Heartbreaker
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Espero que estejam gostando =)
Abraços e boa leitura!!
Cap. 3
Pois é. Hoje completa uma semana que estou morando neste palacete, mas até agora ainda não reencontrei os irmãos Uchihas. Aliás, só hoje no jantar com a dona Mikoto fui descobrir que Itachi não morava na mansão e sim na casa da piscina ao lado que eu desconhecia ainda e que raras vezes comia na mansão. Bom, mas pouco me importa aonde estão os irmãos, fico muito melhor sozinha.
Com o sumiço deles, minha vida tem sido particularmente deliciosa. Eu e dona Mikoto nos damos muito bem, com exceção na hora das compras onde eu ficava louca com as coisas que ela comprava.
Mas a melhor parte do dia, era quando eu por fim estava no meu quarto, sossegada, onde podia relaxar e lembrar um pouco de minha mãe. Todos os meus pertences tinham chego já e eu estava distraída os arrumando.
Ouvi o barulho de carro, acelerando na fúria. O relógio marcava por volta da uma da manhã. Pela janela não pude ver qual carro era, mas estava com uma música bem alta. Restava saber, Sasuke ou Itachi? Bem, não me importa. Agora tudo o que eu queria pensar é que logo começariam minhas aulas e eu poderia me distrair estudando e conhecendo pessoas na universidade.
Continuei ajeitando minhas coisas até ouvir vozes no salão. Era de dona Mikoto e ela berrava, histérica, transtornada. Não consegui distinguir as suas palavras e por isso decidi averiguar. Abri cuidadosamente a porta de meu quarto e andei na ponta dos pés até o início da escadaria.
Sasuke estava na frente dele, com uma cara de poucos amigos, olhos vermelhos e inchados, cabelo desajeitado e a roupa totalmente amassada. Estava deplorável.
- Uchiha Sasuke — ouvi Mikoto, desta vez em um tom mais baixo — aqui é minha casa e você ainda vive com nosso dinheiro, se quer dar uma de irresponsável, bêbado, drogado, saia de uma vez por todas que eu não agüento mais você! — ela vociferou. Nossa, fiquei tocada, ouvir isso da própria mãe.
Sasuke sorriu desdenhosamente para ela, se fosse meu filho, eu teria mandado castrar.
- Qualé, dona Mikoto, foi só uma festinha... — falou esnobe e tentou passar por ela, mas ela o impediu.
- Só uma festinha? Você sabe o escândalo que aprontou? Saiu em todos os jornais! Não foi essa a educação que eu te...
- Que educação o que velha? Você nunca nos educou, preocupada demais com suas cortinas e cabelos, vê se me erra! — Sasuke a encarou raivosamente. Temi por Mikoto, ele não parecia estar em seu melhor juízo. Será que eu deveria interferir?
Ouvi um baque seco e quando vi, Sasuke estava com a bochecha avermelhada. Bem feito! Merecia mais ainda.
- Ora sua... como ousa... — ele avançou para ela segurando-lhe o pulso e nessa hora não sei quando meus pés começaram a se mover.
- Sasuke! — chamei ele firme. Ele me encarou cínico.
- Ah, ae esta a sua mais nova vadia — falou para a mãe. Bastardo! Como ousa? Avancei em direção a ele e confesso que eu queria fazer isto a muito, mas muito tempo mesmo. Meu soco foi digno de fazer-lhe o nariz sangrar. E eu sei bem que meus socos são poderosos.
Mikoto me encarou espantada, mas não me repreendeu, em vez disso, encarou o filho furiosa e se aproximou de mim.
- Maldita! — ele avançou para mim e tentou segurar meu pescoço, mas nisso as portas daquele imenso salão se abriram e eu pude ver Itachi nos encarando preocupado. Deliciosamente parado na entrada do salão com apenas uma bermuda e nada mais. Seu peito era totalmente malhado e eu esqueci momentaneamente o perigo ao ter Sasuke tão próximo querendo me atacar.
- Mas o que diabos esta acontecendo aqui?
Ele entrou no salão, se aproximando de nós e ficando entre Mikoto e eu.
