Heart vacancy
2 Capítulo 02: Chad

– Senhorita Miller, seu pai está em seu apartamento, e pediu para lhe avisar assim que chegasse. – Peter, o porteiro do prédio disse e eu assenti.
– Ehr Peter, caso o Chad apareça aqui, você poderia dizer para ele não vir mais aqui e pegar a chave reserva do meu apartamento, por favor? – pedi e ele assentiu. – Obrigada.
– De nada senhorita Miller. – ele respondeu e eu fui para o elevador. Era engraçado como tudo na minha vida mudou de uma hora para outra, eu ia me casar, eu ia formar uma família com o homem mais errado do mundo, eu ia abrir mão do meu futuro por conta dele. É exatamente o que dizem, o amor é cego, surdo e mudo, agora eu não sei se fico feliz pelas pessoas que tem sorte no amor ou me junto ao grupo dos Iludidos Pelo Amor, acho a segunda opção mais em conta em relação ao que tive com Chad.
A única solução que me resta é esquecer, não tentar esquecer, eu vou esquecer tudo que tive com Chad, o que eu tenho certeza de que será muito difícil já que, eu nunca vi, senti e vivi um romance tão intenso como o nosso fora.
Em pensar que tudo começou com um intercâmbio, que para mim era algo de extrema importância já que, de alguma forma me ajudaria bastante para saber como é a vida na cidade que nunca dorme e que provavelmente seria algum tempo depois o meu local de trabalho. Mas eu nunca pensei que fosse me envolver com um cara como Chad, e que acabaria sendo a outra por quase cinco anos. Às vezes eu penso que por trás de um grande amor, sempre haverá algum segredo ou algo mais grave, antes de toda essa confusão eu me imaginava ficar como meus avós, que mesmo numa idade avançada ainda se amam e se ajudam, mas sei que para isso acontecer comigo, eu teria de nascer novamente.
– E quando nós vamos para lá? – ouvi uma voz e despertei de meus pensamentos olhando em que andar eu estava ainda no terceiro.
– Isso é o loiro que vai ver, afinal ele que fez tudo... Oi Terry. – James, meu vizinho falou.
– Oi James e Carlos. – respondi com um sorriso amigável e ele retribuiu. – Como vocês estão?
– Bem e você? – Carlos perguntou.
– Levando. – falei e a porta do elevador abriu e eu sai. – Tchau. – eles fizeram um aceno com a mão e a porta fechou, peguei a chave do meu apartamento e encontrei uma mulher de joelhos sentada no sofá de costas para a televisão e ela conversava com meu pai alegremente.
– Oi querida. – meu pai disse saindo da cozinha.
– O-Oi pai. – falei e abracei-o.
– Como estão as coisas do casamento? – ele perguntou e sentou ao lado de Lynn, que estava diferente sem os trajes sociais.
– Não terá mais casamento. – falei e fui para meu quarto me jogando na cama.
Pressionei um travesseiro em meu rosto, para abafar um soluço que saira sem querer e logo, me rosto estava dominado por lágrimas e mais lágrimas. Eu sabia que estava chorando pelo rompimento, afinal de algum jeito ou de outro Chad ficou marcado em meu coração, talvez, não só no coração. E mesmo depois de tudo que ele fez, eu iria conseguir esquecê-lo de uma hora para outra. Se eu ainda sinto algo por ele? Basicamente, apenas raiva, ódio, nojo, entre outras coisas que a traição atrai.
– O que houve querida? – Lynn perguntou e eu funguei. – Sabe que pode contar comigo, não sabe? – assenti e tirei o travesseiro do rosto e vi alguns borrões do rímel no objeto e limpei meu rosto.
– Eu sei que você se preocupa comigo, mas eu não estou pronta sentimental e mentalmente para falar sobre isso agora. – falei e funguei novamente, ela assentiu e fez um sinal para eu deitar minha cabeça nas pernas dela.
– Dependendo do que houve entre vocês, é só procurar algo que te fez bem, algo que te faça melhor do que Chad fez, entende? – assenti.
– Tipo o quê? – perguntei.
– Seu pai me mostrou algumas das fotografias que você fez e eu as achei realmente muito boas, não é a toa que você é fotógrafa. E bom, acho que se você fizer algo que te faça bem, como a fotografia, devia se dedicar a ela, porque assim com o tempo você acaba o esquecendo. – ela disse e eu comecei a pensar sobre isso.
– Sabe – fiz uma pausa e prossegui — eu acho que vou aceitar aquela proposta do meu pai. – falei e ela abriu um sorriso. – Lynn posso lhe pedir um favor? – ela assentiu. – Quando vocês voltarão para Los Angeles?
– Acho que depois de amanhã, por quê? – abri um sorriso.
– Será que eu posso fotografar as crianças lá do orfanato?
– Claro que sim. – ela disse e ficamos lá conversando.
***
Já passavam das sete horas da noite e eu não havia contado o motivo para o fim do casamento, e nenhum deles também não me perguntaram mais nada, o que para mim foi um alívio. Até que aquele final de dia estava "bom", acho que estava melhor do que eu esperava, mas ainda tinha rápidos flashbacks de tudo o que passei com Chad e o que aconteceu na casa dele.
Flashback:
Eu não sabia por que estava nervosa afinal esse é o segundo encontro que teria com algum cara, eu estava trêmula e nada me acalmava, nem água com açúcar.
– Porque você está nervosa? Tezz é apenas um encontro. – Beatrice, minha colega de quarto da faculdade. – Não espera, você só vai ter um encontro com o garoto mais popular da faculdade, então precisa sim ficar nervosa, porque vai que ele não aparece. Relaxa.
– Grande relaxamento hein? – falei irônica dando uma leve ajeitada no cabelo.
– Eu sei, desculpa. – ela disse e começou a brincar com a borda do travesseiro dela. – Fica calma, vai ser tudo perfeito, e claro quando você chegar...
– Quando eu chegar eu te conto todos os detalhes. – falei e ouvi algumas batidas na porta. Eu sentia meu coração bater rápido, mas tão rápido que eu até me assustei, minhas mãos começaram a soar e Bea se levantou indo abrir a porta.
– Tezz é pra você. – ela disse e eu dei uma última olhada no espelho. Eu estava bonita e me sentia bonita, acho que finalmente entendi o porque dizem que o preto fica bom em mim. Suspirei e peguei meu celular e a chave do quarto. – Se divirtam, e não façam o que eu não faria. – Chad pegou em minha mão e nós fomos conversando até sairmos do campus.
Fim Flashback:
– Filha, você está bem? – despertei ao ouvir a voz de meu pai e ele passou uma das mãos por minhas bochechas que estavam molhadas.
– Sim. – falei quase com um fio de voz e ele negou.
– Claro que não está... o que aconteceu? – ele sentou ao meu lado no sofá e começou a fazer leves carinhos em minha cabeça. – Por que vocês terminaram?
– Pai...
– Eu sei que isso é complicado, mas eu preciso saber porque vocês terminaram e porque você está chorando. – ele disse e eu suspirei.
– Pai... Eu não quero falar sobre isso agora, eu prometo que quando me sentir preparada eu te conto, está bem? – beijei a bochecha dele e me levantei. – Boa noite.
– Já vai dormir? – Lynn perguntou e eu assenti.
– Come alguma coisa. – meu pai disse e eu neguei.
– Estou sem fome. – falei e fui para meu quarto.
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