Notas iniciais
Oi, gente!!! Primeiramente, quero agradecer a menina Luna, pela linda e diva recomendação em H&H! Fiquei com cara de boba (tipo, mais boba) enquanto lia suas singelas palavras. Dedico este capítulo nada, nada mesmo, tenso para você! Obrigada! Segundamente, quero dar as boas vindas a Espantalho Absol GC Umbrellia, por ter lido minha saga e se viciado kkkkk Valeu! Terceiramente, desculpem o tamanho do capítulo. Mas, segundo o Nyah, o ideal é que o capítulo tenha entre 1000 e 4000 palavras, então estou no limite. Além disso, eu estava olhando minhas fics anteriores, e gente... Eu escrevia capítulos com 6000 palavras??? Como que vocês não puxaram minha orelha virtualmente? OMG Bem, este capítulo é bem negoçado (já dá para ter uma ideia por causa do titulo), então tomem um cházinho de camomila antes. Oi? Lá vai...

Lentamente, Claire abriu os olhos e puxou o ar com certo cuidado, já que o simples ato de respirar lhe causava um desconforto enorme. As suas costas e todo o seu corpo estavam muito doloridos por conta de ter sido arrastada pela sala, pelo corredor e escada abaixo, chocando-se com cada degrau durante o percurso.

Mas, devagar e contendo alguns gemidos de dor, ela finalmente conseguiu se sentar no centro do que parecia ser um porão e olhou tudo em volta com atenção.

O lugar cheirava a mofo e estava iluminado pela luz do luar que entrava por uma pequena janela no canto superior de uma das paredes, e também por uma lâmpada fraca que tinha um sensor de movimento acoplado. Assim, quando Claire foi jogada ali dentro, a lâmpada iluminou o ambiente automaticamente.

O cômodo era uma espécie de depósito, com caixas empilhadas, um armário e algumas ferramentas. Não era muito grande e o clima abafado fez uma linha de suor escorrer pelo rosto da caçadora.

Com certa dificuldade, ela se colocou de pé e olhou na direção da porta, no começo da escada. Com certeza, ela ainda estava emperrada pela força demoníaca que emanava do demônio na sala.

— Claire! — gritou Sam do andar superior, sua voz traduzindo toda a sua angústia. — Claire, você está bem?!

A morena abriu a boca para gritar que sim, na medida do possível, ela estava bem, e assim tranquilizá-lo, mas então deteve as palavras em sua garganta e pensou um pouco.

Talvez fosse melhor ficar em silêncio. Assim o demônio que a prendeu ali, e que estava com Sam na sala, pensaria que ela estava muito machucada para conseguir dizer alguma coisa ou até inconsciente. O seu silêncio deixaria Sam ainda mais preocupado, é verdade, mas pelo menos Claire iria despistar o demônio e ganharia um tempo para pensar em um plano.

Sam a chamou mais algumas vezes antes de se calar. Então, com um olhar que misturava desolação e raiva, ele fitou o demônio agachado na sua frente.

Percebendo, e no fundo se divertindo muito com a preocupação do caçador, o demônio provocou:

— Não se preocupe, Sam. Talvez ela tenha batido a cabeça em algum degrau e desmaiado. Ou quem sabe... Quebrado o pescoço. O que seria uma pena porque eu adoraria matar a Claire com as minhas próprias mãos. Lentamente.

Como uma facada. Foi assim que Sam recebeu aquela ameaça, como um golpe certeiro em seu peito. No entanto, foi exatamente por isso que ele lembrou-se de algo muito importante. Sam havia trazido a faca da Ruby consigo. Ela estava presa em sua cintura, escondida pela camisa xadrez e pela jaqueta marrom que ele usava e que cobria o cós da calça jeans. Não havia nenhum precedente que sugerisse que aquela faca iria funcionar com aquele tipo de demônio, mas não custava nada tentar.

O problema era que Sam estava imobilizado por aquele demônio e, por isso, não poderia pegar a faca. Pelo menos, não naquele momento. Mas, se ele distraísse o demônio de alguma forma, se fizesse ele baixar a guarda por um instante, quem sabe?

Além disso, Sam sentia que devia manter aquele demônio longe do porão. Claire estava viva. Ela tinha que estar viva. Mas podia estar machucada e, ao contrário dele, não tinha nada para se defender. Sam tinha que ganhar tempo e, por isso, resolveu alimentar aquela conversa:

— Assim como você matou aqueles adolescentes?

