Heartless
10 08.5 #bônus.
Notas iniciais
Eu iria colocar no capítulo oito só que ficou grande demais e não achei que teria muita diferença, ai parei de escrever a cena. Mas como eu tive um pequeno problema com o capítulo nove, terminei de escrever hoje mesmo e resolvi postar (postei bônus na LMTYT, a HEART também merece). E sobre o problema relaxem, teremos capítulo em breve, é que fiquei semana toda sem aula e relaxei um pouco, depois me acabei de estudar pra prova do meu curso de comércio exterior (só uma dica, comércio exterior não é nada tão divertido quanto o nome sugere ok? só dizendo u.u KKKKKKKK)
AVISO: esse vai pra quem sentiu saudade de ler Beleza Mortal em ação. Não sei se ficou muita carnificina, mas também não está tão suave. Tortura, conversa e muito de Beleza Mortal *-*'Aproveitem.
Cenas excluídas capítulo 08, bônus.
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CENA 1.
Primeiro contato, conversa e tortura de Heidi Chelsea.
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Fileira 2; corpo encontrado em 2008. Heidi Chelsea, stripper, desaparecido em Agosto de 2007, identificada dois meses após corpo encontrado, DNA com a irmã, Gianna Chelsea. Fotos – corpo esticado sobre a mesa, escurecido pelo tempo, repleto de escoriações e cortes, sem a pele das coxas e barriga, rosto inchado e em carne viva escurecida, pele retirada perfeitamente ao redor dos olhos, nariz e boca, também sem pálpebras, lábios e nariz. .
...
Heidi Chelsea saiu do bar em que trabalhava como stripper pouco depois das três horas da madrugada. Com uma grande bolsa sobre seu ombro, apertava o sobretudo ao redor do corpo para cobrir a quase nudez que a microssaia, o top, a meia arrastão com bota de cano longo e salto fino lhe proporcionavam. E estava até muito vestida, levando em consideração as horas.
Tinha sido uma noite agitada, a decisão do Super Bowl tinha lotado o bar. Muitos homens e algumas mulheres no lugar, poucas dançarinas sobre os palcos ou postes de pole dance espalhados no espaço, a maioria estava servindo de garçonete para atender a todos. O dono colocava um grande telão nesse tipo de ocasião, assim podiam assistir a decisão com os amigos, alguns aperitivos e muita bebida. Quando acabou o jogo, ai começou a noite das strippers. O time da maioria dos clientes tinha ganhado, então estavam comemorando com as meninas, e os que perderam, buscavam consolos nela. E no fim, todos curtindo as strippers e sexo, se conseguissem convencer as meninas.
E Heidi também devia estar trabalhando agora, despindo-se sobre o palco e ás vezes até fazendo reuniõezinhas privadas com alguns clientes especiais ou alguma madame entediada procurando por novas diversões, ser bissexual nesses momentos ajudava a conseguir mais dinheiro para sobreviver. Mas tinha trabalhado todos os dias daquela semana, estava exausta, então cedeu seu lugar a outra menina e estava indo para casa.
Não devia dizer que se sentia segura andando pela beira da rodovia no escuro da madrugada para ir a sua casa, em um bairro pobre de subúrbio, mas eram as coisas que tinha que fazer para sobreviver sozinha em Tacoma, Washington. Nunca imaginou que acabaria assim quando era criança, tinha sonhos normais, mas sempre com público, queria ser atriz ou modelo, mas aquela era sua vida – stripper e prostituta ocasionalmente. Seus pais mortos, a unica familiar viva era sua irmã, mas a odiava tanto quanto odiava seu cafetão e seus clientes. Era culpa de Gianna estar ali, era tudo culpa dela, que tinha uma vida normal e feliz em Seattle e se recusou a ajudar Heidi desde que se envolvera com as pessoas erradas e drogas. Heidi implorou, mas Gianna só ajudaria se ficasse internada em uma maldita clínica, isso jamais aconteceria, Heidi odiava Gianna.
Heidi saltou de susto quando foi banhada pela luz de farol de um carro que vinha atrás. Olhou para trás, o carro se aproximou lentamente, quase parando. Heidi sentiu o coração acelerar, odiava esses momentos em que se sentia vulnerável. Merda.
