Heaven and Hell

29 O seu pior pesadelo


Notas iniciais
Oi, gente! Tudo na santa paz de Odin? Espero que sim! Well, muito obrigada a todo mundo que comentou a fic e ajudou H&H a ultrapassar os 200 comentários! Vocês são demais! Confesso que, sometimes, fico meio deprê com a ausência de algumas pessoas, que até estão acompanhando a fic e me mandam notícias, mas não tem disponibilidade para comentar e tal. E claro, tem as pessoas que sumiram mesmo e eu não sei se fiz alguma coisa que desagradou, mas enfim... Por que eu estou chorando as pitangas mesmo? Ah! Porque eu queria agradecer a todo mundo que continua me acompanhando aqui no Nyah, seja como fantasminha, seja comentando às vezes, seja comentando em todos os capítulos, seja me mandando MP. Obrigada. E saibam que, às vezes, eu tenho vontade de desistir, mesmo, de parar de postar, largar de mão, correr para as colinas, me mudar para Asgard... Mas aí eu lembro de vocês, esperando por mais um capítulo, e aí eu sempre acabo vindo aqui e postando a fic do mesmo jeito. Enfim, depois deste desabafo, vamos falar sobre o capítulo de hoje. Ele é dividido em duas partes: um "mini" conto de terror (que eu adoreiiiiiiiiiiii escrever) e Clammy rumo ao caso, ao mesmo tempo em que lidam com um certo sentimento... Bem, espero que gostem! Lá vai o disco voador...

Antes

Fort Benton — Montana

Eram aproximadamente onze horas da noite e Taylor, uma estudante de dezesseis anos, ruiva e de feições delicadas, descia as escadas de sua casa, trazendo consigo um tabuleiro Ouija, que havia pegado no quarto de seu irmão mais velho, que não estava em casa naquela noite, pois havia viajado com uns amigos há alguns dias.

Depois de descer cada degrau com certa hesitação e com os olhos fixos nas letras do tabuleiro, Taylor chegou a sala, onde o seu namorado Carl, sua amiga Nicole e o namorado dela Josh estavam.

Ao vê-la, o trio parou de entornar as garrafas de cerveja, que haviam pegado na geladeira momentos antes, e olharam na direção de Taylor, que franziu o cenho e resmungou temerosa:

— Ai meu Deus... Meus pais vão me matar.

Nicole, que tinha a mesma idade da amiga e longos cabelos negros, riu do nervosismo de Taylor e articulou:

— Eles te matariam se estivessem aqui. Mas quando os dois voltarem do congresso de medicina, a nossa pequena festinha já vai ter acabado há muito tempo. Então, relaxa.

Josh passou um dos braços sobre os ombros de Nicole, sorriu para Taylor e se comprometeu:

— Não se preocupe, eu prometo que não vou quebrar nada desta vez.

— Ah... Muito obrigada. — respondeu a anfitriã com certo sarcasmo.

Carl fitou a namorada com carinho e tentou tranquilizá-la:

— Ei... Vai ser divertido. Relaxa um pouco e aproveita esta noite.

Ainda hesitante, Taylor observou os três sentados no chão da sala, em volta da mesinha de centro onde outras garrafas de cerveja repousavam, depois olhou para o tabuleiro em suas mãos, voltou a olhar para os três e sugeriu:

— Por que nós não assistimos um filme como pessoas normais?

Josh riu e debochou:

— Eu não acredito que você está com medo desta coisa.

Nicole deu uma cotovelada no namorado, o repreendendo, e Taylor assegurou um tanto ofendida:

— Eu não estou. — e diante dos olhares incrédulos sobre ela, a garota foi mais enfática: — Eu não estou com medo, ok? Eu só acho estupidez brincar desta forma com o desconhecido. É como dizer Bloody Mary três vezes diante do espelho. Alguém pode me explicar por qual razão idiota uma pessoa em sã consciência faz isso? O que acontece se o fantasma da Bloody Mary aparecer de verdade?

Houve um longo momento de silêncio até que Carl se pronunciou com certa cautela:

— Não acontece nada porque isso é só uma lenda urbana, Taylor. Assim como este tabuleiro. Todo mundo sabe que é sempre alguém da roda que move o copo.

— Mas eu prometo que não farei isso. — assegurou Josh erguendo as mãos em sinal de rendição.