— Exatamente. — confirmou o demônio, com um sorriso maligno. — Você precisava ouvir os gritos deles, Sam. Adolescentes... Você sabe como eles são, não sabe? Tão intensos. Até na morte.

Sam desviou do olhar dele, enojado e revoltado com aquele relato. Tentou mover os dedos sutilmente, mas não conseguiu. Ele sabia que eram perguntas retóricas, mas, mesmo assim decidiu prosseguir com o plano e indagou:

— E por que você fez isso? Por que matou aqueles jovens?

O demônio riu, levantou-se e respondeu tranquilamente:

— Você sabe muito bem. Isso é o que eu faço, Sam. Destruir vidas.

— Não... O que eu quero dizer é que você não é como os outros. Seus olhos... Eles ficaram vermelhos. Não como os demônios de encruzilhada, mas... Diferente. — articulou o Winchester. — Você é um deles. Um dos demônios do exército do Crowley.

— Você está certo. — concordou ele.

— Então você é um tipo de soldado do Inferno, não é? E, portanto, a sua presença nesta cidade, matando essas pessoas, não faz o menor sentido. — prosseguiu Sam, por um lado realmente querendo entender aquilo, mas por outro, apenas porque precisava aprofundar a conversa e distrair o demônio pelo máximo de tempo possível.

— Mesmo um soldado tem direito a uma folga de vez em quando, você não acha? — retrucou ele. — Direito a um pouco de diversão.

— Diversão? — repetiu Sam enojado.

Após uma longa pausa observando o caçador com certa desconfiança, o demônio anunciou:

— Sabe, eu acho que já que a Claire me libertou, ela devia participar desta conversa. Talvez tenha sido um erro prendê-la no porão. Uma grosseria da minha parte. Por isso, eu vou buscá-la agora mesmo.

— Espera! — gritou Sam, quando o demônio fez menção de se afastar.

— Não se preocupe, eu prometo que vou tratá-la com gentileza desta vez. Talvez... A trazendo arrastada pelos cabelos. O que você acha? — falou o demônio, enquanto dava alguns passos em direção ao corredor.

Desesperado, Sam esbravejou:

— Se você machucá-la, se você encostar um dedo sequer na Claire, terá sérios problemas com o seu chefe!

Esta afirmação fez o demônio deter o passo. Em seguida, ele girou nos calcanhares, sorriu e indagou incrédulo:

— Sério?

— O Crowley trouxe a Claire de volta da morte, ele fez um acordo com a Mia por causa disso. — lembrou o caçador. — O que você acha que ele vai fazer se você...

Sam não conseguiu terminar a frase, não queria dizer uma certa palavra, não conseguia conceber a ideia de que Claire morresse de novo.

— Que se dane o Crowley. — resmungou o demônio, fazendo o caçador franzir o cenho confuso. — Eu não estou de folga, Sam, eu simplesmente desertei. — revelou. — Exato. Receber ordens do verme do Crowley, matar anjos por aí em nome dele é tão... Injusto. Eu não aguentava mais ser o soldadinho de chumbo dele. Claro que não foi fácil burlar o poder da Primeira Espada, mas, depois de algumas tentativas, eu finalmente consegui me libertar do bando. Então a primeira coisa que eu fiz foi procurar um corpo para possuir. Por falar nisso, você gostou da minha escolha? — depois de erguer um pouco as mãos, chamando a atenção para si mesmo, ele continuou: — Primeiro a Abaddon, depois o Crowley, os dois nos contaram tudo sobre Sam e Dean Winchester. Então, em homenagem àquele pobre agente federal que morreu nas mãos da Lilith por causa de vocês, eu resolvi possuir o delegado Richard Henriksen. Era eu o tempo todo. Mais cedo, lembra? Quando eu encontrei você e a Claire lá fora. Eu decidi usar meus dons cênicos. Você acha que eu fui convincente?

— Você sabia que eu vinha? — estranhou Sam, enquanto tentava assimilar tudo o que tinha ouvido.

— Eu sabia que era questão de tempo. Mas eu confesso que fiquei impressionado com a rapidez com que vocês vieram. Eu só estava começando o estrago nesta cidade e agora terei que parar um pouco para cuidar especialmente de você e da Claire. — disse o demônio em um tom cheio de ameaças implícitas. — Por falar na Claire... Eu vou buscá-la. — anunciou, dando as costas para o caçador mais uma vez e se afastando.

