Notas iniciais
Antes de mais nada quero esclarecer que isso é uma adaptação do episódio 13 da primeira temporada de How I Met Your Mother.

Espero que gostem. Boa leitura!

Era apenas 9 da manhã quando ele acordou. Estava cansado, exausto na verdade, mas uma pequena parte de si muito contente.

Havia tido uma noite inesquecível.

Tudo havia começado alguns minutos após a cerimônia de casamento de um de seus melhores amigos. Benny e Andrea eram o casal perfeito, haviam simplesmente sido feitos um para o outro. E por mais que não admitisse, Dean queria algo assim, encontrar alguém sem complicações, porque sabia que quando achasse a pessoa certa seria tudo mais fácil, não haveria nada de complicado, sem desentendimentos no caminho, tudo se encaixaria perfeitamente.

Mas ele ainda não havia achado a pessoa certa, e pelo o que tudo indicava, não estava nem perto. Por isso estava tão ranzinza na noite do casamento. Ver todos aqueles casais felizes e sorridentes na pista de dança apenas o lembrava do quanto queria aquilo para si mesmo.

A festa estava apenas começando, mas Dean já cogitava se levantar para dar os parabéns à Benny e Andrea e ir embora. Ficar sentado em uma mesa com Gabriel ― outro de seus melhores amigos, apesar de se questionar em uma base diária o porque exatamente era amigo de Gabe, e nunca saber a resposta ― enquanto ele preparava uma lista de quantas das madrinhas ele iria tentar levar para a cama naquela noite não era fácil.

― Olha só aquela ali do canto ― sem saber ser discreto, o mais baixo apontou a moça com seu pirulito de cereja ― Ela é baixinha, mas tem uns peitões. Ela é metade peito! ― o rapaz riu.

― Você me enoja ― Dean tentou parecer sério apesar de ter rido um pouco.

― É uma pena seu irmão não tá aqui, senão colocava ele na lista também ― ele disse para si mesmo mais do que para qualquer outra pessoa. Dean apenas revirou os olhos e fez mais cara de nojo.

No decorrer da noite, Gabriel continuou tagarelando ao seu lado por mais meia hora, mas de tudo o que ele disse, Dean não ouvira nem a metade. Sua cadeira estava virada para o salão, tinha uma bebida em mãos e um olhar distante, fitando um ponto fixo à frente sem realmente estar o vendo. Era como se o mundo continuasse a girar do lado de fora enquanto ele estava em um mundo só seu dentro da própria cabeça.

Sua bebida não estava nem pela metade quando decidiu que deveria voltar para casa. Benny estava no centro do salão, dançando uma música lenta com a sua então esposa. Esperaria a dança acabar para que fosse cumprimentá-lo e então partiria. Não diria nada a Gabe, pois não queria ouvir mais um de seus discursos sobre como deveria viver mais a vida e parar de ficar a espera de alguém que possivelmente não iria chegar.

Tentando não chamar a atenção, o Winchester discretamente se levantou da cadeira, dizendo ir ao bar pegar mais uma bebida. A bartender era uma morena de olhos castanhos, que jogava beijos e piscadas para qualquer um que lhe desse a oportunidade. Do lado esquerdo de seu peito havia uma pequena placa com nome do buffet e sua identificação, mas tudo o que Dean conseguiu ver foi o nome 'Meg'.

Ainda incerto de tudo, ele entornou seu copo e pediu mais um. A música que Benny dançava não parecia ter mais fim.

Já com seu segundo copo em mãos, Dean se inclinou de costas sobre o balcão e voltou a observar as pessoas espalhadas pelo salão. Pessoas dançavam ao ritmo lento coladas umas às outras no centro, enquanto Garth se requebrava entre eles como se estivesse em uma balada. Desconfiava que o rapaz estivesse bêbado, afinal uma garrafa era o suficiente para derrubá-lo. Mas Garth estava entre amigos e apesar de rirem dele não o faziam com maldade, apenas filmavam para constrangimentos futuros.

