Heart and Soldier
3 Capítulo 3 - Determinação
Frisk acordou em outro sonho, ela estava sozinha e em uma sala escura e vazia. Com o tempo, Frisk notou vários fogos fátuos aparecerem ao redor dela de várias cores, eles começaram a falar a ela.
FF1: Você chegou, estamos tão aliviados...
Frisk: ... mas, quem são vocês?
FF2: Somos aqueles que aguardávamos pela sua chegada.
FF3: Quando vimos você poupar aquela criatura, soubemos que era você a escolhida.
Frisk: Por favor, me digam o que eu estou fazendo aqui. Quais suas intenções?
FF4: Você é a esperança de todos aqui do subsolo, todos aqui vivem presos pela guerra entre humanos e monstros, mas... há outro mal por trás.
FF3: Ele gerou o ódio pela humanidade e com isso, ele planeja roubar o poder supremo.
FF1: Ele guiou os monstros para as profundezas e os possuíram, eles já não têm mais vontade própria. Somente alguém com poder semelhante é capaz de acabar com esse sofrimento.
Frisk: Poder? ... Eu tenho poderes?
FF2: Você carrega um grande poder Frisk, esse poder pode ajudar os monstros possuídos a voltarem ao normal, você tem o poder de libertar os monstros das trevas.
FF3: E com esse poder você trará a liberdade dos monstros.
Frisk: Mas... como vou conseguir fazer isso sozinha? Tem muitos deles afora.
FF4: Você não estará sozinha, existem aliados que irão te ajudar.
Frisk: ...Tem mais deles? Por que eles não podem fazer isso?
FF5: Sem seu poder, eles não podem destruir a barreira nem banir as trevas, as almas de seus aliados estão adormecidas e dispersas pelo subsolo.
FF4: Seu poder os despertará, unindo-se a eles, será possível quebrar a barreira.
Frisk estava tentando digerir cada informação, primeiro ela tem que derrotar os monstros das trevas e ainda despertar seus aliados, seja lá quem forem eles.
Frisk: ...Então, eu devo encontrá-los?
FF1: Será uma jornada difícil, os monstros não confiam mais nos humanos, mas não se sinta desamparada, acredite em você, nós...
FF2: Nós acreditamos em você...
FF3: Por favor, salve este lugar...
Frisk: Espere! Como farei isso? Como vou saber quem vai me ajudar?
Os fogos fátuos começaram a desaparecer, Frisk olhou para todos os lados e esperava ouvir mais respostas, mas ninguém mais ouviu-a. A escuridão começou a se tornar mais densa, deixando-a mais sonolenta, até ela acordar.
Frisk notou o quarto escuro e percebeu um cheiro de torta preenchendo o local, Toriel havia deixando um pedaço em um prato no chão. Frisk se levantou e ligou a luz para pegar o prato e comer a torta. A torta agradou-a muito por estar deliciosa, ela nem se lembra da ultima vez que comeu uma torta tão boa quanto essa. Frisk imaginou-se morando com Toriel, sendo bem cuidada e amada e comendo mais tortas como essa, ela então parou e percebeu o quanto era estranho tudo isso, ainda parecia ser um sonho, mas como poderia ser se o gosto da torta estava vivo na boca dela? Frisk teve que começar a aceitar a realidade de onde ela estava e lembrou-se de que ela não deveria ficar neste local, um pesar a atormentou, mas ela sabia que deveria continuar sua missão.
Saindo do quarto, Frisk começou a notar a decoração, tinha plantas estranhas em um vaso e outro vaso de flores douradas, além de um espelho, ela se olhou por um momento, vendo que era a mesma aparência que ela sempre teve. Enquanto estava indo para sala, Frisk respirou fundo, pensando no que iria falar. Toriel estava sentada na poltrona lendo um livro quando notou que Frisk estava por perto, ela parou de ler e olhou-a.
Toriel: Vejo que já está de pé, comeu o pedaço de torta que deixei para você?
Frisk: Sim, estava delicioso.
