Heaven

1 Capítulo único


Notas iniciais
Olá pessoal! Heaven é a primeira Songfic que escrevi, baseada na música de mesmo nome do cantor Bryan Adams. Eu simplesmente amo esse conto ♥, mas como sou suspeita para falar vou deixar que vocês tirem suas próprias conclusões. Aproveitem!

— Lizzi, há alguma coisa no mundo que você goste? ‒ perguntou Sebastian frustrado.

Ele estava numa tentativa desastrosa de tentar descobrir alguma coisa que eu gostasse a mais de uma hora. A maioria haviam sido coisas fúteis como roupas, sapatos, maquiagens e bolsas, que logo foram descartadas. Depois passou para comidas, cores, filmes e músicas, ele não se saiu tão bem quanto esperava. E agora estava desistindo de adivinhar e havia começado a perguntar, coisa que tinha afirmado que não iria fazer. Havia se rendido, sorri para mim mesma.

— Já? — perguntei erguendo uma sobrancelha. — Achei que você fosse insistir mais. Eu poderia continuar com isso por um mês ou até dois...

— Engraçadinha, ‒ bufou ‒ então, do que você gosta? ‒ ele perguntou novamente.

Parei um pouco e olhei ao redor do pequeno antiquário no qual estávamos. Vários livros antigos se encontravam em grandes estantes, molduras de vidro guardavam lindas borboletas de várias cores e formas, globos terrestres de diversos tamanhos ocupavam um pequeno balcão de madeira e no meio disso tudo lindos olhos azuis, tão profundos quanto o mar, esperavam uma resposta.

Suspirei e peguei um dos globos no balcão. Este era um dos mais antigos que havia ali, com sua aparência antiquada parecia ter saído de um dos livros de Júlio Verne. As extremidades dos países não eram as mesmas que podiam se observadas em globos atuais, e os mares deste estavam repletos de monstros marinhos e outras criaturas das quais os nomes eu não fazia ideia.

— Eu gosto de globos terrestres ‒ girei o globo e todas as figuras e letras tornaram-se borrões sem sentido.

— Por quê? ‒ Sebastian me encarou, desviando os olhos uma vez ou outra para as figuras que pouco a pouco ganhavam contornos novamente em minhas mãos.

— De que outra forma poderíamos estar em dois lugares ao mesmo tempo? ‒ falei colocando uma mão de cada lado do globo. Dois lugares opostos, dois lugares diferentes ao mesmo tempo.

Ele ficou calado, mas uma ruguinha se formou em sua testa e seus olhos, mesmo que não me deixassem um só segundo, tornaram-se distantes e pensativos.

Continuei andando pelo antiquário, observando dezenas de livros antigos de uma prateleira. Puxei um deles do lugar e folheei-o cuidadosamente, uma história em um idioma que provavelmente era de algum lugar do Oriente Médio enfeitava as páginas amareladas pelo tempo e desenhos de navios e monstros davam algumas ideias de seu conteúdo. Quais incríveis feitos eu encontraria ali se soubesse decifrar aquela escrita? E de onde será que surgiram as lendas que inspiraram as aventuras ali contadas? Perguntas assim que me motivavam a seguir em frente e me tornar historiadora, mesmo com a total desaprovação de meus pais.

Devolvi o livro para seu lugar e já ia pegar outro quando senti um aperto em minha mão direita, Sebastian havia atravessado o antiquário e parado ao meu lado. Olhei para nossas mãos unidas e corei um pouco pelo gesto inesperado, desviando os olhos para as borboletas emolduradas.

— Vem comigo ‒ ele disse e, sem esperar por uma resposta, me levou para a rua até onde havia estacionado sua Harley Night Rod.

— Aonde vamos? ‒ perguntei enquanto colocava o capacete que ele havia me entregado.

— É uma surpresa ‒ seus olhos brilhavam e um grande sorriso estava estampava seu rosto. Ele montou na moto e deu a partida enquanto eu fiquei olhando-o por um momento.

As pessoas nem sempre são o que parecem ser.

Se dois meses atrás alguém me dissesse que eu viraria a melhor amiga de Sebastian Mathews eu diria que a pessoa estava ficando, no mínimo, louca. De forma alguma eu seria amiga do cara com uma das piores reputações da cidade, mas agora...

Perguntei-me se mais alguém conhecia esse seu lado. O lado oposto ao do homem que parecia adorar uma briga, escutava rock dos anos 80, pilotava uma Harley e tinha dezenas de tatuagens pelo corpo. O lado do homem que havia visto, quando criança, o pai chegar em casa bêbado e bater em sua mãe, o garoto que havia aprendido a lutar para defender-se da violência vinda de uma pessoa que deveria amá-lo.

Mais alguém já havia visto seu coração e não apenas sua aparência?

