Heartbreaker

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Ahhhh, mil desculpaaas pela demora!! Mas em compensação eu escrevi praticamente o triplo =x hihih
Desculpem mesmo, eu fiquei meio down com as provas do mal que tive, mas já to com energia suprema de novo o/
Bom, eu ainda tenho provas, então estou passando aqui rapidinho, logo logo respondo aos maravilindos comentários *-* desde já, agradeço imensamente a todos, aos novos e antigos leitores e a todos que estão favoritando a fic *-* fiquei muito feliz mesmo!!
Bom, é isso ae, boa leitura e espero que gostem xD

Eu estava ansiosa. Completamente. Meu relógio parecia não se mover, pois a cada momento que eu olhava para ele, apenas somava-se um minuto a mais. Faltava uma hora ainda para o jantar e eu já havia tomado banho, alisado meu cabelo, feito as unhas e me maquiado parcialmente. No entanto, eu ainda não sabia o que vestir e era neste ponto que minha amiga de olhos perolados entrava.

Hinata estava mexendo em meu guarda roupa com as sobrancelhas franzidas, procurando algo enquanto divagava sobre os lugares que Itachi poderia me levar. Eram tantos que minha mente já não a acompanhava mais.

- Então, se ele te levar para o Araga quer dizer que ele realmente esta querendo te impressionar. É o mais luxuoso restaurante daqui.

- Mais luxuoso? Eu não sei se me sentiria muito confortável indo à um lugar desses… — resmunguei preocupada. Eu me conhecia suficientemente bem para saber que luxo, roupas caras, saltos enormes, andar glamouroso, jantares elegantes, não faziam meu estilo.

- Ah, não se preocupe – hinata respondeu sem dar muita atenção, concentrada em analisar minhas peças – Lá é tranqüilo e ninguém em sã consciência iria fazer pouco caso de alguém com um Uchiha, pode ter certeza.

- Certo, mas não são grandes as chances de ser lá, são? – minha insegurança estava sendo completamente ignorada por ela.

- Acho que sim. Pelo menos, sempre encontrei Itachi-san lá, quando ia com meu pai. Normalmente ele tem seus encontros lá.

- Normalmente? Isso só me faz sentir pior!

- Uhm… talvez ele irá levá-la lá para conhecer, ele deve saber que você não conhece, não? Então… não vai ser por hábito.

- Ele tem muitos encontros lá?

Ela me encarou, indecisa sobre como responder.

- Não.

A resposta dela não foi nem um pouco convincente, mas eu preferi ignorar. Meus nervos não precisavam de mais estímulos.

- Sakura-chan, acho que esse ficará perfeito em você – ela me entregou um vestido vermelho que eu conhecia muito bem – Bom, eu tenho que ir agora, meu pai logo vai ficar nervoso.

- Sim claro, muito obrigada Hina-chan! – eu a abracei enquanto a acompanhava até a saída.

O motorista de Hinata já havia chegado fazia algum tempo, mas ela tinha se distraído ao me ajudar. Quando ela foi embora, eu corri novamente para meu quarto. Fazia anos que eu não experimentava aquele vestido e mais anos ainda que eu não ia a encontros assim.

Eu não estava muito segura quanto ao fato de irmos à um restaurante chique demais. Eu sabia que não me sentiria bem em um lugar desses, em um lugar tão diferente, com pessoas diferentes e diversas outras coisas diferentes que eu não fazia nem idéia.

Eu deveria ter falado isso para Itachi na hora do convite, mas até parece que eu pensaria em algo do tipo com aquele pedaço de mal caminho na minha frente em sua forma mais fofa.

Era fato que eu não tinha roupas elegantes, de marca, tampouco jóias ou postura para ir à um restaurante fino, mas ali estava o meu melhor vestido. Era um vermelho com cada uma de suas alças presa nas costas do lado oposto, formando um x nelas, deixando-as mais da metade descobertas, e um decote que combinava perfeitamente com o tamanho de meus seios. O vestido ia uma parte até metade de minha coxa e a outra até meu joelho, em um declive solto. Ele fora desenhado por minha mãe, talvez fosse por este motivo que eu gostava tanto dele. Era perfeito para meu corpo, sob medida.

Coloquei uma sandália alta preta que normalmente eu usava junto com esse vestido. Andei um pouco pela sala para me readaptar ao salto, afinal, eu sempre usava tênis e coisas baixas.

Terminado os preparos e após uma longa inspirada para absorver coragem, desci para pegar um copo de água. Ficar ali no quarto esperando Itachi ansiosamente não iria funcionar, ainda mais levando em conta que eu estava um pouco adiantada.

Eu não sabia se Itachi já havia chegado ou não e a curiosidade quase me levou até a garagem para ver se o carro dele estaria ali, mas meu caminho foi barrado por alguém.

- Sakura! — falou uma sorridente Mikoto, abrindo os braços e me abraçando carinhosamente. Ela então se afastou e começou a me analisar — uau! Como esta linda! Adorei esse vestido! Olha o corte dele, muito bem desenhado… nunca tinha visto um assim, de quem é?

- Hã? Ah, minha mãe que fez.

- Sério?

- Na verdade, ela desenhou e mandou fazer.

- Nossa, eu realmente adorei. Você esta deslumbrante!

- Obrigada.

- E posso saber qual é a ocasião?

- Nós vamos jantar — Itachi entrou no corredor, encantador, sorridente e confiante. O ar subitamente pareceu ficar mais denso e eu me vi segurando a respiração. Ele estava com um terno aberto, uma camisa preta e uma gravata branca reluzente, e também, estava usando um suspensório branco, apesar de que com o terno não dava para ver muito bem. Ele cumprimentou a mãe e então parou, me analisando de forma nada discreta — magnífica! — concluiu, se aproximando de mim e em uma voz sedutora tornou a falar — você esta fabulosa, Sakura.