Toriel: Que bom que gostou minha pequena, se quiser mais torta pode pegar na cozinha.
Frisk: Obrigada pela gentileza, mas... eu preciso contar uma coisa.
Frisk começou a contar a Toriel sobre seu sonho, a escalada do monte, a fonte de luz que a guiou até este lugar, e por fim sua decisão de deixar as ruínas. Após ouvi-la, Toriel estava muito preocupada, se Frisk saísse das ruínas, com certeza haveriam monstros que ficariam loucos em saber que havia uma humana a solta, ela temia deixá-la sozinha e indefesa, mas algo dentro dela falava para deixá-la seguir seu caminho.
Toriel: ... Minha pequena, você está mesmo disposta a fazer isso? É muito perigoso, se você deixar esse lugar... Asgore matará você.
Frisk: Por favor, entenda... Eu tenho mesmo que ir...
Toriel não podia negar sua intuição, mas seu sentimento como uma mãe que protege sua cria estava falando mais alto, ela não queria deixá-la ir dessa forma, se algum monstro fosse forte e impiedoso contra Frisk, Toriel sentiria a culpa de tê-la deixado. Seu semblante mudou, deixando Frisk tensa, ela começou a achar que tudo aquilo estava bom demais para ser verdade.
Toriel: Eu sinto muito... mas... se você não puder provar ser forte o bastante para se defender, eu não posso deixá-la ir.
O clima ficou pesado entre elas, Frisk entendeu que Toriel queria lutar contra ela para testar sua força e ela não iria ceder tão facilmente, Toriel conhecia os monstros afora e eles não teriam piedade de um humano. Toriel se levantou e encarou-a, invocando bolas de fogo ao redor dela com uma expressão fria, Frisk não queria lutar contra ela, não depois de todo o carinho que recebeu dela, aquilo não era justo, mas ela viu que não havia outra escolha.
Repentinamente um barulho alto e assustador apareceu, interrompendo-as. O chão começou a tremer, Toriel e Frisk saíram correndo de casa e viram a árvore a frente havia crescido imensamente, apareceram olhos brilhantes na base do tronco e dois galhos laterais viraram garras, Frisk relembrou que eram as mesmas garras que haviam puxado-a para dentro do portão no sonho, deixando-a perplexa.
Toriel: Fique atrás de mim!
Toriel entrou na frente de Frisk e fez surgir mais bolas de fogo ao redor dela, a árvore esticou suas garras para frente e Toriel apontou às bolas de fogo em direção à árvore, elas voaram e se chocaram contra o braço, a árvore deu um grito agoniante. Toriel imediatamente se virou para Frisk, que estava assistindo tudo assustada.
Toriel: Você tem que sair daqui não é? Vá pelas escadas dentro, tem um portão lá, é a saída das ruínas.
Nesse momento Frisk não soube o que deveria fazer, ela não queria deixá-la com o monstro, ela queria ajudar Toriel.
Toriel: Vá rápido, eu seguro ele.
Frisk: Mas...
Toriel: Não se preocupe comigo, você tem que ir.
Frisk não relutou mais e decidiu entrar em casa e descer as escadas, correndo até o fim das ruínas e chegar ao portão. Antes de abrir ela parou ouvindo vários barulhos acima do corredor. Ela se lamentou em não poder ajudar Toriel, mas sabia que deveria prosseguir, Frisk se sentiu grata por não poder lutar contra Toriel, mas teme que algo muito ruim surja pela frente. Ela abriu o portão e andou por um corredor comprido e estreito, do outro lado daquele corredor, Frisk viu uma sala escura e só havia uma luz que vinha do teto, iluminando alguma coisa. Frisk viu uma flor solitária sendo iluminada por aquela luz e reconheceu o rosto dela, olhando perplexa para aquela flor, Flowey notou que tinha alguém ali e sorriu maliciosamente ao reconhecer Frisk.
Flowey: Então... nos encontramos de novo. Essa é minha chance de acabar com você, e dessa vez, eu trouxe companhia.