- Sasuke, o que pensa que esta fazendo? — ele o encarou mais — Quem te bateu?
- Humpf. — Quero ver admitir que apanhou de uma mulher! — parem de se intrometer na minha vida!
- Ora, moleque, o que você faz traz conseqüências, olha o seu estado! — Itachi colocou a mão no ombro da mãe alterada. Coitada, eu senti pena dela. Ter filhos como estes era triste.
- Calma, mãe. Sasuke, suba, vá descansar. Quando estiver são a gente conversa. — disse calmo e Sasuke, não querendo outra coisa, saiu apressado, não sem antes se voltar para mim.
- Eu te pego ainda.
Pode vir, quem vai sair lesado é você, querido. Depois que Sasuke desapareceu pelas escadas, Itachi se voltou para a mãe que agora chorava.
- Calma, vá se deitar, tome algo, eu resolvo isso.
- Sakura... — ela se virou para mim e eu me espantei. — o que sua mãe faria? Se te encontrasse neste estado?
- Ah, bem... me daria algum castigo e um sermão e... bom, ela ficava entristecida ao ponto de isso só já me deixar com remorso.
- Acho que este não é o caso. — falou Itachi. — Sasuke jamais sentiria remorso. Vá relaxar mãe, você esta tremendo, Sasuke não merece isso.
- Esta certo. Filho, por favor, tome conta de Sakura, tenho medo de Sasuke tentar se vingar pelo soco. — Itachi me encarou espantado, descobrindo o motivo do roxo no rosto de Sasuke.
- Não se preocupe.
Nós dois a fitamos enquanto ela se afastava, ainda soluçando. Itachi se virou para mim e com seus olhos frios me analisou.
- Então... você bateu no meu irmão?
_Ah, bem, sim...
- Ahaha, muito bom! Ele merecia. Se bem que, eu não posso recriminar muito. — seus olhos sumiram pelo salão, como se tivesse distante.
- Porque diz isso?
- Bem, digamos que eu já fui... pior do que ele. — pode ser impressão minha, mas um brilho diferente passou por seus olhos em um flash.
- Não me surpreende. — falei brincando, mas era o que eu sentia mesmo. Afinal, para mim, quem tinha mesmo cara de ser mau elemento, era o Uchiha mais velho, o mais novo parecia seguir sempre o pai.
- Quando Sasuke estiver são, acredito que não vá tentar te agredir, se vingar, que nem minha mãe disse, mas tente evitá-lo.
- Não se preocupe, sei me defender.
- Bem, não duvido, mas Sasuke já entrou em diversas brigas e consegue sempre o que quer.
- Sério, não esquenta Itachi, ele não vai encostar nenhum dedo em mim.
- Uhm... bom mesmo. — ele falou com a voz rouca, dando um passo a frente e me lançando um olhar analítico. O que era isso? Não estive com muitos garotos para dizer que sou extremamente experiente no assunto, mas definitivamente neste caso, ele estava dando em cima de mim sim, de forma descarada. — meu irmão não sabe apreciar coisas belas. — confesso que já antes estava tendo um pouco de dificuldades de me lembrar sobre inspirar e expirar e só agora, depois de repensar no que ele disse, que fui perceber que estava prendendo minha respiração, o que provavelmente, para minha infelicidade, ele reparou. Seus olhos pareciam brilhar e eu tenho certeza que neste ponto, eu já estava totalmente vermelha, talvez pela falta de oxigênio. Itachi também não ajudava por si só mas também por ficar falando desta forma, com um sorriso malicioso em minha direção, me deixando perdida com o calor que emanava daquele peito desnudo maravilhoso.
