Heaven
10 I won't forget you 'till my life's done
Notas iniciais
Deitados na areia, eles continuavam juntos. Bella não sabia ao certo o que esperava, mas sentia dentro dela que o que fosse acontecer, estava realmente próximo. De longe ela escutava o mar. Deveria lhe trazer tranquilidade, mas tudo o que ela sentia era agonia. A mão de Edward na dela também não lhe transmitia a tranquilidade que deveria. Em um segundo, o silêncio era ensurdecedor. Edward e Bella se sentaram. Bella observou o mar, completamente parado. Sem um único movimento. A brisa que antes esfriava a pele dela tinha desaparecido. Era como se o mundo estivesse parado. Nada acontecia ao redor deles. Era assustador. Edward fez uma careta de dor. Bella teve a intenção de perguntar o que estava acontecendo, mas no mesmo instante o corpo dela foi arrancado do aperto de Edward com uma violência absurda. Bella rolou no chão gemendo de dor. De longe ela viu três figuras com trajes longos que pareciam ter brilho próprio. Os cabelos loiros caiam soltos por suas costas sem asas visíveis, mas Bella sabia quem eles poderiam ser. Os Arcanjos. Sabia o que eles queriam, embora não entendesse exatamente porquê. Dois deles pegaram os braços de Edward para o colocar de pé. Sem o menor cuidado. Sem a menor gentileza. Sem a menor preocupação pelos seus ferimentos. Ele procurou Bella com o olhar. Preocupado. Bella escutou ele falar o nome dele na sua mente. Se esforçou para se levantar, se perguntando se teria quebrado uma costela. A dor era excruciante.
— Camael. — Um deles disse.
Apesar da distância, Bella continuava escutando como se estivesse do lado de Edward.
— Mesmo depois dos avisos, você ousou continuar nos desafiando. — Ele continuou.
Edward não falou nada, mas encarava o Arcanjo na sua frente. — Receberá o devido castigo e nenhum ser celestial terá piedade. —
Com dificuldade, Bella se levantou. Caminhou pela areia com esforço. O corpo doendo, sua cabeça explodindo e seu coração em breve destroçado. O Arcanjo alcançou um punhal. Ordenou que Edward se ajoelhasse na sua frente. Esperou, como que querendo que ele implorasse misericórdia. Edward não falou nada. Pediu a Bella que fosse embora. Ele implorou. Mas Bella continuou caminhando até eles. Os dois Arcanjos forçaram Edward a cair de joelhos. Ela viu horrorizada o punhal afiado e brilhante, perto das asas de Edward. Bella gritou. Gritou para que parassem como se fosse uma ordem. Como se ela tivesse algum poder sobre eles. Como se pudesse mudar o que iria acontecer. Os Arcanjos a olharam como se só nesse momento lembrassem que ela realmente estava ali. Na sua mente, Bella continuava escutando Edward implorar para que ela fosse embora antes que fosse tarde.
— Ele não fez nada! Vocês não o podem castigar! — Ela disse cambaleando na direção deles.
— Ele fez o suficiente. — O Arcanjo disse simplesmente.
— Minha avó, sempre me falou da misericórdia dos anjos. — Bella disse.
O Arcanjo a encarou. Bella tentou ignorar os pedidos de Edward na sua mente. Tentou ignorar outros dois Arcanjos que mantinham Edward preso. Tentou ignorar o punhal pronto para cortar as asas de Edward.
— Ela sempre me contou que não havia seres mais misericordiosos que os Anjos. Que eles conhecem nosso coração melhor que nós mesmos. Se isso é verdade, então vocês sabem que não é justo o que querem fazer com ele! — Bella gritou.
— Os humanos não sabem de nada. — O Arcanjo disse, virando completamente as costas para Bella como se ela não valesse o seu tempo.
A fúria tomou conta de Bella. De algum modo ela caminhou mais rápido. Ignorou a dor que sentia.
— Sabemos o que é amor! Sabemos o que é se dar a alguém. E no nosso mundo o amor não merece punição! — Bella gritou.
Sentia a raiva dentro dela. Sentia o sangue ferver de ódio. O Arcanjo voltou a olhar Bella. Não tinha nenhuma expressão no seu rosto, mas balançou a cabeça negativamente.
— O amor já é uma punição por si só e só os humanos continuam não enxergando. — O Arcanjo disse e nesse instante caminhou lentamente até ela.
— Você, humana. — Ele disse cuspindo as palavras. — Já que sabe tanto sobre amor, me diga, acha que seu amor vai salvar Camael? Pois é o seu estúpido amor que o vai matar. É seu estúpido amor que a vai fazer chorar, sofrer, se sentir miserável e culpada quando você puder ver com seus olhos ele perdendo suas asas, seu brilho, sua essência. Você e seu amor fizeram isso com ele. —
O corpo de Bella tremia. Não escutava mais a voz de Edward na sua mente. Apenas escutava o quanto estava sendo prazeroso para o Arcanjo dizer aquelas palavras.
— No entanto quem está com o punhal nas mãos não sou eu. — Bella disse quando o arcanjo parou na sua frente.
— Deixem-no ir. —
Bella podia jurar que viu um breve sorriso no rosto delicado do Arcanjo. Todo ele era uma beleza cruel. Uma beleza fria e sem nenhum vestígio de humanidade. Muito diferente de Edward. Nesse momento Bella teve certeza que não haveria nada que ela pudesse fazer. Ela não poderia salvar Edward ou salvar a si mesma. Era apenas uma humana, afinal. Não sabia o que fazer. Olhou Edward todo machucado. Exausto. Respirando com dificuldade mesmo que ele não precisasse respirar. Viu o pânico nos olhos dele junto ao desespero. Viu os lábios dele formarem o nome dela. Na sua mente, ela pediu perdão a Edward. Disse que o amava. Pediu perdão novamente. Tinha esperança que ele a escutasse tal como ela o escutava.
