Heat-Haze Days

4 Dor no peito


Notas iniciais
CHEGUEEEEEEEEEEEEI! *u*
Desculpa a demora, gente, mas a inspiração demorou pra chegar /mentira
Ok, nem tanto.
Mas eu fui viajar e fiquei sem net por duas semanas e, nessas duas semanas, a maravilha da inspiração não veio /yaoming
AÍ, quando eu tava voltando pra casa no carro me veio a ideia do estado da névoa de calor que vocês vão ver aí embaixo, que eu já tinha, mas desenvolvi melhor e pans.
E AÍ HOJE EU VI QUE FAVORITARAM A FIC!!!!! ;w;
Muitíssimo obrigada, Sorynda Chronos! ♥
Sério, pra quem não publica fics, vocês não têm noção do quanto isso é bom. Sério mesmo. ♥
MAS CHEGA DE ENROLAÇÃO
E boa leitura! ♥

Acordei com o tic tac irritante do relógio de parede do meu quarto, com a cabeça latejando e os raios de sol na janela queimando-me a pele. Era engraçado como eu não estava conseguindo me lembrar de nada do dia ou noite anterior, mas nada anormal. Era sempre assim. Quando eu acordava, geralmente depois de algum pesadelo ou algo do tipo, demorava um bom tempo para me lembrar das coisas, sempre com uma dor de cabeça horrível. Hoje não era diferente.

Fui me arrastando preguiçosamente para a cozinha, coçando os olhos e bocejando a cada passo.

–Oi, mãe. Oi, pa...

– Você não pode fazer isso, Guilherme! – minha mãe gritou.

Déjà vu, pensei.

Aquilo já havia acontecido antes. Mas era impossível, pois estava acontecendo agora. Talvez algo parecido acontecera antes, já que essas cenas repetiam-se quase todos os dias. Suspirei e encolhi os ombros, passando direto para a cozinha, fazendo meu café da manhã de pão com manteiga e saí correndo para o meu parquinho.

Aquela foi uma das poucas vezes que eu quis chorar.

Não era como se eu fosse “machão”, não chorasse nunca e não me importasse com os problemas em casa. Não. Eu não era “machão”, chorava e me importava, e muito, com os problemas. Mas naquele instante eu me toquei que era completamente impotente em relação à isso, não faria diferença nenhuma se eu me impusesse e tentasse parar esse inferno. Não iria parar. Nunca. Eu seria sempre um fardo para os meus pais, que nunca mais se entenderiam e nunca mais seriam felizes. Mal me lembrava da última vez que os vira sorrindo. E, mesmo que eu tentasse me botar para cima, mesmo que eu tentasse tirar esse pensamento da cabeça, uma parte lá no fundo não parava de me dizer: “É culpa sua. Você trapaceou. Foi mesquinho e desonesto e acabou com a vida de todos.”

Sem que me desse conta, estava chorando.


Cheguei ao parquinho algum tempo depois. Não me dei ao trabalho de olhar o relógio no meu pulso. As cigarras irritantes cantavam alto como sempre. O que eu mais tinha vontade de fazer era matar todas para deixar o local silencioso. Mas, certa vez, quando estava prestes a ligar para o dedetizador, algo me parou. As cigarras sempre estiveram lá. O parquinho ficaria incompleto sem elas, eu sabia disso. Era como tirar o cacau do chocolate. Enfim. Continuei andando, tentando não prestar muita atenção ao barulho. Distraidamente, fui sentar-me em um dos balanços, mas então percebi que havia alguém lá.


Impossível.

A garota com a qual eu havia sonhado na noite anterior estava lá. Eu não havia me dado ao trabalho de tentar me lembrar dos sonhos da noite passada, mas naquele momento tudo veio à tona. Era exatamente a mesma garota. Olhos azuis, cabelo louro, um gato preto no colo. Será que eu era uma espécie de vidente ou algo assim?

