Heartbreak Warfare
1 Capítulo um - I live alone
Prólogo
"McFly não acabou. Nós somos melhores amigos, nos amamos. Eu, Dougie e Harry vamos continuar com a banda. Não, nós não brigamos. Pelo contrário, decidimos entrar em um acordo no tribunal, por todo respeito que temos por ele. Infelizmente, chegamos em um ponto que não concordávamos mais em questão a música. Eu posso dizer em nome da banda, que certamente, desejamos o melhor para o Danny."
(Tom Fletcher em uma entrevista para a revista New Magazine)
Capítulo um — I live alone
POV'S Jane
Um metrô e dois ônibus. Era a minha rotina de quase todas as manhãs para chegar na pequena e adorável biblioteca, localizada em uma ruazinha escondida, em Londres. Lá, havia uma floricultura que vendia flores de todos os tipos, um brechó com roupas que valia a pena para todos os bolsos e com roupas de super bom gosto, uma loja de CD''S que também vendia quadros lindos de filmes, cantores e músicos, uma lavanderia charmosa e um café melhor que qualquer outro de marca famosa.
Eu adorava aquele lugar. Era como se fosse apenas meu, um segredo. Era onde eu não me sentia solitária. Não que eu fosse sozinha, pelo contrário. Eu tinha uma amiga de infância que eu não trocaria por nenhuma chance de popularidade ou uma vida socialmente perfeita. Sabe, há uma diferença entre ser sozinha e ser solitária.
Abri a porta com um sorriso de alívio e satisfação nos lábios. Um cheiro misturado de livros novos com velhos invadiu meus pulmões e um silêncio cômodo substituiu o barulho ensurdecedor das ruas movimentadas de Londres. Dei um sorriso embaraçoso e tímido para Carlos, que estava no meio de duas prateleiras, arrumando uma fileira de livros. Ele retribuiu com um aceno desajeitado com a cabeça.
Você quer saber de algo? Colocar fim em uma coisa sempre será difícil, não importa o modo de como você decidirá fazer. Carlos era meu recente ex namorado. Bom, recente mesmo, já que só fazia três semanas desde que eu havia falado a famosa frase "ainda podemos ser amigos" para ele. Carlos era uma ótima pessoa. Ele era lindo com seu tom de pele latina, seus cabelos arrepiados, lisos e pretos e seu sorriso doce e levado ao mesmo tempo, que combinavam com seus olhos e um brilho apaixonante. Carlos era o tipo de pessoa que você poderia conversar sobre qualquer assunto, e além de tudo, beijava muito bem. Todos nossos amigos me achavam louca por causa da decisão do término e confesso que eu também me achava um pouco. Mas... Sabe quando você simplesmente acha que algo esta terrivelmente errado? Faltava algo de uma grandeza impressionante para preencher o vazio que havia em minha vida. Mas... O quê?
- Ele aparenta estar péssimo. — sussurrou Beth surgindo ao meu lado.
Beth era muito agradável quando queria. Eu a conhecia desde que frequentava a biblioteca como todos que trabalhavam ali, ou seja, desde sempre. Seu cabelo era um black power perfeitamente feito que a cada dia havia uma flor diferente encaixada atrás de sua orelha direita. Naquele dia, havia uma margarida que combinava com seu avental laranja.
Suspirei.
- Eu me sinto péssima também, você sabe disso. — murmurei.
- Então faça algo! — disse ela alterando a voz.
Shhh!. Ordenou alguém. Olhei para os lados, envergonhada.
- É complicado... — sussurrei.
Beth revirou os olhos.
- Tudo bem, você quem manda! — sussurrou ela levantando os braços e dando meia volta.
Puxei o cachecol de meu pescoço, vendo Beth se afastar. Tirei o livro de minha bolsa e caminhei até o balcão, fingindo não perceber o olhar de Carlos me acompanhar.
- Oi Jane! Qual é o livro desta vez? — perguntou o senhor Frank simpático como sempre.
Frank era o dono da biblioteca. Cabelos brancos e não tão em forma, ele era mais jovem do que muitos adolescentes por aí.
- Oi Frank, só vim devolver. — eu disse colocando o livro sobre o balcão.
Ele o pegou e o olhou, como se o analisa-se.
- De novo?! — disse o senhor Frank digitando algo no computador.
Lancei um olhar mal humorado, fazendo-o rir. Ele guardou o livro atrás do balcão.
- Não é uma boa hora para fazer outra proposta de emprego, não? — perguntou o senhor Frank apoiando-se no balcão.
Neguei com a cabeça.
- Você nunca vai desistir? — perguntei franzindo a testa, fazendo o rir de novo.
- Não. Você seria uma ótima funcionária, eu acredito fielmente nisso. Ando pensando seriamente em até subornar a diretora da escola onde você trabalha para te demitir...
- Você não faria isso! — eu o interrompi indignada.
Ele riu.
- Talvez... — disse o senhor Frank pensativo. — Brincadeira!