Charlie também estava na dança, flertando discretamente com uma de suas paixões de longa data, Dorothy. A ruiva estava deslumbrante, com um vestido rosa claro de cetim que realçava seus cabelos avermelhados. Dean havia a ajudado a escolhê-lo. Char sempre dizia que ele tinha bom gosto. Ela não estava errada.

Ele sorriu ao ver que ruiva o notara, quando ela levantou os dois dedões no ar com um sorriso gigante em sinal de aprovação.

Virando-se para o outro lado do salão, havia as mesas. Dean passou o olhar superficialmente naquela direção, poucas coisas conseguiram prender sua atenção ali, como a mesa dos padrinhos que pareciam fazer uma disputa de queda de braço ― pelo o que pode ver Luke e Mike eram os finalistas ―; algumas mulheres enrolando a barra do vestido para não se atrapalharem na hora de pegar o buquê; Gabe tentando seduzir três mulheres de uma só vez, seguido de três tapas na cara consecutivos; e ele.

Não sabia o porque, mas o momento em que seus olhos o encontraram tudo parou. Não o conhecia, mas queria ter a oportunidade. Ele estava sentado em uma mesa junto às madrinhas do casamento, todas conversando entre si e muitas ao mesmo tempo. Estava de fora da conversa, sozinho mesmo rodeado de pessoas, olhava para os lados desesperançoso, assim como Dean minutos atrás, procurando algo com que se distrair.

Mesmo a distância, Dean poderia jurar que era o homem mais lindo que já tinha visto, mas não imaginava o quanto até ver o homem de cabelos escuros distraidamente virar o rosto justamente em sua direção e o pegar o encarando, apenas para que pudesse ter um pequeno vislumbre dos olhos mais azuis que já vira na vida.

Envergonhado por estar sendo observado, o moreno abaixou a cabeça com as bochechas coradas, e ao levantar o olhar novamente e sorrir, Dean não pensou duas vezes antes de sorrir de volta.

Em meio a tantas pessoas encontrou uma só. A que importava.

Mas a noite estava só começando.

* * * * * * * * * * * * *

Na manhã seguinte à do casamento, ao acordar, Dean foi logo em direção à cozinha. Pretendia fazer um café bem forte para despertar do sono, mas foi parado na sala de estar por uma ruiva curiosa e um viciado em doces acomodados em seu sofá.

Charlie, Gabriel e Dean eram amigos desde o colégio, nunca haviam se separado, e quando tomaram a decisão de se mudarem para uma cidade maior pra seguirem seus planos de vida resolveram fazer isso juntos, comprando um apartamento em Nova York para os três.

― Entãaao ― a ruiva disse entusiasmada ― o que aconteceu ontem a noite que você desapareceu?

Com um sorriso bobo no rosto ele se jogou no sofá ao dizer.

― Char, eu tive a melhor noite de todas.

― Ah, nem me diga! Vocês provaram aquele bolo?! Eu queria casar com ele ― interrompeu Gabriel.

― Não é?! Eu juro que por um segundo ouvi o meu estômago dizer "amiga, não sei o que está comendo, mas manda mais que tá bom". ― complementou Charlie.

Rindo com a fácil distração dos amigos, Dean pigarreou tentando voltar a sua história.

― Ah, certo. Você estava dizendo sobre a melhor noite da sua vida ― a ruiva disse recobrando a atenção em Dean.

//

― Não odeia esses momentos de falsa felicidade, que são ótimos enquanto acontecem, mas não são reais ― o homem de olhos azuis disse.

Dean não sabia ao certo dizer a que ponto chegara ali, ou quando havia tomado a coragem de cruzar o salão e conversar com o moreno, mas não se arrependia nem por um segundo por ter o feito.

― Exato. Como agora, ver você tentar dançar a macarena com Garth ali atrás, não vou mentir pra você, não me impressionou ― Dean disse em tom de brincadeira.

― Ah, droga! Deveria me ver sapateando. Você cairia de joelhos.

Dean riu.

― Mas não tem problema, porque agora sei que é uma miragem. É tudo por causa do casamento sabe, as pessoas ficam carentes e a ocasião as fazem refletir na própria vida, e tudo e todos de repente parecem ser mais atraentesdisse o Winchester.

