Heaven

5 Onze e cinquenta...


Notas iniciais
Grandinho esse capítulo em...Espero que gostem!

Esse foi o horário em que cheguei ao beco escuro e sombrio, o qual os drogados estavam acostumados a freqüentar. Era uma noite de terça feira, e o local estava vazio, claro que havia pessoas consumindo drogas, mas não muitas. Eu assistia a tudo aquilo morrendo de vontade de comprar algumas gramas, etc, mas resolvi procurar saber da tal Kate primeiro, e depois, quem sabe consumir alguma coisa.

Entrei no prostíbulo meio inseguro, o beco poderia estar vazio, mas lá dentro havia muitas pessoas, transitando pra lá e pra cá. Fui até a recepção e procurei saber onde se encontrava a “chefia”.

- Oi, boa noite. Gostaria de saber onde esta o responsável sobre este lugar... Estou querendo falar com ele, sobre uma de suas garotas. – Eu, já fui explicando logo de car pois não queria que aquela mulher me enchesse de perguntas sobre quem eu sou, de onde vim, essas coisas. Ela me analisou e perguntou:

- Por um acaso, ela fez alguma coisa que não foi de seu agrado? Digo... Roubou, surrou você, essas coisas?

- Surrar? – Soltei uma pequena risada. – Não, não me surrou e também não me roubou.

Ela arregalou os olhos e sorriu.

- Então, qual o motivo da sua presença aqui?

Eu abaixei a cabeça pensando em formular alguma mentira, mas desisti. Olhei para ela e disse:

- Se não se importa, eu gostaria de falar isso, apenas com o responsável.

Ela me olhou meio decepcionada. Caminhamos até o final de um corredor, que estranhamente só tinha duas portas. A primeira bem no começo e a ultima, bem no fim do corredor, quase que não dava para perceber. E então, ela bateu nessa porta, e entrou. Ficou ali durante uns cinco minutos e quando saiu me disse que eu poderia entrar.

Quando entrei, dei de cara com uma mesa de madeira escura e de boa qualidade, duas poltronas aparentemente macias feitas de couro, um armário cujas portas eram feitas de vidro, expondo os vários tipos de bebidas que ali se encontravam guardados. Atrás da mesa havia uma poltrona grande, que escondia a silhueta. Não consegui perceber se era homem ou mulher. E então... Quebrei o silencio.

- Hm... Boa noite, eu acho – Eu estava meio sem graça, e quase não foi possível ouvir a minha voz.

A cadeira virou-se, dando bem para perceber quem era... Um homem. Ele me mediu da cabeça aos pés, e eu fiz isso também. Ele era aparentemente velho, deveria ter uns 49, quase 50 anos. Era um tanto gordo, seus cabelos grisalhos, e a cor de sua pele era tão branca que se colocássemos um papel do lado, dava para confundir. Ele me olhou novamente, não havia fúria, mas sim, alguma coisa que o intrigava, afinal, se eu não estava La por uma reclamação, o que seria?

Kate havia deixado o seu numero no bilhete, mas antes de ligar para ela, queria saber primeiro, quem era ela.

- Boa noite! Prazer sou Luiggi, como se chama?

- Meu nome é John. John Frusciante.

- Sei... Sei bem quem é você! Uma de nossas melhores garotas foi sua cliente, e no dia seguinte você saiu sem pagar o serviço. Creio que esta aqui pór isso, já que não é nenhuma reclamação como fiquei sabendo.

Caralho! Havia me esquecido dessa merda. Ainda bem que peguei minha carteira e o dinheiro que restava.

-Sim, estou aqui por isso e também por outro motivo. – Eu disse, com um ar de mistério.

- Muito bem, então pague e depois fale sobre o verdadeiro motivo. Sente-se!

Sentei-me na cadeira de couro marrom, bem confortável. Paguei Luiggi e ele me deu um recibo em troca, depois comecei a explicar o porquê de minha ida até o local.

-Bom... Você esta aqui para saber quem é a tal Kate? Somente uma coisa cara: simplesmente a melhor.