— Vamos fazer um acordo, então. — Bella disse, encarando o Arcanjo.
Edward gemeu de dor quando tentou se soltar do aperto forte dos dois arcanjos. — Fiquem comigo e libertem ele. Castiguem apenas a mim. — Bella sugeriu.
Escutou Edward gritar em desespero para a impedir. Sentiu as lágrimas escorrerem pelo seu rosto.
— É tarde. Sua humanidade está nele. Você transmitiu sua humanidade como uma doença. — O Arcanjo disse.
— Curem-no, então. Façam qualquer coisa, tem que haver um jeito. —
O Arcanjo pegou o braço dela com violência. A arrastou pela areia. Bella caiu de joelhos na frente de Edward.
— Nunca vou entender como você aguentou a humana, Camael. Como trocou os céus, seu lar, por ela. —
Bella abraçou Edward. Chorou pedindo perdão. Edward tentou acalmá-la porque esse era Edward. Tentou com todas as suas forças lhe transmitir alguma tranquilidade. Alguma paz. Mas não sabia mais como fazê-lo. Fechou os olhos sentindo as lágrimas dela na sua pele, sabendo que tinha falhado miseravelmente a sua missão. Que ele a tinha colocado em perigo. Que ela pagaria por sua rebelião contra os céus. O brilho do punhal chamou a atenção de Bella. Viu o punhal dourado se aproximar das asas de Edward. Por impulso ela saltou na direção do Arcanjo que segurava o punhal. Bella escutou os gritos e caiu na areia. Por momentos apenas escutava os gritos de horror de Edward. Bella lembrou dos gritos de horror de Alice, horas antes. Sentiu uma dor aguda na barriga. Levou sua mão até ao ponto da dor e sentiu algo quente. Levou a mão trêmula até ao seu rosto. Viu o sangue na sua mão. Olhou o céu estrelado em cima dela.
Era o fim.
Viu Edward se arrastar até ela. Viu o ferimento na barriga dele. O sangue. O mesmo ferimento que ela tinha, ela estava vendo em Edward. Percebeu que talvez a ligação deles fosse mais forte do que pensava e entendeu o que o Arcanjo quis dizer quando disse que a humanidade dela estava nele. Junto com a humanidade, ela lhe deu mortalidade. Não era justo que ela o amasse tanto e ainda assim estivesse sendo o motivo da destruição dele. Ele dizia o nome dela repetidamente. Por momentos os dois esqueceram os Arcanjos.
Com dificuldade, Edward chegou até Bella. Bella encarou as estrelas em cima dela de novo. Sentiu o corpo de Edward ao lado do seu.
— Bella. — Ele disse em sofrimento.
— Céus Bella. Minha pequena. Eu lamento tanto. O que foi que eu fiz com você? — Ele disse.
Bella o olhou, sorrindo. Esperando que ele entendesse que ela não estava arrependida. Que preferia que este fosse seu fim a nunca tê-lo conhecido. Ofereceu sua mão ensanguentada. Pensou em Alice, sua amiga. Sua irmã. Em uma prece silenciosa, ela pediu para que Jasper fosse bom com ela. Que a amasse, porque ela só merecia amor. E Bella morreria acreditando no amor. Sua amiga. Sua irmã. Começava a sentir uma certa paz invadi-la. Talvez fosse Edward tentando acalmá-la, ela pensou.
Ou talvez fosse a morte tendo piedade.
— Você sabe o que acontece? — Bella perguntou ao sentir a mão de Edward na dela. — Quando morremos, você sabe o que acontece? —
Entre eles, o sangue dos dois se unia. Misturando a mortalidade dela com qualquer vestígio de ser celestial que ele ainda possuía. Bella sentia o sangue quente dele na lateral do corpo. Ou talvez fosse o sangue dela mesma, não tinha mais como saber. Ele disse que não. Com esforço, Bella continuava olhando para ele. Apesar dos machucados e do sangue que ambos perdiam, ele continuava sendo o ser mais lindo que ela já tinha visto.
— Mas eu sei que não importa realmente, porque aconteça o que acontecer, eu vou te achar de novo. — Ele disse.
Bella soltou algo que não era nem uma risada nem um soluço.
—Promete? — Ela disse, tentando manter seus olhos abertos. Edward levou sua mão ensanguentada até ao rosto dela. A olhava tentando memorizá-la.
— Prometo. — Ele disse.
Bella sorriu. Ele lhe disse que a amava. Bella fechou os olhos, sentindo um alívio extremo. Ainda sorrindo. Ainda vendo o rosto dele na escuridão. Escutando as palavras dele na sua mente, como se fosse sua música preferida. Edward permitiu os seus olhos se fecharem. E enquanto os dois caiam juntos em direção à escuridão vazia, ele entrelaçou os dedos nos dela, esperando que continuassem juntos.
Bella apertou a mão dele em resposta, esperando que ele a guiasse na escuridão.
“O mundo está cheio de monstros com rostos amigáveis e Anjos carregando cicatrizes.”
* Fim *
Epílogo
In some other life
we are standing
side by side
and
laughing that,
in some other life
we are apart.
From Heaven
Fallen Angels
Broken wings
Humanized.
* * * * * * * * * *
Em uma outra vida
nós estamos lado a lado
rindo
porque em alguma outra vida
estamos separados.
Do Céu
Anjos caídos
Asas quebradas
Humanizados.
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