Nós rimos, então eu me despedi. Caminhei até a porta, colocando o cachecol novamente ao redor do meu pescoço. Olhei por minha visão periférica que Carlos estava ocupado fingindo estar derrubando algum livro. Abri a porta olhando para o lado oposto das prateleiras, sem graça.
Comecei a andar com pressa pela calçada, com a culpa apoderando-se de mim cada vez mais. O que havia de errado comigo?! Carlos era maravilhoso, o sonho de qualquer garota. Mas eu sempre achava uma razão para as coisas darem errado, eu sempre estragava tudo!
Quando finalmente cheguei em casa, Tomei banho e aproveitei que estava de folga para corrigir as provas dos meus alunos. Paul, meu cachorro de raça Golden Retriever, alinhou-se em meu colo, pedindo com seus olhos brilhantes um pouco do café que eu tomava.
- Não, Paul, comporte-se! — eu disse dando carinho nos pelos de seu pescoço.
Meu celular começou a tocar. Era Ashlee, minha melhor amiga. Mesmo morando longe, ela sempre estava presente em minha vida, na medida do possível.
- Jane? — disse a mesma receosa.
Coloquei minha mão esquerda no coração, emocionada.
- Ash! Oh, meu Deus! Como eu sinto sua falta — eu disse tirando o óculos e colocando-o na cama, ao meu lado.
Afundei-me no travesseiro. Anahanda soltou uma risada trêmula.
- Como esta tudo por aí? Londres continua linda como sempre? — perguntou ela animada.
- Claro que continua! — eu respondi olhando de imediato para a janela. — Mas, não há graça quando na maioria do tempo você se sente sozinha.
- Por que você disse isso? — perguntou Ashlee preocupada.
Respirei fundo e fechei os olhos.
- Terminei com Carlos. Já faz três semanas. — eu disse.
- O quê?! Por quê? Por que você não me disse? — perguntou ela de uma vez só, me fazendo rir.
- Eu não sei. Eu estou muito confusa, ainda! Eu não sei o que fazer... Nós nãos conversamos desde o término do namoro. — eu contei com frustração.
- Você o ama? — perguntou ela baixinho.
Fechei os olhos, me lembrando da expressão de decepção que Carlos fizera na ultima vez que eu o tinha visto.
- Eu gosto dele. Mas... Amar? Eu não sei o que é amor. Eu desconheço o sentimento que você sente pelo Caio. Mas eu acho tão, tão lindo! Até os invejo. Eu invejo os casais que eu vejo na rua, eu invejo as pessoas que podem definir esse sentimento tão bem nos livros que eu leio e nos filmes que eu assisto. Eu apenas... Não entendo. Eu não sei o que é acordar pensando em uma pessoa e dormir pensando na mesma. — respondi com tristeza.
Houve uma pausa.
- Você realmente quer me fazer chorar, não é? — brincou Ashlee.
Eu ri.
- Como esta Califórnia? Eu converso com os meus pais todos os dias, mas você sabe que o ponto de vista deles são bem diferentes do seu. — eu disse irônica.
Ela riu.
- Continua ensolarada e movimentada como sempre! Eu, Caio e a o pessoal ainda vamos todos as sextas no boliche. Nós sentimos tanto sua falta. Principalmente James. — respondeu Ashlee dando um suspiro. Eu franzi a testa.
- James? Meu ex namorado de Infância? — perguntei sem entender.
- Exatamente! Ele terminou com a Mary. Vive comentando e relembrando o que vocês passaram juntos. — respondeu ela impaciente.
Eu ri.
- Oh, meu Deus! Faz quanto tempo que eu não o vejo? A ultima vez foi quando tínhamos quinze anos de idade! — eu disse desacreditada.
Nós rimos.
- Oh, não! Caio esta me chamando. Eu estou na pizzaria do pai dele, estou te ligando escondida! — disse Ashlee soltando uma risada abafada. — Foi maravilhoso conversar com você pelo menos alguns minutinhos! Por favor, me manda um e-mail todos os dias, contando sobre tudo que acontece com você! Esta ouvindo?
Eu ri.
- Claro, mando sim. Te amo! — eu disse tentando disfarçar a dor em minha voz.
- Te amo de volta! — disse ela animada, desligando logo depois.
Terminei de corrigir as provas, fiz uma torta de limão – culinária era um dos meus passatempos preferidos — e comi na companhia de Paul, vendo algum filme que passava na TV. Passei o resto do dia tentando não ser tão nostálgica sobre Califórnia. Não tive sucesso, já que de minuto em minuto eu me lembrava de algo engraçado que havia acontecido quando eu morava lá. Era estranho e engraçado ao mesmo tempo de como as coisas haviam mudado tanto! Eu me lembrava de cada pedaço do dia que eu havia ido embora da Califórnia, com o sonho fervoroso de ser uma grande escritora. Eu apenas tinha quinze anos! Tantos sonhos, tanta confiança dos meus pais em mim... E a ilusão de que tudo iria ser perfeito, sendo que na realidade, há mais de três meses eu esperara uma única resposta de pelo menos uma das várias editoras que eu mandara cópias do meu livro. Oh Meu Deus, felizmente, tive que dormir cedo para poder trabalhar no dia seguinte.
