Notas iniciais
Oioi gente!!

Meu deus chegou minha vez to nervouser. Espero de verdade que vocês gostem de ler o tanto que eu amei escrever, e cuidem bem da minha bebezinha. Ano que vem eu volto com mais uma hahahah.

All the love! Marcella :)

Prólogo

Remus acordou animado naquele dia, era finalmente o primeiro dia de aula e ele estava indo para uma nova escola, em uma nova cidade. Ele e sua mãe haviam acabado de se mudar para a Inglaterra e foram conhecer a cidade, quando passaram pelo Big Ben, Hope Lupin teve de segurar o filho que estava tão animado enquanto continuava embrulhado em casacos e cachecóis.

Quando chegou na escola ele olhava para todos os cantos curioso, lá ele não precisaria usar uniforme como em sua antiga escola no País de Gales. Tudo andava bem até que ele esbarrou em algum garoto e derrubou os livros que carregavam.
—Me desculpa — ele se apressou em dizer, pegando os livros do garoto e entregando a ele. Remus estranhou quando o outro menino riu ao seu lado

—Ei, não tem problema. Livros caem — ele disse tranquilo, passando as mãos nos cabelos e os deixando ainda mais bagunçados, re-colocando o óculos de lentes grossas na ponte do nariz — sou James Potter — ele estendeu a mão que logo foi retribuída por Lupin

—Sou Remus — seu sotaque carregado fez James rir enquanto o cumprimentava

—Você não é daqui, é? — Potter perguntou

—Não, sou do País de Gales — o menor respondeu, em seus quase 10 anos ele achava engraçado o nome de seu país de origem — e você, é daqui? — Potter assentiu, ambos se assustando quando o sinal tocou e rindo deles mesmos.

—Acho que você é da minha sala, por que não vamos juntos? Posso te mostrar a escola também — o inglês perguntou animado e o galês assentiu sorrindo — ótimo! Vamos para a aula então.

Aquele dia fora muito divertido, eles passaram o dia juntos e Lupin descobriu tudo sobre a escola. Quando chegou em casa como um furacão, encontrou sua mãe terminando o almoço e contou a ela sobre o seu dia e seu novo amigo. Com o tempo a amizade dos dois cresceu e se fortaleceu, eles tinham alguns outros colegas na escola mas nenhum deles havia criado um vínculo tão forte quanto o que havia entre eles.

Um tempo depois, Remus começou a sentir falta dos invernos em que ele e sua mãe viajavam alguns quilômetros até um lago congelado e ela ensinava-o a patinar sobre a camada fina de gelo, mas na grande Londres não era tão fácil encontrar um local como aquele. Hope Lupin então passou algumas noites pesquisando e finalmente encontrou uma escola de patinação artística que possuía vagas abertas, trabalhou um pouco mais por algumas semanas até que conseguiu juntar dinheiro o suficiente para matricular o garoto na escola. Quando descobriu, o garoto abraçou a mãe por 5 minutos seguidos agradecendo sem parar, correndo para ligar para James e contar a novidade, naquela noite eles ficaram horas sentados no chão da sala conversando pelo telefone fixo da sala, enrolando os dedinhos no fio enrolando do aparelho antigo.

Com o tempo, Potter passou a visitar as aulas do melhor amigo e descobriu que gostava de ver os ginastas manuseando as barras de forma fenomenal e se sentiu totalmente tentado a entrar, o que foi totalmente apoiado por Remus e então eles se viam por mais tempo por dia, tudo estava ótimo.

Eles cresceram juntos e compartilharam tudo entre si, seus medos, seus sonhos e até mesmo suas descobertas sobre eles mesmos, quando James disse que um garoto o havia beijado atrás do muro da escola Remus ficou um tempo pensando sobre o assunto e tempos (e beijos escondidos com alunos aleatórios) depois ele se descobriu bissexual enquanto James se entendeu como pansexual. Na mesma época em que toda essa questão e puberdade apareciam, Potter achava engraçado o fato de Lupin ter crescido tanto naquele verão, quando se conheceram ele era mais baixo que James, mas quando voltaram à escola ele havia ultrapassado o amigo no quesito altura.

O tempo passou e eles ingressaram em suas faculdades e conseguiram vagas na academia de Hogwarts para conseguirem continuarem treinando. Em seu terceiro ano na academia, Remus largou os holofotes após uma competição regional e o acidente que marcou-o profundamente como a cicatriz que ele carregava. Por um longo tempo ele considerou sair da academia e desistir de tudo aquilo, principalmente quando sua mãe se foi.

Aquela época foi definitivamente a pior da vida de Lupin, felizmente ele tinha James ao seu lado o tempo todo. James cuidou do mais velho o tempo todo sem sair do lado dele. O galês sentia que ele era o irmão que nunca teve e James sentia o mesmo.

Pouco tempo depois quando Lupin mal se sentia melhor, veio o acidente de James. Assim como Potter estava assistindo o mais velho quando tudo aconteceu, Remus também viu quando o outro treinava na barra e por um descuido a mão que o sustentava escorregou, se soltando dela e o levando ao chão. Foi como se o mundo se calasse e apenas houvesse apenas o som do corpo de James caindo e chorando de dor.

Foi Remus quem dirigiu até o hospital mais próximo o mais rápido possível e passou meses cuidando do garoto. Além das dores e cuidados com o machucado, ele teve que cuidar de feridas bem mais profundas, essas foram feitas onde nunca iriam cicatrizar. Os pesadelos e o sentimento de incapacidade assolaram James por meses, e eram fantasmas que não iriam embora tão tarde, principalmente pelo fato de que Potter não poderia ao menos praticar quando terminasse os cuidados com o braço.

Os melhores amigos seguiram com a vida de uma certa forma, James fora chamado para coordenar a academia e Remus continuou treinando patinação sem competir.

Algum tempo depois Sirius entrou na vida dos dois. Foi engraçado o dia que Remus o conheceu, o mais velho fora se apresentar para o outro e Black apenas ficou o olhando sem dizer nada, apenas mantendo os olhos cinzas no rosto de Lupin e com a temperatura de seu corpo subindo com vergonha e tornando seu rosto vermelho.

Ao mesmo tempo que Sirius possuía um ar arrogante e prepotente ele ainda se sentia envergonhado em começar a treinar na frente de todas aquelas pessoas e ninguém entendia. James se ofereceu para mostrar toda a academia e eles logo se tornaram amigos, o menor ainda não era tão íntimo com Lupin mas eles se conheciam basicamente, o mais alto nunca entendendo o por que de sentir que queria tanto conhecer mais a fundo aquele garoto que tinha as bochechas pálidas tomadas por um tom carmesim ao ir falar com ele.

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O dia começou exageradamente cedo na opinião de Remus; por mais que estivesse acostumado com o horário, ele preferiria continuar dormindo quentinho sob suas cobertas. Mas lá estava ele caminhando pelas ruas geladas de Londres com James tagarelando ao seu lado. Desde que terminara o ensino médio, ele e Potter decidiram morar juntos. Com suas mesadas acumuladas durante todo o último ano somados a salários de alguns pequenos empregos que conseguiam, finalmente compraram um pequeno apartamento perto da academia de Ginástica que participavam.

— Estou te dizendo Remus, é fascinante – o mais novo dizia animadamente, sobre algum filme que vira na noite passada, Lupin apenas focou em seu chocolate forte e quente – Você ao menos está me escutando?

— Aham – o garoto galês respondeu olhando o horário em seu celular para conferir se estavam atrasados ou não, murmurando uma reclamação ao reparar que ainda eram 06:50.

— Ouviu nada, tomara que se afogue nesse seu chocolate aí – James reclamou, bebericando seu cappuccino e reclamando quando seus óculos embaçaram com a fumaça quente da bebida.

— Você sabe que eu não sou uma pessoa da manhã Prongs, não se estresse – Lupin disse calmamente, olhando para a rua vendo se era seguro atravessar – como vão os alunos na academia?

— Vão bem – ele guardou o copo na bolsa de carteiro — graças a deus não preciso cuidar da parte infantil, sinceramente não sei como a Alice consegue, eu não aguentaria milhares de crianças gritando ‘’Ei, tio James, veja eu dar uma estrelinha!’’ – ele afinou a voz fazendo Remus rir.

— Realmente, mas o meu maior medo seria elas se perderem ou algo do tipo – ele respondeu – não saberia lidar com a ira dos pais, eles são tão super protetores – ele tremeu sem saber se era com o pensamento ou com o vento gelado que conseguiu entrar em seu suéter.

Quando finalmente chegaram na academia, eram 07:15. Remus seguiu para o vestiário a fim de se trocar enquanto James ia para o escritório. O mais velho se despiu, colocando uma calça e camisa de mangas de pano leve, guardando sua bolsa no armário para ir até o corredor principal. Lupin adorava o tempo que passava na academia; quando saiu do vestiário, andou pelo corredor pintado de verde e decorado com faixas prateadas que destacavam o nome da academia em letras garrafais.

Ao passar pelas portas e chegar até uma grande arena, separada por um pequeno caminho de concreto, viu que na parte esquerda havia barras paralelas e fixas, argolas, traves de equilíbrio e diversos colchões no chão junto com tatames. Já na parte direita havia trampolins, mesas, cavalos com alças, o piso sendo de cor diferente para que soubessem a divisão e diminuir o risco de alguém andar e ser atacado por alguém se preparando para um salto ou algo do tipo.

Lupin continuou andando e foi até a área das pistas de patinação, a academia contava com um grande galpão com uma enorme pista de patinação ao centro cercada por proteções e uma arquibancada em volta. Naquele dia da semana ele costumava passar o dia na pista, já que no dia anterior ficou nas aulas de ballet e se exercitando com a equipe de patinadores. Eram rotinas que ajudavam a não morrerem com dores nas costas ou sofrer lesões em seus músculos. Ele se sentou no primeiro degrau da arquibancada, para que pudesse colocar seus patins, os amarrando firmemente para então entrar na pista.

Ele começou a deslizar no entorno da área apenas para aquecer então começou a ir para o centro da pista, costumava treinar apenas seus saltos e talvez algumas piruetas, sabia que não precisava organizar uma coreografia, já que não iria competir. Ele não apresentava a quase 3 anos, Remus também havia sofrido um acidente, não gostava nada de pensar sobre aquilo.

Enquanto ele dançava sobre o gelo, mal percebeu a presença de mais alguém ali, na primeira fileira da arquibancada estava alguém que observava os movimentos delicados de Remus no gelo, os olhos cinzas deslizando junto com o corpo do outro apreciando os saltos e o barulho alto de quando os patins forçavam a volta do garoto ao chão gelado.

— Sirius! – o moreno saiu de seus pensamentos quando o galês deslizou até ele sem sair da área – a quanto tempo está aqui?

— Acabei de chegar – ele respondeu, arrumando alguns fios do longo e rebelde cabelo preto – e você?

— Cheguei umas 7 e pouco, não sei quanto tempo fiquei aqui, que horas são? – Remus perguntou, observando o menor olhar o celular no bolso da jaqueta de couro

— Quase 8, você ficou muito tempo dançando aí Moony – ele riu – preciso ir pegar um chocolate na cafeteria da esquina, quer vir? – Black chamou, observando o ginasta pensar por alguns instantes.

— Claro, só preciso tirar os patins – ele foi até a portinhola que separava o chão da pista, se apoiando rapidamente em Sirius quando pisou em direção às arquibancadas e quase desequilibrou ao sentir a lâmina não o sustentar no chão seco. – Opa, desculpa – ele se sentou rapidamente na primeira fileira da arquibancada, se abaixando para desamarrar os cadarços dos patins.

— Não tem problema – Sirius deu de ombros, ignorando o leve tom carmesim que coloriu suas bochechas pálidas, Black corava fácil na presença do outro. Ele se apoiou na grade que delimitava a pista, olhando para os riscos feitos no gelo, esperando o outro terminar de se arrumar.

— Vamos? – Lupin tocou em seu ombro o fazendo se virar e encarar os olhos amendoados do mais alto

— Vamos – Sirius respondeu e ambos saíram do ginásio.

— Como está seu dia hoje? – o menor perguntou olhando para os patins amarrados um no outro e pendurados no ombro direito de Lupin.

— Hoje vou passar o dia nas pistas – Remus abriu as portas de acrílico indo em direção às ruas geladas de Londres, estremecendo momentaneamente com o ar gelado que os atingiu – argh que frio jesus, vamos logo.

— Pensei que ficaria na academia hoje, Moony, vai para a pista da balada logo de manhã? Não acho que vá encontrar alguém promissor por lá – Sirius disse lançando um olhar provocador para Remus que revirou os olhos e bateu levemente em seu ombro.

— Idiota – eles riram juntos caminhando para fora dos portões da academia.

Ambos andaram rapidamente até a cafeteria, agradecendo aos céus quando entraram no estabelecimento fechado que os envolveu com um cheiro de chocolate e chá misturados num calor harmonioso. Sirius pediu um chá de hortelã, enquanto Remus não resistiu a mais um chocolate forte. Ambos estavam dentro do horário, então ficaram conversando amenidades até quase 09 horas. Quando se depararam com o horário eles correram de volta para a academia e se separaram indo para suas áreas, Sirius era um dos atletas que pareciam voar suspensos pelas argolas.

