode deixar que de agora em diante eu vou te ajudar com a casa.
– Gilmore Girls? É aquela com a menina inteligente e a mãe louca? Vamos!
Começamos a assistir, a série é ótima mesmo sendo para meninas de 12 anos.
No final do quinto episodio eu parei e comecei a conversar com o Cas:
–Você acha que meu irmão vai pro céu? Os anjos sabem não sabem?
–Dean, seu irmão sempre foi uma boa pessoa, claro que quando ele se viciou em sangue de demônio ou perdeu sua alma ele ficou um pouco mau mas eu acho que vai, realmente espero, ele deu sua vida para salvar a de outros e sua morte heroica deve sim render-lhe um espaço no paraíso.
–Espero. Cas, cansei de ser caçador. Nós fizemos uma promessa, um para o outro, quando um morresse o outro seguiria com a vida e eu quero fazer isso mas eu quero viver uma vida normal com um emprego fixo e seguro, mulher e talvez até filhos.
–Dean, eu acho que você tem o poder de fazer o que quiser mas mesmo se tentar você não vai conseguir viver uma vida normal, uma hora ou outra os monstros virão atrás da gente, nós somos como imãs para eles. Mas você deve tentar e saiba que eu sempre estarei aqui.
–Obrigado Cas mas agora que o Sam morreu eu não sirvo mais pra isso, já dei tudo que tinha para salvar o mundo, eu quero me tornar um cidadão comum, talvez até ir a igreja nos domingos.
–Vamos começar do zero, como se nada tivesse acontecido?
–Não, meu passado continuará o mesmo, ainda serei o Dean de sempre mas agora usarei meus próprios documentos, irei toda manhã trabalhar em um escritório ou sei lá e morarei aqui e não na estrada. Por onde eu passar eu não quero mortes, eu não quero mais ter um porta-mals cheio de armar, quem sabe só uma pistola na gaveta. Você está comigo?
–Sempre Dean, sempre. Ficarei em casa cuidando dela enquanto você sai para trabalhar, serei um dono de casa.
Rimos muito com aquele comentário mas eu acho que ele falava sério.
–Combinado então!
Apertamos nossas mãos e voltamos a ver Gilmore Girls. O Cas virava a cabeça toda hora que o Dean aparecia então ele finalmente falou o porquê:
–Esse cara me lembra alguém mas eu não sei quem.
–Ele é idêntico ao Sam. Mas o meu irmão é mais bonito.
Ele me olhou com uma cara apreensiva, como se checasse se eu estivesse chorando ou triste mas não estava, já havia sofrido demais. Passamos a tarde toda e a noite também vendo seriado, não sentia sono algum mas sempre dava pausas para comer alguma coisa, muito havia mudado desde que eu melhorei, até mesmo o sorriso no rosto de Castiel.
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