Heaven and Hell

13 A Missão - Parte 1


Notas iniciais
Oi, gente!!! Seguinte, o capítulo tem este nome porque nele veremos o começo da missão para recuperar a Tábua dos Anjos. Se o povo vai conseguir mesmo esta proeza, isso eu já não sei. Muaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhh No capítulo também teremos algumas discussõezinhas básicas sobre a graça do Cas, que sim... Está mesmo no inferno. Muaahhhhhhhhhhhhh Ah! Capítulo cheio de ação e eu tenho dificuldade para escrever ação, então muita calma nesta hora, ok? kkkkkkkkkkkk Lá vai!

Antes

Um tanto confuso, Sam olhou para a combinação dos números 4, 8, 15, 16, 23 e 42, que tinha se formado no recipiente de bronze, ao final do ritual para localizar a graça de Castiel, franziu o cenho e questionou:

— São coordenadas?

— Eu nunca vi coordenadas assim. — estranhou Dean. — Pelo menos não na Terra.

Em seguida, os dois fitaram Castiel que parecia ter entendido o que aqueles números significavam. Quando os caçadores iam perguntar que tipo de coordenada era aquela, o anjo esclareceu:

— É porque elas não indicam um lugar na Terra.

Sam e Dean se entreolharam ainda mais confusos e o mais velho indagou:

— Cas, onde está a sua graça?

Um tanto desapontado, o anjo colocou o recipiente sobre o altar improvisado e respondeu:

— No Inferno.

Agora

Sam e Dean encaravam Castiel sem saber se tinham entendido direito o que o anjo havia falado. Não conseguiam acreditar que aquilo era mesmo verdade.

Por fim, os irmãos se entreolharam, visivelmente atordoados com aquela revelação, enquanto o silêncio tornava-se cada vez mais absoluto na antiga cripta da igreja, onde os três se encontravam.

Até que algum tempo depois, Sam finalmente conseguiu perguntar:

— Como assim no inferno?

Sem tirar os olhos do recipiente de bronze, Castiel respondeu:

— O Metatron escondeu a minha graça no Inferno.

— Ok, mas então como nós a pegamos de volta? — quis saber Dean.

Castiel olhou para ele e para Sam e respondeu:

— Nós não pegamos. — e após uma breve pausa, acrescentou: — Ele a escondeu no Inferno porque sabia que assim eu não conseguiria recuperá-la. Eu era humano na época e agora tenho uma graça que não vai durar por muito tempo. Eu estou ficando cada vez mais fraco, não chegaria nem perto do lugar que essas coordenadas indicam. Eu não posso ir até o Inferno. — ao notar algo no semblante dos caçadores, ele ressaltou: — E nem vocês.

— Nós podemos fazer isso. — assegurou Sam.

— E vamos. — afirmou Dean.

— Não. — discordou Castiel de um jeito firme, estreitando o olhar na direção dos dois. — Vocês são humanos. Podem achar que são capazes de fazer isso porque já foram ao Inferno algumas vezes e voltaram, mas vocês tiveram sorte. Não significa que teriam sorte desta vez. É arriscado e eu não vou permitir que vocês se sacrifiquem por minha causa, entenderam?

Sam respirou fundo e colocou as mãos nos bolsos da jaqueta que usava antes de dizer:

— Então nós vamos ter que pensar em outra coisa. Tem que haver outro jeito de resolver isso. — e como o anjo não se pronunciou, ele perguntou: — Alguma sugestão?

Castiel desviou o olhar e pareceu se distanciar completamente daquele lugar e daquela conversa. Era como se ele buscasse uma resposta para a pergunta de Sam, mas se desse conta de que não existia uma solução.

— Cas. — chamou Dean, fazendo o anjo voltar a olhar para ele e para Sam.

— Eu sugiro... — começou o anjo, mas hesitou em seguida. Depois ele olhou para todos os itens sobre o altar improvisado sobre um dos túmulos e completou: — Arrumar essas coisas e irmos embora daqui antes que alguém apareça.

