Heat-Haze Days
6 Memórias
Notas iniciais
Mil desculpas pela demora, mas eu realmente estou numa correria geral :c
Além de que estava sofrendo de um terrível bloqueio de criatividade e me desviei um pouco do que eu havia planejado para a história anteriormente. Mas esse capítulo ajeita tudo e blá blá blá. Esse daqui vai ser bom (ounão) pra resolver algumas dúvidas e, bem, me trazer algumas ameaças de morte, hehehehe ♥
E eu também escrevi uma one-shot sobre um OC meu, se alguém quiser ler e deixar review, me deixaria incrivelmente feliz X3
http://fanfiction.com.br/historia/325727/Os_Gritos_Do_Tigre/ ♥
Sem mais enrolações e uma ótima leitura pra você ^u^
Eu realmente não estava com paciência para aquilo.
Acordei sentado, com as costas apoiadas em uma das várias paredes da sala preta. Levantei-me de um salto, sentindo-me um pouco tonto por alguns segundos, e olhei em volta, procurando por Lenny. Não demorei muito para acha-lo sentado de pernas cruzadas em frente a um relógio, de costas para mim. O capuz de seu casaco estava puxado por cima de sua cabeça e suas costas, curvadas para a frente, como se ele estivesse hipnotizado pelo que via em sua frente. Andei até ele num ritmo apressado, enquanto tentava decidir se eu estava bravo, triste ou em choque. No fim, não consegui me decidir.
Sentando-me ao lado direito de meu outro eu, percebi que uma espécie de filme estava sendo exibido no relógio em sua frente. Era exatamente a mesma visão que eu tivera antes, ainda na escadaria da escola. Grunhi e desviei os olhos. Exceto por seus lábios, Lenny não se moveu.
– Maravilhoso, não?
Virei minha cabeça, encarando-o. Grande parte da lateral de seu rosto estava suja de sangue, de um corte vindo do topo de sua cabeça, porém ele sorria de uma maneira suave, como se ignorasse o fato de que havia acabado de “morrer”, algo que ele logo assistiria no fim do suposto filme, e apenas ligasse para o beijo. Assisti a tudo mais uma vez: a conversa, Rin puxando a gola de Lenny, o beijo, a queda. Um arrepio percorreu a minha espinha. Me ver morrer, tecnicamente, era tão ruim quanto vê-la morrer. Ou pior.
– Mas... Lenny...
– Lenny – ele riu. – Como você sabia?
– Sabia o quê?
– Ela sempre me chamou de Lenny. Sempre. Desde que nos conhecemos. – Suspirou, sorrindo. – Éramos como irmãos.
– Mas... E a Rilla?
– Nem sei quem é – deu de ombros, sem tirar os olhos do relógio.
– Então como sabia dela da primeira vez?!
Ele riu.
– Nós, sendo a mesma pessoa, estamos conectados, de certa forma. Não sentimos a mesma dor, é claro, não temos os mesmo pensamentos ou as mesmas emoções. Mas sabemos o que é importante um para o outro. Quero dizer... Você viu. – Ele inclinou seu queixo levemente para cima, indicando o relógio. – Eu não me lembro de nada até morrer. Digo, até que a sua Rin morra. E aí... Tudo volta, sabe? O pior até agora foram as vigas de metal. E essa foi a melhor – sorriu novamente, sonhador.
Eu não sabia o que dizer. Ele estava certo. Lá no fundo, eu sabia o que era importante para ele: Rin, seus pais, seus experimentos químicos secretos no banheiro da escola. Mas o que eu não conseguia entender era por que ele me confundira tanto sobre Rin e minha irmã? Eu ainda tinha minhas dúvidas sobre elas serem pessoas diferentes. Rin era incrivelmente parecida comigo e conhecia o meu parquinho. Quando eu tentava lembrar-me de minha irmã, via seu rosto ao ser baleada. Mesmo que não de sangue, ela tinha uma forte relação com o eu do outro mundo. Os nomes eram parecidos. Era loucura, mas, ainda assim, era plausível.