Itachi pegou uma de minhas mãos e a levantou, beijando a costa dela enquanto ainda me encarava. Aquela atitude fez meu corpo esquentar ligeiramente, assim como a zona beijada de minha mão.

- Você também, Itachi — respondi sem graça, sentindo o perfume másculo dele entorpecer meus sentidos. Um perfume delicioso que combinava maravilhosamente com ele.

- Você vai levar ela para jantar? — Mikoto finalmente falou, completamente surpresa.

- Sim — ela o encarou desconfiada e talvez ligeiramente brava.

- Ela agora é como uma filha para mim e se você estiver dando uma de espertinho pra cima dela, não me importa se você também é meu filho, eu te capo rapidinho! — ela apontou o dedo quase na cara dele, fazendo-o se afastar um pouco — não ouse magoá-la, rapazinho.

- Vejo que arrumou um cão protetor — ele sussurrou para mim, mas de forma que ela também pudesse ouvir.

- Eu estou falando sério, Itachi! Ela não é qualquer uma.

- Fique tranquila, dona Mikoto, não farei nada que ela não queira. Sakura? Vamos? — ele estendeu o braço para mim e eu aceitei um pouco relutante, confusa com a atitude de Mikoto.

- Traga-a de volta cedo! — ela gritou quando estávamos quase saindo pela porta.

xxxxx

- Parece-me que arranjou mesmo uma protetora — comentou ele enquanto abria a porta do carro para eu entrar. Ele realmente estava se esforçando na conquista. Apesar de que, ele parecia bem natural ao fazer isto.

- Obrigada — agradeci, entrando no carro. Ele deu a volta e logo estava sentando ao meu lado. Assim que ele prendeu o cinto e se ajeitou, ele voltou-se para mim.

- Você esta mesmo muito linda, Sakura — ele disse de novo o elogio, mas dessa vez sua voz era diferente, era mais grave, e ele me encarava de um jeito profundo, como se quisesse passar um significado a mais às suas palavras.

- Obrigada. De novo – respondi acanhada com aquele tom — Você também, Itachi.

Ele sorriu simpático enquanto se aproximava de mim vagarosamente, curtindo os instantes. Ele segurou meu queixo um pouco antes de seus lábios tocarem carinhosamente os meus. Foi apenas uma leve pressionada e logo ele se afastou, minimamente.

Seus olhos encararam os meus de perto e um arrepio subiu minha espinha ao sentir sua respiração quente bater contra minha pele. Sua mão abandonou meu queixo para enlaçar meu pescoço e me trazer para mais perto. Seus lábios tomaram os meus mais uma vez, agora com mais intensidade e volúpia. Sua língua, úmida e quente, invadiu minha boca, procurando a minha com urgência. Ele conseguia ser ao mesmo tempo carinhoso e sedutor enquanto acariciava minha língua, contornando-a e se enroscando nela, conhecendo cada canto de minha boca. Eu também me aventurei pela dele, sentindo aquele hálito fresco, com um leve gosto de menta, delicioso. Nisso ele deu uma leve prensada em minha lingua com seus dentes, me fazendo sorrir pela brincadeira antes dele sugar minha língua sensualmente. Não pude conter um gemido abafado de prazer ali, ainda mais quando ele começou a passear com sua língua pelos meus lábios em uma delíciosa trilha molhada para depois prensar meu lábio inferior entre seus dentes, puxando-o provocativamente. Eu suspirei, entorpecida com aquele calor que dominava meu corpo e a pulsação entre minhas pernas. Tudo por causa de um simples beijo.

Itachi tinha esse poder sobre mim. Despertava esse desejo ávido, essa luxúria, que antes eu sempre tivera sob controle. Meu corpo esquentava, minhas bochechas queimavam, meus seios se eriçavam e meu coração parecia querer saltar de meu peito. Tudo isso, por culpa de um simples, mas maravilhoso, beijo dele.

Ele soltou meu lábio sorrindo, provavelmente satisfeito com o estado em que havia me deixado, e se endireitou no banco, mas sem quebrar o contato visual.

- Definitivamente, hoje você esta deslumbrante. Ainda mais corada dessa forma – eu virei meu rosto para frente, constrangida por estar corada, mas isso apenas o fez sorrir mais ainda — não faça isso. Não me tire o privilégio de ver uma imagem tão doce.

Sabendo que eu já estava um pouco menos quente, voltei a olhar para ele e constatei que seu lindo sorriso continuava ali. Um sorriso gentil e talvez um pouco fascinado? Não, não seria. Pelo que eu o conhecia, ele não ficaria fascinado. Devia ser outra coisa naquele olhar e sorriso, mas não isso.

xxxx

O caminho foi um pouco silencioso. Apenas trocamos algumas palavras sobre o clima, sobre a cidade, coisas sem muito interesse. Talvez ambos estivessem ainda ‘acessos’ por causa do beijo.

Itachi mantinha-se atento ao trânsito, mas as vezes pegava minha mão e a acariciava, se afastando depois, como se tivesse fazendo algo proibido. Ele era um mistério para mim. Parecia que estava sempre em conflito, sempre em uma dualidade. E isso apenas me deixava mais curiosa sobre ele.

Paramos em frente à um gigantesco restaurante. Uma entrada muito bem iluminada e cheia de pessoas uniformizadas nela para estacionarem os carros. Itachi desceu e um desses homens abriu a porta para mim, estendendo a mão para me ajudar a descer, mas eu só percebi isso depois de um tempo, deixando-o ali no vácuo, com a mão estendida.

Percebi então vi que Hinata estava certa. Aquele era o Araga, o mais luxuoso restaurante que tinha. E eu havia caído em um dos encontros normais com Itachi.

Nós fomos até a recepção e a moça logo o reconheceu, chamando outra imediatamente para que nos conduzisse à mesa.

Eu fiquei boquiaberta. Era esplendoroso. Era o que havia de mais luxuoso mesmo. Ali só havia pessoas chiques, cheias de jóias, posturas de damas e olhares desdenhosos.

