Notas iniciais
Saudade, palavra triste quando se perde um grande amor... Na estrada longa da vida eu vou chorando a minha dor, igual uma borboleta vagando triste por sobre a flor... Oi? Conhecem esta musiqueta? Não estão perdendo nada. Chama-se Meu primeiro amor e eu lembro com o Bruno e Marrone cantando. Me julguem. Bem, o motivo da minha pessoa ter dado este título para o capítulo é porque ele não entrega o que vai acontecer e ao mesmo tempo resume bem sobre o que ele vai falar. Queria pedir desculpas, não estou muito inspirada para escrever as notinhas hoje, mas espero que vocês gostem deste capítulo porque eu amei escrevê-lo. Lá vai...

Era madrugada quando Dean estacionou o Impala em frente ao bunker dos Homens das Letras. Depois de desligar o motor do veículo e tirar o cinto de segurança, ele voltou-se para o banco do passageiro e percebeu que Sam estava dormindo.

Após pensar um pouco, Dean teve uma ideia para acordá-lo. Então, ele deu um meio sorriso e apertou a buzina com força por alguns segundos.

Com isso, Sam acordou assustado e se mexeu bruscamente no banco. Olhou para o irmão, que sorria com deboche diante daquela cena, e o ouviu dizer com cinismo:

— Chegamos, Sammy! Desculpe, eu te assustei?

Sam sacudiu a cabeça sem acreditar que Dean tinha feito aquilo e respirou fundo se recuperando do susto. Em seguida, ele encarou o irmão e rebateu em tom ameaçador:

— Você sabe que isso vai ter volta, não sabe?

Dean sorriu mais uma vez e antes de sair do carro, disse sem se intimidar:

— Eu quero ver você tentar.

Instantes depois, Sam também saiu do Impala. Depois de darem alguns passos na direção do bunker, ele e Dean pararam ao reconhecerem o Camaro de Natalie estacionado há alguns metros deles. Se entreolharam em silêncio antes de voltarem a caminhar em direção à entrada.

Claro que os dois tinham ficado felizes por saberem que Natalie e Claire estavam de volta. Mas eles não sabiam exatamente como seria aquele reencontro. Não podiam ignorar que tinham passado quase três semanas longe das esposas e que nos últimos dias as ligações entre eles se tornaram escassas e curtas.

Enquanto pensavam nessas coisas, Sam e Dean adentraram o bunker, passaram pela sala e caminharam até a escada. Mas um ruído vindo da cozinha fez Dean parar no primeiro degrau.

Sam, que tinha subido alguns degraus, parou e olhou para trás antes de perguntar:

— O que foi? Você não vem?

— Daqui a pouco. Eu vou checar uma coisa antes. — respondeu Dean.

— Ok, então boa noite. — assentiu Sam e em seguida voltou a subir a escada.

Dean se afastou e caminhou por um corredor em direção à cozinha. Viu que a luz do cômodo estava acesa e ouviu o que parecia ser a porta da geladeira sendo aberta. Deu mais alguns passos e parou diante da porta. E se maravilhou diante de uma imagem: Natalie, meio debruçada na direção de uma das prateleiras, pegando algo no interior da geladeira.

A loira estava com um dos seus clássicos pijamas, ou seja, um short e uma camiseta preta de alguma banda de rock, que Dean não tinha conseguido identificar porque a estampa se encontrava na parte frontal.

Mas na verdade, Dean não estava interessado em descobrir se aquela era uma camiseta do Led Zeppelin, do Metallica ou de outra banda. Naquele momento, a sua atenção estava completamente voltada para o belo e desconcertante par de pernas diante dos seus olhos, que ele examinou minuciosamente enquanto inclinava um pouco a cabeça.

Dean só parou de olhar para as pernas de Natalie quando ela finalmente encontrou o que procurava, se endireitou e fechou a porta da geladeira.

Ela se virou, mas ao perceber que Dean estava ali, não conseguiu evitar o susto. Então, enquanto tentava equilibrar a embalagem da torta que segurava, Natalie exclamou:

— Sr. Awesome!

Prontamente, Dean se aproximou e evitou que a torta caísse no chão, colocando suas mãos embaixo das de Natalie. Ela mexeu um pouco as mãos e com isso encontrou o equilíbrio ideal.