Então o anjo começou a apagar as velas e arrumar as outras coisas para que deixassem o lugar.

Insatisfeito com o desfecho daquela conversa, Dean falou:

— Cas, você não vai morrer. Não vai. Você me entendeu?

Depois de pegar todas as coisas sobre o altar, o anjo parou diante dos dois e disse:

— Eu só espero que a Mia tenha mais sorte e consiga voltar com a Tábua dos Anjos. Aliás, eu acho que é nisso que nós temos que nos concentrar agora. Em trazer o Kevin para traduzir o artefato, em nos prepararmos para os possíveis testes que a tradução revelar...

— Se você não estiver inteiro e bem até lá, como que espera nos ajudar com os testes para reverter a queda dos anjos? — quis entender Dean.

O silêncio de Castiel soou como uma resposta. Uma resposta que nem Dean nem Sam aprovaram. Mas o que eles não sabiam é que somente naquele momento Castiel se deu conta do que havia dito. E se deu conta de que realmente não fazia sentido.

Não fazia sentido pensar no futuro se a única certeza que o anjo tinha era de que o seu estava com os dias contados.

Castiel não tinha como recuperar a sua graça e a que se encontrava em seu receptáculo estava perdendo a força dia após dia. E quando ela finalmente se esgotasse, o anjo iria desaparecer junto com ela. Ele ia morrer junto com ela.

Dean estava certo. Provavelmente, ele não estaria ali para ajudá-los a reverter o feitiço da queda dos anjos.

Depois de pensar sobre essas coisas, Castiel voltou a olhar para os caçadores e encerrou:

— Vamos embora daqui.

Antes que os irmãos dissessem qualquer coisa, o anjo passou por eles e saiu da cripta. Sam e Dean se entreolharam visivelmente preocupados e inconformados antes de fazerem o mesmo.

Dias depois

Era madrugada e o Camaro de Natalie estava parado perto da Biblioteca do Congresso.

A loira, Claire, Mia e Bobby tinham chegado em Washington D.C. no final daquela tarde, mas conforme orientações de Chloe, esperaram até de madrugada para se dirigirem até o prédio, já que o nível de segurança diminuía consideravelmente e isso poderia facilitar a entrada deles.

De dentro do carro, os quatro observavam a edificação imponente diante deles. O prédio ocupava uma enorme área equivalente a três quarteirões. Não era muito alto, tinha três andares, mas uma cúpula que ficava no centro da edificação se erguia mais alguns metros acima. O local era chamado de Torre de Leitura e, assim como o telhado, tinha uma tonalidade azul claro.

Havia ainda uma enorme e bonita escadaria na frente do prédio que levava a sua entrada, mas que estava fechada àquela hora.

Era impossível não ficar estupefato diante da grandiosidade arquitetônica da Biblioteca do Congresso. E ao mesmo tempo, era impossível não reconhecer que seria muito complicado entrar ali, procurar pela Tábua dos Anjos e depois conseguir sair com o artefato.

— Não querendo ser pessimista, mas... — começou Bobby enquanto observava aquele cenário intimidador.

— Eu vou ligar para a Chloe. — anunciou Mia o interrompendo, pois já sabia o que ele ia perguntar. Assim que a hacker atendeu, Mia colocou no viva-voz e despejou: — Chloe, por favor, me diga que você encontrou uma forma de nos colocar dentro daquele prédio.

Do outro lado, a hacker estava em uma lanchonete, sentada à mesa. Kevin estava na sua frente. Havia duas xícaras sobre a mesa, onde os dois tinham tomado café momentos antes.

