Notas iniciais
Oi, oi, oi meus amores!! Antes de mais nada: SENTIRAM SAUDADES? Pois é, também senti. As coisas apertaram um pouco e não consegui nem colocar esse capítulo para agendar. O que falar desse capítulo? Nossa, gente... eu nem tenho palavras para descrever esse capítulo. Simplesmente Lilly passará por mais uma provação e tenho certeza de que vocês sofrerão com a mesma intensidade que ela durante a leitura. Preciso deixara avisado que terá um breve momento descritivo delicado, em que ela sofrerá uma leve "tortuta" e, portanto, as pessoas de estômago fraco, tomem cuidado com os momentos finais. Espero vocês nos comentários com suas opiniões sobre estes acontecimentos recentes.

De todas as coisas que a Terra tem para me proporcionar, a que jamais imaginei sentir falta era a sensação dos ventos nos cabelos enquanto eu acelerava loucamente por qualquer rodovia e cortava os carros em busca de conseguir chegar a tempo em uma missão. Podia ser algo inacreditável, mas somente a sensação de acelerar a moto e ter a certeza de que jamais iria bater, pois meus reflexos nunca permitiriam isso, me causava um frenesi quase que incontrolável.

Obviamente eu havia deixado Stark para trás há tempos, já que no momento em que pus meu corpo na moto já ligada graças à ligação direta que eu realizei na Ducati, não perdi tempo para acelerar e colocar todo aquele motor para funcionar na estrada. Claro que Tony também estava em boas mãos com seu Audi R8, contudo, por minha facilidade em cortar o trânsito graças à moto, eu consegui me colocar bem à frente por todo o trajeto.

Quando me aproximei da entrada que tinha certeza que Tony usaria, optei por reduzir a velocidade da moto e seguir o caminho mais devagar, imaginando que, como minha entrada ainda estava há uns bons metros a frente, eu conseguiria chegar ao mesmo tempo que ele se utilizasse uma velocidade mais controlada.

Usando uma estrada de chão, não demorei muito para alcançar um muro de cerca viva que circundava o terreno que invadiríamos.

Deixei minha moto estacionada bem próxima a cerca viva que serviria para esconder a enorme moto preta que serviu como veículo para aquele ataque.

Antes de invadir, fiz questão de usar minha audição apurada por todo o território próximo a mim, em busca de movimentos ou qualquer tipo de coisa que entregaria minha posição. Como não encontrei nada muito próximo ao local em que estava, comecei a escalar uma das partes de concreto que possuía menos da planta que protegia o restante do terreno e escondia muito bem o muro de concreto que existia em seu interior.

Ao terminar de escalar, sentei-me na parte superior do muro para observar de forma mais detalhada o terreno em sua parte interna.

Havia, há uns bons metros a frente, a casa principal, com uma ostentação em arquitetura antiga de dar inveja. Além disso todo o território era revestido com a mais verde grama, além de flores tropicais e árvores com belas copas, recheadas pelo verde intenso. Era quase como se aquele cenário fosse uma região à parte de todo o território dos Estados Unidos que, nesta época do ano, enfrentava o úmido do inverno americano, sem muito verde e Sol.

Optei por descer de imediato para o chão, ao invés de fazer a escalada pela cerca e pulei, de forma precisa e firme, caindo de pé no gramado. Ainda tomava cuidado com os sons do ambiente. Foi somente com minha visão mais apurada, que pude contemplar um dos guardas, extremamente bem armado, fazendo ronda poucos metros à minha frente, logo após uma das pilastras que sustentava uma escultura de mármore de uma mulher e um jarro de flores.

Tomando cuidado com meus passos, preferi pegá-lo de surpresa e por trás. Imediatamente formei uma adaga pontiaguda com meu fogo e caminhei sorrateiramente e em passos silenciosos rumo ao homem que agora se encontrava perfeitamente de costas para mim.

Aproximei-me o suficiente para segurá-lo por trás e, enquanto uma das minhas mãos forçava um silêncio de sua boca, a outra, de imediato, fincou a adaga em sua jugular e se desfez lá dentro, após finalizar sua missão: matar o homem de forma limpa e rápida.

Deitei seu corpo no chão e tomei cuidado com sua arma, tirando-a de vista e a lançando rumo à um pequeno montinho de arbustos não muito longe dali.