O carro ficou ao seu lado, andando na sua velocidade, Heidi então parou pronta para confrontar o dono. Queria apenas que ele abaixasse o vidro totalmente escuro da BMW preta. E lentamente o vidro foi abaixando, revalando à identidade do motorista, surpreendendo-a.
...
— Isso foi... — Heidi começou ofegante após gozar novamente. — Incrível. BM, você é...
— Sim, eu sei. — BM disse arrogantemente, erguendo-se do meio de suas pernas, lambendo os lábios.
— BM... — refletiu. — Não vai me dizer o que significa isso mesmo?
— Ué, eu te disse, é como as pessoas me conhecem. — sorriu. Inclinou-se sobre o belo corpo da mulher, subindo uma trilha de beijos pela sua barriga. — Sem nomes, Heidi, vamos nos manter apenas nisso.
— Você sabe meu nome, isso não é justo. Ai. — gemeu de dor quando BM mordeu duro seu mamilo entre os dedos. Um dor excitante.
— Isso não é sobre justiça, é sobre prazer. — sorriu e lhe beijou. — Vou pegar algo para bebermos.
Heidi assentiu apenas observando BM sair da cama e até a mesa cheia de garrafas de bebidas alcoólicas e copos.
E pela primeira vez naquele final de semana, pensou sobre o que estava acontecendo. Não era a primeira vez que transava com uma pessoa na primeira vez que lhe encontrava, e provavelmente não seria última, mas nunca tinha ficado na casa da pessoa. E tudo começou na beira da estrada ao reconhecer o motorista do carro, tinha assistido a seu show de stripper no bar, não desviou o olhar um segundo sequer, lhe lançou olhares e sorrisos maliciosos, Heidi com certeza lhe daria uma chance, mas depois que se trocou e voltou ao salão, o lugar estava vazio. Quando abaixou o vidro, apenas sorriu, disse “olá” e se apresentou começando assim a conversa. BM elogiou sua dança, disse o quão maravilhosa era no palco e que se destacava entre todas, completou dizendo que com toda sua beleza e talento não deveria estar dançando em um bar daqueles, devia dançar em lugares elegantes, talvez ser atriz ou modelo. Heidi sorriu completamente encantada, excitada. E acabou entrando no carro, depois em sua cama, depois tendo os melhores momentos de sua vida. O melhor sexo, a melhor experiência, era bom se sentir tão... Valorizada.
— Tudo bem, você disse que não tem ninguém por Tacoma — BM retomou o assunto que tinha interrompido ao descer entre suas pernas e lhe fazer um oral. — Mas e em Seattle?
— Temos realmente que falar sobre isso? — franziu o cenho.
— Sim, eu quero saber qualquer coisa a seu respeito, agora diga.
— Eu tenho uma irmã mais velha em Seattle.
BM se virou, carregando dois copos em suas mãos – um de vodka com energético e outro uísque com gelo e energético.
— Então por que não vai morar com ela? Ou qualquer coisa assim?
— Eu odeio aquela vadia. — rosnou.
— Nossa, por quê? O que ela te fez?
— Nossos pais morreram quando eu era adolescente e ela já era adulta suficiente para ficar sozinha, então fiquei com ela. Gianna achou um velho rico que a quisesse, enquanto eu fiz amizades com caras meio barra pesada, eles mexiam com drogas e roubos, eu entrei nessa e ela me expulsou de casa. Voltei até ela um ano depois, estava com dívidas e viciada, ela disse que só podia ficar se eu fosse para uma clínica. Mandei-a se foder e fui embora, nunca mais a vi.
— Que filha da puta, sua irmã, com todo o respeito a sua mãe.
— Tudo bem, ela é mesmo. — aquela altura já estava sentada com as costas na cabeceira, pegou o copo de vodka e deu um gole.
— Posso dar um jeitinho nela, se você quiser. — sorriu agitando o gelo no copo de uísque. Heidi riu.
— Ela tem filhos, um marido, uma vida. Eu a odeio, mas sei que tudo que ela tem é... Por puro merecimento. — bufou. — Mas ainda torço pra que ela seja chifrada pelo marido, que os filhos sejam umas pestes e ela quebre os tornozelos. Morte é definitivo demais.
