Heartbeat
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Heartbeat ~ [track 2][música que ouvi repetidamente enquanto escrevia este cap: Dash — LED Apple]
"porque fazer um coração bater é muito mais difícil do que fazê-lo parar"[Taemin] Quando eu olhei para a estante de dvd’s, eu pensei no que tinha acostumado a pensar nos últimos tempos: o Min não vai devolver meus dvd’s NUNCA. Lá tinha dvd’s do Tokyo Dogs, City Hunter, Plan B, New Heart, Code Blue, e os dvd’s dos ensaios de novembro. Eu duvido que ele tenha terminado de assistir City Hunter, que foi o último que assistimos juntos. Ele não estava interessado mesmo. Ele é sempre assim, parece que só pensa no trabalho. É, ele é um rapper perfeito, canta bem pra caramba, queria o quê? É claro que ele só pensa no trabalho. É isso que dá satisfação pra ele, ele já está acostumado com a fama também. Todas aquelas poses sexys! Pff, omg, ele precisa esbanjar isso? Todas as fãs já sabem o quão bonito ele é, ele fica provocando, parece que está tentando ser melhor que nós. Pensando assim, tenho mil motivos para reclamar, né? É, foi certo voltar aqui pra casa. Você tem razão Tae, não tem como você... Eu não consegui terminar a frase. É, eu sabia bem que não tinha um motivo real para eu ter saído da casa do Minho, que ele, sem pensar em quanto isso me machucava, chamava de “nossa” casa. Eu nunca terminava essa frase. O motivo nunca estava lá. Ontem, quando tomei banho de chuva, sentei-me na soleira da porta da cozinha depois que a chuva passou e descansei a cabeça entre os joelhos. Cada osso do meu corpo doía de frio. Eu queria ficar rouco. Muito. Queria ficar doente. E todos iriam pensar que era porque eu estava querendo matar o trabalho e falar as besteiras de sempre, que eu sou muito novo pra entender o que é trabalho. Mas não era isso. Eu queria, no fundo, fazer aquele homem pensar nas broncas que me dava por causa do ar condicionado, água gelada, sorvete. Eu queria mostrar pra ele que eu faria isso mesmo, que eu tomaria sorvete, beberia água gelada e sairia na chuva. Por mais que dissessem pra mim que ele estava é preocupado comigo, que ele me queria bem, e que eu entendesse isso racionalmente – ele mexia tanto comigo, e eu sentia que não fazia a menor diferença se eu sumisse. Eu queria tanto, mas tanto... fazer alguma diferença. Eu queria faze-lo estremecer. Queria faze-lo colocar a mão no peito e apertar. Queria faze-lo sentir frio. Queria faze-lo perder o apetite, comer algo que não gostasse só porque eu gostava e tomar sorvete no frio. Porque Minho, me diga porque... Você parece inabalável? Essa fortaleza que você é... Eu não consigo transpor. E doem minhas mãos de escalar uma parede sem guias ou calços. Aygoo. Vamos lá, Taemin. Levante-se, pegue o trem que você tomava antes de acostumar com aquele carro luxuoso e vã dançar até doer. [Minho] “Key, você viu a letra em japonês de Lúcifer por aí? Deixei uma cópia com referências de pronúncia em cima do sofá ontem...” Preciso melhorar minha pronúncia, pensei. “Não, Minho, eu não vi, acho que o pessoal da limpeza deve ter guardado em algum lugar. Hoje é dia de faxina aqui no estúdio, devem ter pegado antes de chegarmos.” Espremi minha mente até lembrar onde era o achados e perdidos da KBS e depois fui em direção ao elevador para ir ao térreo. Longos 13 andares que passavam alegremente com a vista bonita do elevador panorâmico. Isso me lembrou da vez que pegamos um elevador com Yoogeun [N/A: a criança da edição do SHINee do Hello Baby, onde os membros cuidavam de uma criancinha, Yoogeun. Minho era o mais paternal deles.]