— Eu também prometo. — comprometeu-se Nicole.

Taylor olhou na direção do namorado, que uniu os dedos indicadores formando uma cruz e os beijou. Então a anfitriã soltou um longo suspiro e disse:

— Eu também não vou mover a droga do copo. E é por isso mesmo que eu continuo achando que nós devíamos assistir um filme. Se isso é uma lenda estúpida e se ninguém vai mover o copo, nada vai acontecer, então...

— Medrosa. — provocou Josh.

Carl jogou uma almofada na cara dele, que resmungou algum palavrão, mas ficou quieto logo depois.

Por fim, Taylor revirou os olhos, se aproximou com certa impaciência, se ajoelhou diante da mesa e começou a retirar as garrafas de cima dela.

— Tudo bem. Mas depois não digam que eu não avisei. — assentiu ela enquanto arrumava as garrafas no chão.

Em seguida, ela colocou o tabuleiro no centro da mesa, deu uma olhada em volta, procurando por um copo, mas como Nicole, Josh e Carl estavam bebendo direto das garrafas não havia nenhum por perto.

— Eu já volto. — anunciou Taylor antes de se levantar.

— Nunca diga "eu já volto." — aconselhou Josh fazendo suspense. — Em filmes de terror, é morte na certa, sabia?

Enquanto caminhava por um corredor em direção à cozinha, Taylor resmungou baixinho:

— Patético.

Instantes depois, ela voltou para a sala, trazendo um copo de vidro, sentou ao lado do namorado e colocou o copo sobre a mesa.

— Por que o seu irmão tem um tabuleiro Ouija mesmo? — quis entender Nicole.

— Ele gosta de colecionar coisas estranhas. — respondeu Taylor dando de ombros. — Por falar nisso, ele vai me matar se souber que eu mexi nas coisas dele. — acrescentou temerosa.

Carl colocou a mão sobre o ombro da namorada e reforçou:

— Relaxa.

Depois de encará-lo por um breve instante, Taylor respirou fundo, posicionou o copo sobre o tabuleiro e disse:

— Tudo bem, vamos começar esta brincadeira idiota de uma vez.

Aos poucos, cada um dos quatro adolescentes colocou o dedo indicador sobre o copo. Se entreolharam. Quando Taylor ia perguntar como começar aquela brincadeira, Carl perguntou:

— Tem alguém aqui?

Segundos se passaram e nada aconteceu. Então a anfitriã retirou o dedo do copo e falou:

— Eu disse que era perda de tempo...

Quase que imediatamente, Josh segurou a mão dela, a obrigando a voltar a tocar o copo. Todos se assustaram um pouco com o gesto e então ele explicou um tanto irritado:

— Aconteça o que acontecer, não solte o copo!

— Por quê? — estranhou Taylor.

Após um longo momento de silêncio, Carl interveio:

— Dizem que se você solta o copo, o espírito fica preso neste mundo e passa a te perseguir.

— Eu pensei que isso fosse uma lenda estúpida. — lembrou Taylor arqueando as sobrancelhas.

— E é. — confirmou Josh. — Mas pelo sim ou pelo não, é melhor não arriscar.

— Cuidado, amor. Deste jeito eu vou pensar que você está com medo. — provocou Nicole ganhando um beijo do namorado em seguida.

Taylor riu, começando a relaxar, e Josh pediu:

— Ei! Foco, pombinhos. Vamos nos concentrar. — quando Josh e Nicole afastaram os rostos, ele orientou: — Todo mundo fecha os olhos.

Os quatro fecharam os olhos quase ao mesmo tempo e, depois de um momento de silêncio, que pareceu durar uma eternidade, Carl repetiu a pergunta:

— Tem alguém aqui?

Mais um longo silêncio se passou, mas Taylor se encolheu um pouco ao sentir um vento gelado entrar pela janela da sala. O que era estranho, considerando que eles estavam no verão e não havia qualquer sinal de uma drástica mudança no clima.

De repente, os quatro abriram os olhos ao sentirem o copo se mover sutilmente.

— Não sou eu que estou fazendo isso. — defendeu-se Josh quando Taylor o fuzilou com o olhar.

Antes que a garota dissesse qualquer coisa, os quatro olharam para o copo que se moveu novamente. Bem devagar.