— Como quiser. — deu um gole no próprio uísque.
Heidi tomou toda a vodka rapidamente pronta para um novo round, mas assim que colocou o copo na mesinha de cabeceira sentiu algo estranho. Respirou fundo e engoliu seco. Um peso incomum no corpo, com se o ar estivesse mais denso e tivesse dificuldade de respirar. Piscou forte, mas quando ela abriu os olhos tudo ao seu redor estava turvo e duplicado, piscou forte novamente, mas nada melhorou e tudo começou a dançar lentamente a sua frente.
— O que... — tentou começar, mas sentia-se tonta demais.
— Heidi, está tudo bem? Você está bem? — escutou a calma pergunta. Sua voz ainda era calma e suave, como se nada estivesse acontecendo, monótona. Heidi percebeu que não tinha preocupação alguma em sua voz, nem em seu rosto. Piscou várias vezes tentando focalizar a imagem, mas tudo que via era um sorriso borrado.
— Minha bebida... O que você colocou na minha...
— Por quê? — levantou-se tranquilamente, bebericando seu uísque. — Está se sentindo estranha?
— Eu vou...
— Desmaiar. No máximo vomitar, mas saiba que você irá me irritar muito se vomitar sobre a cama, pequena vadia. — sorriu. — Bons sonhos, até mais tarde.
...
Heidi acordou ofegante, como uma pessoa que fica em baixo da água por muito tempo e volta desesperada por um pouco de oxigênio. Sua cabeça estava pensada e tinha a sensação de ter areia nos olhos, estava muito confusa, não se lembrava de como exatamente o que estava acontecendo. Já tinha tido aquela sensação, algo parecido com ressaca, e sempre acordava na cama de algum estranho. Então tentou se levantar.
Engasgou ao sentir algo pressionar seu pescoço, mantendo sua cabeça presa a algo duro. Abriu os olhos em desespero. Não via nada ao redor, estava escuro demais para saber onde estava ou o que estava acontecendo. Tentou mexer o corpo, mas estava presa sobre algum tipo de mesa de metal frio. Algo estava prendendo sua cabeça à mesa pelo pescoço tão apertado que qualquer movimento apertava sua garganta e lhe fazia tossir, também sentia que seu cabelo estava preso a algum lugar. Não conseguia ver o que, mas também estava presa na altura do ombro, na cintura, joelhos e pés. O que estava acontecendo?
Fechou os olhos e lembrou o que tinha acontecido. BM.
Eu vou... Desmaiar... Bons sonhos, até mais tarde.
— Olá? Alguém me ajude! — gritou já em lágrimas.
Alguém clicou o interruptor, três lâmpadas grandes se acenderam. Eram como lâmpadas de estacionamento subterrâneo, apesar de iluminar e ajudar a enxergar ao redor, ainda era uma claridade assustadora típica de filme de terror.
— Estou aqui, pequena vadia.
Antes, Heidi gostava daquela voz. Achava tão calma, doce e sonora, suavemente aveludada como chocolate quente, mas agora... A voz permanecia a mesma, doce e calma, sonora e aveludada, mas agora lhe trazia pânico porque soava macabra. Como não tinha percebido isso antes?
Heidi baixou os olhos para o próprio colo. Estava nua e o que a prendia a mesa eram tiras de couro grossas com fivelas, como cintos. Ou amarras de mesas de manicômios para pacientes perigosos, como Hannibal.
— Como você está? Ora, ora, não sabia que você era assim tão fraca a um copinho de vodka. — disse ao se colocar no campo de visão da moça amarrada a mesa. Sorrindo.
— Me solta agora! — rosnou.
— Acho que não.
— Você perdeu sua mente? Eu vou te matar se não me soltar agora! — gritou tentando soltar os braços ou pernas, porque se movesse a cabeça acabaria se engasgando, mas estavam muito bem presos.
BM gargalhou.
— Você é engraçada e eu aprecio muito o senso de humor nas pessoas, ainda mais em situações tão estressantes, como essa poderia ser. — ergueu a mão que segurava um bisturi e esticou até lâmina tocar seu rosto, acariciou sua pele com ele. — E eu adoraria saber como você vai fazer isso, realmente gostaria de saber como.