— Ei, Siz – Remus chamou, observando o garoto parar de amarrar os cabelos num rabo de cavalo – Que horas você vai para a faculdade?

— Depois do horário do almoço, por quê? – ele soltou os cabelos compridos que batiam em seus ombros, com pequenos cachos nas pontas.

— Bom, eu saio esse horário e James me contou que sua faculdade é no caminho da minha, se quiser nós podemos ir juntos de metrô – ele deu um sorriso pequeno, Black riu e assentiu.

— Okay, aceito. Talvez hoje eu atrase um pouco, então quando terminar suas coisas pode me esperar no ginásio, prometo não fazer você esperar tanto assim – ele disse provocativo, fazendo o mais alto gargalhar – quer ajuda para entrar na pista?

— Não obrigado – ele recusou educadamente, mas então reparou na provocação do menor, fazendo uma cara de tédio – eu sou desengonçado mas eu sei me virar, Black – ele revirou os olhos ao ouvir a risada do outro que ia embora, ele mirou o próprio tênis no outro, porém Sirius saiu correndo e gargalhando, ouvindo o barulho do sapato atingindo a porta fechada.

Black se afastou rindo até o vestiário, onde colocou uma regata branca e sua calça bailarina preta. Passou em frente às pias do vestiário e jogou uma água no rosto, amarrou o cabelo firmemente em um rabo de cavalo e guardou a bolsa em um dos armários. Ele caminhou até o ginásio indo em direção às barras, onde se alongou por alguns minutos antes de ir até as argolas e começou se aquecendo com uma sequência de skin the cat, dando uma meia cambalhota para trás e voltando enquanto segurava as argolas. Após isso ele continuou com mais alguns aquecimentos e então começou a treinar sua sequência, alguns atletas recém-chegados paravam para observá-lo e ver seu esforço. Todos sabiam que as argolas eram uma das modalidades mais difíceis, já que era necessário um treino que fizesse o atleta ter a capacidade de suportar o próprio peso no ar sendo mantido apenas por duas argolas suspensas.

Remus finalizou seu treino diário por volta das 11:40, ele sabia que Sirius se atrasaria pois o conhecia há alguns anos, então só saiu realmente da pista quase 12:00. Ele correu até o vestiário e tomou uma ducha rápida, se trocando e colocando seu suéter quentinho se preparando para as ruas geladas da capital. Ao chegar no ginásio, observou a quantidade de crianças e adolescentes que havia ali já que era a turma da tarde, mas sabia que Sirius iria utilizar das argolas até o último minuto.

Lupin percorreu seu olhar atrás de James mas lembrou que ele tinha que ficar até tarde coordenando a academia então sua faculdade era noturna enquanto os outros dois iam para seus respectivos cursos no vespertino.

O garoto galês sentou-se nas arquibancadas e observou o garoto balançar nas argolas, dando espacates no ar e passando as pernas por cima de sua cabeça, era impressionantemente bonito, ele gostava de ver como as pernas do outro ficavam torneadas e os músculos evidentes com o esforço. O rosto vermelho mostrava o cansaço do garoto porém em contra partida continuava o exercício até que começou a impulsionar-se para frente e para trás e finalmente soltar as argolas, saltando para o solo com alguns rodopios no ar antes que cair em pé no tatame e recuar alguns passos e cair sentado batendo o pé no mesmo com irritação.

Ao se levantar ele ouviu alguns gritos das crianças que tinham ali o parabenizando pela rotina e ele acenou para elas sorrindo e se direcionando para a arquibancada e pegando sua toalha de rosto e secando o suor, apoiando-a nos ombros enquanto pegava sua garrafa e bebia metade em longas goladas.

— Parabéns pela rotina, estava incrível – Remus o parabenizou

— Obrigada, preciso melhorar o salto e prestar atenção para não dobrar nada – Black disse meio ofegante, tirando alguns fios soltos do rosto suado – vou tomar banho rapidinho e já vamos, pode ser? – Lupin assentiu, observando o garoto retirar as faixas protetoras do próprio pulso e das mãos, junto com um apoio amarrado pelas faixas sendo deixado do pulso até os dedos de Sirius, ele tirou tudo e segurou-as – Não fuja, Lupin, já volto – o mais velho riu observando o menor sair do ginásio.

— Hey Moony – James apareceu se sentando ao lado de Remus que olhou para ele – como vai com Pads?

— Eu vou bem – o mais velho respondeu confuso – Como assim com Pads? James você está bem? Bateu a cabeça? Fumou um baseado escondido? – ele perguntou e Potter riu, passando as mãos nos cabelos deixando-os ainda mais bagunçados

— Você é tão inteligente Rem, mas às vezes é tão lento – antes que Lupin pudesse questionar, ele continuou – enfim, espero que tenha uma boa aula, hoje vou passar no mercado antes de ir pra aula, vou trazer chocolate pra você – ele parecia agitado, Remus o olhava desconfiado.

— O que você fez? Está agitado demais – ele viu o mais novo rir e levantar – James volte aqui!

— Sirius está vindo, terminamos em casa – ele disse descendo as arquibancadas e sumindo pelo corredor, aparecendo Black logo em seguida

— Prongs enlouqueceu? Ele saiu correndo dizendo que estava atrasado sendo que as aulas dele são no horário de saída? – Sirius disse confuso – bom, vamos? Temos que decidir onde vamos almoçar hoje.

Remus se levantou caminhando junto ao garoto até a rua, eles pararam num restaurante do Subway, ambos comprando lanches de frango com salada, comendo no caminho até o metrô, conversando aleatoriedades.

— Eu ainda não entendo como você consegue se aguentar nas argolas – Remus comentou, rindo da carranca de Sirius – se bem que você é pequeno, não deve ser tão pesado.

— Vai se foder – Black xingou jogando o papel do lanche no lixo com raiva, fazendo o mais alto rir – chama exercício seu idiota.

— Não fique bravo comigo Six – Remus disse jogando sua embalagem também, limpando as mãos no guardanapo – você sabe que eu estou brincando com você

— Não sou tão pequeno assim, você que é exageradamente alto – ele revirou os olhos, ambos passando pela catraca do metrô

— Continuo acreditando no meu ponto de vista

— Qualquer um para você é pequeno, se você for para um zoológico podem prender você achando que foi uma girafa que escapou, tome cuidado – Sirius reclamava, ignorando a risada de Lupin ao seu lado

Remus achava adorável a forma que o outro ficava bravo, suas bochechas tornavam-se rosas e ele fazia um bico engraçado nos lábios, era uma diversão para o mais velho. Sirius se debateu quando foi abraçado à força por Remus que ria vendo o outro tentando se libertar, mas ocasionalmente conseguiu se soltar por ser mais forte que o mais velho graças a seus exercícios.

— Tão pequeno, mas tão forte – Lupin riu, parando em frente do trilho com Black a seu lado

— Não vou falar com você até chegar na faculdade, com sorte eu mando uma mensagem xingando você – Sirius respondeu bravo, arrancando mais gargalhadas do outro.

Eles entraram no trem do metrô, Remus segurou nas barras do teto e quando percebeu que não alcançava e o vagão começou a se mexer, Sirius se desesperou momentaneamente e quando o trem se mexeu, ele não conseguiu se segurar e caiu em cima do mais velho, que o segurou até que fosse seguro soltá-lo, Lupin gostou da sensação do menor em seus braços, era confortável. Porém ele não percebeu que Black também gostou da sensação, se demorando um pouco mais para se soltar e lançar um olhar mortal para o mais alto que se controlava para não rir alto no meio do trem.

— Eu odeio você – Black rosnou para o garoto – você é um péssimo amigo – ele dizia amarrando os cabelos em coque por causa do calor ali, observando o outro continuar a rir – para de rir seu idiota – ele olhava com raiva para o mais velho, os braços cruzados enquanto pisava forte no chão e as bochechas rosadas por uma mistura de raiva e vergonha.

A viagem se passou com uma aura confortável entre os dois, Remus gostava da forma divertida de Sirius lidar com tudo e ao mesmo tempo se fingir de bravo. E Sirius gostava da calma e conforto que Remus trazia consigo, os dois gostavam da companhia um do outro, ambos sabiam que aqueles passeios de metrô seriam ótimos para os dois.

— A próxima estação é a minha – Sirius indicou com o queixo para o mapa eletrônico do vagão.

— Quer ajuda para andar pelo vagão? Ou você consegue andar sem cair? – Remus provocou, recebendo um dedo do meio e um revirar de olhos

— Vá se foder Moony – Black reclamou, observando o trem ir parando em sua estação – espero que não sinta tanto a minha falta, se quiser eu posso mandar fotinhas desse rostinho lindo para você não ficar triste – ele agarrou a alça da mochila rindo para Lupin, que revirava os olhos enquanto ria

— Vou querer sim– ele rebateu, observando o menor sair do trem e acenar para ele, sorrindo enquanto as portas se fechavam e o mantinham ali, separados até o dia seguinte. Talvez Remus tenha falado sério sobre as fotos de Sirius, mas só talvez.

Remus pisou dentro de casa quando bateu quase 17:30 horas, pelo horário James chegaria em breve com as compras do mercado e iria para a faculdade que começava as 18. Ele foi até o quarto, se despindo e tomando um banho rápido, onde conseguiu relaxar após um dia comum. Quando saiu do banho, ao ir para a sala, se deparou com as sacolas na mesa e um bilhete, a letra cursiva de James no papel dizendo: ‘saí atrasado da academia e tive que sair correndo, desculpa, vou tentar chegar mais cedo, preciso falar com você. Prongs’’ Lupin riu fraco pois quase conseguia ouvir o amigo correndo e falando de qualquer jeito.

Ele foi para o quarto, lutando contra a tentação de se deitar em sua cama macia e finalmente relaxar, para ir até sua bancada e começou a fazer todos os seus trabalhos da faculdade, só terminando quando ouviu a porta se abrir e a movimentação na sala chamar sua atenção.

Remus fechou seu notebook com suas anotações e foi até a cozinha, encontrando o amigo que pegava alguns ingredientes nos armários para a janta, James era melhor na cozinha que Remus e Potter gostava de cozinhar então era uma troca bem feita.

— Hey, como foi a aula? – Remus se sentou na mesa da cozinha americana que tinham, observando o mais novo mexendo nas panelas de costas para si, ele parecia tenso e seus ombros tensionados enquanto mexiam na panela incomodaram Remus – o que aconteceu? – ele foi até o garoto passando as mãos pelos ombros numa tentativa meio falha de tentar aliviá-lo, ele observou o garoto livrar-se de suas mãos e terminar o arroz rapidamente, abaixando o fogo enquanto ele cozinhava, se virando para Lupin apoiando-se na pia olhando para o chão pelas lentes grossas. – Você está me assustando

— Hoje eu recebi uma visita – ele começou respirando fundo – de manhã uma mulher apareceu na academia e assistiu a maioria das rotinas. Ela viu a de todos, inclusive a sua. – Remus prestava atenção apoiado na parede, um sentimento incômodo rastejando para seu peito, por algo que ele já imaginava que poderia vir – ela era uma olheira de Ilvermorny. – James olhou para o garoto a sua frente por alguns longos segundos como se escolhesse as palavras certas – e ela quer que você compita por uma vaga lá.

E o silêncio se instaurou entre os dois, James sabia que o amigo não aceitar era quase que garantido, mas ele tentou. Sabia do motivo por trás de Remus não competir há anos, ele pensou que talvez tivesse uma chance.

— James – o maior começou, aquela sensação ruim em seu peito quase o não deixando respirar – você sabe que eu não vou voltar a competir, não depois do que aconteceu.

— Eu sei, eu sei — Potter respondeu, suspirando – sei disso. Ela me ofereceu uma vaga lá também, mas eu não sei se eu deixaria Hogwarts para ir pra lá. E então ela viu você patinando e ficou lá muito tempo observando você — ele passou as mãos pelo rosto, respirando fundo – olha, se você competir e chegar pelo menos no top 3, o prêmio pode melhorar Hogwarts para as pessoas e essas coisas, poderíamos ter mais alunos. – ele disse checando o arroz e desligando-o – mas falando como seu melhor amigo, eu acho que você deveria participar – ele disse, olhando para Remus, que continuava imóvel no lugar olhando para qualquer lugar que não fosse Potter.

— Não vou participar, você sabe disso – Lupin disse, querendo apenas ir pra cama e esquecer tudo aquilo – eu nunca mais vou entrar numa pista de competição por nada nesse mundo. – ele disse firme, escondendo as mãos que tremiam atrás do corpo

— E se nós tivéssemos algum acompanhamento médico? – James sugeriu, se aproximando do garoto a sua frente na cozinha apertada – Nós podemos ver com ele, pedir para te acompanhar, não teria como dar errado – ele colocou as mãos nos ombros tensos do outro – eu não deixaria nada acontecer com você, acredite em mim, já faz muito tempo. – Ele disse olhando fundo os olhos amendoados – não se torne alguém como eu – Potter disse num tom magoado que atingiu Lupin como várias facas.