Quando eu e Itachi começamos a nos mover, reparei diversos olhares raivosos de homens para ele e de mulheres enciumadas para mim.

- O que achou? Superei sua expectativa? – ele me perguntou em um tom de voz baixo, mas o suficiente para que eu pudesse ouvir.

- Expectativa? Talvez.

- Creio que nunca veio aqui, não?

- Não.

- E então?

- Encantador.

Nós nos sentamos, enquanto eu ainda admirava o lugar. As cadeiras eram extremamente confortáveis, como se eu estivesse sentada em um bom sofá. Tudo ali possuía o que devia ser do mais requintado e fino do meio bilionário, além de um clima romântico no lugar. As luzes não eram tão fortes, e trabalhavam com tons amarelos e vermelhos, criando um ambiente mais agradável e aconchegante. Eu não queria nem pensar em quanto este jantar sairia.

Itachi me passou o cardápio e eu comecei a olhar os pratos e seus respectivos valores. Era simplesmente impossível! O mais barato ali valia mais que meu notebook! Afinal, como eles faziam um prato valer tanto assim? O que havia naquilo, ouro? Eu continuei lendo e constatei. Sim! Tinha ouro! Ouro comestível em alguns dos pratos. Só podia ser brincadeira.

- Sakura?

- Uhm? — perguntei alienada a tudo, ainda inconformada com o ouro comestível.

- Você me permitiria escolher um prato para você?

- Adoraria, Itachi.

Eu sozinha não ia conseguir escolher. Não entendia metade do que aquele cardápio queria dizer.

- Perfeito! Acredito que irá apreciar muito — ele chamou a garçonete e pediu para que ela trouxesse o de sempre. Isso me deixou ainda mais desanimada. Ele sempre pedia aquele prato quando trazia outras ali?

Um vinho logo foi trazido, algo que Itachi havia pedido antes mesmo de nos sentarmos. Eu o beberiquei uma vez, depois outra e quando vi, estava utilizando-o como meio de mascarar um pouco minha ansiedade. Ou talvez… minha insatisfação?

Eu não estava feliz ali. Já não bastasse que ele fazia isso sempre com outras, mas também que aquele lugar era extremamente diferente para mim. Era como se ele quisesse me impressionar, mostrar tudo o que ele poderia fazer, mas eu não estava impressionada. Não nesse sentido. Era tudo grande e formidável. Mas não era isso o que eu queria. E eu nem sabia o que eu queria, só sabia que havia um sentimento incerto sobre aquilo.

- Você esta quieta…

- Ah, é… bem, nunca vim em um lugar como este.

- Sim, eu sei. É formidável, não?

- Acredito que sim – respondi incerta e ele pareceu reparar algo em mim, mas antes que pudesse perguntar algo, fui salva por alguém.

- Itachi-kun! Que surpresa encontrá-lo aqui! — ouvi uma voz aguda e estridente, seguida de cabelos vermelhos vivos e muito bem tratados.

- Tayuya, como esta?

- Muito bem, meu querido, e você? — ela se aproximou dele, beijando sua bochecha de forma mais demorada do que seria o normal — e quem é esta?

- Sakura. Estuda em Konoha também…

- Aé? Esta é a rosada que tanto estão falando? — ela me encarou de uma forma estranha, havia um sorriso simpático, mas também um ar mais tenso em suas expressões. Algo que eu não conseguia distinguir, mas sabia que não era boa coisa – até que você é muito bonita. Bem, digna de sair com esse garanhão aqui.

Eu sorri como resposta, sem saber muito bem o que falar. Ela então voltou-se para Itachi, virando as costas completamente para mim. Costas que estava aparecendo até quase sua bunda, finalmente havendo um pedaço de pano ali, bem curto também, que cobria suas volumosas nádegas.

- Estou com saudades suas, querido, você tem que manter mais contato com antigos amigos, se é que me entende.

- Sim, claro, irei — ele parecia um pouco grosso com ela e sempre olhava para mim enquanto conversava.

- Vou cobrar viu? Vou deixar os dois à sós então. Boa diversão hihi — ela saiu de perto, não sem antes me dar uma estranha olhada.

- Garanhão?

- Ela é um pouco doida — não sei porque, mas algo me dizia que eles já haviam tido algo. Talvez pelo jeito que ela o olhava. Definitivamente havia desejo ali — Você esta bem, Sakura?

- Estou — respondi tomando mais um bom gole do vinho, tentando disfarçar os sentimentos que refletiam o que eu pensava — e então, Itachi, vem sempre aqui?

- Quando posso, sim. Gosto dos chefs daqui.

- Uhm… — eram mulheres. Com certeza eram mulheres! Por isso ele gostava tanto.

- Seu pai deve retornar logo, sabia disso?

- Não. Eu as vezes até me esqueço dele — o meu tom de voz transpareceu o meu aborrecimento quanto a este assunto. Não era algo que eu tentava mascarar.

- Você não se dá bem como ele né?

- Eu não me relaciono com ele. É diferente.

- Porque ele sempre esta viajando com o meu pai.

- Sim.

- De certa forma, nós dois tivemos nossos pais ausentes então.

- Talvez — eu ainda continuava a colocar a culpa da ausência de meu pai na família deles — sabe, eu estava conversando com Gaara hoje…

- O Sabaku?

- Isso… ele me disse que você e a irmã dele eram bastante amigos.

- Temari? – perguntou surpreso, como se lembrando dela – Sim, eramos.

- Mas não mais?

- Não. Nossas vidas tomaram rumos diferentes. Mas ela sempre foi uma boa pessoa. E antes que me acuse, nunca tive nada com ela. — ele sorriu enquanto levantava as mãos em um gesto de defesa.

- Eu não ia acusar você! — retruquei indignada — só estava querendo saber mais sobre você.