Acreditando que aquilo era algum truque do seu namorado, Nicole segurou o riso e manteve o olhar fixo no copo que se moveu na direção da letra S.

— Eu juro que não estou mexendo neste copo. — garantiu Carl quando Taylor o fitou desconfiada.

— Vocês combinaram. Quando eu fui à cozinha... — acusou a anfitriã, mas parou de falar em seguida quando o copo se moveu rapidamente na direção da letra I.

Antes que ela xingasse os amigos e o namorado, o copo deslizou até a letra M rapidamente, causando um ruído estridente por causa do atrito entre o vidro e a madeira.

Os quatro se entreolharam um tanto assustados e tensos. Engoliram em seco. No entanto, Taylor ainda acreditava que aquilo era uma armação e decidiu entrar na brincadeira:

— Ok, então quem é você?

Outro momento de silêncio dominou o ambiente e Taylor se segurou para não rir da cara dos amigos e do namorado. Eles pareciam mesmo assustados. No fim, eram ótimos atores.

A garota parou de pensar nisso quando o copo começou a se mover novamente. Todos ficaram ainda mais tensos e Nicole começou a rezar baixinho, já completamente apavorada.

À medida que o copo se movia, Taylor ia repetindo as letras, as sílabas, até que uma frase se formou e ela pronunciou:

— "O seu pior pesadelo." — achando aquilo muito ridículo, ela fitou os três e reclamou: — Sério, pessoal? Isso foi o melhor que vocês conseguiram inventar?

— Não é a gente. — afirmou Josh e Taylor sentiu uma ponta de medo ao perceber que ele parecia estar sendo sincero.

Depois de olhar para o namorado e para Nicole, que também pareciam confusos com tudo aquilo, Taylor fitou o copo e indagou:

— Ok, então por que você é o meu pior pesadelo?

Desta vez, o copo não demorou para se mover. Aliás, ele se moveu tão rápido que Taylor mal conseguiu acompanhar. Todos ficaram ainda mais assustados, inclusive ela quando terminou de dizer a frase formada por aquelas letras:

— "Porque eu vou matar os seus amigos, um por um, e deixar você por último."

— Ai meu Deus... — murmurou Nicole em pânico. Então o copo se moveu rapidamente na direção de novas letras, e ela pronunciou a frase formada: — "Deus? Tente de novo."

Com raiva, Taylor tirou a mão do copo imediatamente e esbravejou:

— Que brincadeira de mau gosto! Francamente!

— Não tire a mão do copo! — gritou Josh tentando puxar a mão dela de volta.

No entanto, Taylor levantou do chão e pegou o copo e o tabuleiro enquanto dizia:

— Já chega. Nicole, procure um filme na estante, eu vou levar o copo para a cozinha e o tabuleiro de volta para o quarto do meu irmão.

Quando ela ia se virar para deixar a sala, Carl pediu:

— Tay, por favor, me diga que foi você que mexeu o copo.

Taylor olhou para o namorado e depois para Nicole e para Josh. Eles a encaravam de volta visivelmente assustados, ansiosos, tensos e confusos. Em outras palavras, estavam apavorados.

Por fim, a anfitriã suspirou incrédula e resmungou:

— Nossa! Vocês são bons. Por um momento, eu quase acreditei, sabiam?

Em seguida, ela deu as costas para os três e saiu da sala ignorando os protestos. Então ela seguiu por um corredor, entrou na cozinha e deixou o copo sobre a pia. Depois disso, se virou para sair do cômodo, mas deteve o passo ao ouvir o barulho do copo se espatifando no chão.

Lentamente, Taylor olhou na direção da pia e viu os cacos espalhados no chão. Engoliu em seco, colocou o tabuleiro Ouija sobre a mesa e se aproximou devagar dos cacos no chão. Abaixou-se, os recolheu com cuidado para não se cortar, enquanto se convencia de que tinha colocado o copo na beira da pia e por isso ele caiu.

Em seguida, Taylor levantou e jogou os cacos em uma lixeira que havia por perto. Assim que ela fechou a tampa da lixeira, todas as luzes da casa se apagaram, lhe causando um sobressalto e fazendo o seu coração disparar por conta do medo que sentiu.

Taylor deu alguns passos para trás e se esforçou para ouvir os amigos na sala, mas o silêncio reinava absoluto.