Prosseguindo com minha caminhada, encontrei mais dois homens, parados, um ao lado do outro e encarando à sua volta de maneira conspiratória enquanto conversavam sobre o que parecia ser um jogo de hóquei.

Haviam duas possibilidades de ataque. Uma delas iria exigir mais movimentos e possivelmente o risco de ser descoberta ali seria maior. Já a outra alternativa, sugestivamente era mais fácil, limpa e evitaria muito minha exposição, entretanto, caso houvessem outros guardas por perto e avistassem os dois corpos caindo, haveria um risco tão grande de exposição quanto a outra.

Enquanto prosseguia escondida, fui pega de surpresa quando um portão escondido no meio dos arbustos do muro se abriu e um carro preto entrou no terreno lentamente, claramente possuindo a autorização de quem quer que fosse para adentrar no espaço.

Aquele deveria ser Mandarin. Concluí rapidamente, quando percebi a mudança de postura dos guardas que antes eu vigiava. Acertaram as armas frente ao peito e separaram-se, permitindo a passagem do carro na pequena rua que seguia o rumo ao casarão no centro do terreno.

Aquele definitivamente era o Mandarin.

Tentei seguir os movimentos do carro à surdina, escondendo-me entre um arbusto e outro, enquanto ele avançava lentamente pelo território.

Não muito longe de mim, pude ouvir uma espécie de explosão, bem próxima a entrada principal e conclui que só poderia ser Stark que finalmente chegara ao terreno.

Deixei que um arco e flecha se formassem em minhas mãos e recostei-me numa das pilastras de mármore, posicionando-me para aniquilar a existência do terrorista com uma de minhas flechas especiais explosivas. Eu sabia que, no momento em que a flecha atingisse o Mandarin, ela explodiria e todo o seu calor faria do homem um verdadeiro pó.

O carro posicionou-se em frente às portas e um dos seguranças correu para abrir uma das portas traseiras.

Respirei fundo.

Posicionei a flecha perfeitamente.

Aguardei.

E quando a ponta de uma cabeça pareceu sair do carro, não perdi tempo e lancei a flecha, sabendo que acertaria perfeitamente a nuca do homem no seu próximo movimento.

Eu só não contava que o homem que desceu do carro era nada mais, nada menos que Aldrich Killian e que no instante que a flecha penetrou suas costas, seu corpo retesou completamente, mas não explodiu. Muito pelo contrário, absorveu imediatamente as chamas proporcionadas pela arma que se desfez enquanto ele girava seu corpo para interceptar quem o atingira.

Num mundo normal, em que pessoas normais se esbarram, possivelmente nosso encontro seria numa das avenidas movimentadas de New York, enquanto eu corria com sacolas de compra e ele, apressado, carregava seus projetos debaixo do braço para mais um dia de trabalho em sua empresa.

Num mundo normal, iríamos marcar um café que, se não realmente ocorresse, possivelmente nos fazia cair direto na cama e perceberíamos que nossa conexão ainda não havia morrido.

Num mundo normal, em que Aldrich Killian não era um psicopata e eu não era uma deusa e protetora do fogo eterno, nós dois nos casaríamos e teríamos lindos filhos de cabelos dourados e olhos castanhos.

Isso tudo só seria possível num mundo normal, pois, aqui, agora, no mundo real, seu olhar indicava que poderíamos ser tudo, menos bons amantes.

Infelizmente, absorvida pelo momento de reencontro, não fui capaz de perceber que havia alguém atrás de mim e esse alguém sabia exatamente com quem estava lidando e, por isso, não viu problema algum em, num rápido movimento, quebrar meu pescoço, impossibilitando-me de uma defesa eminente.

O último pensamento que tive fora do olhar de Aldrich deixando escapar sua total mágoa com meu ataque surpresa.

✤✤✤

Tecnicamente, ser uma deusa da ressurreição não me impossibilita sofrer graves acidentes ou ficar um período muito longo apagada o que, certamente, foi um erro durante a criação de uma deusa e, portanto, estou muito ofendida com o criador do fogo eterno.