Terça-feira, mês de maio. Eu já disse que odeio terças? Elas são um saco! As terças-feiras ficam exatamente no meio das segundas e das quartas. A segunda é um dia detestável por todos e a quarta é um dia aceitável. Mas, terças? Elas são imprestáveis! Enfim, onde eu estava mesmo?
- Não esqueçam de pedir ajuda para as mamães nos deveres de casa, nos vemos amanhã! — eu disse encostada na mesa, olhando para as crianças na minha frente.
Quando todas elas finalmente foram embora e eu pude sair da escola, decidi ligar para Carlos enquanto esperava o ônibus para ir para casa. Eu não poderia deixar as coisas como estavam. Eu realmente odiava aquele vazio entre nós que eu mesma havia deixado surgir. Tudo que eu queria era poder abraçar ele, pedir desculpas, mesmo sabendo que minhas palavras não seriam suficientes. Calors era meu amigo. Meu melhor amigo.
- … Então, eu posso passar por aí na hora do fechamento? — eu perguntei insegura.
ele hesitou.
- Eu não posso. Prometi ir a um lugar com um amigo. — disse Carlos.
Assenti, de repente sentindo um peso no coração.
- Então... Outro dia? — perguntei.
Houve uma pausa, onde só se ouvia sua respiração.
- Claro. — disse ele.
Guardei o celular de qualquer jeito dentro da bolsa. Era impossível eu me odiar mais do que eu me odiava naquele momento. Eu me sentia como um monstro. O monstro mais... Terrível, de todo o planeta! Cobri meu rosto com as mãos e apoiei meus cotovelos em cima da bolsa que estava no meu colo. Ele estava totalmente certo por tentar me evitar. Por mais que me doesse, era melhor Carlos me odiar naquele momento e depois me esquecer de uma vez por todas. Eu não o merecia.
POV'S Danny
Acordei com vozes falando. Era apenas a TV, que havia ficado ligada a madrugada inteira. Que dia era aquele? Parecia segunda-feira, como todos os outros. Eu me sentia enjoado, doente. Não parecia que eu estava acordando, mas sim, que eu estava pronto para dormir novamente. Rolei para o outro lado da cama e apoiei-me nos meus cotovelos, dando uma breve olhada no relógio que estava em cima do criado-mudo. 3:00 PM, ele mostrava. Fechei meus olhos com força e joguei-me para trás. Em minha mente, eu continuava podendo ver perfeitamente as luzes segantes dos flashes, como se ainda estivessem em minha frente. Abri meus olhos de imediato, recusando-me mais uma vez a me lembrar daquele dia. Era passado. Estava acabado.
Levantei-me, sem ânimo. Tropecei em uma garrafa barata de vinho no caminho para o banheiro. O líquido espalhou-se pelo tapete rapidamente, criando uma grande poça vermelha. Mas, eu não me importei com a grande mancha que formara, mas sim, pelo fato de ter que comprar outra garrafa de vinho depois.
Depois de escovar meus dentes e decidir que eu não iria me olhar no espelho por um bom tempo, fui checar a secretária eletrônica do telefone. Havia duas mensagens. Coloquei-as para ouvir enquanto pegava uma roupa qualquer para vestir.
A primeira mensagem era da minha irmã, Vicky.
“Oi irmão! Como você esta? Já faz alguns dias que você não dá notícias. Mamãe e eu estamos preocupadas... Você já comprou sua passagem? Por favor, me ligue de volta logo que ouvir essa mensagem. Te amamos!.”
Olhei fixamente para o telefone. Se eu ligasse, iria ser pior. Eu não iria aguentar fingir mais uma vez que tudo estava bem. Não naquele dia.
A segunda mensagem era do Fletch.
“Oi Danny! Sou eu, de novo. Eu sei que você vai me ignorar mais uma vez, mas... Não custa tentar. Eu preciso repetir que eu realmente acredito em você, cara. Seu talento é enorme! Você não pode jogá-lo fora! Sabe, pegue o tempo necessário para pensar na minha proposta. Apenas me retorne, tudo bem? Tchau.”
Calcei os chinelos e fui até o criado-mudo. Peguei as chaves que estavam ao lado do telefone e a carteira. Encarei por um momento o telefone, indeciso. Por fim, neguei com a cabeça e saí de casa.
Andei pelo caminho de pedras entre o jardim e avistei a grande placa de “vende-se” ao longe, afundada na grama. Desviei o olhar, com um nó na garganta. Tudo havia mudado tanto... Nada estava certo! Minha família sentia pena de mim e as pessoas que um dia eu havia chamado de amigos, agora eram meus inimigos. Eu fiz com que eles tornassem meus inimigos. Eu fiz com que minha família sentisse pena de mim. Eu fiz com que perdesse minha casa, meu trabalho. Os erros foram todos meus e era tarde demais para tentar consertá-los.
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