Enquanto observava uma planta da Biblioteca do Congresso e acessava o sistema de segurança do prédio pelo notebook, Chloe respondeu:

— Ok, vamos lá... Para começar, eu vou acionar o alarme do Pavilhão Norte, isso vai distrair a segurança e atraí-los até lá. Então vocês poderão entrar pelo Pavilhão Sul. Tem uma entrada que foi desativada há alguns anos, vocês vão até lá, eu destravo as trancas eletrônicas da porta, vocês entram. Não se preocupem, eu vou desligar os alarmes desta área para que vocês não tenham problemas. Muito bem, passando por essa entrada, vocês vão ver um longo corredor. Sigam por ele, termina em uma escada. Desçam até verem um portão. Mas esse vocês terão que abrir, ele é antigo, deve ter cadeados. Passando por ele, vocês estarão no subsolo do prédio, onde era a antiga igreja. É uma área relativamente grande com duas salas enormes onde algumas relíquias da igreja foram guardadas. A Tábua dos Anjos deve estar em uma dessas salas. Vocês terão que se dividir, encontrá-la e saírem do prédio em no máximo dez minutos. Se alguma coisa der errado, eu posso conseguir mais algum tempo acionando outros alarmes pelo prédio para distrair a segurança, mas por favor... Façam isso dar certo. Eu não quero que vocês se machuquem ou que sejam presos. Eu vou desligar as câmeras de segurança, mas se algum vigia ou segurança aparecer, encontrar vocês, eu...

— Chloe. — interrompeu Mia. E depois de ouvir a garota respirando profundamente do outro lado, devido à ansiedade que sentia, ela completou: — Obrigada. Você é demais.

A estudante sorriu mais relaxada e desejou:

— Boa sorte. — e depois orientou: — Aconteça o que acontecer, fique na linha.

— Ok. — respondeu Mia. Em seguida, ela tirou a chamada do viva-voz, colocou um fone no aparelho, colocou um dos fones no ouvido e guardou o celular no bolso da jaqueta. — A hora é agora. — disse olhando para Bobby, Natalie e Claire que, assim como ela, tinham ouvido todas as orientações atentamente e estavam um tanto apreensivos e ansiosos, assim como ela.

Instantes depois, os quatro saíram do Camaro. Bobby carregando uma mochila com algumas armas, lanternas e ferramentas para abrir os cadeados. Natalie, Claire e Mia com bolsas menores, a tiracolo, mas onde também tinham algumas armas carregadas com balas contra anjos, além de outros tipos de projéteis que elas esperavam não utilizar.

Os quatro caminharam em silêncio até o prédio e minutos depois pararam em frente a entrada do Pavilhão Sul.

Bobby abriu a mochila e entregou uma lanterna para cada uma das garotas. Depois pegou uma para si próprio. Os quatro pegaram suas armas, as checaram e as prenderam em seus coldres. Se entreolharam apreensivos.

Instantes depois, Mia aproximou da boca uma parte específica do fio do fone de ouvido, que funcionava como um microfone, e disse:

— Chloe, pode começar.

A hacker olhou para Kevin por cima da tela do notebook e ele sorriu levemente para ela, tentando tranquilizá-la. Então a garota respirou fundo, colocou um fone no celular e depois em um dos ouvidos e começou a digitar algo rapidamente no notebook, enquanto algumas janelas iam aparecendo na tela.

Chloe digitava códigos em cada uma delas até que Bobby e as três caçadoras ouviram um alarme soar ao longe. Do lado oposto de onde eles estavam. Isso porque Chloe tinha acionado os alarmes do Pavilhão Norte. Aquele era o primeiro passo do plano.

— Eu vou liberar a entrada, mas esperem um pouco até a segurança se deslocar para o outro lado do prédio. Não se preocupem, eu aviso quando isso tiver acontecido. — orientou Chloe enquanto observava, em uma das janelas, imagens dos seguranças correndo por corredores na direção do Pavilhão Norte, e digitava novos códigos para destravar a porta que serviria de entrada para Bobby e para as meninas e também desligava os alarmes daquela região.