– Você... não lembra de mais nada? – perguntei, na esperança de ter uma pequena, mesmo a menor que fosse, informação que pudesse me ajudar com minhas dúvidas sobre Rilla e Rin.
– Eu já disse que não. Se você quiser, posso te contar a minha vida toda, mas quando morro, lembro-me somente até o dia anterior à morte. Apenas revivendo as minhas mortes, vendo a sua Rin morrer, é que consigo me lembrar do resto. Mas eu morri centenas de vezes. Sei de apenas três das minhas mortes. Não acho que seja de muita utilidade. – ele soltou uma risada maldosa, como se tirasse sarro de si mesmo.
Suspirei. Não havia nada mais que eu pudesse perguntar. Nenhuma das minhas perguntas seria respondida. Não, pensei. Há uma.
– Como foi?
– Como foi o quê?
– O beijo, Lenny. Naquela hora, eu... eu senti o calor dos lábios dela, como se, por um momento, eu estivesse no seu corpo. Acho que você já sabe, mas eu nunca tive, nem de perto, uma namorada ou algo próximo a isso. Como foi?
– Quer saber, é? – ele sorriu, com seu velho sorriso sarcástico de volta. Perdido em devaneios, não notei sua malícia e apenas assenti. Senti um empurrão no meu braço e o tum! de minha própria cabeça batendo no chão. Depois de alguns instantes desconcentrado, consegui focalizar meu olhar e vi que Lenny estava por cima de mim, sorrindo. Uma gota quente de seu sangue pingou em minha bochecha esquerda, evaporando quase que imediatamente.
– O-O que você...?
– Você quer saber, não quer? – interrompeu-me ele. Soltei um pequeno arquejo quando ele começou a aproximar seu rosto do meu, com as pálpebras um pouco abaixadas e os olhos castanhos que não perdiam o foco dos meus. Com o rosto a menos de cinco centímetros de mim, ele, lentamente, sussurrou com uma voz rouca: – Eu sei que quer...
Mas, antes que eu pudesse pensar em me preparar para o pior, Lenny se impulsionou para trás e começou a rir histericamente. Sentei-me, arquejante, pois, sem que percebesse, havia prendido a respiração.
– O que foi isso?! – gritei, numa mistura de susto e indignação. Oras, por que ele não havia logo terminado aquilo? Lenny continuava rindo. – Responda!
– A sua cara... Você devia ter visto a sua cara...! – Ele quase rolava no chão, agarrando a barriga como se nunca tivesse caído das escadas e um de seus braços não estivessem quebrados. Senti meu sangue subindo para as bochechas. Era possível que eu fosse assim tão irritante?
– Você é um idiota.
– Nós somos uns idiotas!
– Cale a boca! – gritei novamente, irritado.
Aos poucos, ele foi se acalmando e, quando deixou de rir por completo, se levantou, com os braços abertos enquanto sua cabeça ia de um lado para o outro ao admirar seu próprio corpo, que – apenas agora eu notara – havia se regenerado.
– Como isso é possível? – perguntei, boquiaberto. Ele havia se regenerado tão rápido que eu nem percebera. Encarei-o, ainda sentado, procurando o mínimo traço de ferimentos, mas não encontrei nenhum, o que fez o famoso sorriso debochado no rosto de Lenny aumentar.
– Não é. Agora vá dormir, princesinha, precisamos morrer mais uma vez.
Notas finais
Eu, honestamente, não gostei desse capítulo, pra mim é mais um filler do que qualquer outra coisa XP
Mas, e aí, o quebra cabeça já tem mais uma peça montada? XD
O que acharam do semi-beijo? Vou receber ameaças por ter sido troll ou porque ficou ou lixo? -qq XDD
Bem, é só isso mesmo, eu acho, um capítulo monótono, cheio de diálogos e um little shounen ai XC
Me desculpem, mas eu precisava dar uma atualizada aqui, estava há quase um mês sem postar nada ;-;
Prometo que o próximo capítulo será (muito) melhor, pois já sei exatamente como escrevê-lo *-*
Por favor, mandem reviews ♥
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