— Espera! — pediu o Winchester, tentando a todo custo se desprender daquela força que o mantinha imobilizado, sentado no chão com as costas contra a estante, ao mesmo tempo em que tentava pensar em algo para dizer e conseguir a atenção do demônio de novo.

— Não se mexa, Sam. Eu volto logo. — orientou o demônio, sumindo do alcance de visão do caçador.

Desesperadamente, Sam fez justamente o contrário e tentou se mexer para pegar a faca da Ruby em sua cintura. À medida que o demônio se afastava ainda mais parecia que aquela força maligna perdia um pouco da influência sobre o corpo de Sam, mas, mesmo assim, tudo o que ele conseguiu foi mover os dedos alguns milímetros.

— Se você machucá-la, eu juro que acabo com você! — ameaçou o caçador aos berros, fazendo o demônio dar um meio sorriso enquanto seguia pelo corredor em direção ao porão.

— Você acabaria comigo se pudesse fazer isso, Sam. Mas, convenhamos, você está em desvantagem aqui. — retrucou ele num tom alto de voz que o Winchester pudesse ouvir da sala.

XXX

Sam continuou tentando se mexer enquanto o demônio fazia a maçaneta da porta girar lentamente. Em seguida, a abriu de uma forma abrupta, fazendo com que ela batesse na parede interna violentamente. Então o demônio deu alguns passos, parando no topo da escada e estreitou o olhar na direção do porão.

— Claire... — cantarolou ele de um jeito intimidador. — Claire... — diante do silêncio, e como de onde estava não conseguia ver a caçadora, ele começou a descer os degraus sem pressa, olhando tudo em volta e prosseguiu: — Vamos lá, Claire. Você, eu e o Sam temos uma longa conversa pela frente. — após descer mais alguns degraus, ele indagou com cinismo: — Você não está chateada comigo, está? Por eu ter te arrastado até aqui? Você se machucou? Claire... Eu sinto muito. Eu não queria ter te tratado daquela forma. Me desculpe?

Finalmente o demônio terminou de descer a escada e avistou Claire. Ela estava em cima de um banquinho, tentando desesperadamente abrir uma pequena janela no alto de uma das paredes.

— Oh... Aí está você. — disse ele, dando alguns passos à frente.

— Fica longe de mim! — gritou a morena visivelmente assustada e desesperada.

O demônio parou e a observou tentando remover uma grade de proteção. E então ele disse:

— Uma coisa eu tenho que admitir. Você é uma guerreira, Claire. E muito otimista porque... Convenhamos, mesmo que você consiga remover esta grade, não vai conseguir passar por esta abertura. É pequena demais. — diante da insistência irracional da caçadora, que continuou tentando puxar uma das grades para cima, ele questionou: — Tudo bem, digamos que você consiga a proeza de passar por ela, mas e então? O que você vai fazer, querida? Fugir? Deixar o pobre Sam para trás? Neste caso, matá-lo talvez seja até um favor que eu vou fazer porque ele vai ficar arrasado quando souber que você o largou à própria sorte. — após uma breve pausa, o demônio cogitou: — Ou talvez você não esteja pensando em fugir, mas sim em chegar até o carro e pegar alguma arma, água benta... Uma cola do ritual de exorcismo.

— Eu sei ele de cór. — esclareceu Claire, parando o que estava fazendo e olhando para o demônio pela primeira vez desde que ele entrou ali. — Exorcizamus te, omnis immundus spiritus, — começou a dizer ela numa tentativa desesperada de exorcizá-lo, e mesmo sabendo que como ele não estava preso, ela não iria muito longe com aquilo, Claire continuou pronunciando as palavras do ritual veementemente: — Omnis satanica potestas, omnis incursio infernalis adversarii...

— Já chega! — esbravejou o demônio, causando um sobressalto na caçadora. — Poupe o latim, querida. Ele não funciona comigo. — revelou ele mais calmo, deixando Claire confusa. — Eu não sou um demônio como os outros. — explicou.

A morena estreitou o olhar na direção dele, franzindo o cenho, e questionou:

— Quem é você?

— Oh... Você não lembra de mim? — rebateu fazendo-se de ofendido. — Tudo bem, eu entendo. Mas, embora você não se lembre de mim, eu me lembro muito bem de você, Claire. — após uma pausa, torturando a caçadora com aquele suspense, o demônio contou: — Há um ano, Lawrence, Kansas. Belial e Abaddon te atraíram para um galpão abandonado, no meio do nada, e te usaram em um ritual. Um ritual que me libertou. Não só a mim, mas... Um exército inteiro de demônios como eu. Você se lembra agora?