Para piorar, à volta a vida não é lá tão satisfatório ou algo agradável de se vivenciar, visto que nos primeiros momentos em que consigo recuperar meus sentidos, o tato torna-se extremamente aguçado e toda e qualquer dor que eu sinta, torna-se mil vezes pior. O que era o caso, agora, do meu pescoço.

Em seguida, volta a audição, e com ela uma vasta potência para ouvir milimetricamente e descontroladamente todo e qualquer ruído presente num raio de vinte metros. Mas, no momento atual, eu só conseguia ouvir um ruído estridente de uma espécie de corrente elétrica com alta voltagem tão forte que parecia estar com seu canal de passagem exatamente ao lado de ambos meus ouvidos.

O terceiro e quarto sentidos que sempre voltavam acompanhados eram o paladar e olfato. Ambos, agora, me revelavam que eu estava num local extremamente repleto de poeira e podridão e que eu havia sangrado em alguma região do corpo, pois ao estalar minha língua no céu da boca enquanto voltava à vida, pude sentir o sabor de sal e ferrugem, típicos sabores que se era possível comparar ao de sangue.

E, por fim, e, possivelmente o mais importante, minha visão. Claro que, até eu me sentir segura para abrir os olhos, já havia erguido o meu corpo o suficiente para perceber que estava deitado num chão duro e frio. Extremamente frio.

Abrindo meus olhos lentamente e piscando diversas vezes, a primeira visão que tive, fora de um borrão do que parecia ser um ser humano a poucos metros de distância de mim.

Quando tive firmeza da minha visão, pude constatar que aquele borrão era Killian que, numa postura impecável, me encarava de cima com um olhar de superioridade.

ㄧDe todos os vingadores, a última que esperava encontrar aqui, ao lado de Tony Stark, era você. ㄧseu desdém na voz era evidente e soou tão perto, por eu estar ainda me recuperando, que era quase como se ele estivesse bem ao meu lado, assim como a corrente elétrica e, agora, um motor barulhento que conseguia ouvir e me irritava tremendamente.

ㄧPor... por que? ㄧtentei perguntar, mas minha voz falhava miseravelmente, enquanto eu tentava controlar a intensidade da claridade do local colocando meu antebraço que não usava para sustentar meu corpo em frente à uma lâmpada que direcionava uma luz branca e forte exatamente em direção ao meu corpo.

ㄧClaro que o fato de eu não a esperar aqui não tem relação nenhuma com nosso passado ㄧele pareceu dar alguns passos em minha direção, mas optou parar no meio do caminho e abaixar-se ali para me observar melhor ㄧ, mas com o fato de que, semanas atrás, eu vi um grupo miserável de pessoas realizar um ato fúnebre para Ellizabeth Ellie Fury.

ㄧSeu desgraçado. ㄧgrunhi, apesar da voz falha, na tentativa de deixar claro que eu não estava contente com nosso encontro.

ㄧAh, Liz. ㄧele suspirou ㄧHá alguns anos eu ouvia coisas melhores de você e pedidos melhores, como... não pare, Aldrich. Por favor, não pare.

Soltei um grunhido mais alto e pela recente corrente de adrenalina percorrendo meu corpo, pude me sentir 100% ao ponto de conseguir me erguer e lançar-me em direção à ele.

O que eu não estava contando era com uma parede incolor nos separando miseravelmente e me lançando para trás no momento em que me choquei à ela e suas intensas correntes de eletricidade.

ㄧAh, espere, não faça isso. ㄧele sussurrou, fingido fragilidade enquanto erguia seu corpo ㄧBom, eu juro que ia te avisar, mas acho que você acabou descobrindo sozinha, não é mesmo?

Encarando minha volta, pude perceber agora onde eu realmente estava. Era uma espécie de jaula similar à que era destinada ao Hulk, tempos atrás, durante o ataque de Loki à Terra. Contudo, sua resistência parecia maior e mais apurada, como se realmente ele estivesse preparado para qualquer tipo de ataque.

ㄧFoi o que eu disso, docinho. Eu estava esperando qualquer um daqueles que chamam de vingadores. ㄧrecostou uma das mãos pelo lado de fora de uma das pilastras que sustentavam o teto também incolor e me encarou de forma severa ㄧE pensar que anos atrás eu me declarei à você e te prometi o mundo em troca de algo tão simples. ㄧsua voz, agora melancólica, soava como se quisesse me causar algum tipo de dor ou aflição.