- Então, pergunte-me, o que mais você quer saber de mim? — ele se aproximou, inclinando-se sobre a mesa e me olhando curioso.

- Vamos ver… você já teve algum relacionamento sério?

Itachi estreitou os olhos, como se quisesse captar alguma outra intenção em minha pergunta. Eu tentei me manter firme, sem demonstrar de onde vinha essa curiosidade. Afinal, não seria nem um pouco legal ele perceber que eu mexera nas coisas dele ou mesmo que invadira seu quarto.

- Mais ou menos, nada muito relevante – ele cortou o assunto, bebendo um pouco de vinho – o que mais?

- Pelo jeito não irá explicar isso melhor?

- Não, próxima pergunta.

- Uhm… o que há entre você e o Sasuke? — perguntei. Afinal, era isto o que sempre me deixara louca de curiosidade.

- Eu imaginava que ia perguntar isto em algum momento – ele se endireitou na cadeira, se inclinando na mesa enquanto analisava o arranjo que estava ali — Meu irmãozinho sempre foi um tolo. Ele se apaixonou por uma garota errada e eu interferi para tentar salvá-lo. Bom, ele me odeia por isso, por eu ter destruído os sonhos dele.

Só isso? Ele não estava falando sério. Eu podia sentir que ele ainda escondia algo, que tentava falar de forma a não se comprometer demais.

- E só isso é o suficiente para deixá-los dessa forma?

- Esse é o poder que uma garota tem sobre os homens tolos – ele lançou um olhar suspeito para mim.

- Sabe, eu não acredito nisso.

- O que?

- Na sua história. Eu sinto que você ainda esta me escondendo coisas.

Ele sorriu e tornou a endireitar-se na cadeira, tomando um pouco mais de seu vinho de uma forma muito elegante.

- Há alguns detalhes do passado que eu não quero mexer Sakura. Espero que você respeite isto.

- Se você sempre tiver medo dele, nunca poderá o enfrentar… as vezes é bom compartilhar, colocar para fora… — ele ficou mais sério, frio.

- Não é o caso — respondeu um pouco rude, como que colocando um ponto final na história. Eu achei melhor não pressionar mais. Agora eu sabia que envolvia uma garota na história. Mas a história ainda era incerta — agora é minha vez…

- O que?

- De perguntar.

- Certo…

- Você já teve namorados? — ele se inclinou mais uma vez, estendendo a mão para segurar a minha em um leve toque.

- Ah… já, mas nada sério.

- Uhm… Porque então você nunca relaxa perto de mim? – eu quase cuspi o vinho que tinha acabado de ingerir, encarando-o um pouco pasma com a pergunta.

- Eu relaxo sim…! – resmunguei.

- Não, você não relaxa. Você esta sempre na defensiva. Porque?

- Uhm… — suspirei, pensando na resposta — Meus namoros não foram sérios o suficiente, mas foram seguros. Eu não sei quase nada sobre você, ainda, e sinceramente… como eu já disse, não sei também se posso confiar em você.

- Hn. Pelo menos esta conseguindo se abrir – ele acariciou levemente minha mão — Eu vou ganhar a sua confiança, mesmo que seja aos poucos — ele se aproximou, inclinado mais ainda o corpo na mesa e beijou meus lábios de leve, apenas um roçar, antes de voltar para seu lugar com um sorriso sapeco no rosto — não vou?

- Acho… acho que sim — respondi um pouco entorpecida pelo seu olhar penetrante.

- Bom.

A refeição chegou e eu não soube bem definir o que era aquilo. Minha primeira reação foi um pouco semelhante a algo como enojada. Era, a primeira vista, repugnante. Como alguém pagava tão caro para pratos tão estranhos assim?

Em um segundo momento, percebi que ali havia uma lagosta. Eu nunca havia comido uma. Ainda mais uma com tantas outras coisas estranhas junto.

- Samundari Khazana — explicou Itachi, sem perceber minha repugnação ao prato. Sim, eu era enjoada com comida. Mas só tinha me lembrado no momento em que o prato tinha chegado. Eu raramente gostava de coisas diferentes ou muito estranhas ao que eu já estava acostumada. E devia ter pensado melhor antes de aceitar um jantar assim.

- O que tem aqui?

- Uhm… lagosta, caviar, escargots, ouro comestível…

- Sério? — sacanagem ter ouro comestível no que eu iria comer, sendo que há tanta gente sem ter nem dinheiro por aí. Eu estava me tornando uma daquelas pessoas que eu sempre odiara, só que sem o benefício de ter o dinheiro.

- Porque a cara triste?

- Ah? Não, nada. Só estava pensando, se minha mãe fosse viva, ela gostaria de comer isso, só isso — expliquei as pressas, soltando a primeira desculpa que encontrei.

Itachi começou a comer, praticamente deliciado com aquele prato, sem se dar conta dos meus conflitos internos e minha pouca fome no momento. Eu comecei pegando pedaços pequenos, tentando experimentar. Algumas coisas até que consegui comer, não tinham um gosto tão ruim quanto ao olhar, mas outras, senti como que se eu forçasse demais, iria voltar tudo. Como forma de melhorar a coisa, eu estava bebendo bastante vinho. Um copo atrás do outro, tentando disfarçar o gosto e não deixar transparecer nada.

Logo já estávamos no terceiro vinho e eu estava tomando muito mais do que Itachi, inclusive, minha cabeça já estava zonza e eu sabia que não conseguiria colocar nem um pedaço a mais daquela comida em minha boca sem regurgitar. E o pior, era uma comida cara para não gostar e deixar sobrar… Seriam as sobras mais caras da minha vida.

- Eu acreditava que você não bebia muito… não esta tomando demais?

- Nãaao… juro que não! — meu cérebro parecia estar nublado, mas no momento, o vinho estava sendo um grande amigo. Talvez eu devesse até dar um abraço nele em agradecimento.

xxxx Itachi xxxx

- Eu acho melhor cortarmos o vinho… podemos pedir a sobremesa, o que acha? — tentei sugerir para ela, mas ela negou com a cabeça freneticamente. Ela já estava embriagada. Estava evidente. Essa garota era um mistério para mim. Nunca uma outra havia agido dessa forma.