Claire engoliu em seco e sentiu um aperto enorme em seu peito. Por um momento, achou que aquilo era uma grande mentira, não a parte de ter libertado um exército de demônios, mas sim a parte em que um daqueles soldados estava ali, naquela cidade, na sua frente, quando ele deveria estar com os outros demônios, sob o controle de Crowley, que possuía a Primeira Espada.

O Rei do Inferno usava o seu exército contra os aliados de Metatron, portanto, não fazia o menor sentido aquele demônio sozinho, naquele lugar, tirando a vida de pessoas que não tinham nada a ver com a guerra entre Céu e Inferno. As mortes daqueles quatro adolescentes não pareciam ter sido ordenadas por Crowley. Ele era um demônio também, é verdade, mas, geralmente, só tirava vidas com algum propósito. Não havia qualquer propósito naquelas mortes, apenas crueldade extrema.

A culpa começou a consumir Claire por dentro e, percebendo isso, o demônio provocou:

— Eu sei o que você está pensando. Que se não tivesse sido burra o suficiente para ir até aquele galpão e, com isso, sido uma peça chave na libertação do exército, aqueles jovens patéticos ainda estariam vivos. Pois é, Claire... Infelizmente, você terá que carregar estas mortes na sua consciência.

A morena comprimiu os lábios, tentando controlar a vontade de chorar. Sua visão ficou embaçada quando os seus olhos encheram-se de lágrimas. O demônio a fitou com satisfação por alguns instantes, antes que ela conseguisse se recompor, respirasse fundo com uma raiva intensa e voltasse a se concentrar na janela.

— Vamos lá, Claire, eu não tenho a noite inteira. — recomeçou o demônio. — Você sabe que este esforço todo é em vão. Nem você, nem o pobre Sam, vão a lugar algum. É aqui que acaba a história de vocês, nesta cidade, nesta casa. Mesmo assim, eu prometi para ele que te trataria com gentileza desta vez, então não abuse da minha paciência porque eu posso muito bem mudar de opinião.

Claire não só ignorou as palavras ditas pelo demônio, como aumentou a força dos movimentos na grade. A caçadora precisava que ele acreditasse que ela estava realmente tentando sair do porão, precisava que ele chegasse mais perto, que tentasse impedí-la. Então, depois de envolver uma das mãos com a manga da jaqueta, ela golpeou o vidro da janela, fazendo cacos se espalharem por toda a parte e o barulho ecoar pelo porão e chegar aos ouvidos de Sam, na sala.

— Claire! — gritou o caçador, ainda mais aflito enquanto continuava tentando se mover, seus dedos quase alcançando a faca da Ruby.

— Eu estou bem! — gritou ela de volta, já que agora não era mais essencial que o demônio pensasse que ela estava ferida e desacordada, afinal ele já estava ali mesmo, comprovando o contrário.

Além disso, Claire já havia feito o que tinha que fazer. Na verdade, o que conseguiu fazer com o pouco tempo em que esteve sozinha no porão. Por cima do ombro, ela olhou de relance para algumas latas de tinta no canto do lugar, bem como para um armário. Instantes antes da porta do porão se abrir, ela havia empurrado um pincel com o pé para debaixo dele. Sua jaqueta tinha alguns respingos de tinta fresca na parte da frente.

— Eu estou pendendo a minha paciência, Claire. — alertou o demônio. — Desça logo daí ou eu mesmo farei você descer.

Ele esperou alguns instantes, mas a caçadora não deu qualquer indício de que tinha a intenção de obedecê-lo.

— Tudo bem, do jeito difícil então. — insinuou ele antes de mover a mão, fazendo Claire sentir o seu corpo se mover um pouco.

— Não! — gritou ela, agarrando-se na grade e lutando para permanecer exatamente onde estava. — Me deixe em paz! Não! — gritou novamente, mantendo-se firme.

— Claire! — chamou Sam do andar superior, enquanto o demônio fitava a caçadora visivelmente intrigado.

— Como eu disse, uma guerreira. — observou ele antes de abaixar a mão. — Mas, infelizmente, esta luta é em vão, Claire. — disse, dando alguns passos à frente, decidido a pegá-la de qualquer jeito e levá-la para o andar de cima, provavelmente como disse para Sam, a arrastando pelos cabelos. — Fim da linha, querida... — acrescentou, dando mais um passo.