- A MELHOR? Ok, ela pode ser a melhor, mas quero saber sobre sua historia, de onde ela surgiu... Quem é ela! Entende? Tem como explicar?

Ele arregalou os olhos e começou a contar, e eu? Bom, escutava á aquele bombardeio de informações com atenção.

- John... Bom, vamos lá. Kate começou com a gente quando tinha apenas 17 anos. Seu pai havia feito uma viagem durante o verão de 86 e ele não sabia quanto tempo duraria aquilo. Ele foi embora deixando Kate sem nenhum dinheiro no bolso, e ela tinha que se virar de alguma forma. Procurou emprego decente por tudo quanto era lugar, mas não havia encontrado nada, foi ai que então conheceu a gente. No começo de sua “carreira” aqui foi difícil demais pra ela se acostumar com essa vida, se drogava quase todos os dias para agüentar a pressão que exercia. Até que ela resolveu parar com as drogas e também com esse emprego maluco que eu ofereço aos outros. Quando você estava aqui, foi a ultima noite de trabalho dela. Minha nossa, ainda bem que ela se recuperou das drogas, porque se continuasse teria morrido, com certeza. Eu também fiz parte disso e sei bem como é, não consegui me livrar de tudo, como ela, pois ainda fumo. Ela cara... Ela é uma inspiração para qualquer um, e eu, realmente desejo o melhor para essa garota.

Quando Luiggi terminou de contar tudo aquilo, eu fiquei pasmo. Kate era uma vencedora e merecia o respeito de muitas pessoas, e com certeza, servia de inspiração para elas também. Suspirei e disse:

- Nossa Luiggi! Estou impressionado com a capacidade dela! Muito obrigado por ter me ajudado nessa cara... Só mais uma coisa, o que fez com que ela parasse de ser garota de programa?

Luiggi olhou-me, abriu a boca parecendo pensar em alguma resposta para a minha pergunta.

- Bom John... Creio que foi pela volta de seu pai, há umas semanas atrás, mas para lhe dizer a verdade, Kate não nos falou o motivo, apenas disse que queria cair fora, e então nós a demitimos.

- Entendi! Mas uma vez, obrigada por essas informações.

Levantei-me da cadeira, apertei a mão de Luiggi. Ele me levou até a porta e depois eu fui embora. Passei novamente pelo beco, e também a ponte, mas fingi que não vi. Kate havia me inspirado aquela noite, mesmo nunca tendo conversado com ela.

Cheguei em casa, e só estava lá Flea e Chad. Anth havia saído para se drogar, beber, ou quem sabe os dois, com direito a mulheres e festa. Flea estava em seu quarto com sua garota, e Chad encontrava-se na sala. Ele veio até mim, e me perguntou se eu havia obtido alguma resposta. Contei tudo o que Luiggi havia me dito, ele se espantou e disse:

- John! Caralho sabia que esse nome não me era estranho! Kate é filha de um velho amigo de meu pai... Eu não tenho muito contato com ela, mas sabia de algumas coisas. Ela é... Vamos dizer incrível! Quando eu tinha meus quinze anos, ela era minha paixão, mas daí com a separação dos pais dela, essas coisas eu fui perdendo o contato e hoje ela não deve se lembrar de mim.

Eu? Eu dei uma puta risada, arregalei os olhos e disse:

- Seu filho da puta! Ta de brincadeira com a minha cara, só pode né?!

- Não to porra, to te falando! Ta esperando o que para ligar pra ela?

De um abraço em Chad, agradeci o seu apoio e subi as escadas correndo, em direção ao meu quarto. Quando cheguei lá em cima, alguns barulhos alheios entre Flea e sua garota estavam bem perceptíveis, mas eu pouco liguei.

Abria a porta do meu quarto, entrei e joguei meu casaco em cima da cama. Na gaveta havia o bilhete, onde se encontrava o numero. Disquei. Errei umas dez vezes até finalmente acertar, e fiquei esperando a voz de Kate do outro lado da linha.