Só então os olhares do casal se encontraram. E permaneceram assim. Fixos um no outro enquanto suas mãos se tocavam por baixo da embalagem da torta.

XXX

Enquanto isso, Sam hesitava diante da porta do seu quarto com Claire. Mas por fim, resolveu abrí-la. Lentamente para não fazer barulho. Não queria acordar a esposa, embora no fundo torcesse para que ela estivesse acordada e se jogasse em seus braços.

Ao adentrar o cômodo, o caçador constatou que Claire estava mesmo dormindo, sob a luz fraca de um abajur sobre um criado-mudo. Ficou um pouco frustrado, mas ao mesmo tempo, estava muito feliz por revê-la. Tão linda e tão alheia a sua presença ali.

XXX

Na cozinha, Dean e Natalie ainda se encaravam profundamente sem conseguirem dizer uma palavra sequer. Mas em dado momento, o caçador finalmente despertou daquela espécie de transe e quebrou o silêncio:

— Oi.

— Oi. — falou a loira quase com um sussurro enquanto o seu coração batia cada vez mais depressa.

Natalie também não tinha pensado em como seria aquele reencontro e agora sentia-se meio idiota diante de Dean. Como se estivesse o vendo pela primeira vez e não soubesse como agir. Por que ele tinha que ser tão bonito? E tão... Awesome?

Sem perceber, Natalie suspirou profundamente. Mas em seguida, percebeu como estava sendo ridícula e voltou a si. Então ela engoliu em seco e empurrou a embalagem na direção de Dean oferecendo:

— Torta?

Dean segurou a embalagem com mais firmeza enquanto a loira afastava as mãos. Em seguida, ele perguntou um tanto surpreso:

— É para mim?

Natalie deu um leve sorriso e respondeu:

— Sim.

— Como você sabia que eu estava voltando? — estranhou ele.

— Eu não sabia. — respondeu Natalie. E ao ver o marido franzir o cenho, resolveu ser mais clara: — É que eu também voltei hoje. Mas antes eu passei em um lugar perto daqui e... Achei que você já tinha voltado e que ia gostar de uma surpresa. Além disso, eu prometi antes de pegar a estrada, lembra?

Dean sorriu levemente e respondeu:

— Lembro. — depois de uma breve pausa, ele colocou a torta sobre a mesa e acrescentou: — Bem, só para constar, eu adorei. Obrigado.

— Não por isso. — dispensou Natalie enquanto Dean puxava uma cadeira e sentava.

Ele sorria empolgado diante da torta suculenta quando percebeu que a loira ainda estava em pé ao lado dele, com os braços cruzados, um tanto ansiosa.

— Senta, baby. — pediu Dean indicando a cadeira ao seu lado. E depois que Natalie assentiu e se acomodou ao seu lado, ele prosseguiu: — Deixa eu adivinhar. Você me ouviu buzinando, acordou e veio correndo pegar a torta para me mostrar, não foi?

Natalie demorou alguns instantes para entender o raciocínio de Dean, que passou a encará-la um pouco confuso, aguardando uma resposta.

A loira não podia simplesmente dizer a verdade porque isso implicava contar que na realidade, ela havia acordado com fome, se lembrou da torta na geladeira e ficou tentada a acabar com ela. Não só por causa da fome que sentia, mas também como uma forma infantil de se vingar por Dean não ter voltado antes dela para o bunker, por ele não estar ali quando ela chegou.

E apesar de não ter ouvido a tal buzina que Dean havia mencionado, porque estava empenhada demais em descer as escadas às pressas e correr até a cozinha, esbarrando em alguns móveis pelo caminho e fazendo muito barulho, Natalie se ouviu respondendo:

— Exato.

O Winchester ainda observou a esposa por algum tempo, achando a demora para responder um pouco suspeita. Além disso, ele se lembrou de que Natalie tinha ficado assustada demais quando o viu parado na porta momentos antes. Não era o susto de alguém que estava preparando uma surpresa para ele. Parecia mais o susto de alguém que é pego no flagra.