Remus, quebrou o contato visual para olhar para o teto e piscar, impedindo que a ardência em seus olhos causada pelas lágrimas se dissipasse. Ele respirou fundo, puxando Potter para um abraço, ele gostava de como o abraço de James era caloroso e macio como um travesseiro, o fazia se sentir bem e protegido, amado.

— Eu sinto decepcionar você Jay, mas eu não vou conseguir entrar numa arena de novo – ele disse olhando para qualquer lugar sem ser o rosto do amigo, não conseguiria ver o rosto triste do garoto – Eu já tomei um café antes de você chegar, vou deitar agora – ele disse se soltando lentamente dos braços do outro – eu sinto muito.

E então Remus partiu para seu quarto, finalmente se deitando em sua cama, mas não com o mesmo sentimento de antes, agora ele apenas se cobriu e abraçou um travesseiro se encolhendo como se quisesse sumir. Ouviu seu celular tocar algumas vezes, mas ele não se importou em abrir as mensagens, apenas desligou o sinal e colocou alguma música e deixou tocando até que rebobinasse tudo de novo, Lupin já sabia que tinha problemas de insônia, então em algum momento apenas desistiu de tentar e foi terminar os trabalhos de faculdade, no fim de tudo, dormindo em cima dos livros na bancada mesmo.

Foi uma confusão para Remus acordar em sua cama quando o despertador tocou, ele não se lembrava de ter ido para a cama, tirando isso de sua cabeça, ele apenas foi tomar um banho e se aprontar para ir até a academia.

Ao olhar rapidamente o celular, ele viu algumas mensagens perdidas de Sirius, a última era: ‘’ Você não me respondeu ontem a noite. Está tudo bem por aí? ‘’. Remus se perguntou como Black ficava ao acordar, será que ele ficava com os longos cabelos extremamente bagunçados? Ou será que ele acordava com o rosto e os fios amassados por uma longa noite de sono? Como será que ele dormia? Por que Remus estava pensando naquilo?

Lupin balançou a cabeça ignorando os pensamentos e se direcionou à cozinha chegando lá, sentiu o cheiro de seu chocolate e café de James, que por sinal cozinhava alegremente ouvindo alguma música pop.

— Bom dia Moony, o café já está pronto – ele disse, Lupin rindo fraco quando se lembrou que o amigo não costumava ficar triste por muito tempo, era como se seu humor reiniciasse após uma noite de sono, então ele respirou fundo engolindo todo o problema da noite anterior e abrindo um sorriso para o garoto.

— Bom dia Prongs – ele se sentou na bancada da cozinha americana e serviu seu chocolate – eu amo tanto o seu chocolate, o que seria eu sem você? – ele disse após gemer em satisfação sentindo a bebida quente descer por sua garganta.

— Eu sei que você só aceitou morar comigo por causa dos meus dotes culinários – James fez uma reverência para o outro que riu, enquanto voltou a mexer os ovos e cantarolar a música que tocava. Remus tinha saudade das noites de karaokê que iam e Potter ganhava de todos.

Eles tomaram o café rapidamente e após outra dose de capuccino e chocolate, o mais velho respondendo às mensagens perdidas de Sirius, e então partiram em direção à academia. No caminho Remus repassou seu dia hoje: treino na pista e alguns exercícios de ballet.

— Sabe, algo que eu ainda não entendi – Remus começou andando com James pela calçada – o que você quis dizer ontem sobre como ia eu e Sirius. – ele perguntou vendo o outro sorrir como se quisesse rir – James Fleamont me responda – ele ameaçou o outro que começou a rir

— Não quis dizer nada, apenas quis saber se vocês estavam bem – ele disse cinicamente, atravessando a rua, rindo discretamente sem que o maior percebesse – enfim, hoje é sexta estava pensando em chamar Sirius para ir em casa ou se a gente podia fazer algo diferente – ele perguntou, e esperou o outro responder.

— Acho uma boa ideia, o que faríamos? – Remus perguntou

— Talvez uma maratona de filmes com pizza e essas coisas – ele disse, abrindo o portão da academia dando passagem para Remus entrar

— Eu aceito, vai ser ótimo – Potter assentiu

— Okay, então chama o Sirius e arruma a sala, quando voltar da faculdade eu passo no mercado e levo alguma coisa pra vocês... Quero dizer, nós – ele se corrigiu rapidamente, indo abrir o escritório enquanto Remus ia confuso para o vestiário se trocar.

Lupin se assustou quando saiu do vestiário já trocado com os patins nos ombros, se deparou com Sirius entrando, eles se esbarraram e o mais velho fez todo um contorcionismo para que as lâminas dos patins não acertassem nenhum dos dois.

— Você está bem? – Remus perguntou preocupado, quando o menor recuou alguns passos – meu deus eu te machuquei?

— Não, está tudo bem eu só estava distraído – Sirius respondeu – tome cuidado com isso aí gatinho, é perigoso – Lupin corou com o apelido, ficando sem saber o que falar, se despediu e seguiu para a pista.

Ele agradeceu aos céus quando lembrou que tinha trazido seus fones, ele foi até a pista e colocou seus fones. Ele sabia que não precisava fazer nenhuma rotina ou coreografia, já que não iria se apresentar, mas ele gostava de uma rotina que criara ao som de ‘’Era uma vez um Sonho’’ do filme original de Bela Adormecida. Quando costumava se apresentar, ele seguia solo, então havia escolhido aquela música já que adorava o filme, ignorando o fato de ser um casal originalmente.

Remus se deixava fluir como se já estivesse programado em seu DNA aquela dança, seguia os passos que criara há tempos e mesmo assim se recusava a esquecer, na esperança de um dia ter coragem o suficiente para se apresentar novamente. Ele deslizava com as melodias em seus ouvidos, dando saltos e espacates enquanto deslizava.

A realidade era que Lupin sentia muita falta de se apresentar, ele adorava a sensação de formigamento em sua barriga antes de se apresentar, da multidão vibrando ao vê-lo realizar um salto bem feito ou uma pirueta impecável. Ele tinha saudades de quando terminava e dava uma reverência para os juízes e todos no local com um sentimento de pertencimento e realização. Um dia ele queria saber lidar com toda aquela confusão que era sua indecisão e voltar aos holofotes.

Mas ao mesmo tempo que ele se sentia toda aquela nostalgia e sensação boa, ele se lembrava, do fatídico dia em que tudo desmoronou. O dia que ele se recusava a se lembrar por tudo no mundo, a memória que ele queria esquecer.

Sirius entrou no local, seus grandes olhos cinzas varreram todo o lugar, não encontrando o garoto ali o deixando confuso.

— Rem? – ele chamou, ouvindo sua voz ecoar pelas paredes brancas — Moony, eu vi você entrar e não vi você sair, onde você está? – não houve nenhuma resposta, então ele se aproximou da grade que separava a pista do chão, se apoiando e tendo a visão de cima do garoto que estava sentado no gelo, os patins abandonados ao seu lado, o corpo encolhido e as mãos entrelaçadas – hey o que aconteceu? – ele perguntou delicadamente, se perguntando se entrava na pista ou ficava fora, mas ele não precisou fazer nada pois o mais velho se arrastou até a porta, saindo da pista e se sentando na arquibancada – o que houve? Você caiu ou algo assim?

— Não – Remus respondeu simplesmente, deixando as lágrimas descerem pelo rosto e fechando os olhos.

Sirius havia entendido que ele não queria conversar, então apenas levou seus dedos finos e gelados para o rosto quente e molhado secando as lágrimas com os polegares, o toque repentino assustou o mais alto, mas que não o recusou e apenas deixou Black cuidar de si. Remus apreciava os carinhos deixados pelo mais novo em todo o seu rosto, fazendo um cafuné gostoso e uma leve massagem em seus ombros, a quantidade de toques deixou-o um pouco mais relaxado e seu coração errou algumas batidas por causa deles também, Remus não sabia o porque.

— Eu... eu sinto falta de me apresentar – Lupin disse baixo, de forma lenta ainda de olhos fechados. Sirius olhou para ele e fez um sinal para que ele continuasse – 3 anos atrás eu iria me apresentar em uma competição local, a minha rotina estava pronta, eu estava preparado mas eu estava muito nervoso, eu comecei a coreografia bem e então em algum momento eu comecei a passar mal, senti minha cabeça girar e então não estava mais lá. – ele dizia encarando a blusa xadrez preta e vermelha de Sirius que estava em pé a sua frente, o menor ficou entre as pernas do outro e abraçou sua nuca para que apoiasse a cabeça em seu peitoral. O mais velho gostou de sentir o perfume de Black, ele cheirava a canela – quando eu acordei, eles disseram que eu tinha bradicardia, que é quando o coração não bate o suficiente e causa tontura e cansaço.

Lupin se soltou devagar do aperto do outro, levando suas mãos até a barra da própria camisa, tirando-a e olhando para o mais novo que observava com atenção (internamente, Sirius não conseguia controlar as marteladas que ecoavam em seu peito, mas ninguém além dele precisava saber), ele pegou sua mão e a trouxe até o peito onde o mais novo sentiu uma leve protuberância ali junto com uma pequena cicatriz.

Sirius sentiu uma corrente elétrica passar por seus dedos quando tocou o local, um formigamento em seu estômago e toda a sua atenção estavam voltados para aquela pequena região.

— Agora eu tenho um marca passo e medo de voltar para as pistas – Remus finalizou, sentindo o toque do outro ainda em seu peito, sentindo os batimentos sob sua palma.

Sirius olhava o peitoral do outro e então voltou a olhar seu rosto, gostava dos traços de Remus ele era um garoto bonito, os olhos amendoados e os cabelos com pequenos cachos que às vezes caíam sob seu rosto. O mais novo respirou fundo, ele queria contar um segredo para Lupin também, não que sentisse necessidade, mas ele sentia que era uma via de mão dupla. Então ele levantou a própria camisa tirando-a também, ele pegou as mãos do mais velho que olhava tudo atentamente surpreso e as guiou até o próprio peitoral, mais especificamente até uma pequena linha fina abaixo de seus mamilos.

— Antes de eu vir pra cá eu morava com a minha família rica e influente numa cidade do interior, eles eram muito religiosos e queriam que eu me casasse com algum garoto que fizesse direito e que tomasse conta das empresas deles quando chegasse a hora. No final de tudo eu não queria nada ali, nem a faculdade, nem o emprego e nem o meu gênero – Black disse, os olhos cinzas levemente desfocados como se ele estivesse vendo o que contava, Remus apenas ouviu, tentando ignorar a sensação nova que revirava seu peito e o deixava morno quase quente – quando eu finalmente tinha certeza de tudo sobre mim e o que eu iria fazer, eu peguei uma quantia suficiente de dinheiro para morar e fazer a transição aqui em Londres e fugi – seu olhar voltou para o olhar do garoto a sua frente, ele estava absorvendo tudo aquilo.

— Por que está me contando isso? – Remus perguntou lentamente, sem soar rude, o olhar voltando para as cicatrizes de Sirius, seus dedos tocando leve e superficialmente a região com carinho.

— Porque você me mostrou uma parte da sua vida – ele respondeu simples – não precisava ter contado, mas contou, então eu mostrei uma parte da minha – ele sorriu fraco, fazendo o mais velho sorrir também.

E então eles estavam perto demais, os carinhos de Sirius ainda nos ombros do outro o trouxeram para perto, agora eles estavam tão próximos que Black poderia contar as minúsculas sardas no rosto de Remus e por sua vez ele poderia contar os cílios longos do garoto. As respirações se misturavam, engatavam uma na outra e se intensificavam com os olhares que lançavam um para os lábios do outro.

— Wow o que é isso? – James abriu a porta repentinamente, e os dois se assustaram, se separaram e vestiram-se rapidamente – eu não vi nada, espero que quando eu abrir os olhos de novo vocês estejam vestidos e não fazendo nada inapropriado.

— Ninguém estava fazendo nada inapropriado, palhaço – Sirius xingou, o rosto extremamente vermelho, e o outro abriu os olhos novamente indo até eles

— James é idiota, não ligue pra ele – Remus riu fraco junto com o menor, que estava extremamente sem graça pela intromissão de Potter.

— Estou indo, só vim avisar que vou num lugar e já volto – ele disse saindo e fechando a porta deixando-os a sós novamente.

— Bom... – Remus começou, coçando a nuca sem jeito – onde nós vamos comer hoje?

— É sexta, acho que poderíamos sair mais cedo da academia e ir tomar um sorvete antes da faculdade – Sirius disse rindo fraco e arrumando o cabelo de lado, ele gostou da forma que Remus sorriu para ele mostrando que adorou a ideia.

E então, algumas horas depois, eles se encontraram novamente após terminarem seus treinos e caminharam juntos até a sorveteria mais próxima.