O moreno apenas concordou com a cabeça.

― E é por isso que não estou me insinuando pra você agora ― Dean prosseguiu com um brilho nos olhos.

― Então não estava se insinuando?

― O que? Você achou que isso foram insinuações? ― disse pretensioso ― Acredite, se eu estivesse me insinuando você saberia, pessoas a dez mesas de distância de nós saberiam.

― Ah, que pena ― o moreno se fingiu triste.

― Nem me fale.

― Mas sabe, acho que tenho uma solução pro nosso problema ― um sorriso aparecia novamente do rosto do de olhos azuis.

― Tenho interesse ― Dean aproximou mais sua cadeira.

― Mas pra isso funcionar nós não vamos dormir juntos essa noite ― o moreno concluiu.

― Tenho menos interesse ― brincou.

O outro riu de sua audácia, mas logo se voltou para ele a espera de uma resposta.

― Tudo bem, prossiga ― Dean concedeu.

― A coisa que sempre estraga tudo é o dia seguinte. Quando você não sabe exatamente o que fazer ou o que esperar da outra pessoa, vocês ficam naquele silêncio constrangedor sem saber o que dizer por mal se conhecerem ― disse com cuidado ― Então que tal pularmos essa parte? ― perguntou incerto.

― O que quer dizer?Dean perguntou.

― Quero dizer que eu estou aqui, e você ai, estamos em um casamento muito romântico e tudo mais. E se a gente só dançasse? Curtisse a noite e aproveitássemos, e quando ela acabar nunca mais nos vermos?

― A menos que―

― Não, sem mais nem menos. Sem e-mails, sem telefones, nem mesmo nomes. Essa noite criaremos uma memória que jamais será manchada. E daqui a alguns anos, quando estivermos velhos e grisalhos nos lembraremos dessa noite e ela ainda será perfeita.

Havia alguma coisa naquele moreno que despertava uma chama em Dean. O seu sorriso, o brilho dos seus olhos, o ar de mistério que pairava ao seu redor. Tudo nele parecia o atrair como um imã.

― Uau ― Dean não estava com a cabeça certa, sequer estava pensando no que aquilo resultaria, mas aceitaria qualquer coisa que lhe proporcionasse mais tempo com o moreno ― Tudo bem. Estou dentro.

O moreno sorriu em triunfo e Dean não pôde ficar mais feliz.

― Então, vamos ter que usar nomes falsos? ― o Winchester perguntou.

― Ahn ― o moreno levou a mão ao queixo pensando por um momento ― Pode me chamar de Pão de Mel.

Ele estendeu sua mão em cumprimento a Dean, o qual retribuiu o gesto.

― Prazer em te conhecer Pão de Mel, eu me chamo... ― sem se soltar da mão do moreno, Dean tentou pensar em um nome para si ― aaah, Jefferson Starships.

O de olhos azuis riu jogando sua cabeça para trás sem que ainda se soltasse de sua mão.

― Quer saber, isso é legal. Nossos nomes serão eternos mistérios e―

― Dean! ― gritou Gabriel atrás de si cutucando seu ombro ― Dean, Dean, Dean! Você já provou desse bem-casado? Come um pedaço sem lhe dar chances para uma resposta, o mais baixo enfiou o doce em sua boca forçando-o a dar uma mordida Ei, espera ai, eu disse só um pedaço, não é pra comer tudo.

Da mesma forma que veio, Gabe se foi, deixando para trás um Dean bastante frustrado e confuso.

― Então, ― o loiro abaixou a cabeça em derrota enquanto o moreno ria ― meu nome é Dean.

― Castiel ― o homem disse ― Mas sem sobrenomes! ― avisou.

― Sem sobrenomes ― ele concordou.

//

― Nãaaao, Dean. Qual o seu problema? ― Charlie o acertou com uma almofada.

― Essa foi a ideia mais estúpida que você já teve. E olha que o ranking é bem alto Jefferson Starships ― Gabe acrescentou.

― Não, não foi. Foi ótimo! Eu tive uma noite incrível e não tem como estragá-la. Simples ― contra argumentou dando de ombros.

