Heartbeat

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Oláa! Eu de novo, pois é, a inspiração é um negócio surpreendente. Outra oneshot aqui, com MUITO amor, o que também é surpreendente porque saiu de mim! Ela foi inspirada na música Heartbeat da Carrie Underwood que é maravilhosa e eu to implorando que se não conhecerem, escutem! Vale a pena, juro de dedinho. Enfim, espero que gostem, eu amei de verdade escrever! E foi hoje, do começo ao fim e isso é outra surpresa hahahha Beijo!

"E esta noite eu quero dirigir para longe

Nós só encontraremos estática no rádio

E não poderemos ver as luzes da cidade

[...]

Dizendo tudo sem fazer um som

[...]

Debaixo da lua cheia

De pé, descalça, sobre seus sapatos

Dançando ao ritmo da batida do seu coração. "

Kate POV

Havia sido uma noite mágica.

Do começo ao fim, tudo havia sido perfeito. A cerimonia fora romântica. Os votos de Ryan e Jenny mostravam a profundidade de seu amor e comprometimento, e, apesar de dezenas de pessoas estarem olhando diretamente para eles, parecia íntimo, como se estivessem falando um para o outro, como se não tivesse mais ninguém ali. Completamente absortos nos olhos um do outro.

Mágico. E lindo.

A festa estava magnífica. Boa comida, bebidas e a música tocava sem intervalo, em um tom perfeito, sem sobrepor nada. A decoração era simples e de extremo bom gosto, com cores claras e puras, dando uma impressão constante de ter saído direto de um conto de fadas.

Eu não era uma pessoa que sonhava acordada imaginando flores e vestidos e o casamento perfeito, mas era simplesmente impossível não se deixar encantar com a beleza e o sentimento colocado em cada detalhe.

Lancei um olhar para minha companhia. Eu havia ficado chocada quando ele havia dito que tinha um par para essa noite. Quer dizer, ele não deveria estar esperando por mim? Mas então ele havia dito o nome de Alexis e o alívio que eu sentira fora imensurável. Claro, eu podia admitir isso agora. Para mim, ao menos.

Castle estava lindo. Ele era lindo, inteiramente. Mas essa noite... Era algo diferente. Talvez fosse o casamento e sua atmosfera, mas eu suspeitava que fosse simplesmente ele. O sorriso fácil e a expressão feliz, uma espécie de esperança renovada em seu rosto e eu facilmente apostaria que ele havia ficado alguns anos mais jovem.

Enquanto eu o olhava, Castle se virou para mim, pegando meu olhar. Contrariando todos os meus instintos e surpreendendo a mim mesma, eu não desviei meus olhos dos dele. Sustentei seu olhar, esperando que ele olhasse para outro lugar ou dissesse algo. Ele o fez.

— Você... Você quer dançar? – perguntou. E eu aceitei. Aceitei sem sequer um comentário engraçadinho ou hesitação. Simplesmente assenti e ele se levantou, me estendendo a mão e eu a peguei. Segurei sua mão como se não tivesse a menor intenção de soltá-la. Talvez nunca mais.

— Eu adoraria. – respondi quando percebi que não havia mesmo dito nada.

Olhei para o seu rosto enquanto ele nos guiava até o meio da pista de dança cuidadosamente montada, e ele sorria. Não um grande sorriso com os dentes a mostra. Apenas um pequeno sorriso, como se tivesse medo de me assustar se movesse os músculos do rosto demais. Como se, como eu, não pudesse acreditar que eu havia dito sim. Mas eu havia.

Paramos quando chegamos a um bom lugar e ele se colocou em minha frente, esperando por uma aprovação. Eu sorri em encorajamento e ele pegou minha mão novamente.

— Senhorita. – disse, o tom galante.

— Senhorito. – respondi, colocando minha melhor expressão afetada e ele riu, me puxando delicadamente para mais perto e envolvendo minha cintura com o braço.