Logo a porta foi destravada e poucos minutos depois, após se certificar de que não havia seguranças naquela área, Chloe avisou:

— Pronto, podem ir.

Ao ouvir aquilo, Mia fez um sinal para Bobby que empurrou a porta com cuidado, iluminando o interior do prédio com a luz da lanterna. Ele entrou e Mia, Claire e Natalie vieram logo atrás, também segurando suas lanternas.

Chloe congelou as filmagens das câmeras de segurança daquela área, para não chamar a atenção de seguranças que poderiam estar assistindo de outros pontos do prédio. Assim, as imagens, que não diziam absolutamente nada, se repetiam como se estivessem em tempo real. A única desvantagem era que a hacker não tinha encontrado uma forma assistir o que realmente acontecia no lugar. Não teve muito tempo para pensar e elaborar cada parte daquele plano.

Bobby, Mia, Claire e Natalie caminharam rápido, porém com muito cuidado para não fazerem barulho, pelo corredor que Chloe havia mencionado.

Algum tempo depois, eles chegaram no final dele e desceram alguns lances de escada. Encontraram o portão antigo e com muita cautela e agilidade, Bobby conseguiu se livrar dos cadeados usando uma das ferramentas que tinha trazido consigo.

Enquanto o caçador abria o portão, Mia disse para Chloe:

— Tudo certo até aqui.

Depois de entrarem de fato no subsolo do prédio, que era um saguão enorme, mal iluminado e com várias pilastras que no passado sustentavam a igreja que funcionava acima dali, os quatro se dividiram em duplas.

Natalie e Bobby caminharam até uma sala que havia a alguns metros da entrada, e Mia e Claire caminharam até o final daquela área, onde havia outra sala.

As duas salas estavam fechadas, porém nenhum deles teve muita dificuldade para abrí-las. Bobby fez isso com outra ferramenta e Claire abriu a outra com uma ferramenta semelhante que tinha pegado com o pai, antes deles se dividirem.

Ao entrarem nas salas e as iluminarem com as lanternas, tanto Bobby e Natalie, como Mia e Claire se depararam com cenários desanimadores. Isso porque havia dezenas de caixas de papelão empilhadas nos dois locais.

— Nada awesome... — resmungou Natalie passando os olhos por todas aquelas caixas.

Na outra sala, Mia disse baixinho:

— Droga...

Mesmo assim, Chloe ouviu e perguntou:

— O que foi?

— Acho que nós vamos precisar de mais do que dez minutos. — previu Mia enquanto olhava para Claire ao seu lado.

— Me mantenha informada e eu vejo o que posso fazer. — orientou Chloe.

— Ok. — respondeu Mia.

Então ela e Claire foram para lados opostos da sala e começaram a abrir caixa por caixa, procurando pela Tábua dos Anjos, assim como Bobby e Natalie na outra sala.

Os minutos foram se passando e tudo o que os quatro encontraram foram várias estátuas de santos e anjos, além de alguns cálices, que tinham pertencido a antiga igreja que um dia funcionou ali.

Quando estava quase convencida de que Metatron não tinha escondido o artefato naquele prédio, Mia abriu mais uma caixa e afastou uma espécie de palha que protegia algo em seu interior. Seu rosto se iluminou ao reconhecer a Tábua dos Anjos.

Automaticamente, ela se lembrou de quando entregou o artefato para Metatron, há alguns meses, e que em troca, ele deveria ter lhe entregado a graça de Castiel. Mas então o desgraçado fugiu com a Tábua dos Anjos e Mia acabou sendo encontrada por aliados de Bartholomew, que a prenderam e a torturaram.

Naquela época, Mia tinha caído em uma armadilha de Metatron. E por isso, agora ela estava profundamente emocionada por ter recuperado o artefato. Finalmente, ela tinha a chance de consertar o seu erro. O erro de ter confiado em Metatron.