Subi na moto e estiquei as mãos para trás buscando algo em que me segurar, mas fui impedida por Sebastian que as segurou e as colocou ao seu redor, pousando-as em cima de seu abdômen. Pude sentir os músculos ficarem tensos com o meu toque, mas ele não as retirou, pelo contrario, deslizou seus dedos levemente por minhas mãos, tão gentilmente como seu um movimento errado de sua parte fosse fazer com que eu me despedaçar-se. E então, ele entrelaçou nossos dedos e seus olhos fecharam-se. Sua expressão se tornou tão calma, era como se ele não se sentisse daquela forma há bastante tempo, ou talvez nunca tivesse se sentido assim...

Tive um súbito desejo de beijá-lo, mas antes que eu pudesse fazê-lo ele juntou minhas duas mãos, soltou-as para segurar na direção da moto e acelerou em direção ao litoral.

O vento agitou os meus cabelos como loucos, os fios loiros dançando sob os raios de sol.

Ficamos em silêncio durante todo o percurso, mesmo porque o vento não deixaria as palavras serem ditas ou ouvidas com exatidão. Mas, de vez em quando, uma de suas mãos soltava-se da direção da moto e acariciava as minhas que estavam unidas firmemente.

Meu rosto corava mais e mais a cada toque.

Sebastian nos levou á uma pequena praia, a cerca de 5 km de distância da principal da cidade. Ele parou a moto na estrada para que eu pudesse descer e depois a guardou por de trás de algumas grandes pedras ali perto.

Tentei tirar o capacete enquanto ele caminhava em minha direção, mas o fecho acabou ficando preso e não consegui soltá-lo. Devo ter feito alguma careta, pois Sebastian riu, pegou minhas mãos e plantou um beijo em cada, antes de soltá-las e desafivelá-lo para mim. Senti meu rosto corar ao retirar o capacete e passar a mão no cabelo para tentar controlar um pouco os fios. Sebastian ficou me olhando por um minuto e, lentamente, levantou a mão esquerda, pousando-a do lado direito do meu rosto. Seu toque era quente e gentil. Pendi a cabeça para o lado e repousei minha bochecha em seus dedos, fitando seus olhos cor do céu e pude ver carinho neles... Mas também havia algo mais, um brilho diferente, um brilho que eu já havia visto somente nos olhos de pessoas apaixo...

— Vamos ‒ ele disse rapidamente pegando o capacete de meus braços e guardando-o junto com o seu.

— Não vem muita gente aqui, não é? ‒ falei tentando puxar assunto.

— Não, as pessoas preferem as praias com ondas grandes. Surfar é regra, lembra? Qualquer dia desses vou te ensinar ‒ ele disse enquanto me guiava até a descida íngreme. ‒ Quando quero ficar sozinho venho aqui.

— Então acho que você me tem como um inconveniente hoje ‒ falei em um tom de brincadeira.

— Você não é um inconveniente, Elizabeth ‒ ele falou virando-se para mim com um olhar sério. Suas sobrancelhas estavam franzidas e seus lábios se comprimiam firmemente, mesmo contra minha vontade acabei dando um passo para trás. Seus olhos acompanharam o movimento e ele deu um suspiro pesado, segundos depois seu olhar aqueceu e um pequeno sorriso se formou no canto de seus lábios. — Pessoas especiais merecem lugares especiais.

Meu coração parou por um segundo e depois voltou a bater mais rápido que o normal. Baixei meus olhos e me concentrei em não cair ou escorregar nas pedras soltas. Só quando meus pés tocaram a areia eu olhei ao redor... E perdi completamente o fôlego.

Aquela praia era simplesmente um dos lugares mais lindos que eu já vira. As ondas batiam levemente na areia trazendo pequenas estrelas-do-mar junto delas. O sol estava quase tocando o mar sob o horizonte, colorindo o céu com mil tons de laranja, azul, rosa e violeta.

Dei alguns passos para frente e, sem tirar os olhos do horizonte, tirei os Allstar vermelhos que estava usando, deixando-os cair de lado andei lentamente até onde o mar encontrava a areia. Fechei os olhos e senti as ondas frias entre meus dedos, o beijo quente dos últimos raios de sol na minha pele e a leve brisa marinha soprando meus cabelos.

Eu consegui sentir a beleza da vida.

Ouvi o barulho de algo caindo e então passos abafados pela areia molhada vieram em minha direção, logo em seguida, senti braços firmes em torno de mim. Sebastian havia, como eu, tirado seus sapatos e agora repousava suavemente seu queixo no topo de minha cabeça enquanto seus braços envolviam minha cintura. Olhei para seu rosto e encontrei seus olhos fechados, a expressão de calma absoluta estava lá novamente.