― Meu pobre pequeno Deano ― Gabriel balançou a cabeça ― Como eu te explico? Veja bem, a noite passada eu comi o melhor bolo da minha vida! Você acha que eu vou deixar pra lá e viver apenas com as memórias dele? Não! Eu vou rastrear de onde veio o diabo desse bolo e vou comer mais bolo!

― Aquele bolo te conquistou, hein? ― Char o deu um meio abraço passando a mão em suas costas.

― Um dia nos encontraremos! ― Gabe encenou arrancando risada de todos.

― Mas e então, o que aconteceu? a ruiva perguntou se virando para Dean.

//

― Que tal sairmos daqui? ― Dean sussurrou no ouvido de Castiel.

― Gosto de como pensa, Dean.

Ele se levantou e então lhe deu o braço, ao que Castiel instintivamente concedeu. Estavam de saída do salão principal quando Dean o pediu que esperasse.

Indo discretamente até o bar, ele se escorou sobre o balcão fingindo esperar o seu pedido antes de sorrateiramente pegar uma garrafa de champanhe e duas taças que estavam próximas. Com a garrafa, as taças e Castiel em mãos, Dean logo deu um jeito de achar a saída mais próxima.

O lugar era enorme, e depois de tantas voltas no corredor, Dean e Castiel se encontraram em uma sala com uma grande sacada ao lado direito e um piano no centro.

Dean não era um expert, tampouco bom em tocar, nunca havia tido uma só aula de piano, mas sabia duas ou três músicas de cor que aprendera desde cedo vendo sua avó tocar.

Eles beberam algumas taças de champanhe, e Castiel insistiu que Dean tocasse, o qual só concordou com a condição de que o outro sapateasse para ele.

Ao fim da noite, para quem chegasse àquele corredor, seria possível ouvir o som de teclas sendo tocadas, e o bater de pés no chão completamente descompassado com a melodia.

Dean observava encantado, apesar do desajeito, Castiel pulando do meio da sala, batendo os pés no chão e girando com um sorriso enorme no rosto. Parecia mais uma criança com seu jeito espontâneo e sem se importar de fazer bonito, estava ali pela diversão.

A música acabou e Castiel se curvou para o loiro, como um artista que se curva à plateia após uma apresentação. Dean bateu palmas e assoviou, Castiel sorriu e se sentou ao seu lado no banquinho do piano.

― Foi lindo!

― Tenho que confessar uma coisa ― Cas disse como se fosse um segredo, mas Dean sabia que estava brincando ― Na verdade, eu não sei mesmo sapatear.

― É, eu meio que percebi ― retrucou.

Castiel deu um pequeno soco em seu braço e riu. Dean se aproximou mais de seu rosto, tentando vê-lo melhor, quando seus rostos estavam pertos o suficiente Castiel se afastou.

― Não vamos nos beijar essa noite.

― Nãao! ― Dean choramingou.

― Se nos beijamos vai estragar tudo. Tudo se torna mais real ― tentou explicar ao que Dean fazia bico ― Você pode acabar usando muita língua. Eu posso não usar o bastante, e de repente, boom, o encanto se acaba.

― Eu prometo usar a quantidade certa de língua ― ele se aproximou, mas Castiel colocou o dedo sobre sua boca o impedindo de chegar mais perto.

― E que tal isso... ― o moreno se virou no banco, ficando de frente para ele ― A melhor parte de um primeiro beijo é o que leva a ele. O exato momento antes dos lábios se tocarem. É como o rufar dos tambores, sabe, a excitação do momento. Então... que tal ficarmos só no rufo dos tambores?

― Oh, acredite, eu queria rufar os seus tambores hoje à noite ― brincou. Mas não era tão brincadeira assim.

― Dean, é sério!

― Tá bom ― ele se concertou na cadeira, também se sentando de frente para o outro.

― Mas não podemos nos beijar! ― o moreno avisou.

― Ah, fazer o que né?!

― Dean...

― Okay.

Seus rostos então se aproximaram, seus narizes se tocaram e olhares se encontraram. Dean partiu levemente os lábios com a plena consciência de que não poderia concretizar o ato, mas aquilo só tornava as coisas mais excitantes.