. Até que eu seria um bom pai. Talvez eu devesse mesmo constituir uma família. Gostaria de encontrar uma companheira que gostasse de assistir doramas comigo no final do dia e que corresse de manhã pelas ruas comigo. Seria legal se ela também gostasse de tomar suco de banana na volta, e... Argh, denovo, Minho? Não é possível que seja isso mesmo. É, eu estava relacionando as coisas. Porque Taemin gostava de doramas no final do dia, e eu comecei a gostar disso quando ele se mudou pra casa. Eu insistia para que corrêssemos de manhã e ele, mesmo reclamando, ia comigo, afinal ele também precisava de pernas fortes para danças. Ele cansava dificilmente e sempre acabava correndo numa velocidade desafiadora para mim. E na volta, sempre esquecia o dinheiro e me pedia pra comprar suco de banana, aqueles que as crianças tomam de canudinho. Taemin, Taemin, Taemin, Taemin, Taemin... de olhos fechados, eu esperava o elevador chegar ao seu destino. Uma pessoa entrou no elevador no quarto andar. Ok, eu tinha que abrir os olhos, dizer oi, fazer um social, afinal eu era Minho, um artista famoso, que não podia nem pegar um elevador sem ser seguido por – “Minho, onde estão meus dvd’s?” Taemin bradou antes que eu pudesse abrir os olhos. Meu peito doeu, fiquei sem ar. Tentei disfarçar. Tudo isso em mais ou menos dois segundos. Eu abri a boca para responder, mas palavras não saíram. Olhei para ele perplexo e coloquei a mão na garganta, assustado. Senti minha cabeça rodar. Uma semana de folga e duas semanas desde que ele havia deixado a casa e era isso que acontecia comigo a primeira vez que nos víamos desde então. E o que era mais incômodo é que eu não pedi para ele ficar. Ele simplesmente se foi, eu liguei umas trinta, trinta e poucas vezes e desisti.
Porque não liguei quarenta, cinqüenta, sessenta... cem. Porque não bati à porta da casa de sua família? Era isso que me incomodava mais. E mais ainda. Eu não sabia ainda, moleque, porque você me deixou. A porta do elevador se fechou às costas de Taemin. E por não ter me dito, é que vou exigir esta resposta. Se não me disser, você é meu! [Taemin] Quando eu encontrei o Minho no elevador, ele colocou a mão no pescoço e me olhou com espanto. Aygo, eu ODIAVA este tipo de piada. Eu estava falando sério, queria meus dvd’s. Queria pelo menos isso, já que eu não tinha uma casa minha. Minhas coisas, as mais pequenas, eram minha casa. Me olhar com espanto não vai fazer os dvd’s aparecerem, mas o poupará de possível culpa de ter esquecido e ainda me fará de bobo. Minho seu grande calculista. Você está fazendo isso para me castigar? O que eu fiz? Você não entendeu ainda que... Denovo me faltou o final da frase. Droga. A única frase que eu consigo completar é... Droga. Saranghe, Minho. Me devolva o pedaço de mim que ficou aí incrustrado na sua alma. Bom, cheguei ao prédio da KBS e tomei o elevador. Parei no quarto andar, cafeteria. A moça que me atendia na maioria das vezes me olhou de um jeito estranho. Sim, eu estava com uma cara mais séria que o normal. Séria não séria a palavra. Acho que estava mais para mal-humor mesmo. Peguei meu iced-coffe e apertei o botão do elevador. Apertei umas 15 vezes, que coisa lenta!!! Dei de cara com o Min. Ele estava lá, com aquela cara linda e aquele cabelo perfeito dele. Ele existia daquele jeito, não tinha jeito. “Minho, onde estão meus dvd’s?” Ele ficou estranho, tentou falar algo mas acho que desistiu no meio do caminho. É, não tinha desculpa mesmo. Pela primeira vez na vida entendi o que as pessoas separadas dizem, que essa coisa de separação de bens é um saco. Droga, estou só tentando ser prático aqui! Porque o Min não percebe que eu o deixei porque... A maldita frase. A porta do elevador fechou às minhas costas. Minho me puxou com toda a força e me colou ao corpo dele. Eu tentei resistir, mas não tinha chance contra os braços fortes do treinado Minho. Este beijo que eu tanto conhecia foi mais ardente e cheio de dor que todos até agora. E é aí que eu me rendo, pois eu não tenho o final da frase. Ache o final da frase, Taemin, e você estará livre das correias que o unem de um jeito absurdo com este Minho.
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