— Quem. É. Você?
— BM. — sorriu.
— Diz a verdade, porra, quem é você e por que está fazendo isso comigo?
— Não estou mentindo, eu não minto. Posso esconder alguns fatos, mudar outros, mas geralmente eu não minto. — sorriu cinicamente. — Lembra o que eu disse? As pessoas me conhecem como BM. E é verdade, é assim que me conhecem. Vamos fazer disso um joguinho, apenas se lembre de tudo que já leu e assistiu pela mídia, BM... BM... Vamos Heidi, não é difícil. — sorriu.
Heidi queria gritar e chorar, mas sua mente vasculhava tudo em busca da resposta daquela charada estúpida. BM... BM... Merda.
— Você não...
— Sim, eu sou.
— Não, você não pode ser...
— Sim, eu sou. — disse sorrindo orgulhosamente.
— Beleza Mortal?
— Ding, ding, ding, temos um vencedor. — sorriu e passou o bisturi sobre seus lábios, suavemente. Heidi sentia apenas medo de ser cortada e a leve sensação fria da lâmina. — É um prazer.
— Você não... Você não pode ser Beleza Mortal.
— Por quê? Você não me acha uma Beleza? Você não disse isso antes.
— Você... Não tem nada a ver... Você não...
— Oh, é isso? Eu sei. Você pode acreditar em todas as merdas que eles estão falando a respeito de mim? Eu, com problemas mentais? É tão... Ultrajante. — rosnou. — É difícil convencer as pessoas de que eu sou eu, é difícil trabalhar nessas condições. Você acha que eles iriam à mídia e consertariam tudo que disseram ao meu respeito se eu mandasse a eles uma carta bem mal criada a respeito de tudo isso e do quão ofensivo eles são comigo?
— Você é doente.
— Sim, você tem razão, acho que será difícil mandar uma carta sem colocar um endereço nela. Como vão acreditar que sou eu, não é? — sorriu.
BM se aproximou lentamente, ficando na altura de sua cabeça.
— Acho que podemos ter alguma diversão, o que você acha?
— Você é doente! — Heidi gritou e cuspiu em seu rosto acertando a altura do olho e bochecha.
Quando aqueles olhos antes divertidos, se estreitaram e se inundaram em uma fúria assustadora, Heidi fechou a boca e se arrependeu do que tinha feito.
— Você. É... — rosnou em fúria, bufou. — Repugnante.
Ergueu-se e passou a mão sobre a saliva, sentindo o estômago contorcer em ânsia, odiava saliva com todas as forças que tinha em seu corpo. Deixou o bisturi sobre o carrinho de curativos em inox e foi até a pequena pia ao lado. Era muito útil ter uma pia no porão da casa, principalmente naqueles momentos, então tentando não vomitar, lavou o rosto lentamente, agradecendo a deliciosamente sensação da água fria sobre seu rosto limpando naquele nojento pedaço de DNA espesso em seu rosto. Tentava controlar a fúria enquanto o fazia ou acabaria estraçalhando o corpo de Heidi naquele momento. Não, respirou fundo, teria planos e alguma diversão.
Secou o rosto e a mão na toalha pendurada no suporte sobre a pia e se abaixou para pegar uma garrafa de 600 ml com um líquido incolor no chão e um funil sobre o gargalo, pegou então o rolo de fita Silver Tape e voltou para Heidi. Deixou as coisas apoiadas sobre a mesa.
Ficando sempre no campo de visão da pequena vadia presa a sua mesa, pegou a fita. Puxou um grande pedaço, o tamanho que seus braços conseguiam se abrir e cortou no dente. Tomando cuidado para não embolar, prendeu na beirada da mesa de inox sem se importar se tocava o chão. Pegou o funil.
— Abre a boca. — disse. — Abre a porra da sua boca, pequena vadia.
Sem cuidado, enfiou a ponta do funil na boca de Heidi e viu-a arregalar os olhos quando a ponta atingiu sua garganta.
— Relaxa ou você vai se machucar. — instruiu-a.