Enquanto reequilibrava meu corpo, erguendo-me finalmente do chão, resolvi falar:

ㄧNão penso que entregar um coração seja algo tão simples assim. ㄧrebati de forma astuta.

ㄧBom, agora eu vejo que o seu vale muito mais do que eu imaginava, não é mesmo, princesa de fogo?

ㄧNa verdade, é deusa Phoenix, mas fica tranquilo, é comum a confusão logo no início. ㄧsorri secamente enquanto me aproximava, agora com mais cuidado, dele e da parede que nos separava ㄧVocê mencionou o Tony. Agora estou curiosa, onde ele está? ㄧolhei para os lados, em busca dos vestígios de Stark, mas falhei cruelmente.

Tentei forçar minha audição para alcançar o mais longe possível dali, mas pude sentir uma espécie de pressão, frustrando minha tentativa de ouvir, talvez, seu coração batendo ou qualquer outra coisa que fizesse com que eu o localizasse ali.

ㄧNão vai adiantar usar sua audição para tentar acha-lo. ㄧele alertou, já ciente do que eu estava fazendo ㄧVocê ainda não entendeu o que disse sobre estar preparado para vocês? Eu tomei todos os cuidados ao criar essa jaula. Minha intenção, na verdade, era usar somente com Tony, pois certamente achei que ele tentaria sozinho vir atrás do Mandarin, mas, claro, você surgiu do nada para ajudar seu aliado.

ㄧMeu amigo. ㄧfui ousada o suficiente para corrigi-lo ㄧVocê não deve saber muito bem o que é isso, já que sempre precisou comprar suas amizades, não é mesmo? ㄧergui uma das sobrancelhas, sabendo que meu ataque surtiria algum efeito.

ㄧAh, mas você não sabe nada sobre mim, garota. ㄧele socou o vidro à minha volta em resposta à minha provocação ㄧE, com certeza, nunca saberá, afinal.

Aquele seu último comentário me deixou um pouco desnorteada, sem entender suas intenções e, ao perceber que suas palavras me confundiram, Aldrich sorriu triunfante.

ㄧQue é? Acha mesmo que eu sou o tipo de homem que deixa uma mulher como você, tão poderosa e capaz de me derrotar, sair impune daqui? ㄧdessa vez, foi sua vez de erguer a sobrancelha.

ㄧVai me manter sua carcereira pra sempre? ㄧindaguei, cruzando os braços e erguendo o queixo, incapaz de me deixar abalar.

ㄧAh, não docinho. Eu pretendo te matar.

Aquilo, definitivamente me chocou.

ㄧComo você me disse anteriormente, é uma deusa do fogo, e eu conheço apenas um jeito de apagar o seu tipo de fogo.

ㄧSe você disser que é sexo, vou achar extremamente sedutor, então, por favor, não tente me seduzir num momento como esse. ㄧsorri friamente enquanto o pegava de surpresa com minhas palavras.

Ele, que fez de tudo agora para se aproximar ao máximo da jaula, olhou-me no fundo dos olhos. Seu olhar foi tão direto que quase me fez perder sua língua deslizando nos lábios tão lentamente que seria sensual, se eu não estivesse completamente enojada por ele.

ㄧAo que tudo indica, necrofilia é crime e você só sairá daí morta. ㄧsua voz era rouca e baixa, mas o sorriso de curinga em seus lábios era assustador e extremamente inapropriado.

ㄧClaro que esse seria apenas mais um na lista de crimes que você cometeu ao se aliar ao Mandarin. ㄧrevidei extremamente consciente de que aquela sua tentativa frustrada de me fazer temer por minha própria não funcionaria ali.

Me aliar ao Mandarin? ㄧKillian soltou um gargalhar seco enquanto se afastava uns passos da minha jaula com uma das mãos no bolso e a outra desfilando por seu cabelo dourado ㄧAh, Ellizabeth, como você é tola. Não existe a menor possibilidade de eu me aliar ao Mandarin, por-

ㄧAh, não? ㄧo cortei no mesmo instante ㄧE o que você está fazendo agora mesmo?

Ignorando minhas indagações, ele prosseguiu de onde eu havia o cortado.