Sempre que eu as trazia neste restaurante, elas ficavam todas deslumbradas e excitadas, quase que querendo provar todos os pratos. Mas ela? Ela mal havia tocado na comida. Em compensação estava bebendo muito. Demais. Eu precisava controlar isso antes que tivesse que carregá-la para fora daqui.

- Eu — ela falou um pouco mais alto do que o normal, mostrando que já estava alterada — não quero sobremesa… comi demais!

- Você mal tocou na comida…

- Mas… eu sou pequena… eu como pouco mesmo! O prato que é muuuito grande.

- Sakura?

- Uhm?

- Você tem certeza? Quer pedir algum outro prato? Se não gostou é só pedir outro, não se preocupe.

- Nãaao… estou beeeem! — ela deu um largo sorriso enquanto apontava o garfo para mim e deixava um pedaço de lagosta cair dele.

- Certamente que esta — eu sorri para ela. Isso estava cada vez mais espontâneo. Eu normalmente maquinava todos os meus sorrisos e expressões, mas com ela, as coisas simplesmente aconteciam. Eu me sentia leve com ela, solto. Sua companhia era agradável e diferente, o que me deixava curioso. Eu não costumava a me sentir assim.

Deixe-a tentar comer mais um pouco até dar um fim ao seu sofrimento. Ela realmente parecia não ter gostado daquela comida e isso só me fez ficar ainda mais intrigado.

- O que acha de darmos uma volta de carro então? Já que recusou a sobremesa?

- Peeeerfeito! — ela largou os talheres imediatamente, sorrindo sem parar e um tanto quanto eufórica para sair dali. As pessoas ao nosso redor começavam a reparar nela. Principalmente as mulheres que a fuzilavam com o olhar, afinal algumas que estavam ali já estiveram me acompanhando diversas vezes. E eu havia dispensado cada uma delas.

- Então vamos?

- Haaaai!

Eu dei a volta na mesa e já me preparei para segurá-la quando ela fosse se levantar. Ela não me parecia em condições de se manter em pé sozinha.

- Itachi-kun, temos que… pagar a conta.

- Não se preocupe com isso, tudo já foi depositado na minha conta.

- E quanto eu… eu te devo?

- Apenas um beijo.

- Seeei! Seu pervertido!

Eu a conduzi ligeiramente para fora do restaurante. Ela parecia estar bem o suficiente para andar, mas não tão bem para se manter em linha reta. Sua voz estava começando a ficar um pouco alta e eu não queria chamar muita atenção. Pela primeira vez uma garota se embriagava desta forma em um encontro comigo. Eu ainda não compreendia as intenções de Sakura. As suas formas de agir me deixavam intrigado e eu me perguntava o que deveria esperar dela.

- Ooops… — ela murmurou ao quase cair na calçada por tentar se desvencilhar de meus braços e entrar no carro sozinha.

- Ei, calma – a segurei, evitando que ela de fato caísse, mas ela mesmo assim tentou se livrar de mim e se sustentar por si mesma – Sakura, fique quieta… — pedi tentando não ser grosso e consegui, por fim, segurá-la firmemente e colocá-la dentro do carro. Ela pareceu ficar constrangida, permanecendo quieta por um tempo. Parecia estar envergonhada pelo quase tombo na entrada do restaurante ou talvez pelo trabalho que estava me dando.

- Você dirige muitoo bem! – disse depois de algum tempo de silêncio, aparentemente esquecendo-se da vergonha anterior e dando lugar a uma pessoa mais desinibida.

- Aprendi desde pequeno…

- E você é muito lindo também! — ela falou aquilo sem perceber, ainda em seu euforismo. Eu a encarei, um pouco desconcertado pelas suas palavras. Ela não costumava me elogiar assim, do nada, e foi algo que eu gostei, que me fez sentir bem. Não que eu devia me sentir bem por ser elogiado por uma garota. Eu sabia muito bem o que eu causava nelas. Mas, mesmo assim, senti uma sensação gostosa ao ouvir aquelas palavras.

- E você também é muito linda, Sakura-chan.

- Assim você me deixa com vergonha de novo! — ela pareceu emburrar, mas não conseguia conter o sorriso — olha só! — ela colocou as mãos nas bochechas encarando-se no espelho do carro — eu já estou ficando quente de novo!

- O que?!

Ela pareceu se surpreender com suas palavras, assim como eu, e então colocou as mãos na boca, rindo divertidamente.

- É a verdade oras. Você sempre me deixa quente.

- Hn, bom saber — eu não pude evitar encarar ela e reparar aqueles lábios que necessitavam de um beijo. Eu poderia facilmente persuadi-la agora e levá-la para algum lugar mais íntimo. E era o que eu normalmente faria. No entanto, essa estranha sensação me incomodava. Algo me dizia que era errado eu fazer isso com ela. Não que eu não quisesse, mas eu sentia que no momento, eu não queria estragar as coisas. Estavam sendo interessantes até o momento para se acabarem tão depressa.

E eu ainda queria compreender quais eram as intenções dela. Talvez essas atitudes fossem uma nova tática de sedução para se dar bem na vida. Ela mal ficara impressionada com o restaurante, parecia que aquilo fora pouco para ela. Talvez esperasse algo a mais, como que eu a levasse para Paris em um primeiro jantar? Eu devia ser cauteloso. Ela era ainda um enigma e era arriscado jogar com ela. Mas era divertido e eu me sentia totalmente interessado nela. Ainda mais com a bela imagem que aquele vestido me proporcionava.

- Você esta de novo com aquele olhar… — ela resmungou como se estivesse cedendo ao cansaço.

- Que olhar?

- Pervertido.