Cas estava certo, o momento antes do tocar dos lábios, o frio na barriga que se sente, faltando tão pouco para ser algo mais, a excitação do momento. O rufar dos tambores. Por um momento, Dean pensou que Cas iria fechar a distância. Ele não o fez. Aproximou o rosto ao seu o máximo que pode, olhando dentro dos seus olhos como a primeira vez naquela noite, tímido e intrigante.

//

― Um rufo de tambor? ― Gabe perguntou indignado, ao que Dean acenou com a cabeça ― Tá de zuera comigo? Olha que eu dou na sua cara.

― Então foi só isso? ― disse Charlie incrédula ― Você simplesmente disse boa noite, veio pra casa, e rufou seu tambor sozinho?

Gabe riu dando um "toca aqui" na ruiva.

― Mais ou menos isso.

― Ah, Dean você às vezes é tão estúpido. Esse cara parace ser um sonho a ruiva reclamou.

― Ele era absolutamente maravilhoso, Char. Mas agora não importa. Ele era ótimo e engraçado e nunca me dei tão bem com alguém antes. E eu nunca vou vê-lo de novo.

Dean não havia pensado muito no que aquilo implicaria, talvez porque não quisesse e preferisse pensar que estava bem assim. Isso era, até aquela manhã, ates de reviver todos os momentos em sua cabeça e perceber que apenas as memórias de Castiel e uma noite perfeita não seriam o suficiente.

― Droga! Eu preciso vê-lo de novo! ― disse em sua epifania.

― SIM! ― Gabe e Char disseram em uníssono.

― Vamos lá, mãos a obra ― Gabe se levantou do sofá junto de Dean arregaçando as mangas de seu roupão, como se estivesse prestes a de fato fazer algo a respeito ― O que mais sabe sobre ele?

― Nada. Só o que eu disse.

― Sabe quem poderia nos dizer mais sobre seu homem misterioso? Benny.

― Benny! ― Dean exclamou ― Benny deve saber quem ele era. Eu vou ligar pra ele.

Pegou o telefone, estava prestes a discar o número quando Charlie o impediu.

― Benny está na lua de mel dele agora. Ligue quando ele voltar, daqui a duas semanas ― disse a ruiva.

― Ou então, liga agora e daqui a duas semanas você já vai poder convidar o Benny pro seu casamento ― Gabe interviu.

Para Dean, parecia um daqueles momentos em que via um anjinho e um diabinho em seu ombro. Mas sendo Gabriel o próprio satã, ele não esperou que Dean tomasse uma decisão, arrancando o telefone de suas mãos e discando o número ele mesmo.

― Me dá isso aqui, seus frouxos ― o mais baixo colocou o telefone no ouvido à espera do toque ― Olá, Benão meu amigo―

Intervindo no assunto, Dean o tomou o telefone antes que pudesse dizer alguma bobagem, e já que Benny havia atendido não fazia mal perguntar.

― Hey, Benny. Parabéns buddy, ótimo casamento, lindo brinde, amei a valsa. Como está a lua de mel?

"Hey Dean. Está a mil maravilhas companheiro, obrigado por ter ido. E não me leve a mal, mas estou sentindo que você quer alguma coisa. Acertei?"

Envergonhado Dean apenas murmurou:

― Desculpa atrapalhar? ― disse como se estivesse perguntando, incerto se Benny ficaria bravo por ligar aquela hora.

"Sem problemas amigo. Qual é o problema?"

― Então, eu conheci esse cara no casamento e queria saber se você poderia me dizer melhor quem ele era.

Benny riu do outro lado da linha, mas Dean não se importou.

"Qual o nome dele? Era meu primo gordo Louis? Não fique constrangido se for, ele até que tem olhos bonitos."

― Não. O nome dele era Castiel.

― Pergunta do bolo! ― Gabe gritou.

"Olha Dean, pra sua sorte eu sei o nome de todos naquela lista de convidados."

Dean suspirou em alívio.

"Mas pro seu azar, não havia nenhum Castiel no meu casamento."