Apesar desses indícios, Dean preferiu acreditar que a esposa estava falando a verdade e, rompendo o silêncio que havia se instalado, ele propôs:

— Neste caso, pegue alguns talheres. Vamos dividir.

Mas enquanto Natalie se levantava e caminhava até um dos armários, ele voltou a olhar para a torta e começou a achá-la pequena demais para duas pessoas famintas. Onde ele estava com a cabeça quando sugeriu dividí-la?

Quando a loira retornou à mesa com talheres e dois pratos, ele afastou aquele pensamento egoísta e lhe lançou um sorriso gentil. Natalie retribuiu sorrindo de volta e logo começou a cortar um pedaço da torta para si.

Foi então que Dean passou a pensar e a analisar melhor aquele reencontro e aos poucos desmanchou o sorriso. Em seguida, ele fitou um ponto qualquer da mesa, respirou fundo, encostou as costas na cadeira e questionou:

— O que diabos nós estamos fazendo?

Natalie parou de cortar a torta, sentou na cadeira, olhou para ele e rebateu:

— Como assim?

— O que os casais fazem quando se reencontram depois de semanas separados, Naty? — indagou Dean voltando-se para a loira ao seu lado. — Conversam de madrugada na cozinha e dividem uma torta ou...?

— Ou? — perguntou a caçadora.

— Ou... Dizem o quanto sentiram falta um do outro e... Se beijam? Só para começar. — completou Dean arqueando as sobrancelhas sugestivamente.

Natalie pensou um pouco e questionou:

— Isso significa que você não quer mais a torta?

Dean revirou os olhos e protestou um tanto decepcionado:

— Eu estou falando sério.

— Eu também. — afirmou ela.

Dean a encarou incrédulo e respirou fundo mais uma vez antes de recomeçar:

— E então?

— Então o quê? — rebateu a loira, se fingindo de desentendida já que ainda se sentia meio estranha diante daquele reencontro.

— Você não vai dizer que sentiu a minha falta? — cobrou Dean.

— Depende. — respondeu ela evasivamente.

— Depende do quê? — quis saber Dean demonstrando certa impaciência.

— Que você diga primeiro. — impôs Natalie com um sorriso desafiador, começando a gostar daquela conversa.

— Por quê eu? — protestou Dean achando aquela condição muita injusta.

— Porque foi você que levantou essa questão. Você que deu a ideia, portanto, você começa. — argumentou a caçadora.

Dean pensou um pouco e relutou por algum tempo antes de resolver aceitar aquela condição e admitir:

— Ok... Então... Eu senti a sua falta, Naty.

A loira sorriu levemente sentindo o seu coração acelerar mais e perguntou:

— Quanto?

Dean se aproximou um pouco, o suficiente para passar um braço em volta dos ombros dela e respondeu:

— Muito. E você?

— Eu o quê? — esquivou-se ela. Mas diante do olhar insistente do marido, confessou: — Tudo bem, eu também senti a sua falta.

— Quanto? — questionou o caçador.

— Ah... Um pouco. — mentiu ela já que na verdade havia sentido muita saudade de Dean, mas estava gostando de tirá-lo do sério.

Ele a repreendeu com o olhar por alguns instantes, depois coçou a nuca e perguntou:

— Está tudo bem entre a gente?

— Por que não estaria? — devolveu Natalie.

— Eu não sei. Me diga você. — insistiu ele.

A loira pensou um pouco e lembrou dos acontecimentos das últimas semanas. Lembrou de quando Dean foi até o Inferno por causa dela e do sonho de Mia sobre as mini pessoas. Lembrou do quanto aquelas coisas mexeram com ela e da necessidade que sentiu em se afastar um pouco de Dean para pensar melhor sobre tudo aquilo.

Mas também se lembrou da conversa com Claire há alguns dias, de como as duas desabafaram e de como isso fez bem para elas e as fez enxergarem as coisas de uma forma diferente e mais leve.

Depois de ponderar tudo isso, Natalie respondeu com sinceridade:

— Se tinha alguma coisa me incomodando, passou, não importa mais, Sr. Awesome.

— Ótimo. — disse Dean aliviado. — Então o que você está esperando?

— Esperando...? — indagou a loira se fazendo de desentendida mais uma vez enquanto franzia o cenho.