- Ah… não posso evitar, afinal, você esta com um vestido que marca todas as suas belas curvas. É tentador.

- Aé? — ela sorriu matreira e me encarou — posso saber aonde esta me levando agora?

- Ainda não pensei ao certo. Aonde você quer ir?

- Você estava pensando em um motel não é? — ela zombou de mim, rindo sozinha.

- Não… meu quarto é muito melhor para isso.

- Ah, então é lá que costuma levar seus outros encontros?

- Não… essas eu levo em bons hotéis — ela fechou a cara. Suas expressões mudavam constantemente, o que estava me divertindo consideravelmente — mas você eu levaria para meu quarto.

- Isso é algo bom?

- Sim. Eu nunca faço isso – pisquei-lhe marotamente.

- Falando em seu quarto… eu tenho que entregar a sua chave — ela começou a abrir a bolsa — sei que eu a coloquei aqui… espera um minutinho.

- Sakura, depois você me entrega, eu tenho outra — Ela me ignorou e continuou a procurar naquela bolsa minúscula, mas que mesmo assim parecia ser impossível encontrar uma chave. Eu nunca entenderia aquelas bolsas que pareciam sumir com tudo — é sério, não tem problema…

- Não! Ela estava aqui!

- Então depois você pega, ok? Se concentre em pensar num lugar que você queira ir.

- Ok… — ela falou pouco confiante e ficou quieta enquanto analisava a janela.

- Temos algumas praças que são belas a noite – sugeri – tem uma em particular que é formidável, com uma represa, músicos ao ar livre…

- Ali! — ela apontou pelo vidro e eu não entendi o muito bem o que ela queria dizer. Ela estava apontando para o nada praticamente. Uma parte da rua onde havia algumas pessoas reunidas.

- Hn?

- Ali! Pare ali!

- Ok, acalme-se… — eu parei o carro e não entendi muito bem o que aquela garota queria. Estávamos parados em qualquer lugar. Não parecia haver nada ali — o que há aqui?

- Ali, você não vê?

- Vejo o que? — eu olhei para onde ela apontava. Um pouco à frente havia o grupo de pessoas, que estavam sentadas comendo alguma coisa e um mini trailer velho escrito cachorro quente.

- Eu fiquei com vontade de comer um — ela sorriu para mim animada e abriu a porta do carro, sem nem esperar por alguma resposta minha.

Eu fiz o mesmo rapidamente, antes que aquela doida se metesse em confusão. Vestida daquela forma, ela se tornava um belo alvo para ser roubada.

Aquelas pessoas nos olharam um pouco desconfiadas, ainda mais para mim, mas provavelmente não me reconheceram. O que era muito bom, se não, poderíamos estar encrencados.

Sakura deu a volta no carro e passou por mim, enquanto se dirigia àquela coisa. Eu me apressei até ela e entrei em sua frente, barrando-lhe o caminho e obrigando-a a me olhar. Segurei os seus cotovelos discretamente para lhe chamar mais ainda a atenção e evitar que ela continuasse a andar.

- Você tem certeza que quer ficar em um lugar assim? Provavelmente se você comer aquilo vai passar mal amanhã…

- Bobagens! Olha só, é um dos melhores carrinhos de cachorro quente que já vi, e o cheiro esta delicioso! — suas mãos passearam pelo meu peito em uma carícia descuidada, despercebida. Ela mesmo se aproximou mais de mim enquanto depositava um singelo beijo em meu maxilar. Seu gesto foi tão espontâneo e terno que me paralisou por um tempo.

- Não sei não, Sakura… esse lugar não parece muito confiável…

- Você… você nunca comeu lanches de rua assim? — eu a encarei, tentando compreender que para ela aquilo era normal — Oh! Então você tem que experimentar! Muito melhor do que aquela lagosta horrível! – eu sempre daria vinho para ela, assim ficava muito mais fácil entendê-la.

- Ha! Então você não gostou mesmo do prato? — ela olhou para mim um pouco assustada, como se tivesse dito algo que não queria. Sua expressão me divertiu mais ainda e quando percebi, eu já a estava apertando contra mim em um meio abraço carinhoso, mantendo-nos colados enquanto eu me perdia naqueles olhos verdes. Ela era diferente. Divertida. Um pouco doida. E muito interessante.

- Talvez nãaao… bom, eu experimentei o seu prato… o que acha de você experimentar algo que eu adoro então?

- Uhm… pode ser… mas, essas pessoas não podem nos assaltar?

- Itachi, elas são pessoas normais… venha! Se algo der errado, eu te protejo e você corre pro carro! — ela saiu do meu abraço, deixando meu corpo frio instantaneamente e começou a me puxar em direção àquela espelunca.

Eu nunca me vi em uma situação igual a esta. Qualquer outra teria ficado maravilhada com aquele restaurante, e ela parecia quinze vezes mais animada em comer aquele lanche. Eu podia jurar que seus olhos tinham brilhado por alguns instantes.

Ela foi à minha frente, apressada, e logo tinha pedido dois lanches iguais. Dois daqueles cachorros quentes e mais um refrigerante. Eu mal percebi quando ela pagou tudo, sem ao menos me dar tempo de agir. Ninguém nunca havia pagado uma refeição minha. Pelo menos não em um encontro.

Vendo que eu não me mexia, ela me puxou pelo braço até um banco de pedra. O único atendente, um garoto maltrapilho, colocou uma mesa de plástico à nossa frente.

- Eu sempre gostei de comer nesses lanches… — ela comentou falando mais rapidamente do que o normal — eu e minha mãe comíamos toda semana. Na nossa cidade havia um que era uma delícia! Sinto tanta saudade de comer lá. Acho que um dia volto pra lá só para comer lá de novo.

- Você é muito intrigante.

- O que?

- Nada.

- Itachi?