— Me recuso a acreditar nisso – Sirius disse indignado, olhando para o outro que o retribuía o olhar um pouco confuso – você come sorvete com batata frita? –

— Claro, você não? – Lupin perguntou como se fosse óbvio. Pegou uma batata frita e deslizou-a em seu sorvete e oferecendo ao mais novo, que negou com uma careta – você é nojentinho

— Prefiro ser nojentinho do que comer essa gororoba aí – Black mostrou a língua numa clara forma de mostrar sua repulsa à comida do mais velho. Aproveitou para roubar uma batata do mais velho e mastigá-la em sua frente, mostrando que havia conseguido roubar dele, que revirou os olhos rindo

— Gororoba nada – ele respondeu comendo – é ótimo misturar doce com salgado.

— Que nojo

— Você é um nojo – Remus disse encarando o mais novo, quase que encostando seus narizes, o menor perdeu a respiração por alguns instantes e então o rosto do mais velho já havia se afastado enquanto eles se sentavam em um dos bancos na praça com a sorveteria, ele olhou para Sirius que revirava os olhos com sua fala o fazendo rir e encarar os olhos cinzas que estavam mais interessados em tomar o sorvete de sua casquinha que escorria quase chegando em seus dedos.

Lupin sorriu vendo o mais novo lutando para não deixar seu sorvete derreter, ele lambia a parte que derretia rápido e parecia um cachorro fazendo Remus rir e ao mesmo tempo querer acariciar os cabelos do outro num carinho enquanto curtiam a sobremesa. Eles ficaram num clima confortável, conversando e quando Sirius apoiou sua perna na coxa do outro que olhou-o rapidamente confuso pelo movimento brusco, retirou a própria perna pensando que Lupin não havia gostado, mas então o mais velho pegou suas duas pernas e as apoiou no colo, mantendo as mãos apoiadas no joelho do menor quando terminou seu sorvete. Remus sentiu uma necessidade inexplicável de acariciar o local, logo descobriu que Sirius tinha cócegas se apertasse um pouco acima de seu joelho, e obviamente ele passou a provocá-lo ameaçando o garoto com sua nova descoberta sem deixar de fazer os carinhos nas pernas do outro.

O tempo passou e eles finalmente tiveram que ir para seus respectivos cursos, quando Remus se lembrou de convidar o garoto para a noite de filmes eles estavam entrando no trem do metrô que quase perderam por terem se atrasado em uma loja de doces. Sirius aceitou a proposta da noite com um sorriso divertido e afirmou que levaria uma surpresa, Lupin tentou arrancar a verdade dele quase que a viagem inteira, mas não conseguiu.

Ainda na faculdade, Remus mandou várias mensagens para o mais novo em busca de descobrir seu segredo porém continuou sem respostas concretas, apenas coisas como ‘’Espere e verá’’ e ‘’Você está muito curioso hoje, gatinho Moony’’ e que fez o mais velho sentir seu rosto quente com o apelido que não estava esperando.

Quando finalmente saiu, Remus correu para casa e arrumou a sala com edredons no chão e pisca-piscas espalhados pelas paredes, separou os filmes e foi tomar banho colocando um pijama de flanelas depois. Ele esperou fazendo seus trabalhos da faculdade e quando foi atender a campainha se surpreendeu ao ver Sirius e não James, aparentemente Black reparou sua expressão confusa.

— O que foi? Cheguei muito atrasado? – ele olhou o horário no celular

— Não, na verdade está no horário certo. Estou confuso por que você chegou e James ainda não deu sinal de vida – Remus saiu de sua frente para que o garoto entrasse, carregando um case grande nas costas – uau isso é um case de guitarra? – ele olhou surpreso enquanto via o menor abrir e tirar uma guitarra reluzente de dentro.

— Surpresa – Sirius disse rindo e mostrando a guitarra – não tinha nada de legal para um encontrinho assim então eu a trouxe. Eu também trouxe o amplificador, espero que não se importe – ele deu um sorriso exagerado fazendo o outro rir.

Eles foram até a sala e Black sorriu vendo a arrumação, se sentiu acolhido e feliz ali. Era como se ele estivesse numa festa do pijama que nunca foi permitido ir quando criança.

— Sinta-se à vontade – Remus se jogou no edredom, ficando com as costas apoiadas no sofá, enquanto olhava Black tirar os sapatos e sentar-se no edredom – o que você vai tocar para mim? – ele disse sorrindo preguiçoso e observou o garoto se preparar.

Ele tocou algumas músicas como ‘’Are you mine’’ e ‘’Arabella’’ antes de entrarem numa discussão sobre qual era a melhor música da banda, Sirius ficou abismado ao saber que a favorita de Remus era ‘’ Why’d you Only Call Me When You’re High’’ enquanto ele defendia que ‘’Knee Socks’’ era muito melhor.

— A sua é totalmente sofrência – Black disse, deixando a guitarra descansando no sofá ao seu lado – Knee Socks tem uma batida e uma letra muito melhor, mil vezes mais envolvente

— Knee Socks é boa para transar – Remus disse casualmente, apoiando os braços no sofá que estava encostado. Sirius franziu o nariz com a frase, ele não gostou da ideia de Lupin fazendo sexo com alguém.

— Não me imagino fazendo isso com uma música de fundo – Black disse quase que confuso, fazendo o outro rir principalmente depois de suas bochechas esquentarem com o comentário

— Você já fez isso? – Remus perguntou, parando um momento esperando a resposta – sexo?

— Já – Sirius respondeu, brincando com a manga de sua camisa – não como eu mesmo, mas sim – ele respondeu mastigando o interior de sua bochecha por um instante, uma pequena vergonha passando por ele e o fazendo encher suas bochechas de ar e respirar fundo. Ele costumava fazer isso quando estava com vergonha, um simples costume.

— Entendi – Remus disse depois de não achar exatamente o que dizer, ele olhou a hora vendo que já era quase 22 horas e James ainda não tinha chegado – Onde será que aquele idiota se meteu?

— Ele me disse que ia se encontrar com uma garota – Sirius respondeu observando seu cabelo se enrolar em seu dedo para soltá-lo logo em seguida definindo o pequeno cacho ali, Lupin o olhou abismado.

— Ele me disse que ia passar no mercado – o mais velho pegou o celular e procurou a conversa com James, vendo que havia algumas mensagens a serem respondidas, ficou em choque quando abriu-as e viu:

Prongs: Saí com uma garota hoje, aproveitem aí vocês dois, vou chegar mais tarde

Prongs: Não me mate quando eu voltar okay, eu sei que você gostou

Remus ignorou a vontade de xingá-lo e jogou o celular em um dos sofás, ele se levantou e foi até a cozinha.

— Você está bem? – Sirius perguntou o seguindo e sentou-se em uma das cadeiras altas do balcão

— Estou, vim fazer pipoca – ele respondeu pegando os ingredientes, ele não estava bravo só estava criando coragem para direcionar seu olhar ao garoto em sua frente agora que sabia que o amigo estava tentando juntar os dois – doce ou salgada?

— Doce? – Sirius perguntou com a cabeça tombada para o lado em confusão, Lupin piscou algumas vezes para se certificar que ele não estava brincando.

— Você nunca comeu pipoca doce? – ele perguntou abismado, rindo fraco quando Black negou timidamente – você não faz ideia do que está perdendo, vou fazer um pouco de cada e você experimenta, ele observou o garoto assentir e começou a fazer.

Eles ficaram conversando sobre amenidades até o momento em que Black se lembrou da conversa com James mais cedo, Potter sabia que Remus havia o contado sobre não se apresentar mais então pediu para que talvez ele conseguisse convencer o mais velho. Sirius tentava achar uma forma de iniciar a conversa.

— Então... – Sirius começou ainda pensando no que falar, encarando as costas largas do outro que cortava batatas para fritar – você já ganhou algum prêmio? – ele perguntou, os dentes mordendo o lábio inferior com medo de ter feito algo ruim

— Não – Remus respondeu – algumas medalhas, mas nenhuma de ouro ou olímpica – ele disse casualmente, o mais novo relaxou no lugar ao perceber que não havia ultrapassado a zona vermelha de Lupin, mas o mais velho já imaginava onde aquilo iria chegar – E você?

— Uma de bronze – ele disse, brincando com a folha de uma planta que tinha no balcão, sua cabeça apoiada na outra mão – você não gostaria de ganhar? – ele questionou, voltando a olhar para as costas do garoto, vendo alguns músculos se sobressaírem pelo algodão enquanto ele cortava, porém ao ouvir a pergunta ele parou de mexer-se, olhando para o alimento a sua frente, em sua mente passando todos os momentos em que ele esteve numa competição. As medalhas infantis que ganhou, ou quando ele chegou perto de uma de bronze pouco antes do acidente.

Remus apoiou a testa no armário acima da pia, fechando os olhos e respirando fundo esperando que a ardência em seus olhos fosse embora. Ele abriu a boca para responder algumas vezes, mas só sentia um nó em sua garganta, queimando-a. Milhares de pensamentos passavam por sua mente no momento.

— Era tudo o que eu mais queria – ele pensou alto, mas não o suficiente para que Sirius ouvisse

— O que? – ele perguntou quando não ouviu a resposta do mais velho. Ele assistiu Lupin olhar para cima, respirando fundo e audivelmente voltando a cortar as batatas

— Nada – ele respondeu – outra coisa, separei alguns filmes para nós assistirmos você pode ver se tem algum que você gosta? – ele pediu. Sirius sentiu seu peito pesar por não ter a resposta de sua pergunta, se sentindo mal por talvez ter ultrapassado algo que não deveria. Ele confirmou com um ‘’okay’’ e foi até a sala fazer o que foi pedido.

Um tempo depois num silêncio beirando o desconfortável sendo preenchido apenas pelo barulho dos DVD’s nas mãos de Sirius ou no óleo quente fritando as batatas para os dois. Black, ainda com vergonha pela conversa anterior, voltou a se sentar no sofá, colocou sua guitarra no colo e amarrou o cabelo comprido num coque. Ele dedilhou os dedos no braço da mesma pensando no que tocar, então decidiu apenas tocar uma melodia que estava trabalhando recentemente.

Remus escutou a música da cozinha, se virando para ver a silhueta do garoto de costas para si, sorriu fraco ao ver o cabelo amarrado, ele gostava quando o menor amarrava o cabelo, achava que caía bem nele e o deixava ainda mais bonito enquanto destacava sua mandíbula levemente marcada. Ele observava com carinho o outro que dedilhava as cordas cantarolando palavras desconexas baixinho sem que o mais velho pudesse escutar.

Quando os petiscos ficaram prontos, Remus os levou para a sala e se sentou na frente do outro, colocando os pratos na mesinha de centro afastada. Ele olhou o garoto a sua frente que parou de tocar e observou-o, Sirius prestou atenção no rosto do garoto vendo suas sardinhas pequenas e como seus olhos brilhavam um pouco mais por causa das luzinhas pisca-pisca.

— Me desculpe pela conversa – Lupin disse, entrelaçando os próprios dedos e apoiando-os em seu colo – ainda não sei se gosto de pensar muito sobre isso.

Black olhou para o outro, um bico torto brotando em seus lábios enquanto ele pensava em algo para finalizar aquele clima tenso entre os dois. Então ele se levantou, deixando sua guitarra no sofá, levantando-se e indo até sua mochila esquecida no canto da sala e abaixando-se rapidamente para vasculhá-la, Remus seguiu o garoto com os olhos, fitando-o enquanto abaixava para mexer na mochila e os olhos âmbares percorreram o corpo do outro, gostando como a calça moletom se ajustava em seus quadris e um pouco em suas coxas de forma confortável que ao mesmo tempo deixavam-nas atrativas, Lupin mordeu os lábios e quando percebeu que o outro estava prestes a se virar, colocou sua atenção nas batatas que roubava da mesa de centro.

Sirius se levantou e conectou o celular na caixinha de som em sua mão, a música de Remus sendo ouvida pelos dois num volume não tão alto por causa do horário. A caixa de som foi deixada na mesinha de centro e Black olhou para o outro que estava sentado, engolindo as batatas que havia roubado do pratinho. O menor foi até ele e estendeu a mão que rapidamente foi aceita e ambos estavam em pé paralelamente, quando a letra ecoou por seus ouvidos Sirius segurou as mãos de Remus o puxando para dançar.

Black mexia os ombros o ritmo da música, sorrindo para Lupin que retribuiu o sorriso enquanto começava a acompanhá-lo na dança. Eles se mexiam no ritmo da música e balançando os quadris se divertindo, o mais velho apreciando a cantoria do menor, segurando a mão pálida Remus decidiu rodar o corpo do garoto que riu fraco aceitando.

O clima entre os dois havia melhorado, ambos se sentindo abraçados por um sentimento morno e gostoso enquanto dançavam e brincavam de acertar pipoca na boca um do outro. A música foi deixada de lado quando decidiram maratonar os filmes escolhidos, eles se acomodaram nos edredons no chão com cobertores trazidos por Remus, encolhidos e apoiados no sofá.