Pisquei algumas vezes, confuso, tentando reorganizar a mente e me afastei rapidamente, envergonhado pelo fato de que várias lágrimas rolavam pelo meu rosto e meus olhos provavelmente estavam vermelhos e inchados. E, é claro, eu quase me sentara em cima dela.

– M-Me desculpe – gaguejei. – E-Eu não havia t-te visto aí e...

– Não se preocupe! – a menina sorriu docemente, parecendo ignorar minha aparência. – Não há problema nenhum. Eu mesma estava distraída e... – ela se levantou, assustando o gato, que correu para a rua. – Oh! – ela saiu correndo atrás do animal. Num reflexo, segurei o braço dela com força, mas não o suficiente para machuca-la, eu esperava.

– Não vá. Por favor.

Ela me olhou com uma cara confusa, franzindo o cenho como se perguntasse: “Qual o seu problema?” A menina voltou a encarar a rua, seguindo o gato com os olhos. No instante que este atingiu a calçada um enorme caminhão vermelho passou cantando pneu pela estrada. Senti que a menina estremeceu e, em seguida, encarou-me por alguns instantes, tentando entender como eu havia previsto aquilo, o que me deixou extremamente desconfortável, fazendo-me desviar o olhar.

– Obrigada – disse ela finalmente, com a voz trêmula.

– É... É melhor irmos embora, sim?

Ela assentiu com a cabeça e pomo-nos a caminhar. Um silêncio quase mortal se estendeu, então. Eu queria fazer perguntas como qual era o nome dela, como se infiltrara em meus sonhos e...

De repente, vi a névoa de calor à minha frente, sorrindo, enquanto as pessoas à nossa volta começaram a gritar, apontando para o prédio acima de nós.

Minha primeira impressão foi de que o céu estava caindo. Instantes depois, percebi que eram vigas, enormes vigas de metal, que haviam se desprendido da construção em andamento. Antes mesmo que eu pudesse suspirar de susto, quatro delas, com as pontas afiadas como enormes facas, já estavam em cima de mim e da menina que, num simples e forte gesto, me empurrou para longe, fazendo-me cair de costas no chão.

O mundo desacelerou, então.

Enquanto caía, estendi meu braço, tentando desesperadamente puxar a menina comigo, mas era tarde demais. Uma enorme viga caiu em cima dela, a ponta para baixo. O grito que a menina soltou foi tão alto e cheio de agonia que, por um momento, pude sentir sua dor, algo imensamente terrível, impossível de ser explicado. Uma outra viga, menor porém, acertou meu rosto, mas fez apenas um pequenino corte em minha bochecha e quase não o senti. A voz da névoa de calor ecoava na minha cabeça: não é um sonho, não é um sonho.

Quando meu corpo finalmente atingiu o chão, bati a cabeça com força e, enquanto minha visão escurecia, tive meu último vislumbre da menina, caída no chão com a viga enfiada nas costas. Porém seus lábios estavam curvados no que parecia ser um sorriso, um riso...


Acordei novamente na sala dos relógios. Mesmo que não pudesse vê-la, era impossível que eu não a reconhecesse pelos tic tac dos relógios à minha volta, todos perfeitamente sincronizados. Depois de alguns segundos esperando minha visão se acostumar à pouca luz, pude ver que o outro eu estava encostado numa parece à minha frente, bloqueando minha visão de um relógio que com certeza estava atrás dele. Mas havia algo de estranho nele desta vez. Quero dizer, mais estranho. Ele olhava fixamente para o chão, sua mão agarrada ao casaco com força, puxando-o para baixo, quase por rasgá-lo. Ele respirava com tanta dificuldade que, por um instante, pensei que fosse asmático. Era uma respiração pesada, alta, que parecia ineficaz à sua necessidade de ar. De tempos em tempos, ele engolia em seco, tentando dar um pequeno descanso à sua garganta que, visivelmente, esforçava-se mais do que conseguia. Gotas de suor alaranjadas caiam sem parar de seu rosto, desfazendo-se no chão em pequenas nuvens de vapor laranja que se dissolviam rapidamente no ar. Suas pernas fraquejavam a cada estremecimento de seu corpo, o que o fazia quase cair no chão, mas, com a mão livre, ele se apoiava na parede e ficava novamente em pé, sem nunca mostrar o relógio atrás dele.