O chão começou a tremer novamente e a árvore submergiu do chão, ele estava agarrando Toriel fraca e exausta, Flowey desatou a rir ao ver a reação de Frisk vendo-a nesse estado.
Flowey: Parece que o jogo virou dessa vez! Eu tenho alguém pra me ajudar a acabar com você, e você está sozinha, sem ninguém pra te ajudar. MORRA!
A árvore esticou suas garras para alcançar e agarrá-la e Frisk começou a se desviar dos ataques dele. Flowey não parava de rir da situação em que ela estava. Frisk estava inconformada, ela deveria ter ajudado Toriel antes, mas ao invés disso ela teve que fugir. Frisk havia feito sua escolha de não lutar com violência, mas como ela iria derrotá-lo? Vendo que agora não havia mais como, ela estava cercada entre quatro pareces e com uma refém. Ela não queria que isso acabasse assim.
Frisk: “Não... não foi para isso que eu vim parar aqui... eu não quero morrer aqui... EU NÃO POSSO MORRER!”
Nesse momento, sua determinação aumentou e algo ressoou com sua determinação, um brilho intenso e vago surgiu a frente dela e Frisk olhou assustada, achando que era a luz vaga que havia reaparecido. A árvore parou de atacar ao ver a luz e se sentiu cegado por ela, tampando seus olhos com o galho, Flowey não estava conseguindo ver através da luz.
Flowey: Mas o que está havendo? Ataque ela!
Toriel acordou e olhou para Frisk e aquela luz diante dela, ela testemunhou o que estava acontecendo. Frisk viu aquela luz se materializar num emblema: um coração vermelho com uma estrela de quatro pontas atrás e um laço vermelho. Ele estava brilhando intensamente e Frisk pegou aquele emblema flutuando. Ela sentiu um novo poder emergindo dentro dela e uma nova voz sussurrou para ela.
“... acredite em você, tenha determinação!”
Frisk apoiou o emblema em seu peito e uma fonte de luz a iluminou por completo, ela sentiu sua magia preenche-la e ela se transformou. Materializou-se um vestido com luvas e botas, uma coroa surgiu na cabeça, havia um pregador atrás da cabeça em formato de coração. Atrás da saia havia uma faixa com o mesmo desenho do emblema. O mesmo estava apoiado no peito e um cajado apareceu na mão dela. Após terminar de se transformar, todos notaram a luz cessar e viram-na vestindo um traje diferente de antes, Frisk estava cercada pela aura do emblema, ela imediatamente aponta para Flowey e a árvore, falando seu bordão impetuosamente.
Frisk: Eu sou a guardiã da Determinação, e irei expulsar as trevas de você!
Flowey: HÁ! Belas palavras de uma guardiã, mas você não pode expulsas as trevas de mim, EU SOU AS TREVAS!
Frisk se dá conta do que acabou de fazer e olha para si mesma assustada, ela não entendeu como isso aconteceu, ela notou que suas roupas haviam mudado e viu o cetro que estava segurando na sua mão, Toriel olhou-a orgulhosa.
Toriel: “Minha criança... é uma guardiã!”
Logo ela percebeu que Frisk estava paralisada e não entendeu o porquê do tamanho choque.
Frisk: Eu... eu...
Ela se segurou até se soltar veemente sua alegria.
Frisk: EU SOU UMA GAROTA MÁGICA! Eu não acredito nisso! Meu sonho se tornou realidade!
Toriel: É...
Os três não conseguiram entender o porquê da emoção repentina em ser uma guardiã, Toriel estava sem graça, enquanto Flowey estava olhando-a com desdém.
Flowey: É hora de acabar logo com isso, ATAQUE!
O monstro obedeceu-o e se adiantou para atacar Frisk. Toriel começou a alertá-la e Frisk parou de comemorar para se desviar novamente do monstro.
Toriel: Rápido, use sua magia!
Frisk: Mas... como?
