Heart of light in the black night
5 Capítulo 5 - "Make a wish"
Marlene POV:
Dito e feito. Assim como James avisara, no dia seguinte, tivemos treino até o começo da noite, e, antes que eu pudesse deixar o campo em direção ao vestiário, a mão que já se tornara bastante familiar impediu que eu continuasse.
— McKinnon. – a voz de Black me chamou, enquanto o resto do time já se distanciava para os vestiários.
— Black. – cumprimentei-o de mesmo modo.
— Tem alguns minutos para me ouvir? – perguntou.
— Já perdeu um. – brinquei, mesmo que aparentasse uma expressão séria.
— Amanhã é meu aniversário e gostaria de te convidar para se reunir comigo e meus amigos aqui no campo. – ele propôs. – Vamos acender uma fogueira e beber um pouco, nada muito grande, só para termos um pouco de diversão.
— E por que a minha presença faria sentido nessa comemoração? – questionei.
— Tempos difíceis, nunca se sabe qual vai ser nosso último aniversário. – falou. – E se esse for meu último, gostaria de ter minhas pessoas preferidas perto de mim.
— Pessoas preferidas?
— Você não pode negar que nossas provocações são as melhores dessa escola. – eu ri com o comentário dele. Caminhávamos enquanto ele falava, mas seu olhar permanecia sobre mim.
— Que horas mesmo você disse que isso aconteceria? – perguntei.
— Eu não disse, mas provavelmente às 19h. – respondeu.
— Tudo bem, irei analisar sua proposta. – afirmei.
— Fantástico. – Sirius disse, demonstrando certa animação. – E quando saberei da sua decisão?
— Amanhã às 19h. – respondi assim que alcançamos o vestiário, sorrindo divertidamente para ele. – Até mais, Black. – foi a última coisa que eu disse antes de adentrar o recinto e deixa-lo para trás.
Sirius POV:
Qualquer dia em que existiam planos com os Marotos já era um grande dia. Entretanto, a dúvida quanto à presença de Marlene naquela noite, particularmente me intrigava. Às vezes nem eu entendia o que estava acontecendo comigo, era como se aos poucos ela fosse me hipnotizando e, de repente, nenhuma outra pessoa no ambiente parecia ter tanta graça. O comportamento e as atitudes provocativas alimentavam ainda mais minha vontade de tê-la para mim.
Tentaria persuadir uma resposta durante a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas naquele dia, mas ela nem sequer me cumprimentara, provavelmente de propósito. Não tivemos a chance de fazer dupla naquela ocasião, já que a aula fora teórica, e, mesmo se não fosse, Lily estava zangada com James por tentar fazer com que ela infringisse as regras da escola.
Pouco antes das 18h30, começamos a reunir nossas coisas para irmos até o campo de quadribol. O céu já escurecia, geralmente era assim conforme o inverno chegava e o mesmo podia se dizer sobre o tempo, que era suficientemente frio de modo que tivemos de vestir nossos casacos mais fortes. James, Remus e eu já estávamos prontos, mas não tínhamos sinal algum de Peter. Conversando com outros garotos do nosso dormitório, descobrimos então que ele estava mais uma vez na ala hospitalar. “Algum tipo de acidente com herbologia” fora o que disseram; típico de Pettigrew.
— Acho que seremos só nós três a princípio. – James disse então, assim que já começávamos a nos dirigir para fora da escola.
— Lily não comentou nada sobre vir? – Remus perguntou.
— Nada. – James respondeu. – Ela continua um pouco zangada com a minha imprudência, mas vai passar.
— E McKinnon, Sirius? – Remus refez a pergunta.
— Não faço ideia. – eu disse. – Ela é um poço de surpresas.
— Posso imaginar. – ele comentou.
Se elas viessem ou não, a diversão já estava garantida. O caminho até o campo de quadribol foi rápido, estávamos acostumados a vagar pela escola discretamente e com cautela. James foi o responsável por acender o fogo e em alguns minutos tínhamos tudo pronto. Ele utilizou um feitiço de fogo azul para que a fogueira não chamasse a atenção, já que seria estupidez acender uma de verdade quando não queríamos ser vistos.
Antes de ingressar Hogwarts, eu dificilmente comemorava meu aniversário. Quando eu era menor, minha família até preparou algumas coisas em certas ocasiões, isto é, antes de a minha rebeldia se oficializar. Passar a noite ali, com meus melhores amigos e um pouco de firewhisky era a melhor comemoração que eu poderia desejar. Eu nem conseguia imaginar o que seria minha vida depois de Hogwarts, ainda mais com a situação na qual o mundo bruxo se encontrava.