No entanto, quando ele tentou dar o próximo passo, algo o impediu de sair do lugar. Confuso, o demônio tentou novamente, sem sucesso.

No andar superior, Sam finalmente conseguiu se mexer. A força que o mantinha preso dissipou-se misteriosamente e então ele levantou apressado, correu na direção do porão, já com a faca da Ruby em mãos, chamando por Claire.

A morena, por sua vez, soltou a grade da janela e, lentamente, virou-se na direção do demônio, que naquele momento olhava para o chão a sua volta, procurando pela Chave de Salomão. Não havia nada ali além do assoalho de madeira e alguns respingos de tinta.

Então, ele olhou para Claire, que lhe lançou um olhar de satisfação e disse:

— Você pensa que é diferente, mas, na verdade, é exatamente como os outros demônios. Burro, estúpido e previsível.

XXX

O demônio a fitou com ódio e, sem se intimidar com isso, Claire indicou algo acima dele. O demônio seguiu o dedo da caçadora e observou a Chave de Salomão pintada com tinta preta no teto do porão, bem em cima da cabeça dele.

— Claire! — gritou Sam, descendo as escadas e fazendo a caçadora relaxar ao ver que ele não estava ferido.

— Sam... — murmurou ela aliviada, descendo do banquinho e indo ao encontro dele a passos largos.

— Você está bem. — era mais uma afirmação do caçador do que uma pergunta, mas mesmo assim, Claire assentiu com um meneio de cabeça antes de abraçá-lo.

Ela sentiu o seu corpo inteiro ainda mais dolorido e em seguida, se desvencilhou do abraço cautelosamente. Sam passou as mãos pelo rosto de Claire, para se certificar de que ela estava realmente bem. E foi então que o Winchester viu algo em seu olhar que não gostou. Era uma mistura de culpa, dor e sofrimento.

Provavelmente, o demônio já havia revelado o que era de fato e mexido com a cabeça de Claire, a fazendo se sentir culpada pela morte dos quatro adolescentes.

Sam decidiu que lidaria com aquela questão depois, primeiro ele tinha que entender o que estava acontecendo exatamente e, para isso, olhou para o demônio e depois para o teto acima dele. Viu a Chave de Salomão, visivelmente pintada às pressas, e então voltou-se para Claire, esperando uma explicação.

— Eu encontrei tinta e alguns pinceis. — disse ela, indicando o canto do porão onde as latas estavam.

Apesar do momento tenso, Sam conseguiu esboçar um sorriso de satisfação e orgulho. Claire tinha tido muito sangue frio para fazer aquela armadilha no meio daquela situação toda.

— Infelizmente, isso não vai funcionar. — avisou o demônio, fazendo o casal olhar em sua direção. — O ritual de exorcismo não funciona comigo. O que leva vocês a pensarem que esta armadilha vai?

— Já está funcionando. Você está preso nela. — observou Sam.

— Não por muito tempo. — insinuou o demônio, fazendo o casal se entreolhar com certa apreensão. — Então, seja lá o que vocês estiverem pensando em fazer é bom que façam logo. Eu não quero ser vocês quando eu conseguir sair daqui.

Dito isso, o demônio olhou para cima e o teto estremeceu um pouco, fazendo uma camada de poeira cair sobre ele e uma discreta rachadura surgir próxima da Chave de Salomão.

Tenso, Sam segurou a faca da Ruby com mais força e deu um passo à frente, decidido a colocar um fim naquele caso de uma vez por todas. No entanto, Claire segurou em seu braço, o obrigando a parar e olhar para ela.

— O que você está fazendo? — questionou a caçadora. — Essa faca não funciona com este tipo de demônio.

— Não há nada que prove isso. — argumentou o Winchester.

— Nem que prove o contrário. — contrapôs a morena. — E mesmo que ela funcione, nós não podemos matá-lo assim, Sam. Tem um pessoa inocente ali dentro. Nós temos que salvar o delegado.

— Infelizmente, nós não podemos, Claire. — lamentou ele. — O ritual de exorcismo não funciona com os demônios do exército. Além disso, há uma grande chance do Richard já estar morto.

— Será? — indagou o demônio, fazendo aquela dúvida torturar o casal, especialmente Claire que não queria carregar o peso de mais uma morte. — Bem, eu tenho que dizer que não é nada agradável para o Richard estar possuído por mim. Eu acho que é como estar em uma fogueira, queimando constantemente, sem poder se mexer ou fugir das chamas. Mas, pelo menos, ele parou de gritar na minha cabeça. Agora se isso significa que ele morreu, eu já não sei. Talvez ele esteja apenas... Em choque.