— Eu acho que amo você ‒ seus lábios sussurraram. Um calor percorreu todo meu corpo, cada célula existente em mim reagiu a aquelas cinco palavras.

Seus olhos azuis se abriram e ele ficou me encarando, a expressão de calma havia dado lugar a uma angustia palpável. Eu o conhecia bem o suficiente para saber o que ele esperava que eu fizesse: soltasse-me de seus braços, dissesse algo horrível e fosse embora para sempre. Ele estava se preparando para uma decepção... Se preparando para um coração partido. Todas as pessoas que diziam amá-lo o magoaram com o passar do tempo e ele havia se fechado, fechado seu coração, e não permitia que mais ninguém entrasse em sua vida... Até eu aparecer.

Ele havia mostrado, apenas para mim, quem realmente era. Seu passado, sua história, suas qualidades e seus defeitos. Ele confiou em mim. Cada gota de coragem dele tinha sido usada para admitir aquilo, eu sabia que Sebastian nunca falaria aquilo se não fosse a mais absoluta verdade. O “acho” era apenas uma forma de proteger a si mesmo. Uma das barreiras que ele havia construído em torno de si havia se rompido, ele tinha enfrentado seu medo por minha causa.

Senti algo diferente, uma sensação acolhedora, que consumia cada parte de mim, que me fazia resplandecer ao mesmo tempo em que me incendiava.

Inclinei minha cabeça em sua direção fazendo com que nossos lábios se tocassem e comecei a beijá-lo, mas ele não retribuiu. Afastei minha cabeça para trás sentindo que havia feito algo errado e comecei a procurar em seus olhos algum indício disso, porém suas mãos me impediram puxando minha boca de volta para a dele.

Virando-me de frente para ele passei meus braços ao redor de seu pescoço enquanto uma de suas mãos pairava em minha cintura e a outro puxava minha cabeça para mais perto dele, aproximando-nos cada vez mais. Meu coração batia freneticamente, seus lábios macios tinham gosto de menta e ele explorou com a língua cada canto da minha boca.

Minha cabeça girava quando nossos lábios se separaram, ele encostou sua testa na minha e respirou profundamente. Parecia alguém que acabara de se libertar da dor, lágrimas se formaram em meus olhos ao mesmo tempo em que um sorriso cortou meu rosto.

Em um piscar de olhos Sebastian levantou-me do chão e começou a girar, fazendo o mundo tornar-se distorcido e sem sentido, mas no centro de toda essa confusão nós éramos um aos olhos do outro perfeitos e reais.

‒ Se você não parar agora eu vou sair daqui num estado pior do que o quando eu experimentei vodka naquela festa na casa do Tiller ‒ ele riu alto parando de girar, mas comigo ainda fora do chão começou a fazer cócegas em minha barriga, tive uma crise de gargalhadas e comecei a me contorcer fazendo com que nós dois caíssemos na areia.

Ficamos deitados encarando um ao outro, pequenas risadas flutuando entre nós. Ele fez menção de se levantar, mas antes de fazê-lo inclinou-se em minha direção e plantou um beijo rápido em meus lábios.

— Vem ‒ disse ele esticando a mão e levantando-me, ‒ ainda não te mostrei tudo.

Caminhamos até a beira do mar, onde as ondas tocavam a areia, parando antes que nossos pés tocassem na água.

— Coloque um dos seus pés na água e deixe o outro na areia.

Coloquei um pé em cada lugar e fiquei esperando que ele continuasse. E então seus braços rodearam minha cintura, da mesma forma que havia feito antes, e ele me olhou com um grande sorriso no rosto.

— O quê? ‒ perguntei.

— Você está em vários lugares ao mesmo tempo ‒ disse simplesmente.

— Como assim? ‒ franzi o cenho.

— Você está no mar, na terra e em meus braços. E espero muito mesmo que tenha gostado bastante deste terceiro, por que pretendo mantê-la aqui por bastante tempo.

Enquanto absorvia aquelas palavras um sorriso foi, pouco a pouco, se abrindo em meu rosto.

As palavras que minha avó me dissera antes de nos mudarmos passearam em minha mente. "Quando você encontrar uma pessoa que toque seu coração e que você não consiga viver sem, lute por ela. Não é todo dia que se acha o amor da sua vida".

— Sebastian, você passou bastante tempo perguntando sobre as coisas que eu gostava, ‒ ele assentiu ‒ mas não me lembro de você ter perguntado sobre as coisas que eu amava.

Seus dedos acariciavam minha bochecha com movimentos lentos.

— O que você ama Lizzi? ‒ perguntou, me fitando com o rosto sério, mas em seus olhos um infinito de emoções transparecia.

— Bom, eu amo você ‒ falei dando de ombros.

Um sorriso cruzou seu rosto e de repente meus pés não estavam mais no chão.