O tempo voava quando nos divertíamos e eu nunca conseguia ter noção do quanto se passava. Entre histórias, piadas, brincadeiras, feitiços e firewhisky, tudo parecia quase completo, mas a chave para que de fato fosse possível afirmar isso apareceu somente às 19 horas em ponto. O vulto de cabelos loiros e olhos claros inconfundíveis surgiu por trás de uma das arquibancadas, caminhando delicadamente e aparentemente sem receios.
— Parece que você acaba de ganhar seu presente de aniversário, Sirius. – James brincou enquanto Marlene McKinnon se aproximava.
Marlene POV:
Refleti sobre o pedido de Sirius desde o momento em que ele me convidara. Meu instinto orgulhoso me avisara que, se eu aparecesse, estaria deixando claro que tinha algum interesse nele. Entretanto, meu coração dizia que já estava na hora de se arriscar e ver onde tudo aquilo poderia terminar, nem mesmo nós dois poderíamos jogar o jogo da implicância para sempre. Ou talvez pudéssemos.
Insisti de todos os jeitos possíveis para que Lily fosse comigo, mas nem mesmo James Potter fora capaz de convencê-la a infringir as regras daquela maneira. O fato de ser monitor, que parecia ser uma desculpa a favor para James, era o contrário para Lily, ela não tinha nenhuma intenção de se aproveitar da responsabilidade que fora confiada a ela. Tentei de tudo mesmo, mas não iria insistir a ponto de desrespeita-la ou qualquer coisa do tipo, admirava a personalidade de minha melhor amiga mais do que de qualquer outra pessoa. Isso provavelmente era recíproco, pois ela prometeu que não julgaria minha escolha quanto àquilo.
James estava certo quando comentara sobre minha audácia aquele dia na biblioteca; o risco era definitivamente a última coisa que me impediria de comparecer ao campo de quadribol naquela noite. Não tive dificuldades para sair do castelo, eu era tão boa quanto eles. O horário de jantar contribuía para a facilidade de realizar aquele ato, e, em poucos minutos já estava pisando na grama do campo, avistando-os alguns metros de distância.
Caminhei determinada, sem receios, direcionando-me até os corpos adiantes. Notei que apenas três deles estavam ali, Pettigrew era o que faltava. Nunca havia tido nenhum contato com o garoto, mas me sentia mais confortável na presença apenas dos três, já que eu os conhecia melhor. James do quadribol e por Lily, Lupin sempre fora gentil e de grande ajuda em algumas aulas, e Sirius era Sirius.
— Eu tentei de tudo, mas ela não quis vir. – falei assim que os alcancei e imediatamente interpretei o olhar curioso de James.
— Tudo bem, eu já imaginava. – ele respondeu, desapontado.
— Pelo menos assim eu não fico sobrando. – Lupin brincou, causando nossa risada. Talvez eu não devesse ter rido do comentário, mas fora automático.
— Boa noite, McKinnon. – Sirius me cumprimentou, o sorriso divertido em seu rosto não disfarçava nem um pouco sua felicidade em me ver. – Sinta-se à vontade para sentar conosco ao redor da fogueira. – convidou, ao mesmo tempo em que abriu certo espaço entre ele e James, indicando que eu me sentasse ao seu lado. Ergui um leve sorriso e rapidamente me acomodei no chão entre os dois.
— Vocês não deveriam ser quatro pessoas? – questionei, na intenção de entender onde estava Pettigrew.
— Peter está na ala hospitalar. – James contou.
— Engraçado, sinto que eu ouvi algum outro aluno falando que ele estava lá há duas semanas. – falei, fazendo com que os garotos rissem.
— É, ele costuma aparecer lá com frequência. – Sirius explicou, passando-me uma garrafa de firewhisky. — Aceita?
— Eu não deveria no meio da semana. – refleti.
— Você já está aqui, não se prive da diversão. – James argumentou. – Não que Remus concorde.
— Não que eu concorde. – Lupin repetiu. Eles realmente eram divertidos.
— Nada de tão ruim pode acontecer. – Sirius garantiu.
— Só talvez uma fuga descontrolada lançando feitiços pelos corredores, mas isso com certeza não acordaria Dumbledore. – James brincou.
— Não acho que Dumbledore precise estar acordado para saber de tudo que está acontecendo. – Lupin comentou.
— Não acho que Dumbledore durma. – Sirius disse. De repente, estávamos todos rindo.
— Resumindo: não aceite a garrafa, Marlene. – Lupin alertou por fim.
— Resumindo: não escute Remus. – James revidou.
— Ele parece ser o mais sensato entre vocês. – comentei.
— Ele é. – Sirius concordou.