— Achei. — avisou ela, fazendo Claire caminhar em sua direção e olhar para o interior da caixa.

As duas sorriram aliviadas e se entreolharam antes de Mia aproximar o fio do celular da boca e dizer:

— Chloe, acho que nós não vamos precisar de mais tempo.

A hacker respirou aliviada entendendo o que aquilo significava, mas em seguida olhou um movimento um tanto suspeito em uma das imagens das câmeras de segurança, que aparecia em seu notebook sobre a mesa.

A filmagem, da área onde as imagens não tinham sido congeladas pela hacker, mostrava um segurança, apenas um, caminhando apressadamente para o Pavilhão Sul, enquanto o resto da segurança desligava os alarmes que tinham soado no Pavilhão Norte minutos antes.

— Vocês precisam sair daí. — avisou Chloe tensa. — Agora. — reforçou.

— Por quê? — estranhou Mia, sem entender por que a estudante tinha dito aquilo com tanta urgência.

O que nenhuma delas sabia era que aquele segurança era também uma Testemunha de Jeová, que tinha ficado encarregado de vigiar a Tábua dos Anjos a pedido de Metatron.

Quando Chloe acionou os alarmes do Pavilhão Norte, ele havia se deslocado até lá com os demais seguranças. Mas ao perceber que não havia nenhum invasor naquela área, ele deduziu que tratava-se de uma armadilha, uma distração, um plano para enganá-lo e afastá-lo da área onde o artefato estava. Alguém tinha descoberto onde a Tábua dos Anjos estava e agora pretendia roubá-la. E ele não podia deixar isso acontecer.

Pensando nisso, o homem começou a rezar para Metatron ao mesmo tempo em que corria para o Pavilhão Sul. Quando se aproximou da região, ele sumiu das filmagens porque as câmeras estavam repetindo imagens de minutos antes.

— Nós temos um problema. Tem um segurança... Eu acho que ele está indo para aí. — disse Chloe enquanto Mia pegava a Tábua dos Anjos e saía daquela sala acompanhada por Claire.

— Nós já estamos saindo. — respondeu Mia apressando o passo, enquanto Kevin dava a volta na mesa e sentava ao lado da namorada, para acompanhar o que ela estava vendo no notebook.

Sem se importar mais com a questão de não fazer barulho, Claire gritou:

— Pai! Naty! Achamos! Nós temos que ir embora daqui agora!

Logo Bobby e Natalie deixaram a outra sala, olharam para Mia e Claire a alguns metrôs deles e, deduzindo que algum imprevisto tinha acontecido, os dois correram em direção ao portão, por onde haviam entrado momentos antes. Natalie e Bobby saíram por ele e começaram a subir a escada, alcançaram o corredor e seguiram por ele, enquanto Mia e Claire continuavam se movimentando no subsolo.

A clarividente se distanciou um pouco mais e quando estava quase alcançando o portão, viu que alguém estava vindo no sentido oposto, descendo a escada apressadamente.

Mia deteve o passo ao reconhecer a figura de um segurança. Ele empunhou uma arma na direção dela, fazendo Mia dar alguns passos para trás e Claire parar a aproximadamente dois metros dela, enquanto ele terminava de descer a escada.

Claire não pretendia machucar o segurança, mas colocou a mão na cintura, procurando a sua arma para quem sabe assim intimidá-lo e conseguir sair dali. Mas ao perceber aquele movimento, o segurança apontou a arma na direção de Claire e ordenou severamente:

— Não se mexa!

— Mia?! O que está acontecendo aí? — preocupou-se Chloe ouvindo alguns ruídos na ligação, ao mesmo tempo em que religava o circuito de câmeras do Pavilhão Sul, querendo entender o que estava acontecendo por lá.

Mia percebeu que a ligação havia caído enquanto encarava o segurança tomada pela apreensão daquele momento.

— Devagar, bem devagar, eu quero que as duas tirem as bolsas e coloquem-as no chão. — orientou o segurança.