— Qual é, Naty? Você sabe muito bem. — insinuou o caçador. — Este é aquele momento em que você se joga nos meus braços e me beija como se o mundo fosse acabar a qualquer momento.

— Eu não te beijo como se o mundo fosse acabar a qualquer momento. — protestou ela. — Por que você é sempre tão convencido, Dean Winchester?

— E por que você está relutando tanto em admitir que está louca para me beijar, Natalie Jones? — questionou ele com um sorriso cretino.

— Quem disse que eu estou louca para te beijar? — prosseguiu ela sorrindo com certo desdém.

Ao ouvir aquilo, Dean se aproximou mais um pouco dela, fazendo seus rostos ficarem bem próximos um do outro, ao mesmo tempo em que segurava no ombro de Natalie com mais força e olhava fixamente em seus olhos.

— Então você não está? — provocou ele.

Sem conseguir se controlar, a caçadora olhou para a boca de Dean por alguns instantes e sentiu a sua respiração falhar um pouco. Mas em seguida, ela voltou a olhá-lo nos olhos, mordeu os lábios e mentiu:

— Não.

— Nem um pouco? — provocou ele se aproximando ainda mais.

— Nem um pouco. — respondeu ela se mantendo firme e no fundo gostando daquele jogo de sedução.

— E se eu disser que eu estou? — perguntou Dean mudando um pouco de estratégia.

Natalie sorriu cheia de si e respondeu:

— Eu diria que isso não me surpreende.

— E depois eu que sou o convencido. — resmungou Dean revirando os olhos.

Mas em seguida, ele resolveu recomeçar. Para isso, deixou que uma das suas mãos tocasse o rosto de Natalie e afastasse com cuidado uma mecha que havia caído sobre a bochecha dela. Enquanto isso, sua outra mão foi mais ousada e se fixou sobre um dos joelhos da loira, que sentiu o seu corpo inteiro estremecer diante do toque de Dean sobre sua pele.

Então ele olhou bem para Natalie, aproximou mais o rosto, fazendo sua boca quase tocar os lábios entreabertos da esposa e perguntou:

— Então, onde nós tínhamos parado mesmo?

Com certo esforço, Natalie conseguiu responder:

— Você estava tentando me convencer que eu estou louca para te beijar.

— Certo, e você estava tentando me convencer de que eu estou imaginando coisas porque... Você não está louca para me beijar, não é? — prosseguiu Dean.

— Não... — murmurou ela.

— Nem está louca para que eu te pegue no colo, te leve para o nosso quarto e... — Dean aproximou os lábios da orelha de Natalie e sussurrou o restante da frase, a deixando arrepiada.

Depois ele voltou a olhar para ela, que tinha ficado com o rosto um tanto vermelho, e ouviu a sua resposta:

— Talvez...

— Talvez? — repetiu ele voltando a acariciar o rosto dela.

— É, talvez. — confirmou a loira enquanto passava os braços em volta do pescoço de Dean e mordia os lábios mais uma vez.

O Winchester não conseguiu pensar em mais nada para dizer naquele momento. Se concentrou apenas no rosto de Natalie diante do seu e naquela boca que era mais um convite para algo que ele estava louco para fazer desde que chegou naquela cozinha.

Então, tanto ele quanto Natalie se esqueceram completamente da torta sobre a mesa e começaram a se aproximar mais um pouco um do outro.

A loira passou os dedos pela nuca do caçador e inclinou a cabeça procurando o encaixe perfeito em seu rosto. Fechou os olhos, ao mesmo tempo em que ele também fechou os dele. Suas bocas finalmente se encontraram e seus lábios se abriram sutilmente. Se envolveram aos poucos. Sem pressa.

A mão de Dean, que estava sobre o joelho de Natalie, subiu lentamente em direção à coxa da loira e logo encontrou a sua cintura, que apertou com certa força entre os dedos.

Suas línguas se encontraram e passaram a se movimentar de uma forma ardente, tornando o beijo mais profundo e intenso.

Dean, sentia a respiração ofegante de Natalie em seu rosto quando resolveu se afastar um pouco e provocá-la:

— Eu disse que você estava louca para me beijar.