ㄧNão há esta possibilidade, porque eu sou o Mandarin. ㄧe retirando a mão do bolso, trouxe consigo uma espécie de controle remoto prateado ㄧE eu não sou do tipo que aceita perder.

É claro. O anonimato.

Aquilo simplesmente iria o resguardar de qualquer tipo de repreensão futura, pois, assim, ninguém nunca saberia do seu ataque totalmente anti-patriótico.

ㄧE o que pretende fazer, Mandarin? ㄧforcei à ultima palavra que saiu arranhando na minha garganta ㄧMe matar de tédio?

Num movimento firme, apontou em direção à minha jaula o controle remoto e pressionou um dos botões presentes no objeto que carregava consigo.

ㄧNão. Eu pretendo te matar congelada.

E então, eu senti.

De modo lento, porém traiçoeiro, a temperatura começou a sucumbir aos comandos de Killian e reduzir.

ㄧNão sabia desses seus fetiches por mulheres congeladas. ㄧsoltei as palavras enquanto forçava meu cérebro à agir. Eu era uma fênix, tinha que agir ㄧPena que seu plano não dará certo, Killian, porque, mesmo que eu realmente congele e morra, eu voltarei. E, adivinhe só? A primeira coisa que eu farei será te aniquilar dessa Terra.

ㄧAí é que está a questão, Ellizabeth. Você nunca sairá daí.

E com essas palavras, ele simplesmente entendeu nossa conversa por finalizada, deu alguns passos para trás até virar-se completamente de costas e partir rumo às portas duplas de metal não muito distante de onde eu me encontrava.

Ele era mesmo um imbecil se achava que eu iria me render sem lutar.

No mesmo instante que a porta se fechou, com ele já para o lado de fora, concentrei minha energia no centro do meu corpo e fiz o máximo de pressão o possível, como se eu alimentasse o núcleo do meu corpo, forçando-o a se erguer, crescer e simplesmente explodir. Um zilhão de chamas explodiu do meu corpo, feito uma bomba atômica e espalhou-se por todo o pequeno cubo que me separava da atmosfera externa.

Usando toda a potência que eu sabia que existia dentro de mim, deixei fluir toda a raiva, angústia e sede de morte que eu sabia que guardava no fundo do meu coração e fui além. Deixei fluir a dor, o medo, e a frustração pelo destino desconhecido. Deixei que se fossem junto das minhas chamas e que simplesmente se perdessem no espaço que outrora fora minha jaula.

A intensidade era tão grande que eu sequer conseguia ver agora o lado de fora. Todo o espaço à minha volta era feito de fogo e aquilo era algo lindo. Extremamente lindo. Aquilo era realmente meu. Aquilo era eu.

Mas não demorou a cessar, pois eu conseguia sentir que algo estava as roubando de mim, sugando e forçando-as a se desfazerem aos poucos. Pude ouvir uma espécie de motor hiper potente trabalhar contra o calor das minhas chamas que eram capazes de desfazer qualquer tipo de material e força-las a se desfazerem e simplesmente, numa velocidade nem um pouco satisfatória, reduzirem ao ponto de eu conseguir controla-las por um curto tempo somente bem próximas ao meu corpo. Até que o frio avassalador conseguiu vencer os últimos resquícios da minha força que ainda se concentravam em minhas mãos.

Olhando em volta, finalmente tomada pelo temor, pude ver que todas as paredes formaram uma espécie de camada de gelo espessa e visivelmente impenetrável. Recusando-me a desistir, aproximei-me de uma delas e concentrei ambas as mãos em pontos distintos, forçando meu calor a sair e descongelá-los. Foi em vão, pois a situação simplesmente piorou ao ponto das minhas mãos começarem a ficar grudadas no gelo.

Tentei puxar uma delas, mas senti que, qualquer movimento que eu fizesse, não seria capaz de retirar minha mão por inteiro dali.

ㄧArghh! ㄧgrunhi, pois tive que exercer uma força além do limite para desgruda-las.

Enquanto eu as removia da parede, pude perceber que parte da minha pele havia ficado naquilo que eu imaginava ser uma placa invencível de gelo. Aquela auto-tortura tão lenta, fez meu estômago se revirar rapidamente, pois, quando fui encarar minhas mãos, deparei-me com ambas em carne viva e, finalmente, depois de tanto tempo me sentindo poderosa e invencível, percebi que Killian havia me derrotado.