Ele foi se aproximando de mim e eu apenas fiquei paralisada, sem saber como reagir, o que fazer e ainda sem respirar. Devo estar roxa ou azul agora. Itachi estendeu a mão e enlaçou minha cintura calmamente, sem tirar seus olhos de mim. Tenho certeza que ele estava se divertindo com minhas atitudes abobadas. Seu braço estava quente e a sensação dele em minha cintura foi entorpecente. Relaxante. Acho que finalmente consegui sair de meu transe e pude reparar em seus olhos, em sua boca rígida. Ao ver o que eu encarava, ele sorriu apenas de canto e discretamente, mas maliciosamente e quando levantei meu olhar, pude ver o desejo com que olhava para os meus próprios lábios. Ele me puxou, delicado, se aproximando mais, até colar nossos corpos. Céus, eu podia sentir os seus músculos perfeitamente! Pude ver o quanto era mais alto do que eu e tive que ficar com a cabeça inclinada para continuar encarando seus olhos. Seu queixo estava reclinado levemente para baixo, para me encarar melhor, o que fazia com que seus cabelos pretos ficassem mais soltos em frente ao seu rosto e eu senti um forte impulso de retirá-los dali e acariciar o seu rosto. — sabia que você me queria. — disse ele ainda com a voz rouca e eu por algum momento continuei enfeitiçada. Quem não ia querer? Eu estava completamente seduzida por ele, querendo que ele me beijasse com todo aquele desejo que eu via em seus olhos. Mas então, como um balde de água fria, eu sai de meu transe e juntando toda a força de vontade que eu tinha, empurrei com minhas mãos seu peito, tentando nos afastar. Sim, eu queria ele, fisicamente digo, afinal, sou humana! Mas aquela presunção dele me irritara e fora o gatilho para me tirar do encanto e afastá-lo.
Bem, minha tentativa de afastá-lo foi… em vão. Ele me apertou ainda mais contra seu corpo e acabei por sentir sua ereção. Mais uma vez fiquei transtornada. Nunca antes havia sentido isso, nem havia pensado em algo do tipo, em como seria, e agora, vendo, gelei momentaneamente. Céus, eu não podia ser tão fraca assim de cair nos encantos de um cara que eu mal conhecia! Por mais que aquele corpo me atraísse, eu não podia deixá-lo fazer o que bem quisesse com o meu.
- Itachi! — tentei chamar-lhe a atenção, mas não saiu muita voz. Cadê minha voz?
- Uhm… — ele resmungou aproximando-se de minha boca. Ah, meu Deus, Itachi ia me beijar! Ele realmente ia! Não, isso não pode acontecer, não pode. Quem ele pensa que é que tem o direito de me beijar assim, simplesmente do nada, sem nenhuma satisfação? Sem mal me conhecer? Eu não sou fácil assim, me nego deixar ser levada por alguém como ele que provavelmente tem quem ele quer a qualquer momento. Eu não vou ser mais uma para ele se divertir depois. É isso! Ele está apenas se divertindo as minhas custas!
Meu ódio retornado me fez ver o que eu claramente queria. Não era isso, eu sempre fui romântica, sempre quis conhecer a pessoa antes de qualquer coisa. Ele não tinha o direito e não merecia tampouco!
- Me solta! — abaixei a cabeça, quebrando o contato entre nossos olhos, mas infelizmente, tendo uma visão ampla de seu corpo. Não posso fraquejar. Pensei comigo. Devia me agarrar ao ódio para conseguir me livrar dele. No momento, era minha melhor arma.
- Eu sei que você me quer, Sakura. — disse simplesmente — vejo como me olha, porque nega? — sua voz estava próxima de meu ouvido, causando arrepios que percorreram meu corpo traidor inteiro, esquentando ainda mais a região de meu ventre. Eu inspirei tentando ganhar alguma lucidez.
- Você pode ter um corpo atraente, Uchiha Itachi, mas sua personalidade me enoja! Tire suas mãos de mim que eu não quero homens como você! — certo, eu fui dura, um pouco demais, mas eu estava com raiva da minha rendição e da presunção dele de que eu o desejava. Não que não fosse verdade, afinal, qualquer um cairia nas tentações com uma beleza daquelas, mas isto não era o importante. E o importante ele não tinha. Senti que ele ficou um pouco sem reação, mas então, me soltou rapidamente e se afastou de mim, sem me encarar enquanto se retirava do salão.
É, Sakura, acho que você foi um pouco grossa demais.
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As aulas finalmente começaram. Quando pisei pela primeira vez naquele lugar maravilhoso, fiquei de boca aberta. Que construção fabulosa era a da Universidade de Konoha! Acho que eu enfim fiz a escolha certa em vir para cá.