Por mais incrível que pareça, ele pareceu não me notar.

Fiquei algum tempo a encará-lo. Segundos, minutos, não importa. Ele parecia realmente mal. Tive um enorme impulso de ajudá-lo, mas hesitei. Não sabia se conseguiria tocá-lo, já que ele não era feito de nada mais do que calor e fumaça. Dei um passo à frente, que ecoou por toda a sala, mais alto do que os relógios ao redor. Foi aí que a névoa olhou para a frente e sorriu para mim.

– Vejo que chegou mais c-cedo – sua voz fraquejou e ele deu mais uma agoniante tragada no ar.

– Sim... eu acho... – disse, visivelmente desconfortável com a situação.

Mesmo que eu o odiasse, éramos a mesma pessoa – porém diferentes, como ele dizia – e eu queria muito, muito ajudá-lo. Vê-lo sofrendo daquele jeito me fez lembrar dos últimos suspiros de minha irmã que, mesmo no fim, sorrira. Eu precisava fazer alguma coisa, mas não sabia o quê. Como se lesse os meus pensamentos, ele disse:

– Não s-se preocupe. D-Daqui a pouco... – respirou fundo, ou pelo menos tentou. Suas pernas fraquejaram e, dessa vez, ele não conseguiu se apoiar a tempo e caiu no chão, revelando o relógio. Este estava completamente manchado com sangue. Sangue fresco. O ponteiro marcava um horário familiar, como o da outra vez que, por mais que eu tentasse me negar, não fora um sonho. Porém, desta vez, ele estava um pouco mais adiantado, como se eu e a garota tivéssemos avançado um pouco mais no tempo. Encarei o relógio por alguns instantes, atônito, quando a névoa de calor soltou um risinho agudo e sem fôlego. – Ainda não entendeu nada?

Finalmente saindo do transe, olhei para a névoa. Ainda respirava pesadamente, mas nem tanto, fazendo ruídos mais baixos. Estava jogado no chão imóvel, exceto por seu peito que subia e descia, por sua boca que falava, e olhos que me encaravam e tremiam a cada respiração dolorosa. As mãos estavam jogadas ao lado do corpo, sujas de seu sangue laranja escuro, que cada vez mais se arrastava pelo chão. Seus tênis estavam respingados com sangue também, uma das pernas dobrada numa tentativa frustrada de se levantar.

Ele está machucado, percebi, um pouco atrasado. Não é apenas dificuldade de respirar.

– O que aconteceu? – perguntei, preocupado. Minha voz tremia. – P-Precisa de ajuda? O que for...

– Não! – me cortou ele, bruscamente. – Só de tempo. Mas p-pense, Len, pense. Por que es-stou assim? – E, ao dizer isso, desapareceu, deixando-me sozinho com os relógios.

Notas finais
E aí, gostaram? :3
Odiaram? :3
Mandem reviews, pwease ♥
Bem, eu dei umas relidas e percebi que eu respondo um monte de reviews com outras perguntas -Q Então, caso você estiver lendo isso, por favor me mande uma e, se possível, respondendo:
- A escrita tá corrida demais?
- Ainda tá extremamente confuso?
- Deu pra sacar alguma coisa, por mínima que seja, nesse finzinho? (Porque eu tô tentando ao máximo manter o ~mistério~ sem que fique cansativo, bobo e/ou confuso.)
- Posso fazer um shounen-ai Névoa de calor X Len? -nnnnn
^Sério, depois do capítulo anterior, eu tô shippando eles dois DEMAIS. ♥
Enfim, é isso :3
Só queria comentar que eu não divide esse capítulo em dois porque:
1- Ia ser capítulo demais pra história de menos
2- Um capítulo só ficou bom, na minha opinião.
Agora sim, é isso ♥
Por favor comentem ♥