— Pessoal? — ela chamou.

— Taylor? — a voz de Nicole fez a garota respirar aliviada.

— Por que você desligou a força? — questionou Josh irritado.

Taylor riu e gritou de volta:

— Hilário!

— Cadê você? — chamou Carl preocupado.

— Na cozinha! Eu já estou indo. — respondeu Taylor e em seguida tateou a parede a procura da saída.

Ao chegar no corredor, ela parou ao ouvir um grande estrondo. Taylor ainda estava longe da sala, estava escuro e por isso ela não podia afirmar o que causou aquele barulho. Mas ela deduziu que tinha sido o vidro da janela da sala se partindo ao ser atingido por alguma coisa. Ou quem sabe... Por alguém.

O que aconteceu a seguir foi tão rápido que Taylor não conseguiu pensar ou fazer qualquer coisa. Tudo o que ela ouviu foram os gritos agoniados dos seus amigos e do seu namorado, misturados com um ruído bizarro e aterrorizante semelhante a uma ventania. Só que era muito mais alto do que o barulho provocado por um vento comum. Era algo descomunal.

Era loucura pensar isso, mas era como se aquela ventania tivesse vida própria. Como se fosse algo maligno. Algo que estava machucando Josh, Nicole e Carl.

Taylor gritou em pânico e levou as mãos à altura do rosto. Suas pernas não lhe obedeciam. Ela queria fugir, correr, pedir ajuda, ajudar seus amigos e o seu namorado, mas era incapaz de dar um passo. Cada centímetro do seu corpo estava arrepiado e completamente tenso por conta do medo aterrador que a dominava. Lágrimas de desespero começaram a escorrer pelo seu rosto quando um silêncio agoniante reinou por toda a casa.

Aos poucos, Taylor foi se acalmando, se recompondo, enxugou o rosto e arriscou:

— Pessoal? — silêncio. — Carl? Nicole? Josh? — novo silêncio e Taylor finalmente conseguiu se mexer. Deu alguns passos em direção à sala. Passos lentos e difíceis. — Quem está aí? — ela perguntou depois de deter o passo no limite entre o corredor e a sala.

Taylor sabia que se Josh estivesse em condições de falar alguma coisa, ele debocharia dela, diria que aquele era o tipo de pergunta que não se fazia numa situação como aquela, quando você acha que tem um assassino na sua casa e que ele matou os seus amigos.

Taylor não queria pensar desta forma, mas tudo indicava que alguém ou alguma coisa tinha machucado Josh, Nicole e Carl. A garota voltou a chorar e se apoiou na parede ao se lembrar da brincadeira com o tabuleiro Ouija.

Ela sabia que eles não deviam ter mexido com aquilo. Desde o começo, Taylor estava com um mau pressentimento. Por que eles não a ouviram? Por que ela não insistiu mais para que eles desistissem daquela ideia? Por que ela resolveu entrar naquela brincadeira estúpida?

Enquanto se perguntava essas coisas, Taylor respirou fundo e finalmente tomou coragem para prosseguir e descobrir de uma vez por todas o que estava acontecendo ali. Então ela caminhou até a sala e parou novamente quando chegou lá.

Taylor soltou um grito que traduzia todo o medo, pânico e o choque que sentiu diante do que viu. Seus olhos não podiam acreditar no que estavam vendo. Seu estômago revirou diante da forte repugnância que sentiu diante daquele cenário bizarro.

Logo, a mesma fumaça que tinha matado os seus amigos e o seu namorado se moveu rapidamente até ela. E então Taylor não viu mais nada.

Agora

Davenport — Nebraska

Eram aproximadamente oito horas da manhã e Sam dirigia o carro de Claire por uma estrada nas proximidades de Davenport. Os dois tinham saído do hotel, onde passaram a noite, a cerca de quarenta minutos. Enquanto o Winchester dirigia, Claire pegou o seu celular, que tinha começado a tocar no porta-luvas, viu quem era e atendeu empolgada:

— Oi, Max! Nossa, quanto tempo! Como você está?

Sam a olhou de canto por um breve instante e em seguida voltou a se concentrar na direção. Mentalmente ficou se perguntando quem era Max. Nunca tinha ouvido Claire mencionar aquele nome antes, mas pela forma como ela atendeu, devia conhecê-lo muito bem.