Pouco depois do terceiro filme ter começado, Lupin observou que Sirius havia dormido. Ele checou o horário e percebeu que já eram quase 2 horas da manhã. Após arrumar o garoto confortavelmente sem acordá-lo, Remus mandou mais uma mensagem para James, apenas para garantir que não havia morrido, sua confirmação foi quando sua mensagem chegou ao celular do outro, até agora nada muito ruim.

Ele limpou os pratos que haviam ali e os pensamentos da conversa com Sirius voltaram à sua mente de novo. Checou se o garoto estava mesmo dormindo e confortável e então foi para seu quarto, abriu seu armário e procurou por uma pequena caixa que estava quase que escondida entre outras já que era a intenção não a ver por muito tempo. Segurou-a em sua mão e foi até a cama, deixando-a ali e retirando sua tampa. Os olhos caíram instantaneamente no reflexo prateado e metálico que reluzia de dentro da caixa, ele levou seus dedos levemente trêmulos e retirou a medalha de dentro.

Sentiu profundamente seu contato com a fita, era uma fibra incômoda já que era uma medalha antiga que ele ganhara quando pequeno após participar de uma competição qualquer de ginástica do colégio. Deixou-a de lado e pegou a próxima, ela era um pouco mais pesada e sua fita era mais macia, havia ganhado em uma competição local um pouco mais importante e ele havia se destacado entre os demais porém ficado em 3° lugar, nela estava gravado ‘’Competição da Academia Ravenclaw Para Todos’’ com letras garrafais e bonitas. Ele voltou a olhar para a caixa e seus olhos se fixaram na mais brilhante ali, uma medalha de prata com o ‘’Competição Preparatória Para as Olimpíadas de Inverno’’ gravado nela, aquela medalha provava que ele iria para as olimpíadas de inverno daquele ano se não fosse por seu acidente, ele limpou as lágrimas que não sabia quando começaram a cair mas elas continuaram descendo pelo seu rosto e ele não as impediu. Remus lembrava de tudo sobre aquela medalha, ainda sabia sua rotina usada, seu figurino, a música que tocava enquanto ele deslizava, se acabasse se concentrando demais conseguiria ouvir a multidão em seus ouvidos.

Mas a memória principal daquele dia, era a dele fazendo sua rotina com saltos e piruetas. E então a tontura veio, ele continuou deslizando pelo gelo com a música soando longe e apenas sentiu o gelo contra seu corpo antes de ser levado pela inconsciência. Ele acordou quase que um dia depois numa cama de hospital e então descobriu que agora teria que conviver com um aparelho que dava choques constantes em seu coração, e a partir disso nunca mais voltou aos holofotes.

— Rem, desculpa eu cochilei e – Sirius apareceu na porta do quarto coçando os olhos como uma criança que acabara de acordar, os cabelos bagunçados o deixaram ainda mais adorável – hey o que aconteceu? – ele se aproximou preocupado e então viu as medalhas espalhadas pela cama – oh

— Não é nada, apenas... – Remus respirou fundo limpando o rosto e guardou as medalhas de volta na caixa, sem saber o que dizer.

Sirius ficou em pé ao lado do garoto passando seus dedos entre os pequenos cachos caramelo, ele envolveu o pescoço do garoto o trazendo para seu peito acariciando sua nuca. Ele sentiu os braços do mais velho envolvendo sua cintura o trazendo mais para perto, enterrando o nariz na roupa de Black, ele cheirava a chá forte e canela, era reconfortante.

Remus gostava dos cafunés que Sirius fazia, mas agora além de aproveitar o carinho, ele sentia algo em seu interior, que o bagunçava por dentro e deixava seu coração disparado.

Os dois ficaram nessa posição por um tempo, até que os olhos de Lupin se secassem e ele desse uma mordida fraca na barriga de Black, o fazendo assustar e soltar um gritinho.

— Ai caralho – ele disse, dando um pulinho para trás no susto, observando o outro rir – idiota

Remus se levantou e se espreguiçou, esticando os braços para cima e riu fraco quando sentiu braços envolverem seu corpo num abraço. Ele sorriu e retribuiu, gostando do calor que o corpo de Sirius emanava e o fazia se sentir bem, se sentir melhor. Apoiou os lábios nos cabelos do outro deixando beijos no local fazendo o menor sorrir mesmo que não fosse visto.

O momento era agradável, tudo estava em paz novamente e ambos se sentiam bem. Sirius apoiou o queixo no peito do outro, olhando nos olhos amendoados e sendo olhado na mesma intensidade.

Então ali estavam. O cinza no amendoado. O contraste entre as cores não era tanto, porém o sentimento que passava por eles era o mesmo mas nenhum dos dois sabia descrever o que era, apenas juntaram seus lábios como ímãs se atraem quando se aproximam de seus polos opostos. Remus sentiu sua pele arrepiar ao sentir os lábios do outro, quase perdeu os sentidos quando as línguas se tocaram numa dança lenta enquanto sentia o gosto salgado do que tinham comido recentemente e menta, talvez de um chiclete que Black tivesse mascado antes de ir para lá.

Suas mãos subiram para os cabelos de Sirius, os dedos se entrelaçaram nos fios negros delicadamente num carinho e Black descobriu que adorava aquela sensação, Remus não sabia, mas um de seus pontos fracos eram carinhos em seu cabelo ele adorava tanto quanto um cachorrinho gosta de carinho atrás da orelha. As mãos pálidas do mais novo pousaram nos ombros do outro e descansaram ali, os polegares se arrastando lentamente acariciando o local.

Poderiam ter se passado minutos, dias, semanas, meses ou anos. Eles não teriam se importado. Se separaram e ficaram ali respirando do mesmo ar, ambos entorpecidos pelas sensações continuaram de olhos fechados aproveitando o momento.

Eles não precisaram se explicar, ou qualquer outra comunicação além dos toques de seus lábios e risadas que davam com algumas gracinhas que soltavam. Passaram a noite assim: voltaram para a sala e se acomodaram nos edredons, agora compartilhando um edredom e o calor de seus corpos enquanto assistiam mais alguns filmes e tempos depois, caíam no sono um em cima do outro. Havia sido uma boa noite.

No dia seguinte logo depois do almoço, Sirius foi para casa e Remus descobriu que ele havia vindo de moto, não sabia que o garoto tinha uma e fez uma nota mental sobre perguntar a ele. James exigiu que Lupin contasse tudo a ele sobre a noite passada e eles ignoraram os trabalhos de faculdade para fazer e ficaram conversando sobre o assunto quase que o dia todo.

Segunda feira chegou rapidamente e com ela, a rotina diária deles. Remus chegou no horário de sempre com James e foi até a área da academia do local. Iniciou com alguns exercícios básicos para aumentar o ritmo gradativamente, só havia ele nesse horário então ele se assustou quando a porta se abriu e James entrou. Ele retirou seus fones e os guardou, observando uma segunda pessoa entrar no local, era uma garota pouco menor que Potter, tinha pele clara e cabelos incrivelmente vermelhos, usava uma calça jeans de boca de sino tendo uma bota de salto em seus pés e uma blusa roxa com algumas rendas delicadas, quando ela terminou de analisar a sala de academia e pousou seus olhos em Remus, ele viu que as orbes da garota eram um verde brilhante e bonito.

— Rem – James disse – essa é Lily, a garota de Ilvermorny que te falei – o mais velho acenou para a outra que retribuiu com um sorriso.

— Jay eu tinha te falado para não contar a ele! – Lily disse irritada para o outro que sorriu torto e coçou a nuca, ela revirou os olhos e se aproximou de Lupin – Então, eu vi você em uma de suas rotinas há umas semanas atrás, você é incrível Remus, se você pudesse se apresentar na competição de Ilvermorny tenho certeza que você passaria. A forma que você dança é tudo tão... natural, eu fiquei maravilhada – ela disse animada, gesticulando com as mãos e Lupin mordeu o interior de sua bochecha sem saber como proceder

— Eu... – ele mordeu o lábio inferior sem saber o que dizer, olhando para James pedindo por ajuda, mas este estava tão perdido quanto ele – Olha, Lily – ele tentou começar – eu não me apresento há anos não sei se conseguiria...

— Não seja modesto, Remus o talento que eu vi naquela pista de treino transbordaria numa pista de tamanho olímpico – ela disse animada, Remus queria morrer vendo a garota feliz como uma criança que ganhou uma pelúcia.

— Me dê um tempo para pensar, sim? – ele disse suspirando, dizendo qualquer coisa para acalmar a garota que comemorou e deu um cartão para ele. No fundo ele sabia que não disse aquilo para silenciar Lily, e sim talvez controlar a vontade em seu peito que gritava e implorava para que ele dissesse sim ao pedido da garota.

— Se precisar me ligue, estarei à disposição – ela sorriu, acenando para ele na saída que acenou de volta. Ela se virou e saiu, deixando James e Remus sozinhos na academia.

— É ela a garota que você vem saindo? – Lupin perguntou direto e riu quando o outro teve seu rosto tomado pela tom carmesim e ele gaguejou uma resposta qualquer.

— Como- Eu- você- — ele disse confuso, tentando entender toda a linha de raciocínio sobre eles, observou o mais velho ir até um dos aparelhos e levantar pesos com os pés – Como você descobriu?

— Foi fácil – ele riu fraco, falando um pouco mais devagar para não ficar tão ofegante junto com o exercício – vocês chegaram juntos e pela transparência da porta deu pra ver que vocês estavam de mãos dadas – ele disse, fazendo o mais novo checar a porta – e ela te chamou de ‘’Jay’’ – ele constatou e o garoto tinha uma cara surpresa e espantada – vocês são bem óbvios na verdade.

— Não somos óbvios – ele resmungou – é tudo profissional, não ache que tem algo a mais envolvendo você e os outros ginastas daqui. Inclusive ela foi falar com a Marlene e a Dorcas sobre elas irem treinar salto com vara lá – ele disse

— Você contou a ela? – Remus parou os movimentos das pernas concentrando toda a sua atenção no outro, que se preparava para ir – sobre eu não me apresentar.

— Não, não falaria sobre isso sem a sua permissão – Potter disse – só a avisei que você não se apresenta mais há anos por alguns problemas pessoais. Apenas isso. – ele concluiu e viu o outro assentir – mas pense sobre, okay? Se concentre nas sensações que você sentia e deixe que elas o distraiam do medo, sim? – ele disse, se colocando em frente ao garoto, afagando os pequenos cachos, tirando a mão rapidamente – eca você tá suado – ele limpou a mão fazendo uma careta.

— É algo comum dos seres humanos, sabe James? – Remus respondeu sarcástico, gargalhando quando o outro mostrou o dedo do meio a ele enquanto saia – você costuma fazer isso em outro contexto, tenho certeza – o mais velho gritou enquanto o outro fugia, o deixando sozinho na academia rindo com a vergonha do melhor amigo.

Durante o treino matutino antes de encontrar-se com Sirius para irem à faculdade, ele pensou sobre a proposta de Lily e o comentário de James. Sabia que precisava ouvir mais uma opinião, e sabia exatamente onde consegui-la, mas fora isso ele continuou pensando sozinho e colocando as visões na balança. Tentando pesar qual sensação era mais forte: a de brilhantismo e conquista quando ele acertava uma pirueta, ou um axel bem feito, ou talvez a sensação de pânico que o tomava quando ele se imaginava em sua última apresentação, fazendo sua rotina e então, caindo na pista inconsciente.

Remus passou o dia na academia, até que Sirius chegasse e o chamasse para ir embora. Eles foram juntos até o vestiário e o menor esperou-o se arrumar para a aula. Black notou que Lupin estava quieto demais com os pensamentos na lua, então enquanto o garoto estava sentado no banco amarrando seu all star azul, Sirius se sentou ao seu lado e beijou-o na bochecha. O ato fez o mais velho ficar imóvel e ter seu rosto tingido pelo tom carmesim, ele olhou para o mais novo ao seu lado que sorria como um cãozinho que esperava ter seu brinquedo jogado para ir buscar.

— Um beijo por seus pensamentos – Sirius disse sorrindo e retribuindo o selinho que foi plantado em seus lábios pelo mais velho.

— Não é nada demais, eu só estou pensando na proposta da garota de Ilvermorny – ele suspirou, contando ao mais novo sobre sua indecisão em relação a competir.

— Você tem medo, mas ao mesmo tempo sente falta de se apresentar – Sirius disse como se repassasse tudo o que foi dito, eles estavam de mãos dadas caminhando em direção ao metrô, às vezes recebendo alguns olhares tortos, porém sem ligar muito para isso. – Você provavelmente já ouviu o que eu vou te dizer, mas não sei exatamente como mudar o discurso – ele começou, olhando o mais alto nos olhos – acho que você deveria seguir o seu coração. Sua mente te faz lembrar do que aconteceu, mas como James falou, já faz muito tempo. Eu li um pouco sobre o marca passo, a chance de dar algo errado é quase nula, e a milésima probabilidade de erro é só se o seu marca passo ser ultrapassado e ter interferência com algum aparelho eletrônico perto. – ele envolveu o rosto do mais velho com as mãos em concha e acariciou-o – tenho certeza que não é o seu caso, mas se você se sentir mais seguro indo à consultas médicas para ter certeza e segurança eu e James vamos com você – ele sorriu, seus dedos alcançando os cabelos cor de caramelo num afago – nós estaremos lá pra combater o seu medo junto com você – ele sorriu olhando nos olhos amendoados todo um carinho imenso sentido no momento.