― O que?

"Desculpa companheiro, mas tenho que ir, a gente se fala depois, tchau."

Dean desligou incrédulo no que ouvira e com as esperanças no chão.

― Ele disse que não havia nenhum Castiel no casamento.

― Talvez ele usou um segundo nome falso ― Charlie disse ― Oh, ele é bom nisso.

― Ou talvez ele era um fantasma ― Gabe disse espantado ― Talvez seja por isso que ele não quisesse te beijar, porque você o atravessaria e então sentiria um frio invadir seu corpo ― o pequeno homem estava histérico com suas teorias.

― Gabe, para. Ele não era um fantasma.

― Talvez isso fosse o que ele queria que você acreditasse, não é mesmo?

― Porque não checa o hotel onde se hospedaram os parentes dos noivos? ― Char tentou ajudar ― Talvez ele tenha passado a noite lá.

― Não ― se jogou no sofá ― Talvez não fosse pra ser.

Dean poderia revirar mundos e fundos atrás de Castiel, poderia ligar para todos os presentes daquele casamento até descobrir alguma outra pista, poderia achá-lo e fazer uma surpresa. Ou poderia deixar as coisas como estavam, exatamente como Cas havia planejado.

― Talvez seja o destino. Eu nuca mais vou ver esse homem e esse era o objetivo daquela noite. Por isso não importa, eu ainda tenho uma noite perfeita do que me lembrar.

* * * * * * * * * *

Dias se passaram depois do casamento, e Dean já estava quase se esquecendo daquela história, pelo menos a parte de achar o moreno, as lembranças daquela noite jamais se apagariam.

Os dias se passaram, e de fato, ele não pretendia mexer na história, havia se conformado com o destino, até receber uma ligação de Benny.

"Hey companheiro, como vão as coisas por aí? Já estou sentindo falta da turma"

― Quem é? É o Benny? ― Gabe perguntou furioso ― Se você não perguntar pra ele do bolo dessa vez eu juro que vou pegar essas bolinhas que você tem coragem de chamar de testículo e vou―

― Ah, Benny, antes que meu colega de quarto faça uma tragédia eu preciso perguntar uma coisa. Quem fez o bolo?

"É o Gabe que quer saber, não é?" o homem riu do outro lado da linha "Diz pra ele que temos contas a acertar, mais da metade dos meus convidados reclamaram que nem provaram os cupcakes porque aparentemente um maníaco comeu quase todos."

― Eu também fui uma vítima, só cheguei a lamber um pouquinho da cobertura.

"Compramos em uma confeitaria no centro da cidade, se chama 'Confeitaria Pão de Mel'."

Pão de Mel.

Era o primeiro nome que--

De repente ficou tudo claro em sua cabeça.

― Benny, obrigado, desculpa mas eu preciso ir.

Dean se levantou abruptamente ainda em choque.

― O que foi? ― Charlie perguntou preocupada.

― Ele fez o bolo ― disse ainda sem acreditar ― Castiel fez o bolo. Ele não estava na lista de convidados porque não era um.

― Ele fez aquele bolo? ― Gabe também se levantou maravilhado, agarrou o rosto de Dean com as duas mãos e olhou no fundo de seus olhos ― Dean, é esse o cara. Você tem que se casar com ele. Hoje. Traz ele pra morar com a gente.

― Aham ― apenas acenou empolgado demais para descordar do que quer que fosse ― Eu preciso ir até essa confeitaria.

― Então anda logo seu idiota ― Gabe os empurrou pela porta indo pulando até o carro, parecia uma criança ― Meu Deus, já tô até sentindo o gosto do glacê.

//

A festa já havia acabado, praticamente todos já haviam ido embora. O salão estava vazio, mas a música ainda tocava.

― Parece que festa acabou ― Dean disse.

― Isso é uma pena. Eu estava muito ansioso por uma última dança.

― Jamais lhe negaria um pedido desses ― Dean o puxou pela mão para o centro do salão, onde Cas deu um giro antes de se encaixar perfeitamente em seus braços ao som de "I'm In The Mood For Love".