- Hn…

- Desculpa por não ter gostado daquele prato, eu sou um pouco enjoada com comida… — sua voz ainda estava um pouco alterada pela quantidade de vinho, de forma que ficou um pouco engraçado o seu pedido de desculpas, ainda mais pela cara insegura que ela fez.

- Ei, você não tem que pedir desculpas quanto a isso… eu que peço, afinal, nem sabia quais são as suas preferências.

Na verdade, eu nunca havia levado em conta que uma pessoa poderia não gostar de ir naquele restaurante. Ou de seus pratos. Qualquer um ficaria louco para ter a oportunidade de entrar lá.

- Agora você sabe o que eu gosto — ela riu e eu tentei não levar a sério. Nunca imaginaria um encontro em um lugar desses. Apesar que havia vários casais ali se divertindo. Mas eu certamente nunca a traria para um encontro em um lugar desses.

Ela ficou quieta por um momento e acabei sentindo-a apoiar a cabeça em meu ombro. Provavelmente estaria ficando agora com sono, por causa do álcool. Percebi com a proximidade que ela tremia um pouco e eu me senti um idiota. Ela estava ali naquele sereno com um vestido que provavelmente nada esquentava e eu ali de terno sem prestar atenção nos detalhes por todo esse tempo.

- Sakura?

- Hn?

- Levante um pouco, por favor.

Ela levantou a cabeça me encarando curiosa enquanto eu tirava meu terno e colocava-o em volta dela.

- Tem seu cheiro — concluiu após fechá-lo melhor em torno de si — obrigada.

Sakura sorriu um pouco acanhada e eu percebi que ela olhava para meus lábios com desejo. Ela conseguia despertar diversas coisas em mim, uma delas era a minha impulsividade e a vontade de tomá-la a todo instante. Mas, em vez disso, eu apenas me aproximei, juntando nossos lábios e saboreando o gosto suave dela, a sua maciez.

Ela acariciou meus cabelos meigamente, tão singela, que eu por um momento quase esqueci de minhas convicções. Eu me sentia bem com ela, e eram os únicos momentos que eu conseguia relaxar um pouco. Mas eu não podia me deixar levar. Eram estas artimanhas que conseguiam derrubar um homem.

Nos afastamos quando dois lanches foram depositados naquele projeto de mesa, assim como o refrigerante. Sakura pareceu se esquecer completamente de mim, correndo pegar seu lanche e cheirá-lo igual uma louca. Não que eu me incomodasse com essas atitudes. Eu me divertia.

- Ahhh! Delícioso! — disse de boca cheia enquanto eu encarava o outro lanche estranho na mesa — esse é seu, coma!

- Sakura, eu acabei de sair de um jantar, estou cheio.

- Apenas experimente, vai — ela falou com uma voz pedinte que não pude recusar — eu como os dois sem nenhum esforço — ela sorriu, voltando-se logo para o lanche que tinha em mãos.

O cheiro até que estava bom, mas eu tinha ainda minhas dúvidas, aliás, certezas de que eu não passaria muito bem ao comer esse lanche. Com certeza por aqui não se passava nenhum tipo de vigilância sanitária.

- Acho melhor não, Sakura. Pode comer tudo.

- Ué, porque?

- Com certeza eu vou passar mal depois…

Ela me encarou com as sobrancelhas franzidas e a boca cheia. Ela ficou assim, com essa expressão, enquanto mastigava antes de tornar a falar.

- Covarde — foi tudo o que ela disse. E o pior, foi o suficiente para eu a encarar da mesma forma e morder aquele maldito lanche. Ela havia me desafiado.

- Uhm…

- E então?

- Ok, não é ruim…

- Viu só? — ela sorriu, já quase terminando o seu lanche. Eu havia realmente apreciado o gosto, mas tinha minhas dúvidas ainda sobre o armazenamento dos ingredientes, higiene e outras coisas. Mas, realmente estava gostoso e quando eu vi, já estava na terceira mordida — ei, você não vai comer ele todo, vai?

Eu a olhei de canto, me divertindo a cada instante ao seu lado.

- Gulosa.

xxxxx

Quando voltamos para casa já era tarde, passado de meia noite e Sakura parecia não estar se agüentando mais em pé de tanto sono.

O trajeto de volta foi bem agradável. Parecia que nossa conversa fluía magicamente. Era gostoso conversar com ela. No entanto, quando chegamos na mansão ela ficou estranhamente quieta.

- Obrigada pela noite, Itachi.

Disse enquanto saia do carro, mantendo-se um pouco afastada.

- Eu que agradeço. Me diverti bastante.

- É… bom, acho que… boa noite então?

- Hn — eu me aproximei dela — ainda não…

Eu não devia pressioná-la, muito menos sugerir algo que pudesse levar a outras coisas, afinal, eu não conseguiria sua confiança desta forma. Mas era difícil passar tanto tempo com ela, vestida daquela forma sexy, e não poder fazer nada depois.

- Você me deve um beijo, lembra?

Cobri o resto da distância entre nós, prensando-a no carro com meu corpo. As suas curvas e o seu cheiro logo fizeram um calor percorrer todo meu corpo. Aquela garota ainda ia me matar de desejo.

Ela sorriu acanhada, mas havia um ‘que’ de malícia nele. Foi uma visão perfeita que em nada ajudou para acalmar meu membro já excitado.

- Aé, tinha me esquecido disso… — disse ela brincalhona e então, puxou-me pelo pescoço, me fazendo inclinar para baixo enquanto ela capturava meus lábios agilmente.

Sakura parecia estar tão sedenta quanto eu. Seu beijo era pura lascívia, sua lingua me provocava de tal forma que eu já não estava mais conseguindo resistir. Eu a queria. Eu a necessitava. Já havia algum tempo em que eu não sentia atração por mais ninguém. Desde que eu a virá, meu corpo parecia só reagir a ela. Era ela quem eu queria, quem me despertava.