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Remus não sabia o que estava sentindo, se era sua esperança reacendendo dentro de seu peito com a probabilidade de voltar a se apresentar, se era aquelas borboletas dançando em seu estômago ao ouvir todo aquele apoio vindo de Sirius, ou se talvez as mesmas borboletas fossem consequência do carinho que ele recebia do garoto junto com aquele sorriso bonito que iluminava seus dias e o fazia sorrir também. Ele respirou fundo vendo o trem se aproximar e abraçou rapidamente o menor. Ali, com aqueles olhos cinzas e o corpo pequeno abraçado a si, ele percebeu que Sirius seria mais que um caso, ou algo do tipo. Ele descobriu um novo sentimento. Descobriu estar apaixonado.

— Obrigada por isso – ele disse olhando os olhos cinzas – vou ligar para Lily mais tarde – ele disse sorrindo enquanto o outro se segurava na barra vertical do metrô – Inclusive, eu não te contei, mas você acredita que era com ela que James estava saindo?

— O que? Ele não me falou disso! Aquele merdinha – Sirius xingou ultrajado.

— Eu tive que reparar né, mas eles estavam saindo há um tempo já, ele só não falava quem era a garota – Lupin riu – você precisava ver a cara dele quando eu perguntei, parecia um tomate de óculos – ambos riram com a imagem e então a viagem até suas respectivas faculdades estava sendo melhor que as outras: o clima era mais leve e alguns carinhos trocados deixava tudo melhor.

Remus notou que estava um pouco adiantado em seu horário então decidiu ir com Black até sua faculdade, Sirius o apresentou para seu grupo de amigos que jogavam no time de lacrosse da faculdade, eles ficaram conversando sobre amenidades no pátio da escola e fazendo piadinhas sobre "o novo namorado de Sirius".

Lupin mal tinha percebido que seu horário estava chegando, então ele selou seus lábios com os de Black e correu de volta para o metrô indo para sua aula, se sentindo bem e animado após a conversa com Sirius sobre competir. Era o momento.

Horas depois, Remus chegou em casa e após terminar seus trabalhos, se jogou na cama encarando o cartão de Lily, era ciano com letras garrafais pretas dizendo ‘’Lily Evans, bailarina e representante da academia de ginástica artística de Ilvermorny. Formamos e treinamos os melhores ginastas de Londres’’ e o número de seu telefone junto com seu e-mail. Ele pegou seu celular e discou o número do cartão.

— Alô. Lily Evans falando – a voz soou do outro lado da linha, o estômago de Remus contorcendo em ansiedade e um pouco de medo, ele respirou fundo e respondeu:

— Hey Lily, é o Remus Lupin de Hogwarts. Eu aceito a sua proposta.

Assim que encerrou a ligação, Lupin chorou de alívio por horas. Tanto que James chegou e ao encontrar o melhor amigo naquela situação se desesperou pensando ter sido algo grave, mas mesmo não sendo nada grave era algo enorme de importante. Para ambos.

Potter amava Remus com todo o seu coração e faria qualquer coisa para vê-lo bem, a sensação de ver o garoto feliz por ter uma segunda chance na competição era indescritível para ele, principalmente por saber o quão importante era para o mais velho e o fato de poder tentar novamente era existente. O mesmo não se aplicava a ele mesmo.

— Moony! Ah meu deus isso é tão incrível – ele abraçava o garoto, ambos chorando de emoção. James se separando ainda afobado demais – eu não sei o que fazer agora meu deus eu estou tremendo – ele estendeu as mãos para vê-las tremendo e então Remus fez o mesmo, não estava muito diferente do outro – nós vamos precisamos comemorar isso, okay me diga qualquer prato ou qualquer coisa e a gente vai fazer hoje. O que você quiser – ele disse e Lupin riu, limpando o rosto do amigo e então o seu próprio. Pensou por alguns instantes e disse:

— O que acha de patinar um pouco hoje? – ele propôs, as sobrancelhas de Potter se arqueando em surpresa.

— Eu não faço isso há anos, isso é um plano para me derrubar, eu te conheço senhor Lupin – James disse desconfiado fazendo o outro rir

— Mas isso era óbvio, preciso de uma forma de conseguir a gerência de Hogwarts – ele riu, o outro lhe acompanhando

— Okay, mas vou precisar de seus patins emprestados. Os meus não cabem mais – ele riu fraco, observando o outro se levantar e ir até o armário, retirou de lá de dentro um par de patins nude, entregando para o garoto que colocou nos pés e se levantou, sendo amparado pelo outro – esqueci que não se pode usar em terra firme

— Poder, pode. Só é meio difícil – Remus disse colocando o garoto na cama

— Eu já sei que você é o mais inteligente aqui, okay? – Potter resmungou retirando os cadarços, se enroscando no caminho e deixando o mais velho resolver

— Não sou mais inteligente, você que ainda é uma criança – o mais velho riu da cara emburrada do outro. – Me preocupo a todo momento esperando algum lugar de Hogwarts explodir e eu ter que ir livrar você das suas trapalhadas – ele riu, lembrando-se de quando eram mais novos e se intitulavam ‘’Os Marotos’’ armando diversas brincadeiras ao longos dos anos na escola, muitas dessas os deram diversas detenções

Eles voltaram para Hogwarts, abrindo apenas o ringue de patinação como se estivessem invadindo o local. Remus calçou seus patins e amarrou os de James, guiando-o para a pista. Entraram juntos e Potter se segurou nas grades com medo de cair, suas mãos sendo amparadas pelo mais velho que sorria, se lembrando da primeira vez que patinaram juntos.

— Pronto? – Remus perguntou sorrindo para o outro, que se concentrava em não deixar seu óculos cair de seu rosto ou suas pernas não deslizarem demais

— Talvez – ele disse, seu rosto mostrando seu medo quando o mais velho se impulsionou lentamente para trás, os mudando de posição na pista, Potter chiando em desespero – ai caralho eu não lembrava que era tão simples deslizar – ele disse – se eu respirar a mais eu me mexo

— Segure aqui – ele guiou a mão do amigo até a grade, se colocando ao seu lado – você impulsiona um pé para trás e desliza o outro para frente – ele fez lentamente os passos observando o outro imitá-lo.

Aos poucos James ia se soltando e eles patinavam juntos como faziam antes na adolescência. Aquele momento trouxe paz ao peito de Remus, lavando todo o seu medo em relação a competição e o deixando ainda mais confiante para treinar. Ele adorou mostrar seus axes duplos para o garoto que aplaudia como uma criança vê um show de mágica, era incrível e ele se sentia vibrar. Mal podia esperar para os treinos oficiais.

Algumas semanas depois, ele percebeu que precisaria criar outra rotina com outra música que ele ainda não sabia, mas ele estava tão animado que talvez com sorte criaria o mais rápido possível.

Ele gostava de pensar em Sirius enquanto tentava montar sua coreografia, sua relação com o garoto continuava boa com beijos e carinhos trocados sempre e talvez algo a mais enquanto estavam no vestiário antes da aula ou na casa de Remus enquanto James estava na faculdade. Ainda não estavam oficialmente namorando, mas agiam como namorados o que Lupin e Black gostavam. Não tinham muita pressa e ambos queriam que fosse algo especial quando acontecesse, isso se aplicava para qualquer barreira que eles decidissem ultrapassar no quesito ‘’eles’’.

No momento, Sirius estava saindo da faculdade e se surpreendeu ao ver Remus do outro lado da calçada ali sorrindo pra ele com os braços abertos esperando que o menor se encaixasse ali, o que ele fez quase que imediatamente.

— Como foi seu dia? – o mais velho perguntou beijando sua têmpora enquanto sorria

— Foi bom – ele disse encostando a bochecha no peitoral do outro, continuando abraçado – podemos ir andando enquanto conversamos? Preciso terminar um trabalho hoje – ele perguntou e observou Lupin assentir, ambos caminhando em direção ao metrô abraçados lateralmente e conversando sobre seus respectivos dias. – Você tem algo de importante para fazer hoje? – Black perguntou, vendo o garoto negar – quer vir hoje na minha casa? Amanhã é sexta, provavelmente o James vai sair com a Lily de novo – ele revirou os olhos explicando, fazendo o outro rir e beijar seu rosto

— Aceito – o mais velho confirmou e sorriu quando viu o sorriso bonito que surgiu nos lábios do outro.

Eles saíram conversando até o metrô, como estava tarde não havia muitas pessoas nos vagões e Sirius aproveitou para sentar-se nas pernas do garoto, deitando a cabeça no ombro do mais velho, que fazia carinho no braço e nas costas do menor que chegava a quase ronronar.

— Você está cansado – Lupin comentou vendo o menor amarrar o cabelo para trás num pequeno e bagunçado coque – parece um gatinho com sono

— Não estou cansado, estou carente – ele voltou a se deitar no garoto que riu fraco e continuou a acariciar o pequeno corpo acima do seu.

Remus carregou a mochila do mais novo, parando numa lanchonete para comerem um lanche antes de finalmente chegarem no apartamento do garoto, Black mexeu na mochila procurando a chave, Lupin achou engraçado quando viu um chaveiro de cachorro preto rindo do garoto que abriu a porta e eles entraram. O mais velho se assustou quando ao acender a luz, ele deu de cara com dois olhos brilhantes e verdes no meio da sala. O mais novo foi até ele e pegou o gato preto no colo.

— Dê oi ao Moony, Reggy – ele trouxe para perto do mais velho que riu e se aproximou do gato que rosnou para ele e se debateu no colo do dono até estar no chão, correndo para dentro – ele não gosta de estranhos, daqui a pouco ele aparece de novo.

Ambos deixaram as mochilas na sala, indo para o quarto do garoto, Remus observou que o quarto era espaçoso e a parede do fundo era colorida com uma cor de azul marinho, uma bancada estruturada na mesma ocupando metade dela e a outra metade sendo ocupada por uma mesa de desenho, inclinada e com um rascunho incompleto. A cama ocupava a parede à esquerda que possuía uma cor azul clara e uma cortina de cor semelhante.

— Quarto bonito – o mais velho disse, olhando o garoto ir até a bancada e se sentar em frente à mesa de desenho

— Obrigada – ele amarrou o cabelo num rabo de cavalo colocando um lápis atrás da orelha – fica à vontade, eu só preciso terminar essa planta aqui – ele se voltou para o desenho com uma régua e prendendo sua atenção ali. Remus se aproximou e olhou o garoto concentrado, ele achou adorável a forma em que o mais novo mordia o interior da bochecha ou deixava a língua para fora enquanto fazia a medição de alguma parte e traçava a linha.

Lupin achou extremamente adorável quando o menor se levantou irritado dando passos bravos até a coluna presente no corredor em frente à sua porta, resmungando o quanto odiava colunas e como elas eram difíceis de colocar na planta, enquanto isso Remus chorava de rir na cama do outro. Sirius foi até ele e estapeou qualquer área que conseguisse alcançar apenas para fazer pará-lo de rir de sua irritação, mas não funcionou e os dois caíram na cama gargalhando.

Tudo entre os dois era ótimo e confortável, aos poucos os dois iam se abrindo cada vez mais um para o outro deixando que se tornassem transparentes um para o outro tornando o relacionamento reconfortante para ambos.

O tempo passou e a semana da apresentação de Remus havia chegado, era segunda feira e ele decidiu não ir buscar Sirius na faculdade essa semana para poder treinar mais, o que foi totalmente apoiado pelo menor que por mais que gostasse de ver o outro de braços abertos o esperando na calçada para irem juntos para casa, queria que o outro focasse na apresentação e foi o que ele fez.

Mas no fatídico dia de segunda-feira, Lupin estava a caminho do metrô quando decidiu ligar para o outro antes de ir ao subsolo sabendo que não conseguiria manter uma ligação ali.

— Hey Siz, tudo bem? – ele perguntou calmamente, observando o movimento dos carros

— Olá Rem – o tom fraco do outro lado da linha alertou os sentidos de Lupin – estou bem e você? – Sirius respirou fundo tentando controlar sua voz e sua respiração

— Você está chorando? O que houve? – ele perguntou preocupado apertando o aparelho contra o ouvido para poder ouvir tudo que ocorresse do outro lado da linha – Responda Pads, por favor.