O desespero de usar algum poder a deixou tensa, ela logo viu que ser uma guardiã não era tão emocionante quanto ela esperava. O monstro conseguiu atingi-la, empurrando-a para trás, ela caiu de costas no chão e tentou se levantar. Flowey desatou a rir novamente.
Flowey: TÃO FRACA! MAL POSSO ACREDITAR QUE VOCÊ É MESMO UMA GUERREIRA.
A queda foi tão brusca que Frisk percebeu que não teria tempo de se levantar antes de se desviar novamente, ela entrou em desespero, clamando por ajuda.
Frisk: Me ajude...
Flowey: ESSE É O SEU FIM!
Antes de atingi-la, algo apunhalou o braço da árvore rapidamente, cortando-o, logo o objeto se espetou no chão, era um osso em forma de adaga, todos a olharam e procuraram de onde a adaga surgiu.
Flowey: QUEM ESTÁ AÍ?
Uma voz desconhecida preencheu o lugar, era uma voz masculina, ninguém conseguiu identificar de onde a voz surgiu.
“Criatura maligna que ataca indefesos, seres como vocês devem ser julgados pela luz.”
Toriel: Essa voz...?
Frisk: Eu já vi isso em algum lugar...
Flowey: VOCÊ ME IRRITA, OUVIU? MOSTRA SUA CARA!
Toriel: Agora, guardiã!
Frisk pegou seu bastão sentindo dentro de si sua magia, ela viu uma oportunidade de fazer o monstro voltar ao normal e deter Flowey. Se concentrando até seu bastão encher-se de energia, ela foca em ambos e aponta o bastão para eles.
Frisk: Pelo poder da Determinação, eu ordeno às trevas que saiam.
O bastão brilha e emite um rojão de luz em direção à árvore e à Flowey, a árvore soltou um rugido e acabou se encolhendo até sumir. Após a luz cessar, Toriel estava em pé, parecia bem. Elas notaram porém que Flowey ainda estava aí, ele encarou Frisk.
Flowey: Hehehe... Boa tentativa, mas seu poder não é suficiente para me deter, por ora eu só estava brincando com você, vai precisar de mais do que isso se quiser me enfrentar de verdade... Estarei esperando por esse momento.
Flowey riu diabolicamente e escapou indo por terra abaixo. Apesar de tudo Frisk estava aliviada por isso ter acabado, ela correu para abraçar Toriel.
Toriel: Minha pequena, eu sabia que conseguiria.
Frisk: Não teria conseguido se não fosse você.
? : “Eu também ajudei.”
Frisk: Mas você não fez nada...
? : “Bem, meu trabalho está feito.”
A voz misteriosa sumiu e Frisk parou para agradecer mais uma vez a Toriel pela ajuda, ela cessou sua transformação e seu emblema parou de brilhar, voltando ao visual de antes. Frisk havia se esquecido se ainda teria que lutar contra Toriel para poder sair.
Frisk: É mesmo... você ainda...
Toriel: Não, eu a deixarei sair, porém eu tenho um pedido pra você. Quando sair das Ruínas, não volte, e nem olhe para trás, espero que compreenda.
Frisk: Espere... Você me ajudou muito, eu vou encontrar pessoas que nem você?
Toriel: Hehe, eu conheço pessoas que são bons amigos, você terá que conquistar a confiança deles antes, tenho certeza que você não se sentirá desamparada. E espero pelo dia em que nos encontraremos novamente, por enquanto as ruínas precisam de alguém para cuidar.
Frisk:Sim, nos veremos de novo quando eu quebrar a barreira.
Frisk olhou uma ultima vez para ela antes de ter certeza que não olharia mais para trás, ela foi até o portão de saída e a empurrou, Toriel assistiu Frisk deixando as ruínas lentamente, dando alguns passos para frente e a porta se fechava. Vendo aquela cena, Toriel sabia que havia surgido uma nova esperança para todos, porém ela não conseguiu deixar de se preocupar pela segurança de Frisk, logo ela cruzou as mãos e orou.
Toriel: Por favor... Onde você estiver... proteja-a...
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