Os olhos de Heidi se encheram de lágrimas, enquanto Beleza Mortal segurava o topo de funil, mantendo-o fundo dentro de sua boca. O desespero a fazia querer respirar mais rápido, mas com aquela ponta em sua boca e a correia de couro prendendo-a pelo pescoço a mesa ficava difícil sem engasgar ou sufocar; tentou manter a respiração pelo nariz.
Com a mão livre, pegou a fita e colou a ponta – certificando-se que a fita pegava tanto um pedaço do funil quanto sua pele –, então começou a enrolar ao redor dos dois. Várias voltas até deixar bem presa a peça de plástico a sua boca. Quando soltou, Heidi começou a soltar vários ruídos incompreensível.
Colocou a fita na mesa e ergueu a pequena garrafa. Antes estivera cheia de coca-cola e agora estava cheia de alvejante.
— Esse é um daqueles momentos, que se isso fosse um programa de televisão, alguém diria: crianças, não façam isso em casa. — sorriu enquanto abria a tampinha. — Se eu fosse você, respiraria pelo nariz.
Então virou o líquido dentro do funil, de uma maneira ou de outra, Heidi teve que engolir. Sufocando, se engasgando, tentando gritar enquanto bebia o líquido. Quando percebeu o que era, seus olhos expressaram todo o seu desespero. Ardência, dor, ânsia, falta de ar, horror, pânico tudo se misturava dentro de Heidi. E o pior, não podia nem gritar.
Beleza Mortal parou. Tinha derramado, pelo menos, 200 ml. Parecia suficiente, não seria divertido se ela morresse engasgada, ou afogada.
Inclinou-se sobre ela, deixando seus rostos próximos. Ela estava suada, seus olhos lacrimejavam em pânico e dor.
— Eu só sinto por não poder te escutar chorando e implorando pra que eu pare como você implorava pra que eu continuasse enquanto estava na minha cama. — rosnou suavemente. Sem se virar, pegou o bisturi e cortou a fita, puxando com força o funil, liberando-a para ofegar e tossir duro. — E agradeça por eu estar de bom humor.
Deixou tudo sobre o bisturi e saiu a passos largos, apagando a luz.
...
Quando voltou no dia seguinte, Heidi tinha vômito ensanguentado escorrendo da sua boca para lateral de seu rosto, empoçando um pouco na mesa ao redor de sua cabeça e pingando para o chão. Estava suando, fria, resmungando qualquer coisa que não lhe interessava.
— Isso é nojento. E você é totalmente... Repugnante, pequena vadia.
— Por favor... — choramingou. — Por favor.
— Ora, mas veja só, ela não é tão valente quando está passando por uma lavagem estomacal natural feita por alvejante. — zombou, então riu. — Os milagres do alvejante, como diria a minha vó... Quero dizer, se eu tivesse uma.
Heidi fechou os olhos e choramingou novamente.
— Oh não, como pode pensar algo assim? Eu não matei a minha vó, eu simplesmente nunca tinha uma. Tsc, tsc, você tem uma mente muito suja, pequena vadia. — riu novamente. — Eu acordei com muita energia e quero fazer algumas experiências, antes de fazer o que reservei pra você... E seu lindo rostinho.
Sobre o carrinho pegou duas luvas de látex e as calçou cuidadosamente. Gostava de sangue, mas também não queria impregnado em suas mãos, sob suas unhas. Nada pior do que tirar sangue das unhas, suspirou. Abriu e fechou as mãos algumas vezes para que se assentassem perfeitamente em seus dedos, e pegou o bisturi.
Assoviando Face do Aerosmith, voltou ao corpo de Heidi. Sua coxa. Tão belas coxas. Um pouco finas, pensou, mas com um bronzeado lindo. Pousou a lâmina sobre sua pela e apertou até que uma gota de sangue escapou pelo corte aberto. Heidi gemeu.
— Por favor... Por favor...
— Shhh. Ninguém nunca morreu por um corte na coxa, ou a ausência de pele nela, então pare de choramingar.
Abriu um corte horizontal um palmo acima do joelho, ultrapassou a pele e chegou à carne, sangue escorreu. Beleza Mortal sorriu. Nada melhor do que sentir o líquido quente sob seus dedos, mesmo que com a luva. Deitou o bisturi e foi separando a pele da carne, exatamente como um açougueiro tira a cama de pele ou gordura da carne de um animal.