— Mas eu realmente gosto de firewhisky. – falei. Sirius sorriu com o comentário e James soltou um moderado gritinho de aprovação, rindo da cara de Lupin. – Só uma. – adverti assim que aceitei a garrafa da mão de Sirius.
— Você que manda. – ele disse ainda sorridente. Sorri de volta.
Sirius POV:
O sorriso dela provavelmente era mais perigoso do que mil e um comensais da morte reunidos. Nunca tinha como prever qual seria o próximo ato ou resposta de Marlene, e talvez isso fosse uma das coisas que me intrigavam tanto sobre ela. Eu sinceramente não fazia ideia de como estava aguentando aquele tempo todo resistindo às atitudes e provocações dela, mas algo dentro de mim dizia que valia a pena resistir.
A noite se tornou melhor ainda com a chegada de Marlene, ela parecia estar realmente se divertindo com as histórias que contávamos sobre nossos feitos pela escola. A cada risada, ficávamos mais próximos um do outro, até que fosse possível que nossos corpos se encostassem ocasionalmente. Ela usava a mesma jaqueta de couro preta do dia em que havíamos ido à Hogsmeade, perguntei-me mentalmente se isso fora proposital.
— Você está usando propositalmente a jaqueta que eu gosto? – trouxe a pergunta para a realidade.
— Claro que não, Black. – ela logo respondeu. – Estou usando a jaqueta que eu gosto. – disse. – Como eu saberia que você gosta dela?
— Eu não te disse naquele dia em Hogsmeade? – perguntei confuso. Eu estava certo de que tinha dito, mas parando para pensar melhor naquele momento, talvez tivesse sido apenas um pensamento.
— Não. – ela afirmou. – Eu me lembraria.
— Então, preciso dizer o quão incrível essa jaqueta fica em você. – falei.
— Não acredito que ele está mesmo apaixonado. – Remus comentou, fazendo com que James risse. Por um mínimo segundo eu havia esquecido da presença deles ali.
— Cala a boca, Aluado. – falei brincando, mas verdadeiramente sem graça. Na verdade, era difícil me sentir assim quando estar com Marlene era algo que gerava tanto conforto, entretanto sempre existia aquela ansiedade presente em todos os momentos com ela, por não saber o que poderia vir a seguir. Fiquei feliz quando ela riu do comentário de Remus.
— Achei que demoraria mais para acontecer. – James comentou. – Talvez essa época sombria de terror influencie as pessoas a aflorarem seus sentimentos.
— Você quer dizer que Sirius não gostaria de mim se Voldemort não estivesse reinando? – Marlene questionou.
— Você me chamou de Sirius? – perguntei surpreso, dirigindo o olhar para o dela.
— Não chamei, Black. – ela respondeu, mas não conseguiu conter um leve sorriso nos lábios enquanto retribuía meu olhar. Entretanto, seus olhos rapidamente voltaram para James, esperando uma resposta para o questionamento.
— Não quis dizer isso. – ele contrariou. – Só talvez que exista uma primeira vez para tudo e que nada é por acaso, as pessoas não surgem sem motivo em nossas vidas.
— Estou comovido e orgulhoso. – Remus disse, brincando com um fundo de verdade.
— Estou com saudades da minha ruiva. – James disse de repente.
— Está bem, já ficou meloso demais para mim. – Remus falou. – Vou procurar Rabicho na ala hospitalar e levar uma garrafa de firewhisky para ele, talvez o anime. – disse já se levantando, antes que qualquer coisa o impedisse.
— Tome cuidado, já passou das onze horas. – James alertou, mas Lupin já estava longe.
— Ele realmente é um bom amigo. – falei.
— De fato! – concordou James. – Acho que é estranho eu continuar aqui, não é? – perguntou. – Sinto que estou atrapalhando. – não queria mandar meu melhor amigo embora, mas eu não reclamaria se pudesse passar um tempo a sós com Marlene na última hora do meu aniversário.
— Você não está atrapalhando, Potter. – Marlene disse. – Mas se realmente está sentindo falta da Lily, ela está fazendo ronda pelos corredores, assim como você deveria. – ela deu a dica. – Ela pode estar zangada, porém não significa que não está pensando em você, ela gosta de surpresas.
— Tudo bem, entendi perfeitamente o recado. – James disse sorridente, levantando-se o mais rápido que pôde. – Juízo, Sirius Black. – ele se dirigiu a mim. – Marlene é realmente uma pessoa fantástica, não seja um idiota. – foi a última coisa que James disse antes de sair correndo. Marlene riu do comentário e em seguida virou de frente para mim.
— Parece que sobramos só nós dois. – eu disse, erguendo um sorriso sincero. E, mostrando que algo naquela noite ainda podia melhorar, ela retribuiu meu sorriso.
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