Notas iniciais
Como foi tudo muito espontâneo eu só devo escrever mais um capítulo, então se alguém quiser dar ideias fiquem a vontade, não pensei em muita história além.

A estrada estava escura, apenas o farol da moto iluminava a eterna escuridão cercada por árvores. Não havia mais nenhum sinal de outro carro, e a solidão era ao mesmo tempo assustadora e reconfortante. Alice adorava esses momentos de direção para por os pensamentos em dia.

O que aconteceu em seguida foi tão rápido que parecia um sonho borrado, em um momento era só ela, no outro um caminhão que descia a serra na outra direção invadiu a sua pista e tudo ficou preto como a noite.

Quando seu cérebro voltou a funcionar, um bipe de máquina soava ritmicamente à sua esquerda. Era um som conhecido, mas só quando sua visão encontrou um cenário com cores neutras e funcionários com roupas azuis que ela começou a entender que tinha sofrido um acidente.

–O que aconteceu ?- Sua voz fraca perguntou com dificuldade para uma mulher que parecia ser a enfermeira.

Antes que ela pudesse responder um homem que antes estava de costas mexendo em um aparelho se virou para tomar a palavra.

–Você sofreu um acidente de moto, mas está no hospital e está tudo bem agora.

Aquele rosto era familiar demais para Alice, tão familiar que quando se deu conta de quem era o pânico a atingiu.

–AI MEU DEUS, EU MORRI!!!- Ela gritou com um desespero tão latente que assustou todos que estavam em volta.

–Não, não, você não morreu, calma. Eu sou seu médico, meu nome é Dr. Avery e eu prometo que você está bem agora.

–Eu estava tão bem, tinha acabado de se promovida, comprado minha moto dos sonhos- A paciente estava irredutível com a ideia que parecia absurda.

–Chame o Shepherd, os exames dela não mostram nenhuma lesão, mas deve ter algum outro problema- Avery informou para a enfermeira.

–Nãoooo, Shepherd não...Se é para morrer deixa eu morrer direito. Não estava de moto ? Devo ter quebrado alguns ossos, chama a Dr.Torres...Pera aí, até que isso não pode ser tão ruim...-Cada palavra que ela falava confundia ainda mais os funcionários, mas ela não parou-Tinha alguma documentação comigo ?

–Não, na verdade não sabemos nem o seu nome ou idade.-A enfermeira respondeu enquanto Avery tentava decifrar a loucura.

–Ótimo, eu tenho 14 anos! Não, 14 não dirige..17, 17! Chama a Robbins. Mas tem que ser ela, se você trouxer o Alex aqui eu taco a primeira coisa contundente que eu ver na cara dele.

–O que houve ?- Shepherd se aproximou do seu leito, deixando Alice com cara de decepção.

–Mulher desconhecida, acidente...-Avery começou, mais foi logo interrompido.

–Olha Derek, você é um cético, nunca vai acreditar em mim, por isso não queria que te chamassem.

O neurocirurgião olhou curioso para Avery, que respondeu com gestos que não estava entendendo nada.

–Presta atenção meninos, eu estava viva, tranquila dirigindo na estrada quando vi um caminhão na minha direção, no segundo depois acordo no meu seriado favorito olhando para o personagem que minha amiga acha o mais gato de todos, o que eu discordo, para mim é o Mark, enfim, isso me leva a ter certeza que eu morri, simples assim. Devo estar vivendo o último segundo de loucura do meu cérebro antes que ele pare de funcionar de vez.

Seu discurso deixou todos sem fala. Até que uma risada de Shepherd quebrou o silêncio.

–Não ri não Derek Shepherd. Casada com Meredith Grey, primeiro em um post-it, depois no cartório para adotar a Zola. Quer que eu continue ?

–Olha, eu não sei como você tem essas informações, mas tenho certeza que morta não está.- Ele respondeu, um pouco impressionado apenas dela saber essas coisas.

Alice respirou fundo e continuou.

–Olha, vou ser sincera com você, eu não gosto muito da sua mulher, ela é muito "ó vida, ó azar" para o meu gosto, mas pelo menos ela deve acreditar em mim mais que você, então chama ela que eu vou tentar convencê-la com uma ou duas cenas que ela não contou para ninguém.

–Como assim ? Que cenas ?

–Ah, está achando que a maluca tem razão agora ? Faz um favor, concebe o meu último pedido no leito de morte e traz a Callie também que ela é minha preferida.

Era muita informação tanto para a paciente, quanto para os médicos. Mas depois de alguns segundos de choque os dois se retiraram, não afirmando se iam ou não ajudar a pseudo lunática ou fã do além.

–Você eu não sei quem é não, deve ser um figurante qualquer.-Ela disse para um enfermeiro que aplicava algum medicamento na sua veia-A série é de médicos, então o foco é neles. Desculpa, estou falando loucamente para o tempo passar mais rápido.

O homem se retirou e fechou a cortina.

Alguns minutos incansáveis depois ela foi aberta por Meredith.

–É tortura mental, mas meu cérebro deve estar deixando os melhores para o final, só pode.

–Então você é a paciente que disse que nos via na TV ?- Grey sorria com a situação.

–Pois é, e você é a principal, diga-se de passagem. A sua vida sofrida cheia de baixos e baixos da bastante audiência.

–Sério isso ? Nunca imaginei que minha vida desse algo interessante de se ver.

–Concordo ! Na verdade eu acho que...ai meu Deus- Alice paralisou com o som de uma voz se aproximando- é ela ! não deixa ela passar direto.

–Quem ? Dr. Torres ?

–Isso, puxa ela aqui para dentro !

Meredith então atravessou da cortina e voltou com a tão esperada.

–Que foi ?- Ela indagou.

–Você...-Alice piscou admirada- é tão bonita.

–Ah...obrigada- Callie respondeu não entendendo nada.

–E alta- Alice continuou, até que seus olhos correram dos pés à cabeça- E não gorda ! Putz, você parece tão gordinha as vezes na TV, esse negócio de tela grande acaba contigo.

–Ah ! você é a tal desconhecida da série de TV.

–Na verdade vocês são os famosos da série, eu que sou a fã desconhecida.

–E eu sou a principal ?

–Não, mas é a minha preferida, se isso vale alguma coisa. Você acredita na minha história ?

–Sinceramente ? Não, mas eu estou achando isso divertido.

–Poxa, eu sei falas de cenas sua com a Arizona, e sei também coisas particulares da Meredith que ela não contou para ninguém. Se eu não convencer nenhuma das duas eu desisto !

–Então tenta.-Grey disse.

As duas ficaram ali ouvindo Alice descrever com detalhes momentos particulares da vida delas que realmente ninguém, por mais fofoqueiro que fosse saberia dizer. Por mais estranho que fosse ouvir a própria história contada por uma completa desconhecida com a maior empolgação do mundo, era no mínimo divertido, o que as mantiveram por um bom tempo.

Notas finais
any idea ?