Mia e Claire obedeceram e tiraram as bolsas que traziam a tiracolo e nas quais tinham guardado algumas armas.

Depois que as garotas colocaram as bolsas no chão, o segurança pediu:

— Agora empurrem elas para mim.

Mais uma vez, Claire e Mia obedeceram. Elas empurraram as bolsas com os pés e depois observaram o segurança se aproximando para pegá-las com muita cautela.

O homem colocou as bolsas perto de si, enquanto mantinha a arma empunhada na direção das duas intrusas.

— Eu posso explicar. — assegurou Mia.

O sujeito sorriu de canto, de uma forma misteriosa, e em seguida orientou:

— Explique ao meu Senhor.

Mia franziu o cenho sem entender e olhou para trás no instante em que ouviu um barulho de asas ecoar pelo subsolo e Claire soltar um suspiro, como se tivesse sido surpreendida. E de fato, ela tinha.

Metatron havia aparecido logo atrás da caçadora, a segurado com força e naquele momento mantinha uma espada contra as costas de Claire.

Por cima do ombro dela, ele sorriu para a outra garota e a cumprimentou:

— Olá, Mia. Quanto tempo.

Sentindo o seu coração disparar e todos os seus sentidos entrarem em alerta, Mia voltou a fitar o segurança e disse:

— Deixa eu adivinhar. Testemunha de Jeová, certo?

Enquanto isso, Bobby e Natalie passaram pela saída e alcançaram a calçada. Os dois olharam para trás, e esperaram que Mia e Claire passassem por aquela porta também. Mas isso não aconteceu. Isso estava demorando demais para acontecer.

Os dois sentiram que tinha alguma coisa errada e caminharam até a porta novamente, mas antes que eles entrassem, ela bateu com força e travou. Metatron tinha feito aquilo através dos seus poderes. Ele não queria ser interrompido. Não queria que ninguém atrapalhasse o que ele precisava fazer: recuperar a Tábua dos Anjos.

Enquanto os dois tentavam em vão abrir a porta, dentro do prédio, no subsolo, Mia continuava olhando para o segurança.

— Olha... Eu não sei o que aquele sujeito te disse, mas eu posso garantir. Ele não é Deus. — disse Mia tentando convencer o homem.

— Eu não espero que você entenda a minha fé. Você não tem nenhuma. — retrucou o segurança, fazendo a garota revirar os olhos um tanto impaciente diante daquela fé cega e alienada.

— Odeio Testemunhas de Jeová... — resmungou Mia baixinho.

— O que você disse? — ofendeu-se o homem.

Antes que eles continuassem a discussão, a voz de Metatron soou severa:

— Mia.

Ela fechou os olhos por um instante, incomodada com a repugnância daquela voz. Depois olhou na direção do anjo, que arqueou as sobrancelhas enquanto olhava para a Tábua dos Anjos que Mia abraçava contra o corpo, e disse:

— Devolva e ninguém se machuca.

Mia olhou para Claire sentindo um desespero crescente. Especialmente quando reparou que Metatron a ameaçava constantemente com a espada contra anjos. Em seguida, ela olhou para a Tábua dos Anjos e uma sensação de frustração a dominou.

Eles tinham feito tudo aquilo, orquestrado todo aquele plano, se arriscado daquele jeito, conseguido recuperar o artefato e agora iriam "morrer na praia."

Por mais que a Tábua dos Anjos fosse a única chance de todos eles derrotarem Metatron e restabelecerem a ordem no Céu, Mia nunca colocaria a vida de uma pessoa acima daquilo.

Então, ela deu um passo a frente com cautela e estendeu o artefato na direção da Testemunha de Jeová.

O homem manteve a arma empunhada na direção da garota enquanto se aproximava lentamente. Pegou a Tábua dos Anjos das mãos dela e recuou logo depois.