Claire sentiu aquele aperto em seu peito se intensificar. Percebendo isso, Sam articulou:

— Ele está blefando, Claire. Eu vi mais pessoas possuídas do que você, acredite. E quase nunca elas sobrevivem. E este demônio é ainda mais letal do que os demônios comuns. Richard Henriksen está morto.

Claire desviou do olhar de Sam e fitou o demônio. Ele a encarava de volta com um sorriso maligno, visivelmente satisfeito por ter conseguido desestabilizá-la.

— Não. Tem que haver outro jeito. — disse a morena firmemente, querendo muito acreditar nas próprias palavras.

— Claire... A nossa melhor chance é esta faca. — insistiu Sam.

Como se não tivesse o ouvido, ela lembrou:

— Tem água benta e sal no carro.

— Humm... Tortura. — deduziu o demônio. — Já que vocês não podem me mandar de volta para o Inferno e não concordam em testar essa faca, que provavelmente só vai me fazer cócegas, então querem me obrigar a deixar este corpo. É uma estratégia interessante, eu reconheço, e talvez até funcione, mas eu me sinto obrigado a dizer três coisas. Primeiro, se o Richard estiver vivo, isso será muito, muito desconfortável para ele. Segundo, quando eu sair deste corpo, se eu sair, a primeira coisa que eu vou fazer é procurar outro corpo para possuir. E terceiro, em posse de outro corpo, eu vou matar bem mais do que quatro adolescentes patéticos. — e olhando especificamente para Claire, completou: — E você terá que lidar com mais culpa, querida. Você está pronta para isso?

Claire engoliu em seco. Não, definitivamente, ela não estava pronta para aquilo. Seus pensamentos estavam a mil por hora. Os dois planos — torturar ou matar — traziam implicações horríveis. Era a vida de Richard ou a vida de mais pessoas inocentes.

Os dois planos também geravam perguntas sem respostas certas. Richard estava vivo? A faca da Ruby iria funcionar? Como Claire e Sam iriam lidar com aquela caçada e com aquele demônio? Como Claire iria lidar com aquela culpa? Ela tinha culpa?

De repente, a morena entendeu uma coisa. Levantando aquelas questões, aquele demônio estava tentando fazer o mesmo que ela momentos antes: ganhando tempo, distraindo não só ela, como Sam também.

Rapidamente, Claire olhou para o teto. A rachadura havia aumentado. Continuava aumentando, quase silenciosamente, mas fazendo uma nova camada de poeira cair sobre o chão.

Sendo assim, não havia outra alternativa. Não havia tempo para resolver aquele impasse, não havia tempo para pensar em um plano melhor e mais justo. E foi exatamente por tudo isso que Claire se ouviu gritando:

— Sam, faça!

Sem pestanejar, o caçador empunhou a faca com firmeza e deu um passo cauteloso em direção à armadilha ao mesmo tempo em que a rachadura no teto se expandia mais, até cortar um trecho da Chave de Salomão, libertando o demônio, que empurrou Sam para o outro lado do porão e partiu para cima de Claire no mesmo instante, a derrubando no chão violentamente.

Antes que Claire pudesse se levantar, ele posicionou-se sobre ela. Suas mãos cravaram-se no pescoço da caçadora, a deixando sem ar... Seus dedos se estreitaram ainda mais...

Notas finais
Este finalzinho é meio inspirado no filme A Esperança - Parte 1 (spoiler: aquela parte em que o Peeta quase mata a Katniss estrangulada. Tenso. Por isso eu amo este casal.) Well, o próximo capítulo vai começar exatamente daí e depois teremos outras coisinhas, personagens e afins. Coisinhas que eu gostei de abordar neste capítulo: explorar a culpa que a Claire sente, mostrar que ela aprendeu direitinho os paranauês de caçada com o seu professor Sammy, afinal, ela teve muito sangue frio mesmo e foi profissional, mostrar a sintonia do casal, com os dois tentando ganhar tempo, tanto para protegerem o outro, como para pensarem em um plano, e o final. Me julgue, mas eu amo finais agoniantes kkkkkkk Enfim, sábado tem mais! Ah! E para quem ainda não viu, eu comecei a postar a continuação de O Caso do Slender Man! Chama-se Nunca Durma... Bjs! Reviews?