Aprendi logo a me locomover pela cidade. Não por minhas habilidades, mas sim pela minha mais nova amiga, a senhora GPS, que me guiava a qualquer lugar que eu precisasse ir.
Continuei caminhando para as imensas portas rústicas da universidade. Ali era o Bloco C, apenas para estudantes de direito. Mesmo se eu não tivesse lido que era ali, poderia adivinhar pela quantidade de garotas andando de salto alto e totalmente chiques. Bem vinda ao curso de direito.
Subi as escadas de mármore e encarei o monte de pessoas que se encontravam ali no salão principal. Haviam cartazes explicando a localização das salas e eu já sabia qual era a minha, 203, no segundo andar. Parei um pouco encarando o tumulto que estava ali no térreo, jovens rindo, garotas se insinuando, e então eu vi dois rapazes tirando as sandálias de algumas garotas, calouras pelo que pude perceber. Sem pensar duas vezes subi as escadarias e fui de encontro a minha sala.
Havia apenas uma garota ali, de cabelos pretos longos e olhos perolados. Ela estava sentada de forma prendada e admirando a vista da janela.
- Olá — comecei, fazendo-a distrair da vista. — Sou Sakura, e você?
- Hinata, prazer. — ela respondeu com uma voz suave e um sorriso amoroso. Ela estava usando um sapatinho preto bem mimoso, combinando perfeitamente com a calça jeans e a blusa azul que usava. Nada extravagante como as outras garotas que eu já havia visto.
- Só nós duas aqui então…? — tentei puxar assunto.
- Sim. Bem… na verdade, todos devem ir para o auditório. O reitor irá nos dar as boas vindas. — ela sorriu novamente para mim e me encarou — hoje não terá aula. Na verdade, é o dia de trote.
Epa, eu tinha me esquecido completamente disto. Não quero passar por trote algum não! Muito menos ter meus sapatos arrancados. Isto me lembra, sempre tive pesadelos de que eu ia para a escola, quando mais nova, sem calçados e nunca os encontrava.
- Há alguma forma de escapar?
- Raramente. Estou aqui em cima porque supostamente não era pra ninguém vir para cá. Então, pode ser que conseguimos evitar no momento. Você também não quer?
- Não sou muito fã não. E se alguém tentar arrancar meus tênis, eu espanco eles!
Ela riu de mim e finalmente adquiriu uma postura mais relaxada na carteira.
- Que horas devemos ir para o auditório?
- Uhm… daqui uma meia hora. O reitor não costuma falar muito, ele passa em vários cursos a manhã toda né.
Eu olhei para os papéis da universidade que eu havia imprimido e realmente constatei que não falava nada de reitor e auditório.
- Como você sabia disto?
- Bem, minha família sempre freqüentou este curso. Meu pai fala sobre ele desde quando eu era pequena.
- Ah sim.
-E meu primo é nosso veterano e ele… ele me deu algumas dicas. Como vir para cá.
- Legal. Deve ser bom ter algum parente na mesma universidade, não?
- É, acho que sim. — ela respondeu vagamente, o que me fez estranhar.
Continuamos conversando por um tempão a mais. Vi que Hinata realmente era um doce de pessoa e que nós nos daríamos muito bem. Enfim, era a hora de descer para o auditório, até a gritaria havia cessado, demonstrando que os acadêmicos estavam mais calmos.
Nós duas descemos sorrateiramente, com cuidado para que ninguém nos dedurasse e então entramos no auditório. Era imenso, como um teatro, só que bem mais bonito do que os que eu já havia visto. Os bancos eram todos estofados e elevados, de forma que por onde eu e Hinata entramos, estávamos acima da maioria.
Todos os lugares na frente estavam tomados e eu reparei que a maioria deles estavam sem seus calçados. Calouros então. Sentamos mais ao fundo, praticamente atrás de todos e então as luzes diminuíram. Fomos as ultimas a entrar.
- Quase atrasadas — sorri para Hinata e então ouvi uma voz conhecida.