Eu coloquei meu braço livre em seu ombro, tentando esconder o sorriso ao me aproximar. E nós dançamos. A música era lenta e eu não sabia se a conhecia, mas parecia encaixar perfeitamente no momento. Nós não falamos. Sequer um comentário, apenas ficamos ali.

Enquanto dançávamos, eu olhei em volta. Os giros me possibilitavam uma vista de todos os lados do salão e eu observei novamente a delicadeza de tudo. A pista de dança por si só estava incrível, com suas luzes que, no momento, deixava tudo em um clima romântico, dando a impressão que nada mais existia no mundo além dos casais presentes e eu achava que podia ficar ali para sempre.

Entretanto, eu podia muito bem imaginar que estávamos sendo observados. Lanie e Esposito – e eu podia imaginar – mais pessoas próximas estavam por perto. Eu havia perdido a noção do tempo e, ao perceber o fim de outra música, eu podia imaginar que já tínhamos dançado um número considerável delas. Castle não disse nada, apenas continuou comigo por perto, os braços me envolvendo e eu notei que, em algum momento nossos corpos haviam se colado além do impossível. Não apenas isso, mas de alguma forma minha mão que estava em seu ombro havia migrado para sua nuca, brincando com seu cabelo em um ritmo constante.

Mordi o lábio, tentando não pensar muito e, depois de durante um giro pegar de relance o olhar de Lanie, eu reuni a coragem necessária e aproximei minha boca do ouvido de Castle, falando em uma altura que eu tinha certeza que ele ouviria através da música, mas ninguém mais.

— Você quer sair daqui? – perguntei e imediatamente percebi que minhas palavras podiam ser interpretadas erroneamente.

Ele afastou o rosto e me olhou. Após um segundo, sorriu. Eu sorri de volta. Mas é claro que Castle me entenderia, não levaria minha fala para outro sentido. Apenas o inocente. Ao menos por agora.

— Eu adoraria. – repetiu minhas palavras de mais cedo.

Eu sabia que provavelmente era uma quebra do código da boa etiqueta (se é que existia tal coisa) sair sem dizer adeus aos noivos e toda aquela coisa, mas enquanto Castle segurava minha mão e nos guiava pela multidão e para fora, eu não podia me importar menos. Dane-se o código e suas regras.

Nós andamos pelo estacionamento de mãos dadas, procurando o carro e não fazendo nenhum comentário sobre isso. Não importava. Nada importava além do fato de que estávamos fazendo aquilo.

Sem precisar perguntar, Castle nos levou até seu carro e, ignorando totalmente o meu próprio do outro lado, abriu a porta do passageiro para mim. Eu entrei e ele continuou de pé ao meu lado. Quando levantei a cabeça para olhá-lo, preocupando-me que tivesse mudado de ideia, ele me olhava, os olhos profundos e eu podia ver tudo o que estava pensando por um segundo.

O brilho da noite e a brisa que balançava levemente seu cabelo o deixavam de tirar o folego. Quase uma imagem saída diretamente de um sonho meu. Eu segurei seu olhar e após um segundo nós dois rimos, como idiotas. Eu me sentia leve, como não me sentia há anos. Todo o peso, todas as malditas paredes, todo o medo e toda a dor pareciam uma mera invenção da minha cabeça aquela noite.

— Tudo bem. – eu assegurei e ele assentiu, finalmente dando a volta no carro e sentando-se ao meu lado.

Quando colocou o sinto de segurança e saiu do estacionamento, ele me olhou.

— Para onde?

Pensei por um segundo. Eu não sabia onde queria ir e aquilo era estúpido. A única coisa que eu sabia com certeza era que eu não queria que aquela noite acabasse nunca. E que nós pudéssemos ficar sozinhos, sem olhos curiosos observando cada movimento. Queria Richard Castle só para mim.

— Só dirija. – respondi. E ele o fez. Sem qualquer questionamento.