Não era tão fácil quanto tinha imaginado e agradecia por estar fazendo o teste primeiro na coxa ou teria estragado tudo. Heidi tentava se soltar, ainda gemendo de dor e gritando por socorro. Indo lentamente, com cuidado e a mão firmemente leve no bisturi, soltou a camada de pele e gordura de sua coxa até um palmo e meio abaixo de sua cintura. A coxa, onde antes tinha uma pele bronzeada, agora estava em carne viva, sangrando. BM sorriu e ergueu a pela, abrindo para Heidi.
— Sua coxa, o que você acha? — sorriu. — Sabe, tirar couro de gente não é tão difícil quanto de animal aparenta ser, mas ainda assim, não é uma ida ao parque, você se importaria se eu praticasse novamente na outra coxa?
— Socorroooooo!!! — gritou novamente.
— Foi o que eu pensei. — sorriu. Colocou a pele na bandeja cirúrgica sobre o carrinho e foi para a outra coxa cantando a música.
...
E no dia seguinte estava lá novamente, e tudo que Heidi podia querer era a morte. Implorava para morrer, talvez pela dor, horror e pânico ou a expectativa do que ainda podia acontecer, só queria... Morrer. E Beleza Mortal retirou a pele de toda sua barriga.
— Olha só isso, olha a perfeição. — abriu o pedaço de pele com gordura no ar. — Olha a perfeição do furo no seu umbigo. Céus, eu podia trabalhar profissionalmente com isso, não acha?
— Você é doente. — murmurou cansada.
— É verdade, quem contrataria alguém pra arrancar a própria pele, não é? Mas se eu fizesse alguns cursos, talvez pudesse trabalhar com cirurgias plásticas ou modificações. Porque eu, definitivamente, sei fazer ótimas mudanças corporais nas pessoas. — gargalhou.
— Sabe o que mais me diverte nisso tudo?
— Não, eu não sei então me diga. — sorriu, colocando a pele na bandeja. E ergueu as mãos com luvas sangrentas e o bisturi entre os dedos.
— Eu vou morrer, mas você não vai ficar livre.
— Não? — arregalou os olhos com falso horror, então riu.
— Não, pode me zombar a vontade, mas não vai. Você vai acabar na prisão... Depois na injeção letal... E então no inferno. Você vai se foder.
Beleza Mortal lhe observou com um sorriso nos lábios. Um sorriso que foi se desfazendo aos poucos. Então lhe deu as costas, colocou o bisturi na mesa e tirou as luvas. Voltou a encarar Heidi.
— Isso nunca vai acontecer, sabe por quê? Porque figurinha repetida não completa álbum, eu já fiz tudo isso, pequena vadia. Sobrevivi e estou aqui agora.
Heidi arregalou os olhos.
— Exatamente. Eu já estive na prisão... Na injeção letal... E no inferno. Acredite, eu morro antes de voltar pra lá. — disse seriamente. E nunca um olhar tinha assustado Heidi tanto quanto aquele, era como se apesar de olhar em seus olhos, estivesse enxergando além. Então piscou, voltando a ver apenas Heidi. Sorriu. — Bons sonhos, querida.
...
Heidi estava exausta, sabia que não podia durar muito sem cuidados médicos. Já tinha perdido sangue e tinha ferimentos sérios abertos, sem nenhuma proteção, além dos pequenos cortes que BM fazia quando vinha lhe visitar e a dor no estômago que permanecia pelo alvejante que bebera.
Estava chorando. Nos primeiros dias chorara de ódio de Gianna por não ter lhe ajudado quando tinha pedido, porque se não fosse por isso não teria que virar stripper e então seu caminho jamais teria se cruzado com o de Beleza Mortal. E agora, no seu último dia de vida, chorou pensando em Gianna, se arrependendo por não ter aproveitado a chance que ela tinha lhe oferecido e assim jamais teria cruzado com Beleza Mortal.
— Por quê? Por que está fazendo isso comigo? Por que eu? — choramingou assim que BM se aproximou, calçando as luvas.