— Não foi nada Moony, só um problema na escola – ele pensou rapidamente em outro assunto – como está indo os seus ensaios? O grande dia está chegando – ele assumiu um tom de falsa animação no momento, mas o mais velho não se deixou levar

— Sirius o que aconteceu, por que você está chorando, bebê? – ele perguntou novamente – você quer que eu vá aí? – ao ouvir aquelas palavras as lágrimas de Black voltaram a escorrer por suas bochechas e ele assentiu, se lembrando alguns segundos depois que não estava sendo visto

— Quero – o tom fraco e quebrado do garoto quebrou o coração de Remus em pedaços – por favor Rem eu preciso de você aqui – ele pediu, e logo após confirmar eles se despediram e encerraram a ligação

Sirius se arrastou até a porta principal destrancando-a e voltando para a cama e se cobrindo totalmente, ele sentiu um leve peso percorrendo a cama e ao levantar a coberta deu de cara com os olhos verdes de Regulus olhando para ele. Nomear seu gato com o nome de seu irmão falecido quando criança foi uma forma de sanar a saudade e mantê-lo ali consigo, mas sempre se lembrava se quando recebeu a notícia de que seu irmão mais novo fora atropelado e o motorista fugira sem sequer pedir ajuda. Naquele dia Sirius sabia que não poderia ficar mais naquela casa pois sua única motivação havia o deixado para sempre.

O gato se encostou em seu tronco e esfregou a cabeça em si pedindo e dando carinho ao dono que retribuiu imediatamente. Black ficou ali por um tempo até ouvir barulhos na sala e passos pelo corredor.

— Pads? – o outro chamou indo até o quarto e vendo-o em sua escuridão, seus olhos fixaram-se no corpo pequeno debaixo das cobertas que emitia choramingos baixos. Ele andou lentamente até lá, se sentando ao lado do garoto do lado oposto da cama, tocando lentamente os pés de Sirius – quer contar o que houve?

Black respirou fundo, sentando-se na cama e descobrindo Regulus ao seu lado, este olhou para o estranho do outro lado da cama e rosnou para ele correndo para fora do quarto no mesmo segundo, fazendo o dono rir fraco. Remus abriu os braços assim como fazia quando encontrava Sirius em frente à faculdade e esperou que o outro viesse ao seu encontro, o que não demorou muito, Black sentou -se lateralmente entre suas pernas deitando-se no corpo do outro encolhendo-se ao toque do outro.

— Bom – ele respirou fundo tomando coragem para contar – hoje no horário de almoço eu estava indo embora quando uma menina esbarrou em mim e derrubou café na minha camisa sem querer. Como eu tinha outra na mala eu fui no banheiro trocar – ele disse calmamente – não tinha ninguém lá na hora então eu não me importei em me trocar sem entrar em uma das cabines, mas quando eu tava sem camisa entrou um cara e foi até a pia. Só que ele viu as cicatrizes e começou a dizer umas coisas e eu pedi pra ele sair e então ele começou a dizer que não ia me obedecer por que não aceitava ordem de nenhuma aberração como eu, e que eu devia cortar o cabelo por que eu continuava parecendo uma garota – ele respirou fundo tentando cessar os soluços que saíam involuntariamente de sua garganta, apertando suas mãos uma na outra tentando fazê-las pararem de tremer – eu tinha me trancado em uma das cabines mas ele começou a gritar comigo e bater muito forte na porta. Eu só fiquei lá e esperei ele ir embora.

Remus apenas ouviu sem dizer nada, sem saber ao certo o que deveria dizer, ele apenas continuou fazendo carinho nos cabelos escuros do outro abraçando-o de forma apertada tentando passar todo o seu carinho e paixão ali. O silêncio entre eles durou por um tempo até que o menor respirou fundo e chamou:

— Rem?

— Sim, bebê? – Lupin respondeu observando o garoto se mexer em seus braços e sentar-se de frente para ele, limpando os olhos com o indicador e colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha

— Você acha que eu sou uma aberração? – o tom triste e magoado do garoto que mirou os olhos cinzas (que agora possuíam um tom vermelho por causa do choro) em seu rosto, observando ansiosamente por uma resposta

— É claro que eu não acho, gatinho -ele disse, envolvendo o rosto molhado em lágrimas e passando os polegares em suas bochechas limpando-as (ou ao menos tentando, pois as lágrimas ainda caíam) fazendo carinho no rosto do garoto a sua frente – eu nunca pensaria isso de ninguém por um motivo igual a esse, você é uma pessoa totalmente incrível independente de quem você foi no passado, se você era uma garota ou um garoto ou qualquer outra coisa – ele disse olhando fundo nos olhos do outro – mas o importante é o que você acha – ele deslizou as mãos para que seus dedos adentrassem os cabelos negros fazendo um cafuné gostoso – você acha que é uma aberração? – ele perguntou, vendo o garoto negar e morder os lábios – então você não é – Remus beijou a testa do outro carinhosamente

— Obrigada, Rem – Black respirou fundo e limpou o rosto, enchendo as bochechas enquanto tirava o ar de seus pulmões fazendo o mais velho sorrir achando adorável – por ter vindo aqui, me consolado e por ficar aqui na minha vida – ele sorriu se sentando nas pernas do outro, ele gostava de ficar naquela posição, era confortável e podia abraçar o outro sempre que quiser

— Não precisa me agradecer – Lupin respondeu sem parar de fazer cafuné no outro que ronronava como um gatinho – estou aqui porque gosto de você e me preocupo com você. Acima de qualquer coisa que nós somos eu sou seu amigo, lembra? – o mais novo assentiu e deu um selinho

Sirius não soube exatamente explicar o porquê, mas sentiu uma necessidade tremenda de abraçar o garoto, apenas para sentir o calor que emanava de seu corpo e as batidas de seu coração. Eles ficaram abraçados até que o celular de Black começasse a vibrar o fazendo ir até lá, ele desligou o alarme e mordeu o lábio inferior brincando com a capinha do mesmo pensando em algo.

— O que foi? — Remus perguntou engatinhando até o menor e se sentando ao lado dele na cama

— Hoje é dia de aplicar testosterona — ele sorriu ao mesmo tempo que suas bochechas adquiriram um tom rosado

— Quer que eu saia? — Lupin perguntou indicando a saída e observou o outro negar

— Só se você tiver medo de agulhas — ele riu fraco — fora isso não tem problema. Eu até queria perguntar se você quer ajudar… — Sirius perguntou timidamente, brincando com um cachinho solto — se você não quiser também não precisa, é um convite estranho — o menor se apressou em dizer, sendo interrompido por um selar de lábios e um carinho em seu rosto

— Eu quero — Lupin disse calmamente — só preciso que me explique e eu posso ajudar — o mais novo sorriu e assentiu, caminhando para o banheiro que havia ali e voltando com uma seringa e um pequeno vidrinho contendo um líquido transparente dentro.

Remus observou o garoto se sentar ao seu lado na cama já sem a bermuda que usava, ele indicou o lugar exato e como era o processo, higienizando as mãos de ambos com cuidado. Ajudou a retirar a quantidade certa de testosterona sem derramar nenhuma gota (‘’sucesso’’ nas palavras de Padfoot) e ficou rapidamente nervoso.

— Fique calmo, okay? Não vai doer — Black riu fraco quando percebeu que o mais velho ficou nervoso com a agulha em mãos — é normal, se quiser só olhar pode ser também

— Não, tudo bem eu consigo, só me avise se eu fizer algo errado — Lupin disse respirando fundo e iniciou a aplicação lentamente na coxa do garoto que permaneceu quieto observando o cuidado do mais velho que fez tudo da forma que lhe foi explicado.

Quando terminou e ele retirou a seringa e entregou ao menor que foi lavá-la voltando logo em seguida e se deitando ao lado do garoto que fez o mesmo enquanto abraçava o menor numa conchinha agradável.

Após várias noites dormidas ali, Remus já tinha algumas mudas de roupas na casa de Black então ele apenas se permitiu deitar ao lado do outro e ficaram conversando enquanto trocavam beijos e carinhos até dormirem.

Os dias se passaram, Remus ficava até cada vez mais tarde ensaiando sua rotina para o grande dia e teimando quando Sirius e James diziam para ele ir pra casa e relaxar pois não poderia apresentar nada cansado. Lupin apenas ignorava-os e os trancava para fora da área de patinação.

O nervosismo do patinador aumentava a cada dia e ele não sabia como lidar, conversou um pouco com Sirius e James, assistiu a vários vídeos de relaxamento, mas por algum motivo ele preferia canalizar essa ansiedade em mais ensaios para que saísse perfeito.

Sexta feira. O grande dia havia chegado, Remus sabia que não conseguiria dormir direito então deixou ir para a casa de Black quando ele ofereceu, e lá foi acalmado com chás caseiros e uma receita que o menor conhecia de Lasanha com purê de batatas (ele era vegetariano), Black também ofereceu outros tipos de relaxamento mas isso são outros quinhentos.

No momento era quase 12:00 e Remus foi com Sirius até a faculdade como de habitual, a apresentação seria apenas às 20 então daria tempo para ir e se arrumar.

— Não vou deixar você faltar na aula para ver a competição, idiota – Lupin resmungou com James do outro lado da linha, olhando para a rua e segurando na mão de Sirius que ria com a conversa no telefone

— Você acha mesmo que eu vou faltar à sua primeira apresentação depois de anos? – Potter perguntou com um tom exasperado e beirando estar ofendido – é óbvio que não, um pensamento assim é inadmissível. E outra, hoje é apenas aula teórica, posso pegar com alguém depois – ele explicou e o mais velho revirou os olhos, ele não queria que James faltasse já que ele foi um dos motivos de ele estar participando desta competição, mas ao mesmo tempo não queria que o melhor amigo faltasse a faculdade – enfim, vá para a sua faculdade, Sirius vai para a dele e nós nos encontramos no subway aqui perto uma hora antes da apresentação para nós obrigarmos você a enfiar algo no estômago que bem sabemos que por conta própria você não vai fazer – James disse autoritário fazendo os olhos amendoados revirarem – vá logo ou você vai se atrasar, até mais, amo vocês dois – e desligou.

— James tem 2 anos de idade, não acredito que aquele idiota comanda a academia – Remus resmungou guardando o celular na bolsa e observando Sirius rir – virei palhaço agora? Todo mundo rindo da minha cara, não sou pago pra isso – ele fez drama e sorriu quando o menor ficou na ponta dos pés e plantou um beijinho na bochecha do outro – precisa subir na ponta dos pés, gatinho? – ele zombou recebendo um dedo do meio e o outro soltando sua mão

— Vai se foder, Lupin – Black cruzou os braços fazendo bico enquanto descia a escada rolante e o mais alto foi na sua frente ficando um degrau abaixo dele, apertou as bochechas do outro enquanto ria da carranca e do bico que ele havia feito

— Bebezinho – Remus selou seus lábios rapidamente e Black mordeu o interior de sua bochecha tentando não sorrir com o ato, porém foi inevitável

— Idiota – ele disse rindo – a culpa não é minha se você tem três metros de altura, bobalhão

— Não sou tão alto assim, Pads, você que é pitico – ele riu e recebeu um olhar feio novamente enquanto caminhavam até o trem

A viagem foi comum assim como todos os outros dias. Desde o ocorrido com Sirius e o garoto da faculdade, Remus fora com ele e ao invés de deixá-lo na porta da faculdade, eles caminhavam juntos até a sala de aula, atraindo alguns olhares para eles mas nenhum dos dois se importava muito. Lupin achava um pouco engraçado o fato de Sirius ser um dos mais fortes da academia e não revidar nenhum insulto. Era literalmente um gatinho.

O mais velho mal conseguiu se concentrar na aula, sua perna balançava sem parar tentando canalizar toda aquela ansiedade em relação ao evento da noite. O medo de não ter ensaiado o suficiente, seu patins quebrarem, ele esquecer sua rotina, ou o pior: desmaiar na pista novamente. Era o seu pior pesadelo que ele simplesmente afundava em sua mente e tentava não pensar muito, se pensasse demais naquele tópico ele fugiria com Sirius e James para outro país.

Eram 19:30 e ele já estava em frente à faculdade de Sirius, seus fones de ouvido tocando a música de sua rotina e em sua mente repassando os passos, se assustou quando sentiu braços envolverem sua cintura num abraço gostoso.

— Eai campeão, pronto para a sua apresentação? – Sirius apoiou seu queixo no peitoral do mais velho que guardou os fones na bolsa de carteiro e sorriu

— Talvez – ele respondeu, beijando a testa do mais novo carinhosamente e andando de mãos dadas, olhando o céu escurecendo aos poucos – como foi a aula?

— Foi normal, teve alguns testes e mais trabalho – Black revirou os olhos coçando os cabelos e mexendo no coque bagunçado retirando o lápis que prendia-o – achei! Fiquei procurando meu lápis a tarde toda – ele exclamou fazendo o mais velho rir

Os dois caminharam até o subway perto da academia, encontrando James sentado em uma das poltronas. Pediram os lanches e comeram conversando sobre o dia e deixando um clima confortável e não tocaram muito no assunto da apresentação tentando relaxar o mais velho. Todos eles limparam a mesa e foram até o metrô indo até a academia de Ilvermorny.