- Bom dia professores, acadêmicos e diretores, iniciamos agora as boas vindas aos novos alunos… — era Itachi em cima do palco falando. Eu devia estar com os olhos arregalados. Não sabia que ele fazia direito. Se bem que, eu nunca perguntara. Ele estava mais uma vez todo engravatado e falava confiantemente. Parecia ter nascido para aquilo.
Vendo-o ali me fez pensar, desde aquele dia que ele tentou me beijar, eu não o havia visto e nem ouvido falar dele. As vezes eu ouvia o seu carro chegando, mas nada além. Olhei para ele e vi que ele falava de um jeito superior. Não me espantei, devia estar acostumado a ser sempre o que mais se destacava em tudo na vida.
Finalmente ele terminou e eu pude ouvir diversos suspiros da parte feminina na platéia. Ele passou a palavra ao diretor e este começou a falar sem parar sobre as normas da universidade e diversas outras coisas. Sim, eu não estava prestando atenção. Apenas reparava no belo rapaz que descia do palco para se sentar na primeira fileira.
- É Uchiha Itachi. — falou Hinata, provavelmente notando que eu não tirei os olhos dele.
- É, eu sei. — respondi, não muito certa se revelava que eu morava na mesma casa que ele.
- Ele é o que manda aqui praticamente. Ele e o grupo dele, do centro acadêmico. Tome cuidado para não aborrecê-los.
- Como assim ele que manda aqui?
- Bem, a família dele ajudou a fundar Konoha. Ninguém contradiz um Uchiha ou as famílias que estão sempre investindo aqui.
- Uhm.
- Sentado ali embaixo esta Uchiha Shisui, braço direito de Itachi e agora o mais novo Uchiha, o Sasuke.
- Sasuke? Ele esta fazendo direito? — perguntei pasma mais uma vez. Ninguém me falara nada! Se bem que, eu também não perguntei.
- É. Ele vai ser o único calouro sem ser obrigado a passar no trote. Mas Itachi não parece querer que ele entre para o CAcs.
- Cacs?
- É, centro acadêmico. Teoricamente, eles são nossos representantes e deveriam ser escolhidos por nós, mas… sabe como é.
- Entendi.
- Aquele de cabelos grandes soltos é o meu primo, Neji.
- Então seu primo faz parte da panela?
- É, mas ainda esta em uma posição baixa. Mas os Hyuugas também tem nome aqui, não poderiam negar a vaga para ele.
- Hyuuga? Você é uma Hyuuga? — eu já havia ouvido sobre esta família. Não era tão famosa quanto os Uchihas, mas tinha uma forte presença.
- Sim.
- Nossa — falei sem querer, demonstrando completamente minha surpresa. Afinal, Hinata era tão doce, não parecia como os Uchihas, metidos e arrogantes, como eu acreditava ser todos os ricos. — desculpe, é que você é tão simpática.
Ela riu baixinho, voltando a sua atenção para o reitor e eu para meus pensamentos. O que mais estava agora em minha cabeça era que eu teria uma overdose de Uchihas. Uchihas em casa e Uchihas na universidade. Eu não mereço isso!
O reitor terminou de falar e então passou a palavra para Shisui, que muito simpático, subiu ao palco e pediu para que nenhum acadêmico se retirasse. Os professores e o reitor saíram sem se importarem.
- Vamos começar então oficialmente o Trote — ele falou sorrindo maliciosamente — Meus queridos colegas veteranos, já sabem quem são os calouros devidamente marcados aqui na frente — sorriu sarcasticamente, se referindo a falta de calçados — e não se preocupem, seus calçados serão devidamente doados para pessoas necessitadas. Considerem este o primeiro gesto de boa ação de vocês este ano — ouvi diversas risadas e não eram calouros. — Cada um dos veteranos tomará conta de um dos calouros então fiquem de olho para ver se eles não fogem! — diversos acadêmicos começaram a gritar eufóricos — então que comece a diversão!
Os veteranos instantaneamente levantaram-se e se aproximaram dos calouros que estavam na primeira fileira, impedindo-os de fugirem.
- E agora? — perguntei para Hinata assustada. Aqueles acadêmicos me pareciam malvados.
- Vamos aproveitar que estão distraídos e sair de fininho. Venha.