— Cala a boca. — ordenou ela depois de bater no ombro de Dean, e então pressionou seus lábios contra os dele mais uma vez e com mais paixão.

Ele não tentou dizer mais nada. Ao invés disso, segurou o rosto de Natalie com as duas mãos e se entregou àquele beijo apaixonado. Só então se deu conta de como tinha sentido falta dela. Não saberia explicar como aguentou passar aquelas semanas longe de Natalie e agora só conseguia pensar em matar aquela saudade que sentia e aquele desejo que se acendia no seu corpo.

Aos poucos, os dois levantaram das cadeiras sem pararem de se beijar e se afastaram da mesa. O beijo só foi interrompido, quando Dean pegou Natalie no colo. Os dois se olharam de uma forma intensa e a loira confessou:

— Tudo bem, eu admito. Eu senti muito a sua falta.

— Eu sabia. — gabou-se ele sorrindo levemente antes de deixar a cozinha para trás.

Logo os dois alcançaram o andar de cima. Então Dean seguiu pelo corredor com a esposa no colo, em seguida abriu a porta do quarto, entrou e empurrou a porta atrás de si enquanto Natalie voltava a beijá-lo com certa urgência...

XXX

Enquanto Dean e Natalie conversavam na cozinha, Sam tinha tomado um banho rápido e agora ele caminhava na direção do quarto, com os cabelos molhados e uma toalha enrolada na cintura.

Após entrar no recinto, ele fechou a porta atrás de si e observou Claire dormindo enquanto dava alguns passos na direção do guarda-roupa. Mas antes de alcançá-lo, Sam esbarrou na cômoda, que também havia no quarto, e um porta-retrato com uma foto do seu casamento tombou sobre a madeira do móvel.

O barulho acabou acordando Claire, que se mexeu um pouco na cama antes de se sentar, passar as mãos pelo rosto e murmurar com a voz sonolenta:

— Sam?

— Ei... Desculpe, eu não queria te acordar. — sussurrou ele, embora no fundo estivesse feliz por ouvir o som da voz dela.

— Está tudo bem... — tranquilizou Claire, detendo as próximas palavras, já que simplesmente esqueceu o que dizer ao ver Sam naqueles trajes. Ou melhor, sem trajes. Apenas com aquela toalha.

Automaticamente, Claire se lembrou de quando ela e Sam, bem antes de assumirem um relacionamento, se hospedaram em um hotel em Kansas City. Na época os dois ficaram em quartos separados e Garth apareceu de madrugada para fazer uma visita ao Winchester.

Tomada pela curiosidade, já que também conhecia Garth, ela resolveu bater na porta do quarto ao lado e Sam atendeu daquele mesmo jeito que ele estava agora. Apenas de toalha, já que quando Garth chegou, ele tinha acabado de sair do banho.

E assim como naquela madrugada, agora Claire também sentia o seu rosto enrubescer diante daquela imagem, daquele corpo, daquele homem.

Seus olhos percorreram o dorso desnudo e os braços fortes, iluminados apenas pela fraca luz do abajur. Mas quando ela voltou a olhar para o rosto de Sam, percebeu que ele a encarava com certa curiosidade e esboçava um leve sorriso de satisfação.

Rapidamente, Claire desviou o olhar do dele e passou a mão pela nuca, um tanto constrangida. Mas voltou a olhar na direção de Sam quando ele se encostou na cômoda, cruzou os braços contra o peito e disse:

— Admita. Foi naquela noite que você se apaixonou por mim.

Claire o encarou sem acreditar que Sam estava pensando na mesma lembrança que ela. Mas em seguida quis esclarecer:

— Eu me apaixonei por você quando te vi em Stanford. Mas tudo bem... Eu confesso que te ver de toalha, anos depois, despertou algo que até então estava adormecido. Intensificou o que eu não lembrava que sentia...

— E eu entendo que você tenha ficado sem graça naquela noite, mas por que você ficou vermelha agora? — reparou ele. — Eu sou o seu marido, esqueceu? Não precisa ficar vermelha toda vez que me ver assim.