Cuidadosamente, Mia se virou na direção de Metatron e Claire. O anjo esboçava um leve sorriso que deixou a garota enojada. Então ela respirou fundo, controlando a vontade que tinha de dar uma surra naquele projeto de Deus, e exigiu:

— Agora solta ela. — após um silêncio aterrador e diante da falta de reação do anjo, Mia insistiu: — Solta a Claire, seu desgraçado! Você disse que ninguém ia se machucar, lembra?!

Metatron sorriu mais uma vez e diminuiu a pressão no braço da caçadora, como se realmente estivesse disposto a soltá-la.

— Claro. Foi o que eu disse. — assentiu ele.

Mas então, o anjo fez exatamente o oposto do que Mia e Claire esperavam. Num movimento rápido e brusco, ele voltou a apertar o braço da caçadora, a trouxe para mais perto dele e deixou que a lâmina da espada perfurasse as costas de Claire. E a atravessasse na região do abdômen, a ferindo gravemente e fazendo com que ela soltasse um grito abafado, quase inaudível, talvez por conta da surpresa que sentiu ao ser apunhalada daquele jeito, pelas costas, covardemente, quando realmente acreditava que Metatron a soltaria.

— Não! — gritou Mia desesperada e horrorizada diante daquela imagem, levando as mãos ao rosto.

Em choque ela viu o olhar de Claire se encher de lágrimas de dor, Metatron retirar a espada rapidamente e soltar a caçadora, que caiu no chão de joelhos enquanto levava uma das mãos até o ferimento.

Os dedos de Claire logo foram tingidos pelo sangue que jorrava do corte profundo em sua barriga. Ela sentia tudo em volta girar, ao mesmo tempo em que sua visão ficava um tanto turva.

Sem acreditar no que ele havia feito, Mia olhou para Metatron com ódio ao mesmo tempo em que a tristeza também estava estampada em sua face.

Enquanto caminhava até a Testemunha de Jeová, que também parecia em choque com o que havia presenciado, Metatron lançou um olhar cínico na direção de Mia e explicou:

— Você devia saber que dificilmente eu cumpro a minha palavra. Aliás, eu pensei que você tivesse aprendido a lição depois do nosso último encontro. Eu também te enganei aquele dia, lembra?

Mia seguiu Metatron com o olhar até ele parar diante da Testemunha de Jeová, que deu um passo para trás. Em seguida, ela correu até Claire, se ajoelhou diante da caçadora e a segurou com cuidado, fazendo-a deitar no chão.

— Claire... Claire, fale comigo! — implorou Mia sendo vencida pelas lágrimas. — Claire! Por favor... Claire?

Por mais que se esforçasse para dizer algo, Claire não conseguia. A dor era atordoante e confundia todos os seus sentidos. Ela sentia-se fraca, incapaz de conseguir pronunciar qualquer coisa. Era como se o seu corpo estivesse entrando em colapso. Claire estava morrendo...

Notas finais
Oh meu Deus! Oh meu Deus! Oh meu Deus! Como assim??? WTF??? Claire? Sra. Moose??? Nãããããoooooooooooooooooo!!!! Sorry, gente, mas depois de matar a Mia tantas vezes, eu resolvi pegar a Claire para Cristo... Chocados? Revoltados? Indignados? Gostaram da participação do Metatron? Acho que não, né? Querem matá-lo? Acho que sim, né? Mas, acalmem seus coraçõezinhos aí porque a coisa vai piorar no próximo capítulo... Piorar muito. Bastante. Pra valer. Oi? E sobre a graça do Cas, talvez a coisa piore, talvez melhore, talvez fique assim por um tempo, vai saber, né? Nunca se sabe o que se passa na cabeça de uma autora malévola como eu... Muaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhh Bem, é com este capítulo super meigo e este final super light que me despeço por aqui. Voltarei no sábado que vem, neste mesmo horário, neste mesmo canal, com mais acontecimentos bombásticos!!! Reviews?