Enquanto ele pensava nisso, a caçadora continuou:

— Eu estou bem, obrigada. — e depois de uma breve pausa, Claire riu e perguntou: — Mas a que devo a honra desta ligação? Aconteceu alguma coisa? Precisa de ajuda com algum caso?

Sam ficou mais tranquilo quando entendeu que a esposa estava falando com um caçador. No entanto, ele ainda estava intrigado, pois conhecia muitos caçadores e não se lembrava de nenhum Max.

O Winchester parou de pensar nisso quando notou, pela expressão de Claire no retrovisor, que o tal Max estava relatando algo importante. Isso se confirmou quando a caçadora recomeçou:

— Na verdade, eu já sabia que tinha alguma coisa acontecendo em Fort Benton. Mas até então eram apenas sinais de atividade demoníaca. — depois de uma pausa, ouvindo uma pergunta do amigo caçador, Claire explicou: — A Mia, aquela amiga que eu te falei algumas vezes, ela teve um sonho com as coordenadas de Fort Benton. Por isso, eu e o Sam estamos a caminho de lá. Ela não previu essas mortes, mas nós sabíamos que era uma questão de tempo até que algo assim acontecesse. De qualquer forma, obrigada por ter avisado, Max. Foi bom falar com você apesar das circunstâncias.

Sam notou que Claire ficou triste ao ouvir o que Max lhe contou. E não era para menos. Por mais que ele fosse caçador há muito tempo, Sam também ficava sensibilizado quando alguém morria em condições sobrenaturais. Era horrível não poder impedir essas coisas antes que elas acontecessem. Mesmo Mia não conseguia prever tudo e impedir certas mortes. Porém, o mais importante é que eles iriam acabar com aquele demônio e pelo menos este desgraçado não iria machucar mais ninguém.

O Winchester parou de pensar nisso quando ouviu Claire dizer:

— Não, você não entendeu errado, eu estou indo caçar esta coisa com o Sam. — depois de uma pausa, Claire completou: — Sim, nós voltamos. Há meses, aliás. Eu tentei ligar para te convidar para o nosso casamento, mas você não atendeu e eu deduzi que devia estar ocupado com alguma caçada. E depois do casamento aconteceram tantas coisas...

Sam voltou a ficar intrigado. Por que este caçador misterioso estava tão interessado no fato dele e de Claire estarem juntos? Quem era ele afinal?

— Claro, eu te conto tudo algum dia desses. É só me ligar e nós marcamos alguma coisa.

”Nós marcamos alguma coisa?” Sam repetiu em pensamento sentindo algo arder em seu peito.

Por que Claire nunca tinha falado deste tal Max se ele parecia ser alguém tão importante para ela? Por que Sam tinha a sensação de que eles eram íntimos demais? Por que ele estava com ciúmes?

— Tudo bem, a gente se fala depois. E obrigada pelas informações. Tchau. Um beijo.

Sam arqueou as sobrancelhas ao ouvir a última parte e estreitou o olhar na direção do horizonte. Antes que ele se perdesse em mais pensamentos, Claire relatou:

— Esta noite quatro adolescentes foram mortos em Fort Benton. A polícia acredita que tenham sido vândalos, mas nada de valor foi levado da residência. As portas estavam fechadas e a janela da sala foi quebrada. Mas não foram encontrados indícios dos agressores.

Depois de assimilar o que tinha ouvido e lamentar mentalmente que algo assim tivesse acontecido àquelas pessoas, Sam perguntou:

— O Max te contou tudo isso?

— Sim. — respondeu Claire. — Ele está em outra caçada, soube destas mortes em Montana e, como ele não ia poder checar este caso também, resolveu me avisar.

— Vocês já caçaram juntos? — perguntou o Winchester.

— Algumas vezes. Quando eu e você estávamos... — Claire hesitou por um instante e completou: — Separados.

— E vocês se conheceram durante uma caçada também? — indagou Sam cada vez mais interessado em descobrir mais informações sobre aquele amigo misterioso da esposa.

— Na verdade, em um bar de estrada frequentado por caçadores, depois que cada um resolveu o seu caso. — contou ela.