Já fora de mim, eu comecei a pressionar meu membro mais ainda contra ela, pressionando nossos corpo. Pude sentir seus seios comprimidos contra meio peito, um volume que me estimulava mais ainda somado ao fato de ela mexer-se sensualmente contra mim.

Minhas mãos foram passeando devassamente até suas coxas e então, comecei a subir lentamente, levantando seu vestido no processo. A pele dela era macia, quente e se eriçava com meus toques. Quanto mais ela ficava entorpecida, perdida no desejo, mais seu corpo respondia e se remexia contra o meu, fazendo-me perder cada vez mais a cabeça.

Ela gemeu deliciosamente quando um de meus dedos encontrou a sua calcinha, me estimulando a começar uma carícia ali.

- Hn… olha só como você esta — sussurrei em seu ouvido, percebendo o quanto ela já estava molhada através daquele incômodo pedaço de pano. Em resposta, ela deu um sorriso matreiro e começou a soltar minha gravata com um olhar faminto.

Ela me puxou pela gravata de forma que meu pescoço estava a mercê de sua exigente boca. Senti leves mordidas em meu pescoço entre os suspiros dela por causa de minha carícia. Minha gravata logo foi jogada no chão da garagem e os primeiros botões da minha camisa estavam sendo soltos por aqueles delicados dedos.

- Uhm… — ela murmurou enquanto se mexia contra meus dedos – olhe… como você esta também – falou ofegando levemente e então eu percebi a mão travessa descendo pelo meu cinto até chegar em meu membro. Ela passeou por ali um pouco acanhada de início para depois se tornar mais agressiva, segurando-me lascivamente por cima da calça. Aquele maldito pedaço de pano.

- Hmm… — eu ofeguei, completamente entorpecido com seus toques. Talvez fosse o tempo que eu passara inativo que fazia as sensações serem tão amplificadas.

- Itachi-kun? – sua voz soou maravilhosamente aos meus ouvidos, mas não foi um gemido, uma pena. Deveria ser maravilhoso ouvi-la gemer desta forma.

- Uhm? – murmurei, ainda aproveitando a sensação deliciosa de ter sua mão em mim.

- Vamos para seu quarto? – ela sorriu dessa vez completamente maliciosa, apertando-me e me acariciando mais fervorosamente. Ah! Não tinha como eu negar isso, jamais.

- Vamos – minha voz saiu mais rouca e abafada do que o normal e vi nos olhos dela que aquilo a divertia. Se ela queria me ter em suas mãos, para mim, estava mais do que perfeito. Eu me afastei, recuperando um pouco o fôlego. Ela foi na frente, já indo em direção à minha casa. Havia algo estranho nela, estava ativa demais. Bom, talvez tivesse se resolvido quanto a essa questão.

Eu apressei o passo para a acompanhar, aproveitando para beijar seu ombro e abraçá-la por trás enquanto ela caminhava à minha frente. Ela foi rápida e parecia já estar com a chave nas mãos. Ter uma outra pessoa abrindo minha casa era algo pouco usual para mim.

Assim que fechamos a porta, eu a peguei no colo, surpreendendo-a. A levei até meu quarto e após deitá-la na cama, me pus sobre ela, pressionando aquele corpo delicioso contra o meu e o colchão. Ela arfou um pouco antes de agarrar meus cabelos e me puxar para mais um beijo necessitado.

Beijo aquele que cheirava a álcool. Ao vinho. Eu praguejei mentalmente. Maldita hora para meu juízo começar a aparecer. Ela estava muito desinibida, não era seu normal. O álcool ainda devia estar controlando-a minimamente. Ou melhor, cortando-lhe o juízo. Se eu continuasse com isso, provavelmente no outro dia ela me mataria e eu perderia de uma vez por todas a sua confiança.

- Sakura…? – a chamei, desvencilhando-me dolorosamente de seu beijo.

- Uhm? – ela se levantou um pouco para procurar o meu pescoço e começar a me lamber ali entre uma e outra mordida. Céus! Assim era impossível!

- Hmm… sakura…

- Itachi – ela retrucou, me ignorando completamente. Eu me senti frustrado. Era a primeira vez que eu tomava uma atitude assim e ela estava tornando tudo fenomenalmente mais difícil. Reuni toda minha força de vontade para me levantar da cama o mais depressa possível e tentar manter uma distância segura.

- Acho melhor não fazermos isso.

- Nãoo! – ela falou emburrada – eu quero você… agora… — Meu kami! Porque? Porque meu juízo tinha que aparecer? Porque eu me importava com o que ela iria pensar no outro dia? Eu suspirei longamente antes de tornar a falar.

- Amanhã, se você ainda me querer assim, eu ficarei mais do que feliz em atender, mas hoje… eu estou com sono…

- Mas… — ela parecia estar ainda emburrada, mas logo se soltou no colchão, se ajeitando melhor nele e fechando os olhos – é… eu também estou – disse por fim – uhmm… sua cama é macia.

Eu sorri. Ela ficava linda deitada daquela forma. Ainda mais com o vestido mostrando a mais do que deveria. Deliciosa.

- Você pode dormir aí, eu vou para outro lugar… — ela não pareceu me ouvir, ou se ouviu, me ignorou. Parecia já estar quase dormindo mesmo.

Olhei mais uma vez aquela cena gostosa, cobrindo-a com um edredom antes de sair para encontrar a minha cama. A mais longe possível dela. O sofá da sala.

...

Notas finais
Prontinho, um super capítulo para vocês!! Esse foi o que eu mais escrevi, definitivamente =x
Então, quanto ao lance da noiva do Itachi, mais pra frennnte, como já viram, ele não quer mesmo entrar em detalhes de uma parte da vida dele hihih xD
E ae, gostaram?? *-* pleeease, não esqueçam de comentar, vocês conseguem fazer uma pessoa tri feliz o/ qualquer dúvida, sugestão, crítica, erros, só falar =)
Um abração e uma maravilinda semana mega positiva para vocês!!!!
Ja ne =)