— Não. Sebastian para ‒ gritei em meio às risadas enquanto ele me levava, jogada por cima de seus ombros, para a água. Quando as ondas bateram em sua cintura ele parou e olhou para mim.

— Você confia em mim, não confia? ‒ balancei a cabeça afirmando, ele sorriu. E então foi me soltando devagar, quando senti o quanto a água estava fria não consegui evitar um pequeno grito.

— Calma ‒ disse Sebastian rindo, ‒ é só água.

Assim que meus pés tocaram o chão ele deu alguns passos para o lado, esticou os braços para trás e os jogou para frente novamente, lançando uma onda de água em mim. Assim que as gotas frias me tocaram soltei outro grito que acabou virando uma risada.

— Eu declaro guerra ‒ gritei batendo os braços na água e molhando nós dois.

— Está declarada ‒ ele disse se jogando em minha direção.

Dez minutos depois estávamos os dois jogados na areia tentando recobrar o fôlego.

— Eu ganhei ‒ falei rindo.

— Só porque eu deixei ‒ ele disse mordendo minha orelha, então me puxou para seu peito e me abraçou. Os últimos raios de sol nos envolviam em um brilho laranja e acolhedor. Uma linda melodia saiu de seus lábios e eu virei minha cabeça para olhá-lo. Seus olhos estavam fechados, mas ele percebeu que eu o olhava e começou a cantar para mim.

Link para a música

Oh! Pensando em nossos tempos de juventude — Oh! Thinking about all our younger years

Só tinha eu é você — There was only you and me

Nós erámos jovens, selvagens e livres — We were young and wild and free

Agora, nada pode te tirar de mim — Now, nothing can take you away from me

Nós já estivemos naquela estrada antes — We've been down that road before

Mas agora já acabou — But that's over now

E você continua voltando pra ter mais — You keep me coming back for more

Meu bem, você é tudo o que eu quero — Baby, you're all that I want

Quando você está aqui deitada em meus braços — When you're lying here in my arms

Eu acho isso difícil de acreditar — I'm finding it hard to believe

Estamos no paraíso — We're in heaven

E o amor é tudo o que eu preciso — And love is all that I need

E eu o achei aqui em seu coração — And I found it there in your heart

Não é tão difícil enxergar — Isn't too hard to see

Estamos no paraíso — We're in heaven

Oh, uma vez na sua vida você acha alguém — Oh, once in your life you find someone

Que irá fazer seu mundo virar — Who will turn your world around

Te colocar pra cima quando você sentir pra baixo — Bring you up when you're feeling down

É, nada pode mudar o que você significa pra mim — Yeah, nothing could change what you mean to me

Oh, tem muitas coisas que eu poderia dizer- Oh, there's lots that I could say

Mas só me abrace agora — But just hold me now

Porque o nosso amor irá iluminar o caminho — 'Cause our love will light the way

E, meu bem, você é tudo o que eu quero — And, baby, you're all that I want

Quando você está aqui deitada em meus braços — When you're lying here in my arms

Eu acho isso difícil de acreditar — I'm finding it hard to believe

Estamos no paraíso — We're in heaven

E o amor é tudo o que eu preciso — And love is all that I need

E eu o achei aqui em seu coração — And I found it there in your heart

Não é tão difícil enxergar — Isn't too hard to see

Estamos no paraíso — We're in heaven

Eu estive esperando por tanto tempo — I've been waiting for so long

Por alguma coisa que chegasse — For something to arrive

Por um amor que viesse junto — For love to come along

Agora nossos sonhos estão se realizando — Now, our dreams are coming true

Através dos bons e dos maus momentos — Through the good times and the bad

É, eu estarei lá por você — Yeah, I'll be standing there by you

E, meu bem, você é tudo o que eu quero — And, baby, you're all that I want

Quando você está aqui deitada em meus braços — When you're lying here in my arms

Eu acho isso difícil de acreditar — I'm finding it hard to believe

Estamos no paraíso — We're in heaven

E o amor é tudo o que eu preciso — And love is all that I need

E eu o achei aqui em seu coração — And I found it there in your heart

Não é tão difícil enxergar — Isn't too hard to see

Estamos no paraíso — We're in heaven

Paraíso... — Heaven...

Oh — Oh

Seus olhos se abriram e ele olhou dentro dos meus ao sussurrar os últimos versos.

Você é tudo o que quero — You're all that I want

Você é tudo o que preciso — You're all that I need

‒ Eu te amo Elizabeth Sanders.

Notas finais
Ai, tem um olho na minha lágrima. É impossível não chorar toda vez que escuto essa música. E então meus amorecos, gostaram? :3 Espero enormemente que sim, por quê fiz com todo carinho e revisei e reescrevi umas 10 vezes antes de postar aqui. Até a próxima!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!