— Rem, e o seu figurino? – Sirius perguntou preocupado enquanto se sentava em uma dos assentos vazios do trem, Remus sentou ao seu lado e o mais novo obrigatoriamente colocou suas duas pernas apoiadas nas do outro enquanto James ficava em pé

— Eu levei lá sábado – ele disse despreocupado, apoiando as mãos nos joelhos do mais novo e brincando com o tecido da calça jeans e respirou fundo bufando o ar pra fora – estou nervoso

— Moony, você sabe que nessas ocasiões só piora ficar concentrado no nervoso – James aconselhou – foque na ansiedade boa, como se sente voltando aos holofotes?

— Nervoso – o mais velho repetiu e riu de Black que bateu na própria testa

— Ai Moony as vezes eu não entendo como você pensa – o menor disse

— Não tenho mais o que dizer, no momento estou sendo movido por nervosismo e ansiedade ainda não sei como não estou passando mal – Lupin respondeu apoiando a cabeça no vidro atrás dele – e se der tudo errado e acontecer de novo? Não piso mais em uma pista de gelo nem morto, vou seguir carreira de historiador e vocês que se fodam – ele disse casualmente e os outros riram

— Vai dar tudo certo, Remus fique tranquilo – Potter sentou-se em frente deles no chão, o trem estava vazio então ele não se importou – quando chegarmos lá você pode passar na enfermaria se isso te fizer se sentir melhor, Lily me garantiu que haveria alguns médicos por lá

— Okay, vou tentar me acalmar – o mais velho assentiu respirando fundo – quando descemos?

— Agora – Potter respondeu após olhar o mapa iluminado no vagão

Os três desceram e andaram até a academia que mais parecia um castelo. De origem francesa, Ilvermorny foi fundada há décadas e era uma das mais influentes academias de ginástica artística de Londres, a maioria daqueles que competiam pelo Reino Unido nas olimpíadas de inverno vinham dali. A academia estava iluminada com holofotes e uma grande quantidade de pessoas do lado de fora o que fez as mãos de Remus tremerem ainda mais imaginando todas aquelas pessoas assistindo-o, percebendo o nervosismo do garoto Sirius pegou sua mão e entrelaçou seus dedos e sorriu quando o maior olhou-o confuso. Remus não soube o que o atingiu naquele momento, mas olhando para aqueles olhos cinzas e aquele sorriso bonito ele se sentiu em paz. Em casa.

Após tomar coragem, Remus e os garotos foram em direção à academia e foram para os vestiários. James e Sirius os deixaram na porta, se despedindo dos amigos com abraços apertados (e beijos e carinhos demorados por parte de Black) e se dirigiram até as cadeiras da primeira fileira, já que Lily conseguiu que ficassem perto da pista para assistirem melhor. Lupin se dirigiu a um dos armários que havia ali, cada um com um nome de um atleta, ele abriu o que continha seu nome e retirou a bagagem com seu figurino e abriu. Conferiu se estava certo com sua roupa e se a capa dos patins ainda protegia a lâmina, tudo estava no devido lugar.

Ele foi até uma das cabines e se trocou, sem saber se era o frio constante da cidade ou o nervosismo que arrepiaram toda a sua pele. Vestiu-se calmamente, respirando fundo tentando controlar as batidas de seu coração e repassando uma última vez. Após se vestir totalmente foi até a mala novamente e pegou os patins, segurando-os em suas mãos os estudando, lembrava-se que havia os ganhado de sua mãe pouco antes de ela partir, eram pretos com alguns pequenos desenhos em glitter branco bem discreto, combinaria com a maioria de seus figurinos, ele os amava e sentia que dançaria com sua mãe esta noite.

Remus foi até o espelho encarando seu reflexo, seu cabelo continuava igual já que ele não arrumaria por que sabia que ficaria extremamente bagunçado ao fim da rotina, usava uma regata com tecido semelhante ao de uma meia arrastão com uma jaqueta preta com alguns buracos e desenhos em dourado por cima, a meia-calça preta própria para a patinação moldava-se às suas pernas como se fossem feitas para tal.

A plateia podia ser ouvida com os aplausos e gritos, Remus sabia que era o terceiro a se apresentar e pelos próprios cálculos aquela era o fim da segunda apresentação. Deu uma última olhada em sua aparência e seguiu em direção ao caminho que o levaria para a pista. Ele já ouvia a voz da narradora agradecendo a apresentação da pessoa antes dele e iniciar a sua chamada.

Quando a voz terminou de chamá-lo, ele respirou fundo e entrou na pista. Ele deslizou em círculos algumas vezes pela pista apenas para observar e acenar para a plateia, se colocando no meio dela poucos segundos depois.

( essa aqui é a apresentação do Remus, se vocês quiserem ver exatamente como é, ta nesse link:

https://www.youtube.com/watch?v=8i184ReCsqA)

As teclas de Take me to church começaram a soar pelo local e ele iniciou sua rotina, passando a mão por seus cabelos enquanto se inclinava com o ritmo da música. Enquanto Hozier cantava sobre sua religião não oferecê-lo nenhuma redenção, Remus segurava suas mãos e rodava em seu próprio eixo, parando e voltando a deslizar pela pista com os braços abertos e alguns rodopios para logo em seguida, com o impulso da perna direita, saltar e conseguir rodar algumas vezes no ar antes de cair majestosamente de volta no chão de gelo e deslizar alguns segundos apoiado sobre uma das pernas.

Sirius e toda a plateia vibrou com o salto bem executado de Lupin, o garoto estava quase tão ansioso quanto o ginasta e não tirava os olhos do mais velho, observando como ele estava bonito naquele figurino e como ele dançava intensamente uma música tão significativa. Black pensou ter visto os olhos amendoados conectados aos seus enquanto a música dizia sobre o único paraíso a ser mandado, isso o deixou elétrico e com um sorriso bobo e apaixonado no rosto.

A música corria e arrepiava a todos que ouviam e apreciavam o show, a plateia vibrou mais quando Remus começou a rodar no próprio eixo por muito tempo, trocando as posições sem parar de rodar fazendo Sirius se perguntar como ele não ficava tonto ou passava mal. Lupin saltava e rodopiava como se não houvesse um par de lâminas e uma camada de gelo abaixo dele, era mágico e emocionante. Quando o cantor parou de tocar e as últimas batidas foram ouvidas, após um salto o patinador pousou no gelo e caiu de joelhos, rodando no piso frio até que finalizasse caído sobre os patins como se estivesse extremamente cansado. Ao vê-lo no gelo Sirius e James se levantaram de seus assentos assustados, mas se acalmaram quando a música parou e o garoto se levantou novamente, sorrindo e acenando para a plateia que aplaudia e gritava por ele.

Foi naquele momento, que Remus se lembrou da sensação de estar na pista e fez a promessa de nunca mais deixá-la por tanto tempo.

Potter e Black correram até a área de saída enquanto o outro patinava pela pista acenando e agradecendo ao público com reverências e sorrisos, deslizando para fora logo em seguida. Ele não sabia de onde veio, mas assim que pisou fora da pista um pequeno corpo chocou-se contra o seu, o apertando e logo sendo retribuído. Sirius estava abraçando como um koala e James estava correndo em sua direção para abraçá-lo também, eles saíram do caminho da próxima patinadora e ficaram se abraçando um longo tempo.

— Você foi incrível! – James o abraçava apertado, segurando seus ombros e chacoalhando o mais velho – não deu nada errado e com certeza você está dentro da academia. O próximo passo são as olimpíadas!

— Ei, vá com calma Fleamont – Remus riu e ignorou os resmungos sobre seu nome do meio, se virando para Sirius que o abraçou de novo

— Eu estou tão orgulhoso de você, Rem – ele disse enchendo o rosto do mais velho enquanto ele sorria – você no final caindo no gelo quase fez eu e o James infartarmos achando que você tinha desmaiado, não faça isso de novo – ele o soltou e ameaçou-o com o dedo no rosto de Lupin que riu e mordeu o dedo fazendo o menor reclamar

— Sinto muito ter assustado vocês – ele disse caminhando até um banco que havia ali, se sentando e retirando os patins – quando saem os resultados?

— Na semana que vem – James disse

— Então podemos ir? – Sirius perguntou – estou com fome

— Mas nós comemos antes de vir pra cá – Potter disse confuso

— Você está sempre com fome, bebê – Lupin riu fraco e plantou um beijo no rosto do menor

— Mas enfim, vou ter que passar. Marquei que sairia com Lily depois das apresentações – Potter disse com as mãos nos bolsos da calça jeans apoiando-se na parede

— Traidor, não vai comemorar hoje – Black apontou para Potter que mostrou a língua para ele

— Duas crianças – Remus riu fraco olhando os dois – não tem problema, Jay. Vá aproveitar com a sua namorada

— Ela ainda não é minha namorada – Potter disse com um bico nos lábios e um tom carmesim tingindo seu rosto.

Os garotos riram do outro e James se assustou quando pequenas mãos cobriram seus olhos (sem tocar nos óculos, graças a deus). Ele se virou e viu a garota sorrindo pra ele com um papel em mãos, entregando-o para Potter que pegou e abriu, lendo a letra bonita de Evans no papel desenhando um ‘’Ainda não sou, que tal me tornar agora? Namora comigo James Potter” fazendo o queixo do garoto cair enquanto olhava para ela.

— É sério isso? – ele perguntou embasbacado, olhando-a assentir sorrindo – claro que eu quero – ele sorriu também, segurando a garota que pulou em seus braços num abraço que deixou o papel esquecido no chão. Remus o pegou, mostrando para Black que riu tampando a boca e ambos se levantaram discretamente, decidindo deixar o casal no momento deles.

Rapidamente Lupin se trocou e ambos foram para as ruas londrinas, suas mãos entrelaçadas e sorrisos felizes em seus rostos. O coração do patinador batia rápido, talvez pela emoção de finalmente ter voltado a competir ou pelo fato de ele ser a razão do sorriso de Sirius, ele adorava o sorriso do garoto, era bonito e sempre chegava a seus olhos. Black sorria com todo o seu corpo e ele amava isso.

— O que vamos fazer? – Sirius perguntou tremendo um pouco pelo frio da cidade, fazendo o mais velho rir e pegar um casaco que tinha na bolsa, vendo o pano ficar enorme no outro – cheiroso – ele se referiu ao suéter de lã do outro.

— Tenho uma ideia – Lupin disse, parando o garoto e ajoelhando na calçada enquanto sorria vendo a reação de Black, os olhos cinzas arregalaram e as bochechas pálidas se tornaram carmesim – Sirius Black, você aceita sair comigo nesta noite gelada enquanto a coragem e adrenalina ainda estejam no meu corpo e me ajude a te chamar para sair? – ele riu, vendo o outro sorrir abobadamente e assentir quase no mesmo segundo

— Claro que quero – ele disse emocionado, vendo o mais alto se levantar e abraçando-o fortemente – você nem precisava pedir, era só chamar pra qualquer coisa que eu vou com você – ele disse olhando nos olhos amendoados – é sempre sim com você.

— Então vamos — Remus disse sorrindo e então os dois seguiram para o metrô, a caminho da casa do mais velho. Ele se sentou em um dos assentos, deixando que o menor sentasse em seu colo abraçando sua cintura logo em seguida – Siz – ele chamou

— Oi – ele levou as íris cinzas até o rosto do outro que sorria

— Você sabia que é nesse trem de metrô que eu me apaixono todos os dias por você? – ele perguntou, olhando nos olhos bonitos e levando sua mão ao rosto do outro fazendo um carinho na bochecha – Desde o primeiro dia que nós viemos aqui e você me xingava todas as vezes que eu brincava com a sua altura, ou quando eu te elogio muito e você fica sem graça – ele sorria – você é a pessoa mais bonita que eu conheço, tanto por fora – ele disse passando os dedos delicadamente pelo rosto, passando pelas maçãs do rosto e tocando tudo até seu pescoço – e ainda mais aqui dentro – ele colocou sua mão no peito de Sirius, os olhos voltando para os cinzas. – e por esses e outros milhares de motivos, eu preciso te perguntar se você gostaria de ser o meu namorado.

Lupin disparou e Black sentiu o ar deixar seus pulmões, seu coração disparar e as borboletas explodirem em sua barriga. O sentimento que o tomou era tão intenso que mal percebeu as lágrimas descendo por seu rosto, enquanto assentia freneticamente. Ele não sabia descrever como era a sensação de depois de tanto tempo imaginando como alguém o quereria mesmo sendo trans, sem se importar com suas cicatrizes que carregam tanta história. No momento, ele se sentia único.

— Eu não sei o que dizer – Sirius ofegou, tentando controlar as lágrimas e sua respiração, observando o mais velho o olhar com carinho e paixão.

— Apenas diga a sua resposta – os polegares passaram por seu rosto, secando as lágrimas

— É sempre sim com você. – ele respondeu, olhando o garoto apaixonadamente.

Naquele dia, Remus havia finalmente vencido seu medo do passado e se apaixonado pela pessoa que deixaria todo o seu futuro melhor.

Fim

Notas finais
Espero de verdade que tenham gostado! Comentem as opiniões de vocês e até ano que vem!!

Obrigada por terem lido!
♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!