— Eu não estou vermelha. — protestou Claire e, indicando o abajur sobre o criado-mudo, arranjou uma desculpa: — É esta luz. — mas ao perceber que Sam não havia acreditado, ela admitiu: — Tudo bem, eu devo estar vermelha. Mas é de surpresa.

— Surpresa? — repetiu o caçador arqueando as sobrancelhas e contendo um sorriso enquanto se aproximava da cama devagar.

— É... Surpresa... — gaguejou Claire ficando ainda mais desconcertada e tensa à medida que Sam se aproximava. — Porque eu... Não esperava que você fosse... Que você fosse chegar agora... Não que eu não tenha gostado disso, mas... É que é complicado... A forma como eu saí com a Natalie, meio às pressas... Olha, eu sei que nós temos que conversar sobre isso e...

Claire parou de falar no instante em que o marido se sentou de frente para ela na cama. E sentiu o seu coração dar um salto quando ele tocou o seu rosto com carinho e se curvou na sua direção. Na direção da sua boca.

Claire fechou os olhos e deixou que seus lábios se encontrassem em um beijo calmo e repleto de sentimento. Tateou o rosto de Sam e emaranhou os cabelos dele com as pontas dos dedos. Se moveu um pouco para frente indo de encontro ao seu corpo meio úmido e profundamente cheiroso do banho. Com isso, o cobertor, que enrolava Claire até então, deslizou um pouco, revelando a camisola de seda preta que ela usava.

De repente, Sam afastou o rosto, sorriu e perguntou:

— Tem certeza que você quer conversar agora?

— Não mesmo... — sibilou ela e em seguida se deteve ao notar o olhar do marido sobre a camisola que ela usava.

Claire não podia imaginar, mas vê-la daquele jeito, naquele traje, fez o Winchester se lembrar do sonho que teve, há algumas noites. E aquela lembrança fez os olhos dele brilharem de uma forma intensa, como se quisesse devorar Claire apenas com aquele olhar.

Sam engoliu em seco e sua mão esquerda deslizou pelo braço de Claire, sentindo toda a maciez da sua pele incrivelmente quente, enquanto a mão direita se detinha no rosto dela e o acariciava, idolatrando a beleza sensual e delicada daqueles traços.

Estranhando o silêncio do marido e aquele comportamento, Claire o chamou calmamente:

— Sam? O que foi?

Mas então a caçadora não teve tempo de dizer mais nada. Antes que pensasse em qualquer coisa, Sam já tinha se aproximado de novo, a abraçado com força e pressionado seus lábios contra os dela veementemente.

Com certa dificuldade para respirar, mas sem conseguir resistir, Claire o abraçou de volta e aprofundou o beijo, envolvendo a língua de Sam com a sua e emaranhando os seus cabelos novamente.

Logo Claire sentiu o peso do corpo de Sam sobre o seu e o abraçou mais forte, enquanto as mãos dele percorriam o tecido da camisola, acariciando e apertando tudo o que viam pelo caminho.

As unhas de Claire arranhavam as costas de Sam à medida que o beijo tornava-se mais ardente. Ela afastou um pouco as pernas para acomodá-lo melhor entre elas e estremeceu de desejo quando um das mãos dele subiu por sua coxa...

E então os dois se entregaram de vez àquele momento de paixão e deixaram-se guiar pela saudade e pelo desejo que sentiam...

Notas finais
Eitchaaaaaaaaaaaaaaaa o homem de toalha ataca novamente!!! Pobre Claire... Foi atacada pelo Sammy... ahahahahah pobre nada, sortuda, isso sim! Quem mandou estar com uma camisola que fez o moçoilo lembrar daquele fatídico sonho do primeiro capítulo? Agora agueeeeeeeeenta. E Deanalie, hein? Querendo que o outro dissesse primeiro que tinha sentido saudade ahahahah eitcha bichinhos orgulhosos e complicados e ao mesmo tempo instigantes! Bem, como vocês puderam ver, os casais estão juntinhos de novo e aparentemente bem, mas saibam que esta noite ainda não acabou, então muita calma nesta hora, sociedade, porque vem mais saudade e um pouquinho de DR (Discutir a Relação) por aí. Gostaram? Reviews? Próximo capítulo no sábado, ok? Bjs e inté lá!