Sam pressionou os lábios por alguns instantes, enquanto imaginava tudo o que tinha acontecido na vida de Claire durante o período em que eles ficaram separados. Ele sabia que não tinha o direito de ficar com ciúme, que aquilo era infantil, ainda mais porque ele tinha que se concentrar no caso que estava indo investigar com ela, mas mesmo assim Sam não conseguia evitar. Aquele sentimento estava lá, queimando em seu peito. O mesmo sentimento que o fez questionar:

— E como esse Max é?

Claire observou Sam de canto e, percebendo o que ele estava sentindo e imaginando, ela decidiu provocá-lo:

— Alto, forte, loiro, tem olhos azuis desconcertantes e é incrivelmente lindo.

— O quê?! — exclamou Sam sem conseguir se controlar.

Claire arqueou as sobrancelhas, sorriu levemente e esclareceu:

— E totalmente gay. — depois de observar o marido disfarçando o alívio que sentiu, ela completou: — Mas mesmo que ele não fosse, e que tivesse dado em cima de mim naquele bar, eu não teria me envolvido com ele, Sam. Nem com ele nem com ninguém. Porque mesmo quando eu não estava com você, eu estava com você. Naquela época, eu tentei te esquecer, é verdade, mas no fundo, eu sempre soube que nunca conseguiria. Eu nunca deixei de te amar. Nem vou.

Sam sentiu um profundo alívio ao ouvir aquela declaração. Mais do que isso, sentiu-se feliz e amado. Então, ele a fitou carinhosamente, com aquela cara que Claire e Mia classificavam como “cachorrinho que caiu do caminhão de mudança”, segurou a mão da esposa sobre o console e retribuiu:

— Eu também te amo. Muito. Mais um pouco a cada dia.

— Que sorte a minha. — murmurou a caçadora sorrindo antes de Sam beijar a mão dela, o que lhe causou um arrepio.

Em seguida, Claire se aproximou um pouco, apoiou a cabeça no ombro do caçador e entrelaçou um dos braços dele. Alguns metros a frente, Sam a fitou rapidamente e percebeu certa tristeza em seu olhar. Conhecendo Claire tão bem como conhecia, ele disse:

— Eu sei o que você está pensando, Claire. Sobre o caso... É horrível não poder impedir que coisas assim aconteçam. Mas, infelizmente, não dá para salvar todo mundo. Infelizmente, antes de salvar a vida de alguém e destruir o monstro, alguém sempre se machuca. É assim que os casos surgem. É horrível, eu sei, mas o melhor que nós podemos fazer agora é pensar nas vidas que ainda podemos salvar quando despacharmos este demônio.

— Eu sei. — assentiu Claire. — Mas, como você disse, é horrível. É injusto. As vítimas eram tão jovens... O Max disse que o mais velho não tinha completado dezoito anos.

Sam não disse mais nada. Todo caso era difícil, mas casos envolvendo crianças, adolescentes ou idosos sempre mexiam mais com os caçadores. Por mais que eles tentassem agir apenas profissionalmente, a carga emocional era muito grande.

O que nem Sam nem Claire podiam imaginar, naquele momento, era que aquele caso envolvia outras questões além desta. Questões complicadas, arriscadas, perigosas. O que eles estavam prestes a enfrentar talvez não fosse um simples demônio.

Notas finais
E no capítulo de hoje aprendemos que não devemos brincar com tabuleiros Ouijas... E aí? Gostaram? Ficaram com medinho? Tensos? E como assim "talvez não fosse um simples demônio"? O que eu estou aprontando? Aguardem e verão... Aiiiiiiiiimmmm o Sammy como ciúmes! Tem como não amar? Já falei que amo este casal? Eu amo! Eu amo todos, aliás! Ah! Um aviso importante: sobre a continuação de O Caso do Slender Man, que se chamará Nunca Durma, já escrevi o prólogo e dois capítulos. Porém, queria escrever mais dois antes de começar a postar. O problema é que estou finalizando o especial de Natal e queria adiantar uns bons capítulos de H&H. Ou seja, farei de tudo para postar Nunca Durma ainda este ano, mas se não der, de janeiro não passa, ok? Bem, agora é com vocês! Digam o que acharam do capítulo! Conto com vocês para me inspirar mais e mais, hein? Bjs e inté o próximo capítulo (teremos Miastiel, Deanalie e um tiquin de Kevloe). PS: O disco voador já foi embora... R.I.P Roberto Bolaños...