Dean passou o braço por trás de sua cintura, o segurando mais perto de si, dançando lentamente aos embalos da música.

― Desculpe, mas eu sei exatamente o que está pensando ― Dean afirmou.

― Se importaria de me dizer o que penso? ― Cas inclinou a cabeça com um sorriso no rosto.

Dean nunca quisera o beijar tanto quanto naquele momento.

― Posso lhe assegurar que estava pensando "Uau, como ele fica gato nesse terno".

Castiel riu.

― Nossa, me pegou. Você é bom nisso, hein?!

― Sabe, sem querer quebrar a mágica e tudo mais, mas não sou tão incrível assim todos os dias. O verdadeiro Dean usa uns jeans rasgados, uma camisa xadrez e talvez uma jaqueta de couro. Nada de príncipe encantado.

― Para mim ele ainda soa tão encantador quanto ― Cas disse com um brilho nos olhos ― É uma pena que eu não vá conhecê-lo.

Seus rostos se aproximaram novamente, estavam tão perto que podiam sentir o calor de seus lábios, olharam-se ali, mas não acabaram com a pouca distância.

― Me diz seu sobrenome ― tentou convencê-lo.

― Não.

― Você sabe que tem uma falha no nosso plano, não sabe? ― ainda balançavam conforme a música que preenchia o salão.

― E qual seria?

― Bom, eu vou para casa hoje com várias memórias boas, e uma muito ruim. A memória de te ver saindo por aquela porta sabendo que será a última vez que te vejo.

Cas pareceu triste, até o seu rosto se iluminar com um grande sorriso como se tivesse acabado de ter uma ideia.

― Ei, Dean ― o moreno se soltou de seus braços se afastando um pouco ― Fecha os olhos, e conte até cinco.

Dean não queria. Sabia o que tinha planejado. Mas Cas estava bem ali, com aquele lindo sorriso no rosto e o mais lindo par de olhos que já havia visto. Não saberia lhe dizer não.

Fechou os seus olhos, respirou fundo e lentamente contou.

Um... Dois... Três... Quatro... Cinco.

Quando abriu os olhos, Castiel já não estava mais lá.

//

Chamaram um taxi para ir. Dean estava muito nervoso para dirigir, Charlie não gostava de dirigir e nem sobre a influencia de drogas deixaria Gabriel encostar no volante de sua Baby.

― Pronto! Chegamos ― a ruiva disse entusiasmada.

― Vai lá Dean-o ― Gabe o deu um tapinha no braço como incentivo ― Me traz dez cupcakes.

Mas ele não saiu do lugar. Aquela era uma grande decisão. E se Cas não gostasse? Tudo aquilo havia sido sua ideia afinal. Dean poderia estragar tudo.

― Nos nossos últimos dias nos lembraremos daquela noite como sendo perfeita. E talvez precisemos disso. Tantas coisas dão errado na vida, mas essa é a única que nunca dará. Sempre será ótima e puramente inalterada. Se eu entrar lá vou estar roubando isso de nós dois, e talv―

― O velocímetro está rodando seu idiota! Caga ou sai da moita! ― Gabe gritou.

Sem debater mais o assunto, Dean abriu a porta e saiu. Caminhou pela calçada até o seu destino, e da janela da confeitaria pôde ver. Cas estava lá dentro. Estava de costas em frente a vitrine de doces com um cupcake nas mãos, estava terminando de colocar a cobertura.

Dean abriu a porta da frente, o pequeno sino tocou anunciando a chegada de mais um cliente. Cas se virou para ver e então congelou onde estava.

Dean não sabia o que esperar, mas certamente não estava preparado para ver aquele sorriso de novo.

― Graças a Deus! Pensei que não fosse me achar.

Cas colocou o cupcake sobre a mesa e correu em sua direção, logo em seguida pulou em seus braços e finalmente lhe deu o beijo que tanto esperava.

Dean não sabia naquele momento, mas teria uma vida inteira pela frente de memórias perfeitas, pois Cas estaria em todas elas.

End.

Notas finais
Bom, é isso!
Espero que tenham gostado ♥
Comentários são bem apreciados *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!