Horas se passaram. Não muitas, uma vez que já era tarde quando saímos, mas agora o sol dava sinais de querer aparecer. E nós continuamos a dirigir. E a não falar. O rádio havia sido ligado em uma boa rádio e algum tempo depois só era possível ouvir a estática. Inútil, havia sido desligado. Mas ainda assim não falamos nada. Não era preciso. Castle me olhava de vez em quando e eu retribuía, a certeza que víamos nos olhos um do outro sendo toda a conversa que precisávamos.

Quando avistei um campo aberto ao lado da estrada, eu fiz sinal para que parasse. Era lindo. Os primeiros tímidos raios da manhã começavam a aparecer e a luz iluminava fracamente o grande espaço. Haviam flores de um milhão de tipos e cores e a vista se estendia eternamente.

No segundo que Castle parou o carro eu desci e corri, ficando alguns passos a frente dele e virando-me para olhá-lo, o sorriso involuntário estampado em meu rosto. Ele já havia descido do carro e se afastado dele, mas havia parado no meio do passo quando me virei, a respiração presa no meio do caminho.

— O quê? – perguntei.

— Você é linda. – disse. Não havia aquela malicia de nossos habituais flertes em sua voz, nenhum tom de brincadeira, apenas a constatação de um fato que havia saído fácil e natural, verdadeira.

Eu sorri mais, inclinando a cabeça um pouco e tentando ignorar o calor que subiu por meu rosto. Eu só podia esperar que ele atribuísse a cor extra ao ar livre ou algo do tipo.

— Você não está nada mal também, Castle.

Ele não reagiu como sempre reagia a essas palavras. Observei enquanto ele acabava com a distância entre nós a passos lentos, os olhos fixos no meu rosto. Castle parou bem a minha frente, me olhando intensamente, nenhum sinal de humor em sua expressão. Eu podia identificar diversas emoções ali. Amor, devoção, espanto, alegria e até mesmo medo, mas humor não era uma delas.

— Não, não assim. Eu estou falando sério. – disse, os olhos colados nos meus e dessa vez a minha respiração ficou presa, meu coração pulando, parecendo querer escapar do meu peito. – Você é linda. De tirar o folego. Linda como se tivesse saído da minha própria imaginação... Linda como nada no mundo inteiro. Seu rosto e seus cabelos e seus olhos. Você, e, agora... é como se tivesse uma aura te envolvendo e ela é brilhante e linda. – ele parou, fechando os olhos por segundo. Quando voltou a abri-los, eu sentia como se pudesse começar a chorar a qualquer segundo e ele sussurrou: – Eu tenho medo de acordar e descobrir que você é mesmo um sonho.

Eu não podia mais me conter. Ele era tão... Castle. Tão perfeito e eu o amava tanto que doía. Doía fisicamente e eu não queria que parasse.

Eu me aproximei, o calor dos nossos corpos irradiando de um para o outro e aproximei nossos lábios, apenas um sussurro. Ele fechou os olhos.

— Rick. – sussurrei, ainda sem tocar nossos lábios. Esperei que ele abrisse os olhos. Eu precisava que ele me visse. Quando finalmente abriu os olhos, eu voltei a falar, ainda em um sussurro para que aquilo ficasse ali e nada no mundo pudesse tocar: – Não é um sonho.

E então eu o beijei. Colei nossos lábios com decisão, com a maior certeza que já tive na vida. Eu queria Castle. Eu precisava de Castle tal como precisava de ar. Era impossível esperar mais.

Foi como respirar ar fresco depois de muito tempo. No momento em que nossos lábios se encontraram ele reagiu, trazendo ambas as mãos para minha cintura e depois subindo uma delas até meu cabelo, me segurando perto, minhas próprias mãos agarrando-o como um bote salva-vidas. Minhas mãos seguravam a frente de sua camisa em um punho firme, mantendo-o perto de mim e então uma delas passou a envolve-lo.

Seus lábios eram gentis nos meus, mas firmes. Doces, mas cheio de desejo e cheio de amor e eu me perguntava como uma mistura daquelas era sequer possível. Era a melhor coisa que eu havia provado em toda a minha vida e eu passaria o resto dela exatamente assim. Para sempre. Apenas... Perfeito.