— Ontem você estava toda "você vai se foder" e hoje você está choramingando "por que eu?", a mente do ser humano é algo... Fantástico. — riu, pegando o bisturi. — E essa é uma pergunta clichê demais, querida, todos perguntam isso.
— Por favor, por favor, me solta, eu não vou dizer a ninguém sobre isso, eu juro, por favor. — implorou choramingando.
— Isso também é clichê. E sabe? Eu não acredito.
— Eu juro.
— Grandes merda. — riu. — Diga, se eu te soltasse e você tivesse a chance de me denunciar ou se vingar, você não aproveitaria?
— Não, eu juro, não, por favor.
— Não seja tão mentirosa, Heidi, é feio. Você nunca passou por isso, você não sabe qual é o sentimento, a sensação de poder ter a vingança por algo que te fez sofrer por vários dias... Ou anos. Você simplesmente não sabe.
— E você sabe?
Beleza Mortal riu.
— Poucos, muito poucos, dariam a outra face, ainda mais sobre algo muito fodido, é da natureza humana. Apenas pense bem diga com toda a sinceridade, a sinceridade que a segurança de saber que nada poderá te salvar te dá. Você não tentaria me fazer pagar? Não tentaria ter sua justiça... Ou vingança?
Heidi não respondeu perdida em seus olhos. Tão claros e profundos, brilhavam e escondiam muitas coisas, tinha o prazer e diversão, mas tinha algo mais muito bem camuflado pela selvageria. E sabia a resposta da pergunta:
— Sim. Se eu tivesse uma arma e uma chance, eu te mataria.
— É disso que estamos falando! — gargalhou. — Pena que eu tenho a chance e o bisturi, não é mesmo, pequena vadia? Agora cale a boca porque vou fazer o mesmo que fiz em suas coxas e barriga no seu rosto, e aqui é uma área muito mais delicada e complexa, muitos detalhes.
— Por favor, por favor.
— Querida... — acariciou o rosto dela com o bisturi. — Eu sinto muito.
Heidi engoliu seco.
— Lembra o que você acabou de me dizer? Mentir é feio.
Beleza Mortal gargalhou jogando a cabeça para trás.
— Você tem razão, eu não sinto. — deu ombros. — Eu não sinto nada. Mas eu se eu sentisse, tenha certeza, só sentiria por esse momento durar tão pouco. — sorriu e começou a passar o bisturi na separação entre o cabelo e sua testa, cantando: — She's the queen of my delusion, she my zen from way back when and the cause of my confusion, is the face without a name...
Notas finais
E daqui a pouco tá polícia investigando minha vida por escrever e dizer esse tipo de coisa, ai ai. Tô até imaginando a Nathalia Styles que comentou no último: "Parece que temos uma autora psicopata aqui... Cheguei até a cogitar sobre você já ter passado por algum transtorno psicológico parecido pra escrever tão bem os pensamentos de uma pessoa que sofre de alguma doença mental muito grave!" deve ter concluído: Ok, a Candy é realmente doente. (ai, eu ri do teu review KKKKKK) . E só dizendo a todas aqui: Galerinha, eu posso ter tendências a vários transtornos psicológicas, mas eu sou bem controlada tá? Juro, totalmente mansa e adestrada KKKKKKKKKK
E sobre o bônus: ele pode ou não ter pistas sobre o passado/futuro de Beleza Mortal. Eu ainda não decidi completamente e estou criando várias opções pra que eu possa escrever; e vocês também podem criar várias teorias novas; e não levem ao pé da letra tudo que Beleza Mortal diz, lembrem que BM adora usar metáforas. Vou dizer o mesmo que disse na minha outra fic (e funcionou): Dica da titia Candy.. Façam a Candy, que vos fala e se esforça muito por vocês, feliz: Leu, gostou, clicou para acompanhar a história e agora está vendo essa sensual caixinha logo em baixo do capítulo? 'Comentários adicionais', essa mesmo, olhem como ela é seduzente e está seduzindo vocês, clique e escreva o que achou do capítulo, não tenham vergonha e comentem, fantasminhas inclusive né, depois só clicar no enviar. Eu sei que cês querem comentar, olha como a caixinha seduz ;9 KKKKKKK Viu? É fácil e incentiva demais. Então até o próximo, bjsbjs s22
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