Nós duas chegamos a porta ainda ouvindo a gritaria e conseguimos sair sem sermos vistas. Não havia ninguém ali, mas logo estaria infestada de gente. Eu realmente não queria participar daquele trote. Estava bem na minha vida tranquila sem ter meus tênis favoritos arrancados de mim e tinta tacada em todo meu corpo e roupas, além de lama e outras coisas que eu já ouvira falar.
- Certo, e agora Hinata?
- Bem, eu planejava em voltar para minha casa. — disse ela já caminhando em direção as portas — você precisa de carona?
- Não, uhm… então escapamos?
- Aparentemente sim, mas apresse o passo, não quero que nos vejam saindo.
Chegamos ao estacionamento e eu me despedi de Hinata, indo em direção ao meu carro que estava um pouco mais longe. Quando finalmente cheguei nele, vi as pessoas saindo para fora do prédio e começando a tacar tinta nos calouros. Sorri vitoriosa, eu tinha escapado de idiotices.
- Fugindo então? — ouvi uma voz atrás de mim.
- O que? — me voltei espantada para Itachi que estava a alguns passos atrás de mim, com os braços cruzados em um sinal de reprovação. — ah, não, eu não estou fugindo — menti. — eu tenho uma… uma consulta agora, não posso ficar.
- Sei. Consulta do que?
- Uhm… bem, ah… coisa de mulher, ginecologista.
- Sério? E qual o nome do médico?
- Eu, então, não me lembro…
- Uhm, mas eu me lembro de uma coisa… — ele se aproximou de mim e eu instintivamente dei um passo para trás — quem foge do trote é punido o ano todo por mim, você quer ser punida? — ele sorriu maliciosamente para mim. Eu estava começando a realmente odiar aquele sorriso dele.
- Pare de ser idiota Itachi, tenho direito de não querer participar. — falei irritada com ele, ainda mais com ele tentando me seduzir e meu corpo me traindo.
- Acho que não te explicaram direito ainda, mas aqui, em Konoha, sou eu quem mando, Sakurinha, e posso transformar sua vida acadêmica em um inferno se eu quiser.
- Eu não sabia que você era tão infantil e canalha, Itachi.
Acho que eu o deixei bravo, realmente bravo. Mal vi quando ele apertou com força meu braço, me prensando no carro e me encarando furioso.
- Cuidado, minha paciência é limitada. — vociferou. — não tolero inferiores insolentes. — eu devia estar com meus olhos completamente arregalados, sério mesmo que ele me chamou de inferior? Insolente tudo bem, mas inferior? Realmente eles não passavam de crianças mimadas.
- Certo Itachi, já brincou de ser o bonzão, deixe-me ir agora.
- Ei, Itachi, quem é essa aí? É caloura? — Ouvi uma voz ao fundo e então Itachi soltou um pouco meu braço.
- Não te interessa. Vá que eu estou ocupado aqui. — de novo aquele tom malicioso, como que indicando que estava fazendo algo pervertido. — por enquanto eu vou deixar passar, mas não se esqueça — ele prensou seu corpo ao meu e eu senti minha respiração falhar. Que cheiro maravilhoso e como ele estava quente! Senti ele se aproximando de minha orelha e um leve arrepio percorreu todo o meu corpo, sentindo logo após uma pulsação um pouco abaixo do meu ventre, aquela pulsação malvada. Meu corpo não podia me trair assim! — eu consigo tudo o que quero, Sakura. — sua voz um pouco rouca e quente batendo em meu ouvido me dava sensações maravilhosas, fazendo prolongados arrepios percorrerem meu corpo. Ah! E eles eram gostosos. Eu definitivamente devia estar com as bochechas coradas, algo que eu tive certeza absoluta quando Itachi se afastou e sorriu triunfantemente, provavelmente notando isto.
Ele me deixou ali, com as pernas bambas e o coração saltitando freneticamente, como se eu tivesse acabado de correr uma maratona. Eu precisava me controlar, e já! Duas vezes o maldito Uchiha saiu vencedor. Isso não ia ficar assim, de jeito algum!
Notas finais
=)
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