Quando inevitavelmente precisamos de ar, nós nos afastamos. Mantemos nossos rostos próximos, respirando com os olhos fechados, deixando apenas o espaço necessário para o ar. Abri meus olhos e ele me olhava, o sorriso brilhante estampado ali e eu mal podia acreditar na minha sorte.

Quando estava prestes a me perguntar se no final das contas aquilo era de fato um sonho – meu –, ele falou.

— Ninguém está sonhando.

Eu sorri, concordando. – Sem sonhos aqui.

O beijei levemente mais uma vez e virei o rosto, ainda apoiada contra seu corpo e olhei a paisagem ao nosso redor. O sol nascendo, o vasto jardim ou seja lá o que fosse aquela pequena parte de paraíso.

— Isso é lindo. – comentei baixinho, ainda com medo de que qualquer som maior pudesse arruinar a calmaria do lugar.

— É sim. – Castle concordou, seus braços me envolvendo protetoramente.

Olhei para ele. – Isso é perfeito.

— Eu sei. – sorriu e notei que o medo de antes havia sido substituído por felicidade. Clara e simples, em sua forma mais genuína.

Voltamos a olhar o nascer do sol e alguns minutos depois eu me abaixei, tirando os sapatos. Meus pés cantaram em alívio imediatamente. Voltei a me aninhar em seu peito, minha cabeça agora na altura perfeita para ouvir seu coração batendo descompassado. Era bom saber que eu não era a única.

O ritmo constante, a completa impulsividade de tudo, a grandiosidade daquele momento tão simples e tão importante me encheram de um sentimento inexplicável. O mundo ganhara novas cores, novos sons e eu não podia me lembrar de algum dia estar tão feliz. Tão inteira.

Não mais apenas uma sombra do que eu um dia fora, eu era uma nova pessoa. Melhorada, que se permitia amar e ser amada.

— Vamos dançar. – falei.

Castle me olhou como se eu tivesse perdido o juízo. – Não tem música. – observou.

— Quem precisa de música?

Ele desceu o olhar para os meus pés descalços e sua voz se tornou animada, aquele humor de garotinho que eu amava além da existência. – Então suba, madame!

Um momento se passou até que eu entendesse o que ele queria dizer e então eu sorri, olhando-o com a expressão de quem está prestes a fazer uma grande travessura e adorando isso. Eu subi em seus pés, um de cada vez, testando e ele fez uma careta exagerada de dor.

— Cale a boca. – ameacei. Uma ameaça vã, considerando que eu estava rindo enquanto a fazia.

Castle levantou um pé e depois o outro, nos fazendo parecer ridículos e me fazendo rir ainda mais. Eu joguei a cabeça para trás em uma risada e escutei a sua própria antes de sentir seus lábios no meu pescoço. Voltei para minha posição de antes.

— Você é mesmo esperto. – eu disse e voltei a beijá-lo. Devagar dessa vez, sem pressa, apenas saboreando cada detalhe, cada descoberta.

— Eu sou mesmo brilhante. – respondeu quando nos separamos. Eu desci dos seus pés e ele segurou minha mão, me girando uma vez. Quando estávamos frente a frente novamente, ele continuou: – Eu consegui você.

— Então eu sou mais. – devolvi com um sorriso. – Eu consegui você.

Me aproximei como se fosse beijá-lo novamente e então me afastei, imitando um movimento de dança ruim. Ele balançou a cabeça e sorriu, seguindo meus passos.

— Não tem música, mas nós estamos no ritmo correto. – ele disse.

Parei no meio de um rodopio para roubar-lhe um beijo. – Sem dúvidas.

Eu não sabia o que aconteceria quando voltássemos para casa. Quando segredos fossem revelados e o mundo nos alcançasse. Mas eu não me importava com nada disso no momento. Agora, tudo o que importava eram os beijos e os sons das risadas enquanto girávamos em um lugar desconhecido, dançando com nada além das batidas de dois corações.

Notas finais
Caskett me deixa carente. Me contem o que acharam? Beijo! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!