ㄧKILLIANNNNN!! ㄧdeixei que minha ira, junto da dor descomunal que sentia nas mãos, escapassem através de um berro que eu esperava que o desgraçado ouvisse.

Continuei encarando minhas mãos enquanto meus olhos lacrimejavam, mas as lágrimas nunca alcançavam minhas mãos, pois congelavam no meu rosto logo após escaparem para minha face e permaneciam grudadas na pele, no meio do caminho, incapazes de cumprirem seu papel de cura em minhas mãos. Tentei usar a parte de traz das mãos para afastar uma das lágrimas congeladas, mas aquele movimento só piorou, pois quando eu toquei uma delas para removê-la, carregou consigo um pedaço do meu rosto que, durante o processo de congelamento, grudou, assim como a pele de minhas mãos estavam agora na parede.

ㄧNão... ㄧum sussurro escapou e meus olhos se fecharam enquanto eu me forçava a pensar em algo útil.

Não era real. Aquilo era só um sonho. Eu ainda estava dormindo.

Aquela dor não era real. Não era real. Eu deveria estar no carro. Ou quem sabe na mata, depois do acidente.

Eu não fui derrotada, não fui.

O mesmo problema que eu enfrentava para acordar, simplesmente também enfrentava para cair.

Minha visão começou a tornar-se turva, até que a escuridão, em forma de uma sombra em todos os cantos dos olhos, se fechassem aos poucos, limitando meu olhar lentamente até que tudo o que eu fosse capaz de enxergar fosse uma manta negra e assustadora.

Na verdade, nessa altura do campeonato, extremamente ciente da vitória do meu antigo affair, eu permiti sentir um pouco de medo, pois, assim, conseguia me preservar o máximo de tempo que ainda me restava, o que, logicamente, não era muito.

Meu olfato e paladar haviam desaparecido, o que não era lá uma coisa ruim, pois o odor de produtos químicos queimava minhas narinas. Apesar do desaparecimento do olfato, eu simplesmente prosseguia sentindo o queimar a cada vez que respirava, quer seja pelo nariz ou pela boca. E isso só aumentou o meu medo, proporcionando, lentamente, o desaparecimento do meu sentido mais precioso: a audição.

Quando dei-me por rendida, deixei meu corpo cair, fraquejando, no chão duro que já formava a mesma crosta que era possível encontrar nas paredes e tentei controlar minha respiração, de modo que não fosse necessário respirar tantas vezes, mas que eu conseguisse me manter acordada para que um milagre acontecesse.

Foi então que ouvi um estrondo baixo e distante. Algo se quebrando.

ㄧLilly! ㄧum grito distante chamava por mim e eu quase tive certeza de que era Haz, chamando-me do inferno para cobrar por sua morte.

Eu não ia me entregar ao maldito ainda consciente de mim, então resolvi me entregar de vez ao breu que já dominava minha sanidade e mergulhei no oceano escuro que aguardava por mim.

Notas finais
Alguém assiste GoT? Porque eu me senti meio Ramsay descrevendo essa cena final da Lilly. Claro que, agora, vocês conseguem compreender que minha atração pelo Killian é somente física, porque o cara é um tremendo de um filho da p*. (in)felizmente ele é um gênio, mas tão gênio que foi capaz de construir uma arma poderosa, que prenderia a Lilly ali para sempre (ou não). Bom, eu irei realizar uma viagem essa semana para outra cidade por questões de saúde (preciso fazer alguns exames específicos que não possuem aparelhos aqui na cidade). Pelo o que entendi da explicação do médico, algo de não muito legal está acontecendo comigo. Como farei uma viagem longa de avião, não levarei meu notebook comigo e, por conta disso, irei atrasar as postagens dos capítulos. Peço perdão e, principalmente, que compreendam minha situação. Pode ser que não há nada de errado comigo e o laboratório errou 3 vezes no exame ou que realmente tenha algo de errado. Bom, falando de coisa boa... Mais de duas semanas postando essa história maravilhosa. O que estão achando dela até agora? As reviravoltas foram surpreendentes ou já esperavam? Será que haverá uma 5ª temporada ou devemos parar por aqui? (música de suspense). Vejo vocês nos comentários.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.